Cronica

O fascínio pelo mal sem motivo
Cinema
O fascínio pelo mal sem motivo
6 de setembro de 2026 at 00:56 0
Eu e a Valéria sempre assistimos a novelas e a séries juntos, mas filmes, raramente. Uma destas raras ocasiões deve ter sido uns quinze anos atrás: resolvemos ver um filme aleatório na TV a cabo e – coisa realmente rara, não custa reforçar – assistimos com atenção máxima do início até o fim. Era sobre um casal que está numa casa de campo quando são atacados por três mascarados. Eu não lembrava como o filme terminou, nem o seu nome, nem mais nada. Só sabia que uma atriz famosa, filha de um cantor de rock famoso, era a atriz principal. E só. E nunca mais esqueci do filme e – perguntando agora para a Valéria – acabei descobrindo que ela também nunca mais esqueceu: uma das coisas mais assustadoras a que já assistimos. Desde que o vi, acabei descobrindo o nome do filme, “Os Estranhos” (dirigido por Bryan Bertino, Estados Unidos, 85 min), mas tive que saber primeiro o nome da atriz (Liv Tyler), filha do famoso cantor do Aerosmith, Steven Tyler. Descobri também que o filme teve um impacto tão grande que acabou tendo desdobramentos, com uma sequência chamada “Os Estranhos: Caçada Noturna”, de 2018, e uma trilogia lançada entre 2024 e 2026 (“The Strangers: Chapter 1”, “The Strangers: Chapter 2” e “The Strangers: Chapter 3”). Como dá para imaginar, o projeto de rever aquele filme eu tenho desde aquela longínqua noite com minha esposa e, finalmente, o assisti de novo recentemente. “Os Estranhos” consegue ser muito melhor do que eu lembrava: os mascarados que invadem a casa são um homem e duas mulheres, e praticamente não falam nada durante o filme inteiro. O terror que eles perpetram contra o pobre casal é lento, esquisito, e vai crescendo desde que eles aparecem até o final. Não há nenhuma justificativa para suas ações, nada, o que deixa o filme mais impactante e, na minha opinião, muito melhor – aqui comento como é este terror injustificado o grande atrativo de filmes espetaculares, como “Canibais (The Farm)” e “Bacurau”. Por que será que o mal gratuito me atrai tanto no cinema? Provavelmente porque o mal, em si, não tem nada que o justifique; não adianta tentar me convencer do contrário. *** Imagem gerada pelo Claude. Se você estiver interessado em receber este e outros textos meus semanalmente, clique aqui e cadastre seu e-mail.
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O Veredito Errado da Adolescência: Como as mídias dos anos 80 me afastaram de TRON — e por que redescobri o filme como uma obra-prima visionária
Cinema
O Veredito Errado da Adolescência: Como as mídias dos anos 80 me afastaram de TRON — e por que redescobri o filme como uma obra-prima visionária
31 de maio de 2026 at 10:31 0
É engraçado como eu lembro de frases e comentários das revistas Bizz e Veja, e da Enciclopédia Abril, que eu lia na adolescência. Sobre o filme “Tron, uma odisseia eletrônica” - filme americano lançado em 1982, dirigido por Steven Lisberger e com Jeff Bridges, Bruce Boxleitner, David Warner nos papéis principais (96 min) -, os comentários eram mais ou menos os seguintes: visualmente deslumbrante, mas com roteiro fraquíssimo. Bem, imaginei que era uma coisa parecida com a imagem que acompanha o texto, em que seres humanos tinham umas roupas eletrônicas colantes cheias de fios e luzes, não me interessei tanto e acabei não assistindo ao filme. Mas, por algum motivo, “Tron: uma odisseia eletrônica” nunca me saiu da cabeça, até que resolvi assistir em um dia desses. Visto hoje, época em que a discussão sobre Inteligência Artificial é tão urgente, o filme, ao contrário do que a Revista Veja comentou na época, não tem um roteiro ruim – mais do que isso, mostrou-se bem adiantado no tempo. Ele conta a história de Kevin Flynn, um programador de computadores que é transportado para dentro do mundo digital de um computador de grande porte (mainframe), onde precisa lutar por sua vida em jogos de gladiadores eletrônicos para derrotar o tirânico Master Control Program, uma IA maligna que domina o ambiente, conhecido como “Grade”. Os ecos de HAL, o computador inteligente de “2001: Uma Odisseia no Espaço” (filme de 1968 dirigido por Stanley Kubrick), me pareceram bem presentes. As atuações, por outro lado, achei fraquíssimas. Mas não é isso que me impressionou tanto em “Tron: uma odisseia eletrônica”: o filme é, visualmente, deslumbrante. As perseguições de motos virtuais, os ambientes com “lixo computacional”, os voos de espaçonaves eletrônicas têm um visual magnífico, com cores vívidas, e movimentos de imagens de computador que deixam a gente pensando o tempo todo: como eles lançaram esse negócio em 1982? Incrível! O início se passa todo fora do computador, mas quando Kevin Flynn entra no mainframe o que se vê são rostos humanos, distorcidos por filtros normalmente azulados, em roupas e ambientes computacionais belíssimos. E a história, não custa reforçar, não só é atual como é muito bem contada. Uma verdadeira obra-prima! Eu não esperava por essa, certamente.
Imagem que acompanha o texto: Divulgação Se você estiver interessado em receber este e outros textos meus semanalmente, clique aqui e cadastre seu e-mail.
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