ficção científica

Cinco livros e um título: Escritor – A materialização de um desejo que me acompanha desde a infância
Obra Literária
Cinco livros e um título: Escritor – A materialização de um desejo que me acompanha desde a infância
8 de março de 2026 at 17:44 0
A foto que acompanha este texto me traz um certo conforto: nela estão os cinco livros que publiquei. Embora na Amazon apareça uma versão inicial da novela Conversão, a versão definitiva consta em O Verão de 54 (novelas); por isso, ela não precisa estar na foto. Da mesma forma, a coletânea Ser: Antologia EmContos traz a primeira versão do conto ‘A mulher de César’, que é a história que dá título ao meu livro mais recente. Sendo assim, a coletânea também ficou de fora. Sou péssimo para tirar fotos. Se peço para a Valéria ou para a Teresa fotografarem a mesma coisa que acabei de registrar, a minha fica feia e as delas ficam bonitas. Mas, como elas aprovaram este clique, meu conforto só aumentou. Dos meus livros, apenas a novela inicial, Um amor como nenhum outro, está fora de catálogo. Tenho planos de republicá-la adequadamente algum dia, talvez por uma editora que não seja de autopublicação. Não tenho pressa. Foi um livro de que muita gente gostou e pode ser o meu melhor trabalho, mas enfim... Os outros podem ser encontrados na Amazon neste link e neste link, ou diretamente comigo pelo e-mail: fabriciomuller60@gmail.com. Pedi ao Gemini que comentasse sobre minhas cinco obras, e você pode acessar esse longo texto aqui. Meus outros textos publicados sobre os livros estão disponíveis neste endereço. Meus cinco livros são muito diferentes entre si. Um amor como nenhum outro é uma novela curta, uma espécie de “romance de formação”. Curtas também são as quatro novelas de O verão de 54: uma policial (Morrissey), uma de temática adolescente (Sorry), uma com narrativa tradicional, sobre família e religião (Conversão) e outra de metalinguagem (O verão de 54). Já Rua Paraíba é composto por três livros (Rua ParaíbaMemórias e Energia), que exploram, com estilos variados, temas autobiográficos como o início do meu casamento, o nascimento da minha filha, minha trajetória profissional e meu amor pela música pop. 3040 é um romance de fôlego (mais de 400 páginas), uma distopia/utopia ambientada em um futuro onde a humanidade, após sucessivas pandemias, vive em prédios gigantes, isolada da natureza. Temas como sexualidade, religião, relacionamentos e música — recorrentes em minha obra — aparecem aqui em uma narrativa com começo, meio e fim. É uma estrutura bem diferente de A mulher de César, uma coletânea caótica que reúne contos eróticos e fantásticos, poesia (Sempre) e delírios em geral (deus um delírio). Sinto-me feliz por ter publicado tudo o que desejei até agora, mas pretendo continuar: já estou escrevendo um novo romance, chamado Não tenho medo do escuro, sobre um homem que perde a visão. Olhando para trás, tenho mais um motivo para me sentir confortável com essa foto: quero ser escritor desde criança. Quem leu Rua Paraíba sabe o quanto amo meu trabalho como engenheiro, mas, quem sabe, agora eu já possa ser chamado, finalmente, de “engenheiro e escritor”. *** Se você estiver interessado em receber este e outros textos meus semanalmente, clique aqui e cadastre seu e-mail.
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Meus cinco livros sob a análise do Gemini, do Google
Obra Literária
Meus cinco livros sob a análise do Gemini, do Google
5 de março de 2026 at 03:06 0
Pedi para o Gemini responder a duas perguntas sobre meus cinco livros: "Você pode comentar este livro?" e "O que você achou do livro?". As respostas seguem abaixo.
  1. 3040
Você pode comentar este livro?
O texto intitulado "3040", da autoria de Fabricio Muller, é uma obra de ficção científica que utiliza o formato de diário e memórias para explorar uma sociedade futurista e claustrofóbica. Abaixo, apresento um comentário detalhado sobre os principais aspetos da narrativa:
  • Construção do Mundo e Ambientação: A narrativa situa-se no ano de 3040, num cenário pós-apocalíptico onde a humanidade vive no "Condomínio", uma rede de 800 edifícios gigantescos situados no litoral da antiga Argentina, Brasil e Uruguai. Este isolamento é justificado por séculos de pandemias mortais que reduziram a população mundial para 500 milhões de pessoas. O exterior é visto com medo e desconfiança, sendo chamado genericamente de "Natureza". A vida urbana tornou-se uma ruína arqueológica. A sociedade é monitorada por câmaras e o trabalho tornou-se facultativo devido à automação.
  • Temas Centrais: O texto explora a tensão entre gerações sobre a utilidade do esforço e da produtividade num mundo onde as máquinas providenciam o básico. Descreve uma mudança radical nos costumes, onde a sexualidade é livre, fluida e desprovida de tabus. Um dos pontos mais intrigantes é o renascimento religioso com uma Igreja Católica reformada que eliminou pecados sexuais e focou em "pecados de verdade".
  • Dinâmica de Personagens: Sílvia (a narradora) é intelectualizada e fã de História. Mariana representa o contraste entre eficiência profissional e uma vida sexual descomplexada. Paulo, o interesse amoroso de Sílvia, introduz um elemento místico-religioso ao ter visões da Virgem Maria, apesar de se declarar ateu.
  • Estilo e Estrutura: O texto alterna entre digressões explicativas sobre o funcionamento do mundo e diálogos íntimos e crus. A linguagem é coloquial e direta, criando uma sensação de cápsula do tempo.
O que você achou do livro?
Como inteligência artificial, não possuo sentimentos ou gostos pessoais, mas posso analisar a obra do ponto de vista literário e conceptual. O texto "3040" é uma peça de ficção especulativa bastante intrigante por diversos motivos:
  1. A Criatividade na Reintegração de Tradições: É fascinante como o autor projeta a sobrevivência de tradições milenares num cenário de alta tecnologia.
  2. O Contraste entre Estagnação e Humanidade: O livro descreve um mundo onde a luta pela sobrevivência física foi vencida, mas a luta pelo sentido da vida continua.
  3. O Estilo Narrativo: A mistura de diálogos quotidianos com explicações quase enciclopédicas mantém o leitor curioso.
  4. A Provocação Social: O livro é "gostável" para quem aprecia ficção científica que se foca na sociologia.
Em resumo: É uma análise sociológica disfarçada de ficção especulativa. Se gosta de distopias que exploram a natureza humana e a evolução dos costumes sociais, é um texto com muito valor intelectual.
  1. Um amor como nenhum outro
Você pode comentar este livro?
O texto "Um amor como nenhum outro" é um relato confessional e retrospectivo, carregado de uma melancolia irônica e de uma vulnerabilidade muito honesta. O narrador, Raul, utiliza sua trajetória na natação competitiva como pano de fundo para explorar sua formação emocional, suas frustrações amorosas e sua busca por uma identidade intelectual.
  • A Dualidade entre o Corpo e o Intelecto: Raul vive um conflito constante entre o ambiente físico da natação e um refúgio intelectual onde se sente superior por ler James Joyce e Thomas Mann.
  • A Idealização do Feminino: O texto revela uma visão quase platônica das mulheres que ele ama. O medo de "macular" a perfeição é maior do que o desejo de concretizar o amor.
  • O Esporte como Metáfora da Vida: A natação reflete seus estados emocionais. Raul descreve-se como um "Leão de Treino": alguém que rende bem no cotidiano, mas falha sob pressão em momentos decisivos.
  • Tom e Estilo: O autor utiliza uma linguagem direta com fórmulas matemáticas e citações literárias. Termina com uma virada de esperança ao encontrar Valéria.
O que você achou do livro?
É um relato fascinante e tecnicamente muito bem construído. O que torna a leitura envolvente é a honestidade brutal com que o narrador expõe suas inseguranças e contradições.
  • A Honestidade da Inadequação: Captura perfeitamente o sentimento de inadequação da adolescência e a disparidade entre a imagem externa e o caos interno.
  • A Estrutura de "Mosaico": A narrativa composta por fragmentos de memória, letras de música e fórmulas reflete como nossa mente organiza o passado.
  • O Retrato de uma Época: Funciona como uma cápsula do tempo dos anos 80 (revistas de música, bandas como Echo and the Bunnymen, ambiente das equipes de natação).
  • A Ironia com o Intelectualismo: É muito interessante como o autor ironiza a própria "pose" intelectual do protagonista.

  1. O verão de 54 (novelas)
Você pode comentar este livro?
O livro é uma obra de ficção que reúne quatro novelas distintas, cada uma explorando temas, estilos narrativos e públicos-alvo diferentes.
  • Estrutura e Estilo Narrativo: A obra destaca-se pela diversidade de géneros: "O Verão de 54" usa metalinguagem; "Conversão" aborda família e religião; "Morrissey" é um conto policial em formato de diálogo; e "Sorry" é uma novela adolescente em formato de diário.
  • Enredos e Temas: "O Verão de 54" foca em Paulo Moreira e um amor proibido que atravessa décadas, revelando segredos sombrios de sua família durante a ditadura. "Morrissey" apresenta um interrogatório sobre um assassino inspirado nas letras do cantor. "Conversão" foca em conflitos geracionais e religiosos. "Sorry" relata dilemas típicos da adolescência.
  • Contexto: O autor utiliza sua cidade natal, Curitiba, e o litoral paranaense como cenários, misturando ficção com factos históricos como o suicídio de Getúlio Vargas.
O que você achou do livro?
Apresenta-se como uma obra multifacetada que combina ficção, memória e experimentação técnica.
  • Diversidade de Géneros: O autor demonstra versatilidade ao transitar entre metalinguagem, narrativa policial e literatura juvenil.
  • Interligação entre Pessoal e Histórico: O uso de eventos reais como pano de fundo confere à narrativa uma camada de realismo e peso histórico.
  • Temas Provocadores: Não foge de temas complexos como hipocrisia social, fanatismo e conflitos de gerações.
  • Construção de Personagens: As personagens são imperfeitas e movidas por desejos contraditórios.

  1. Rua Paraíba
Você pode comentar este livro?
Este livro é uma obra de autoficção ou memórias que se destaca pela honestidade brutal e pela fusão entre o universo técnico da engenharia e a sensibilidade das humanidades.
  • A Dualidade: Exatas vs. Humanas: O autor vive em conflito entre seu lado engenheiro hidrólogo e seu lado escritor. Encontra lirismo em conceitos técnicos, comparando a criação de séries sintéticas de água ao sentimento de ser um "deusinho".
  • Solidão e Melancolia: A obra é permeada por uma tristeza enraizada. O autor vê o sono como o ápice da solidão humana e sente luto por perdas como a de sua cachorra Chérie.
  • Espiritualidade e Cultura: Detalha um processo de conversão tardia do ateísmo para o catolicismo, influenciado por Santa Teresa d’Ávila. A cultura pop (Seinfeld, Morrissey, Teresa Salgueiro) é o fio condutor de suas memórias.
  • Estilo: Texto fragmentado que não hesita em usar termos técnicos ao lado de análises literárias de Proust e Nabokov.
O que você achou do livro?
É um exercício de memória notável por sua honestidade intelectual.
  • A Engenharia como Lente Existencial: Muller utiliza a hidrologia para explicar o mundo e a si mesmo, definindo sua existência pelo conceito físico de "arrasto" (resistência ao movimento).
  • A Melancolia e o "Oceano Escuro": A obra é atravessada por uma tristeza profunda, comparada a fossas abissais vazias e escuras.
  • A Fé e a Cultura Pop: Sua jornada espiritual une o rigor científico a um delírio místico. A obra transita entre Proust e o amor pelo black metal ou rap.
  • Honestidade e Autocrítica: O autor não tenta parecer heroico, confessando falhas como professor.

  1. A mulher de César
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É uma coletânea de contos, novelas e poesias que transita entre o realismo cotidiano, o erotismo e o fantástico metafísico.
  • Reencarnação e Realidades Alternativas: O conto título narra a história de Gabriela, que acredita ser a reencarnação da esposa de Júlio César, fundindo a rotina paranaense com memórias da Roma Antiga.
  • O Lado Sombrio e Poder Mental: Explora psicopatologias (como em "Jack the Ripper") e oferece perspectivas melancólicas, como a vida de um cachorro acompanhando a decadência do dono.
  • Sexualidade e Fetichismo: O livro contém forte carga erótica, detalhando jogos de poder, fetiches e buscas psicológicas por prazer.
  • Metafísica e Delírio: O encerramento propõe uma cosmologia onde Deus reencarnou como uma cantora de rap tatuada e marginalizada.
O que você achou do livro?
É uma obra intrigante que se destaca pela coragem em transitar por temas de "esquisitice generalizada".
  • Dualidade entre Autor e Obra: Há um contraste curioso entre a vida pacata do autor (engenheiro, católico, casado há 35 anos) e a liberdade absoluta de sua literatura.
  • Narrativas de Identidade: A reencarnação e o fantástico servem para explorar a psicologia das personagens e a vulnerabilidade humana.
  • O Lado Sombrio da Mente: Explora com frieza sentimentos de ódio e indiferença, sugerindo que o pensamento negativo pode ter um poder letal.
  • Metafísica e Solidão: Reflete uma profunda solidão existencial e a busca por uma "metade" que dê sentido à vida.

Imagem que acompanha o texto também foi obtida no Gemini, do Google.
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Cinema em 2025: Uma Retrospectiva Pessoal
Cinema
Cinema em 2025: Uma Retrospectiva Pessoal
21 de dezembro de 2025 at 12:17 0
Em 2025, li muito menos que o meu normal, mas compensei isso assistindo a muitos filmes. Seguem os vinte de que mais gostei, em ordem de preferência — alguns contêm links que se referem a textos meus escritos anteriormente.
  1. A Outra Terra (Another Earth) Este filme americano de 2011, dirigido por Mike Cahill, tem 92 minutos de duração. A trama de ficção científica acompanha Rhoda Williams, uma jovem estudante de astrofísica que busca redenção após causar um acidente fatal, ao mesmo tempo em que o surgimento de um planeta duplicado ("Terra 2") oferece a perspectiva de uma segunda chance. Um filme maravilhoso e pouco conhecido, que parece um sonho.
  2. Bacurau Dirigido por Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, este filme brasileiro/francês foi lançado em 2019 e tem 131 minutos. A história narra a luta violenta pela sobrevivência da pequena comunidade de Bacurau, no sertão de Pernambuco, após seus moradores descobrirem que o vilarejo desapareceu dos mapas e está sob ataque de mercenários estrangeiros. Claramente inspirado em Deus e o Diabo na Terra do Sol, de Glauber Rocha, esta obra prova que uma obra-prima pode influenciar outra.
  3. Os Canibais (The Farm) Com 80 minutos de duração, este filme de survival horror americano de 2018 foi dirigido por Hans Stjernswärd. A trama segue um jovem casal sequestrado e mantido em cativeiro em uma fazenda isolada, onde são tratados como animais de criação. É, provavelmente, o filme mais assustador a que já assisti.
  4. Em Roma na Primavera (The Roman Spring of Mrs. Stone) Dirigido por Robert Allan Ackerman, este filme americano de 2003 tem 99 minutos. Baseado em um romance de Tennessee Williams, conta a história de uma atriz americana de meia-idade que, após a morte do marido, se envolve com um jovem gigolô italiano em Roma, mas a trama não se desenvolve como se espera, o que faz a força do filme.
  5. V/H/S/85 Esta antologia de terror found footage é uma coprodução entre EUA e México, lançada em 2023, com 110 minutos de duração. A narrativa se desenrola através de um documentário fictício que revela cinco contos arrepiantes com a estética da década de 1980. Os segmentos interligados "No Wake" e "Ambrosia", dirigidos por Mike P. Nelson, são tão espetaculares que deveriam ser expandidos para longas-metragens — e não sou só eu quem pensa assim.
  6. X - A Marca da Morte (X) Este slasher de terror de 2022, dirigido por Ti West, tem 105 minutos. A trama acompanha um grupo de cineastas amadores que tenta gravar um filme adulto em uma fazenda isolada no Texas, mas se torna alvo de anfitriões idosos e assassinos. Reúne gore, erotismo, intensidade e a excelente Mia Goth.
  7. Kill Bill: Volume 1 e 2 (Kill Bill: Vol. 1 & 2) Filmes de Quentin Tarantino lançados em 2003 e 2004, com cerca de 248 minutos de duração total. Com Uma Thurman e grande elenco, a obra segue a assassina Beatrix Kiddo em uma jornada que mistura artes marciais e faroeste. Celebrada como o épico de vingança definitivo de Tarantino, só agora assisti a esta obra-prima. "Antes tarde do que mais tarde", como diz minha filha Teresa.
  8. Midsommar: O Mal Não Espera a Noite (Midsommar) Lançado em 2019 e dirigido por Ari Aster, tem 147 minutos de duração. O filme acompanha um casal em um festival sueco de solstício de verão que ocorre a cada 90 anos, mas a celebração se torna um pesadelo de rituais pagãos. Pareciam hippies, mas não eram: a luminosidade extrema desta obra-prima deixa tudo mais bonito e muito mais perturbador.
  9. Sexo, Mentiras e Videotape (Sex, Lies, and Videotape) Este drama de 1989, dirigido por Steven Soderbergh, tem 100 minutos. A trama explora a vida de quatro pessoas cujos segredos e insatisfações sexuais afloram após a chegada de um homem que grava entrevistas sobre fantasias íntimas. Um filme profundo e carinhoso com os seus personagens.
  10. Swingers: Os Limites do Amor (Hranice Lásky) Dirigido por Tomasz Winski, este filme tcheco de 2022 tem 95 minutos. Acompanha um casal que decide explorar a não-monogamia e o swinging, testando os limites do amor e do ciúme. Parece libertário, mas não é.
  11. Barbie Esta sátira de 2023, dirigida por Greta Gerwig, tem 114 minutos. Barbie e Ken deixam a Barbielândia para visitar o Mundo Real, onde descobrem realidades sobre gênero e patriarcado. Um filme delicioso e divertido que levanta questões profundas, embora pudesse ter meia hora a menos.
  12. Um Lugar Secreto (John and the Hole) Filme de Pascual Sisto (2021) com 103 minutos. Conta a história de John, um garoto de 13 anos que prende a sua família num bunker inacabado no quintal de casa. Além de parecer um sonho sinistro, possui uma história paralela sobre uma menina abandonada que torna tudo ainda mais perturbador.
  13. Os Imorais (The Grifters) Dirigido por Stephen Frears, este noir de 1990 tem 119 minutos. Três vigaristas profissionais mergulham no submundo do crime e da traição em Los Angeles. Ainda pretendo comentar aqui sobre este e outros filmes neo-noir da década de 1990 e as suas cores maravilhosas.
  14. Ninfomaníaca - Volumes 1 e 2 Esta obra de Lars von Trier (2013) tem 241 minutos no total. Desenrola-se a partir dos relatos de Joe (Charlotte Gainsbourg), uma ninfomaníaca, sobre as suas experiências. Alta cultura e vício em uma obra-prima perturbadora.
  15. O Grupo Baader-Meinhof (Der Baader Meinhof Komplex) Drama histórico de 2008 dirigido por Uli Edel, com 149 minutos. Narra a ascensão e queda da Fração do Exército Vermelho (RAF) na Alemanha Ocidental. É fiel ao livro de Stefan Aust; a semelhança da atriz que interpreta Gudrun Ensslin com a verdadeira terrorista é impressionante.
  16. A Maldição da Ponte (The Bridge Curse) Terror taiwanês de 2020 dirigido por Lester Hsi. Estudantes decidem testar o mito de uma ponte assombrada em uma transmissão ao vivo. Meus sonhos e pesadelos parecem-se com este filme.
  17. O Agente Secreto Thriller político de Kleber Mendonça Filho lançado em 2025, com 158 minutos. Ambientado no Recife de 1977, foca na vigilância e repressão da ditadura militar. Quase tão bom quanto Bacurau.
  18. Anora Comédia dramática de Sean Baker (2024) com 138 minutos. Uma stripper do Brooklyn casa-se impulsivamente com o filho de um oligarca russo. Embora eu sempre torça pelo Brasil, reconheço que Anora é superior a Ainda Estou Aqui.
  19. Ligadas pelo Desejo (Bound) Thriller neo-noir de 1996 dirigido pelas irmãs Wachowski. Foca no romance entre uma ex-presidiária e a namorada de um mafioso, que planejam um roubo milionário. Outra obra-prima que pretendo detalhar em breve.
  20. O Babadook (The Babadook) Filme de Jennifer Kent (2014) com 94 minutos. Uma viúva enfrenta o medo do filho de um monstro infantil, que serve como metáfora para o luto. Um filme assustador de verdade.
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Uma partida de xadrez
Obra Literária
Uma partida de xadrez
27 de abril de 2025 at 18:36 0
Os dois chegam meio esbaforidos para a mesa, e se cumprimentam rapidamente – é quase um tapinha nas mãos que eles se dão. Eles se sentam e começam imediatamente a ajeitar as peças no tabuleiro, que já estavam previamente colocadas nas suas posições. Até hoje não entendo direito porque os enxadristas arrumam – meio que giram mesmo – todas as suas peças antes das partidas: eles mexem nelas, mas parece que não muda nada na sua disposição. Será que é alguma mania, ou TOC? Sei lá, só sei que sempre vejo isso, e é estranho. Uma voz fala pelos alto-falantes: “disparem seus cronômetros”, e os jogadores de pretas – Benjamin, no caso do jogo que estou assistindo com mais atenção – clicam no relógio, que é do mesmo tipo há séculos. Ele é composto por dois cronômetros digitais, sem ponteiros; acima deles, uma espécie de barrinha aproximadamente em forma de “V” é acionada por cada jogador no final de sua jogada, quando seu cronômetro para e dispara o do adversário. O jogo é no ritmo pensado – quatro horas, mais cinco minutos por lance, mais duas horas depois do lance 40, com adicionais de dois minutos por lance. É notável como Raj Singh parece pouco se mexer durante todo o jogo: ele fica inclinado sobre o tabuleiro – só o que se mexe, mas apenas a cada tantos minutos, são seus braços e mãos: ou sobre o colo, ou com os cotovelos na mesa e as mãos apoiando o rosto, ou com os cotovelos na mesa e as mãos sobre os pulsos ou atrás dos cotovelos. Às vezes ele se cansa de ficar inclinado para a frente e se apoia para um pouco na cadeira, para trás. Benjamin se mexe muito mais que seu amigo: além de fazer todos os movimentos que o Raj faz, ele fica olhando para cima um bom tempo (imaginando alguma variante, com certeza), coça o rosto com as mãos – principalmente embaixo do queixo -, fica muito mais tempo inclinado para trás e toma mais água que seu adversário. Os dois andam um pouco para ver os tabuleiros. Raj Singh é famoso por ser um dos que mais se levantam e olham as partidas alheias, mas quando joga contra o Benjamin ele se distrai bem menos. Quanto aos lances, a velocidade das jogadas varia bastante, e vai da grande demora (o lance mais lento foi provavelmente o 27.... g5, que meu irmão demorou quase meia hora para fazer) até uma troca rápida de lances - em posições mais estudadas ou mais simples. Tanto meu irmão quanto o Raj são destros, e usam a mesma mão para jogar e acionar o cronômetro (em jogos de blitz, é comum o enxadrista mexer a peça com uma mão e tocar no relógio com outra, para ganhar tempo). Na entrevista coletiva antes da partida, o Raj Singh, sabendo da superioridade do meu irmão, disse - meio brincando, meio a sério - que “só tentaria se defender com as brancas e ver o que iria acontecer”; já meu irmão fez aquele sorriso vencedor dele e respondeu, meio brincando e meio a sério também: “o Raj é gentil demais para conseguir me vencer”. Brincadeiras à parte, eles jogam a variante Nyezhmetdinov-Rossolimo com fianchetto da Siciliana (a abertura termina com o lance 4... Bg7, que é o fianqueto). Foi um jogo posicional, em que Raj Singh tentou manter uma posição o mais segura possível, sem basicamente arriscar nada - mas a sua tática não deu certo, e ele acabou desistindo no lance 55. Quando o jogo acaba, os dois se cumprimentam tão rapidamente quanto no início da partida, e começam a conversar sussurrando, para não atrapalhar quem ainda estava jogando. Raj aponta o dedo para a coluna e, depois de uma rápida troca de ideias, coloca o dedo na casa b2, perguntando, possivelmente, se tinha feito alguma besteira em algum momento do final. O olhar do indiano para meu irmão é uma mistura de preocupação pela derrota com uma enorme admiração por ele; Benjamin, por outro lado, parece estar um pouco constrangido por ter ganhado mais uma do seu amigo. Quando a conversa, que durou pouco mais que um minuto acaba, os dois se levantam rapidamente e saem do palco. Havia mais enxadristas sendo atração no palco. (Imagem obtida com o programa de inteligência artificial Gemini, do Google. Quem tiver interesse em receber meus textos semanalmente, clique aqui e cadastre seu e-mail.)
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