O verão de 54

Meus cinco livros sob a análise do Gemini, do Google
Obra Literária
Meus cinco livros sob a análise do Gemini, do Google
5 de março de 2026 at 03:06 0
Pedi para o Gemini responder a duas perguntas sobre meus cinco livros: "Você pode comentar este livro?" e "O que você achou do livro?". As respostas seguem abaixo.
  1. 3040
Você pode comentar este livro?
O texto intitulado "3040", da autoria de Fabricio Muller, é uma obra de ficção científica que utiliza o formato de diário e memórias para explorar uma sociedade futurista e claustrofóbica. Abaixo, apresento um comentário detalhado sobre os principais aspetos da narrativa:
  • Construção do Mundo e Ambientação: A narrativa situa-se no ano de 3040, num cenário pós-apocalíptico onde a humanidade vive no "Condomínio", uma rede de 800 edifícios gigantescos situados no litoral da antiga Argentina, Brasil e Uruguai. Este isolamento é justificado por séculos de pandemias mortais que reduziram a população mundial para 500 milhões de pessoas. O exterior é visto com medo e desconfiança, sendo chamado genericamente de "Natureza". A vida urbana tornou-se uma ruína arqueológica. A sociedade é monitorada por câmaras e o trabalho tornou-se facultativo devido à automação.
  • Temas Centrais: O texto explora a tensão entre gerações sobre a utilidade do esforço e da produtividade num mundo onde as máquinas providenciam o básico. Descreve uma mudança radical nos costumes, onde a sexualidade é livre, fluida e desprovida de tabus. Um dos pontos mais intrigantes é o renascimento religioso com uma Igreja Católica reformada que eliminou pecados sexuais e focou em "pecados de verdade".
  • Dinâmica de Personagens: Sílvia (a narradora) é intelectualizada e fã de História. Mariana representa o contraste entre eficiência profissional e uma vida sexual descomplexada. Paulo, o interesse amoroso de Sílvia, introduz um elemento místico-religioso ao ter visões da Virgem Maria, apesar de se declarar ateu.
  • Estilo e Estrutura: O texto alterna entre digressões explicativas sobre o funcionamento do mundo e diálogos íntimos e crus. A linguagem é coloquial e direta, criando uma sensação de cápsula do tempo.
O que você achou do livro?
Como inteligência artificial, não possuo sentimentos ou gostos pessoais, mas posso analisar a obra do ponto de vista literário e conceptual. O texto "3040" é uma peça de ficção especulativa bastante intrigante por diversos motivos:
  1. A Criatividade na Reintegração de Tradições: É fascinante como o autor projeta a sobrevivência de tradições milenares num cenário de alta tecnologia.
  2. O Contraste entre Estagnação e Humanidade: O livro descreve um mundo onde a luta pela sobrevivência física foi vencida, mas a luta pelo sentido da vida continua.
  3. O Estilo Narrativo: A mistura de diálogos quotidianos com explicações quase enciclopédicas mantém o leitor curioso.
  4. A Provocação Social: O livro é "gostável" para quem aprecia ficção científica que se foca na sociologia.
Em resumo: É uma análise sociológica disfarçada de ficção especulativa. Se gosta de distopias que exploram a natureza humana e a evolução dos costumes sociais, é um texto com muito valor intelectual.
  1. Um amor como nenhum outro
Você pode comentar este livro?
O texto "Um amor como nenhum outro" é um relato confessional e retrospectivo, carregado de uma melancolia irônica e de uma vulnerabilidade muito honesta. O narrador, Raul, utiliza sua trajetória na natação competitiva como pano de fundo para explorar sua formação emocional, suas frustrações amorosas e sua busca por uma identidade intelectual.
  • A Dualidade entre o Corpo e o Intelecto: Raul vive um conflito constante entre o ambiente físico da natação e um refúgio intelectual onde se sente superior por ler James Joyce e Thomas Mann.
  • A Idealização do Feminino: O texto revela uma visão quase platônica das mulheres que ele ama. O medo de "macular" a perfeição é maior do que o desejo de concretizar o amor.
  • O Esporte como Metáfora da Vida: A natação reflete seus estados emocionais. Raul descreve-se como um "Leão de Treino": alguém que rende bem no cotidiano, mas falha sob pressão em momentos decisivos.
  • O Papel do "Técnico 1": A figura do treinador exerce uma autoridade quase paternal. A desilusão gradual com o técnico marca o amadurecimento de Raul.
  • Tom e Estilo: O autor utiliza uma linguagem direta com fórmulas matemáticas e citações literárias. Termina com uma virada de esperança ao encontrar Valéria.
O que você achou do livro?
É um relato fascinante e tecnicamente muito bem construído. O que torna a leitura envolvente é a honestidade brutal com que o narrador expõe suas inseguranças e contradições.
  • A Honestidade da Inadequação: Captura perfeitamente o sentimento de inadequação da adolescência e a disparidade entre a imagem externa e o caos interno.
  • A Estrutura de "Mosaico": A narrativa composta por fragmentos de memória, letras de música e fórmulas reflete como nossa mente organiza o passado.
  • O Retrato de uma Época: Funciona como uma cápsula do tempo dos anos 80 (revistas de música, bandas como Echo and the Bunnymen, ambiente das equipes de natação).
  • A Ironia com o Intelectualismo: É muito interessante como o autor ironiza a própria "pose" intelectual do protagonista.

  1. O verão de 54 (novelas)
Você pode comentar este livro?
O livro é uma obra de ficção que reúne quatro novelas distintas, cada uma explorando temas, estilos narrativos e públicos-alvo diferentes.
  • Estrutura e Estilo Narrativo: A obra destaca-se pela diversidade de géneros: "O Verão de 54" usa metalinguagem; "Conversão" aborda família e religião; "Morrissey" é um conto policial em formato de diálogo; e "Sorry" é uma novela adolescente em formato de diário.
  • Enredos e Temas: "O Verão de 54" foca em Paulo Moreira e um amor proibido que atravessa décadas, revelando segredos sombrios de sua família durante a ditadura. "Morrissey" apresenta um interrogatório sobre um assassino inspirado nas letras do cantor. "Conversão" foca em conflitos geracionais e religiosos. "Sorry" relata dilemas típicos da adolescência.
  • Contexto: O autor utiliza sua cidade natal, Curitiba, e o litoral paranaense como cenários, misturando ficção com factos históricos como o suicídio de Getúlio Vargas.
O que você achou do livro?
Apresenta-se como uma obra multifacetada que combina ficção, memória e experimentação técnica.
  • Diversidade de Géneros: O autor demonstra versatilidade ao transitar entre metalinguagem, narrativa policial e literatura juvenil.
  • Interligação entre Pessoal e Histórico: O uso de eventos reais como pano de fundo confere à narrativa uma camada de realismo e peso histórico.
  • Temas Provocadores: Não foge de temas complexos como hipocrisia social, fanatismo e conflitos de gerações.
  • Construção de Personagens: As personagens são imperfeitas e movidas por desejos contraditórios.

  1. Rua Paraíba
Você pode comentar este livro?
Este livro é uma obra de autoficção ou memórias que se destaca pela honestidade brutal e pela fusão entre o universo técnico da engenharia e a sensibilidade das humanidades.
  • A Dualidade: Exatas vs. Humanas: O autor vive em conflito entre seu lado engenheiro hidrólogo e seu lado escritor. Encontra lirismo em conceitos técnicos, comparando a criação de séries sintéticas de água ao sentimento de ser um "deusinho".
  • Solidão e Melancolia: A obra é permeada por uma tristeza enraizada. O autor vê o sono como o ápice da solidão humana e sente luto por perdas como a de sua cachorra Chérie.
  • Espiritualidade e Cultura: Detalha um processo de conversão tardia do ateísmo para o catolicismo, influenciado por Santa Teresa d’Ávila. A cultura pop (Seinfeld, Morrissey, Teresa Salgueiro) é o fio condutor de suas memórias.
  • Estilo: Texto fragmentado que não hesita em usar termos técnicos ao lado de análises literárias de Proust e Nabokov.
O que você achou do livro?
É um exercício de memória notável por sua honestidade intelectual.
  • A Engenharia como Lente Existencial: Muller utiliza a hidrologia para explicar o mundo e a si mesmo, definindo sua existência pelo conceito físico de "arrasto" (resistência ao movimento).
  • A Melancolia e o "Oceano Escuro": A obra é atravessada por uma tristeza profunda, comparada a fossas abissais vazias e escuras.
  • A Fé e a Cultura Pop: Sua jornada espiritual une o rigor científico a um delírio místico. A obra transita entre Proust e o amor pelo black metal ou rap.
  • Honestidade e Autocrítica: O autor não tenta parecer heroico, confessando falhas como professor.

  1. A mulher de César
Você pode comentar este livro?
É uma coletânea de contos, novelas e poesias que transita entre o realismo cotidiano, o erotismo e o fantástico metafísico.
  • Reencarnação e Realidades Alternativas: O conto título narra a história de Gabriela, que acredita ser a reencarnação da esposa de Júlio César, fundindo a rotina paranaense com memórias da Roma Antiga.
  • O Lado Sombrio e Poder Mental: Explora psicopatologias (como em "Jack the Ripper") e oferece perspectivas melancólicas, como a vida de um cachorro acompanhando a decadência do dono.
  • Sexualidade e Fetichismo: O livro contém forte carga erótica, detalhando jogos de poder, fetiches e buscas psicológicas por prazer.
  • Metafísica e Delírio: O encerramento propõe uma cosmologia onde Deus reencarnou como uma cantora de rap tatuada e marginalizada.
O que você achou do livro?
É uma obra intrigante que se destaca pela coragem em transitar por temas de "esquisitice generalizada".
  • Dualidade entre Autor e Obra: Há um contraste curioso entre a vida pacata do autor (engenheiro, católico, casado há 35 anos) e a liberdade absoluta de sua literatura.
  • Narrativas de Identidade: A reencarnação e o fantástico servem para explorar a psicologia das personagens e a vulnerabilidade humana.
  • O Lado Sombrio da Mente: Explora com frieza sentimentos de ódio e indiferença, sugerindo que o pensamento negativo pode ter um poder letal.
  • Metafísica e Solidão: Reflete uma profunda solidão existencial e a busca por uma "metade" que dê sentido à vida.

Imagem que acompanha o texto também obtida no Gemini, do Google.
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Prefácio de “A mulher de César”
Engenharia, Obra Literária
Prefácio de “A mulher de César”
20 de julho de 2025 at 14:13 0
Chamem de mania (ou TOC), mas por um longo tempo minha obra literária – fora o que escrevo no site fabriciomuller.com.br, composto de comentários sobre literatura, música, cinema e outros assuntos – tinha textos de aproximadamente cinquenta páginas no formato A4. Assim foram compostos minha obra de estreia, “Um amor como nenhum outro”, de 2017 (Schoba); as quatro histórias de “O verão de 54 (novelas)”, de 2019 (Artêra); e os três livros que compõem “Rua Paraíba” (Café do Escritor), de 2020. Uma mania (ou TOC) também presente era o objetivo de escrever histórias com estilos muito diferentes entre si: “Verão de 54 (novelas)” tem uma história em metalinguagem (“O Verão de 54”), um policial em formato de diálogo (“Morrissey”), uma história convencional (“Conversão”) e uma história para adolescentes (“Sorry”). Enquanto eu escrevia as histórias de “O verão de 54 (novelas)”, e no mesmo formato de cinquenta páginas em A4, também terminei as versões iniciais de um livro de poesias (“Sempre”), uma história de delírio metafísico-literário (“deus um delírio” – para fins de precisão, é importante dizer que foi o único em que não consegui chegar nem perto das cinquenta páginas) e uma novela erótica (“Marina”). Minha ideia inicial era publicar os três livros – cujas versões finais estão nesta coletânea – separadamente, já que, para mim, não combinavam com “O verão de 54 (novelas)”. A mania (ou TOC) acabou quando vi uma entrevista com João Ubaldo Ribeiro, que disse – cito de memória – que tinha escrito “Viva o Povo Brasileiro” para provar a todos que conseguia fazer um romance enorme, como os alemães. Resolvi imitá-lo, e assim surgiu “3040”, com cerca de 450 páginas, já publicado, livro que teve a mentoria da grande Juliana Frank. À medida que a longa escrita de “3040” transcorria, e como a mania (ou TOC) das cinquenta páginas A4 já tinha terminado, pensei em escrever um livro de contos. Eu já tinha um conto, “A mulher de César”, publicado numa coletânea (“Ser: Antologia Emcontos”, da EntreCapas, lançada em 2019), coordenada pelo grande Robertson Frizero, para quem eu tinha escrito alguns microcontos num grupo de literatura no WhatsApp – que são a maioria dos contos muito curtos desta coletânea. Tinha também o já citado “Marina” (ainda não pensava em incluir “Sempre” e “deus um delírio”, que não são contos). Enfim, conversei com a Juliana Frank, que me ajudou muito nos demais contos presentes aqui, principalmente me incentivando a incluir elementos fantásticos em histórias onde eles não ocorriam. Ela me ajudou também a diminuir de maneira significativa o número de páginas de “Marina”. A coletânea ficou pronta alguns anos atrás. Há poucos dias, resolvi finalmente incluir “Sempre” e “deus um delírio”, já que a coletânea já é estranha o bastante – duas outras histórias estranhas não fariam assim tanta diferença. Pela temática “herege”, pelo erotismo e pela esquisitice generalizada, muitas histórias aqui poderão assustar quem me conhece. Afinal de contas, sou um tranquilo engenheiro civil – profissão da qual retiro meu sustento – abstêmio, católico praticante, casado com a mesma mulher há quase 35 anos e pai de uma psicóloga de sucesso. A única “esquisitice visível” na minha vida é escrever textos mais ou menos convencionais sobre literatura, música, cinema, história e outros assuntos no meu site. Mas gosto de pensar que minha literatura não tem nenhuma amarra, seja moral, religiosa ou política. Se não for assim, não tem graça. Pelo menos, não para mim. *** A ilustração que acompanha este texto foi feita pelo Gemini para o conto "Boneca". Se você quiser receber meus textos semanalmente, clique aqui e cadastre seu e-mail.
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Obra Literária
“O verão de 54 (novelas)”
6 de outubro de 2019 at 14:28 0

“O verão de 54 (novelas)” , de Fabricio Muller (Editora Appris), é composto por quatro histórias bastante diferentes uma da outra.

O Verão de 54 é uma história de amor proibido. Conversão trata de família e religião, Morrissey é um policial sobre um assassino serial com “uma missão” e Sorry é uma novela para adolescentes. O Verão de 54 é uma história em metalinguagem. Conversão utiliza um narrador onisciente, Morrissey é em formato de diálogo e Sorry é um diário.

Como se vê, o leitor pode iniciar a leitura deste livro por qualquer uma das quatro novelas cujo tema lhe pareça mais interessante.

Informações:

  • Comprar na Amazon, impresso ou para Kindle: aqui
  • Live de lançamento no YouTube, em de agosto de 2019 no Encontro Café do Escritor: aqui
  • Entrevista na CBN: aqui
  • Prefácio, por Robertson Frizero: aqui
  • Anúncio do lançamento na semana literária do Sesc, em 23 de setembro de 2019: aqui
  • Resenha da Regina Pimentel: aqui
  • Foto do lançamento do livro no CIP, em 4 de agosto de 2019: aqui
  • Trecho inicial da novela Morrissey: aqui
  • Trecho inicial da novela Sorry: aqui



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Literatura, Obra Literária
O verão de 54 – resenha
6 de outubro de 2019 at 13:08 0
foto: autor

Segue abaixo a resenha, bem elogiosa por sorte, que a Regina Pimentel fez do meu "O verão de 54 (novelas)":

Fabricio Muller publicou mais um livro. Este, agora, é uma coletânea de quatro novelas, díspares entre si, cada uma com seu próprio leitmotiv. Mas há o que as una: é o estilo muito pessoal de Fabricio, sempre muito intimista, voltado para os recessos da mente e da emoção. As “verdades em si mesmas”: a noção protofenomenológica de que o mundo é como a consciência o percebe.

Já vimos isso em Balzac, em Flaubert, em Henry James, em Phillip Roth, e já vimos isso aqui mais perto em Dalton Trevisan – o realismo  voltado àquilo que constitui o desenrolar da vida  humano. Sem a crítica social. O sexo sempre premente, as relações interpessoais, os pequenos fracassos e sucessos. Tudo isso, na pena de Fabricio, exposto a céu aberto, às vezes com um sarcasmo que é ao mesmo tempo uma divina concessão à humana pequenez. E a sua escrita é impecável.

“Morrissey”, entre os quatro contos, se destaca por ser, ao mesmo tempo, uma homenagem ao cantor inglês, uma história policial e uma novela escrita inteiramente como fluxo de consciência dialogal. O que é ainda mais interessante por se tratar do diálogo entre um acusado e um criminoso...

A primeira novela, a que dá nome ao livro, entremeia à narração o diálogo interior do autor. A história em si é então uma metanovela: o conto é sobre como o autor decidiu escrever, e escreveu, sobre fatos. Ou o inverso? Um contista narra uma história, mas há um metanarrador que insiste em dizer como e por que isso e aquilo foi escrito...

“Sorry” é o diário de uma adolescente – “nada do que é humano me é estranho”, diria Fabricio, que sim, conseguiu narrar as aventuras e desventuras de uma menina rica de família judia.

Finalmente, “Conversão” relata o caminho percorrido por um grupo de pessoas de classe média rumo a Jesus, nominadamente o Jesus das igrejas Luterana e Bola de Neve. Mais uma vez, o autor consegue mostrar os fatos e as reflexões envolvidas em acontecimentos aparentemente cotidianos.

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Literatura, Obra Literária
“O verão de 54 (novelas)”
16 de julho de 2019 at 02:03 0

“O verão de 54 (novelas)” , de Fabricio Muller (Editora Appris), é composto por quatro histórias bastante diferentes uma da outra.

O Verão de 54 é uma história de amor proibido. Conversão trata de família e religião, Morrissey é um policial sobre um assassino serial com “uma missão” e Sorry é uma novela para adolescentes. O Verão de 54 é uma história em metalinguagem. Conversão utiliza um narrador onisciente, Morrissey é em formato de diálogo e Sorry é um diário.

Como se vê, o leitor pode iniciar a leitura deste livro por qualquer uma das quatro novelas cujo tema lhe pareça mais interessante.

Informações:

  • Comprar na Amazon, impresso ou para Kindle: aqui
  • Live de lançamento no YouTube, em de agosto de 2019 no Encontro Café do Escritor: aqui
  • Entrevista na CBN: aqui
  • Prefácio, por Robertson Frizero: aqui
  • Anúncio do lançamento na semana literária do Sesc, em 23 de setembro de 2019: aqui
  • Resenha da Regina Pimentel: aqui
  • Foto do lançamento do livro no CIP, em 4 de agosto de 2019: aqui
  • Trecho inicial da novela Morrissey: aqui
  • Trecho inicial da novela Sorry: aqui

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Literatura, Obra Literária
Prefácio de “O verão de 54 (novelas)”
9 de junho de 2019 at 17:41 1

Segue abaixo o prefácio do meu livro "O verão de 54 (novelas)", a ser publicado brevemente, escrito pelo escritor, tradutor, editor, professor e conferencista Robertson Frizero.

Há um conceito musical que se aplica perfeitamente ao livro que tens em mãos, caro leitor. Na música, chamamos rapsódia a um tipo de composição que reúne, em um só movimento, diferentes temas musicais que, sem seguir uma estrutura pré-definida, encantam por sua variedade de temas, tons e intensidade. Nesse sentido, O Verão de 54 pode ser visto como uma grande e multifacetada rapsódia literária que nos apresenta Fabrício Muller.

Composto por quatro novelas, a obra mostra a imensa capacidade narrativa de Muller, nada espantosa para os que conheceram o escritor em seu seu romance de estreia, Um amor como nenhum outro, um romance de formação que merece ser descoberto pelos leitores brasileiros. Seguindo a ideia de uma rapsódia narrativa, cada uma das novelas tem seu universo particular e – como traço inegável de domínio da escrita – uma estrutura narrativa própria e absolutamente distinta dos demais. Se o cenário une essas quatros novelas – o livro é universalmente curitibano –, cada uma das histórias encantará o leitor por diferentes razões.

A novela-título, Verão de 54, é uma das mais bem sucedidas experiências metalinguísticas que já li em forma de narrativa longa; a história de inocência e ousadia desse jogo farsesco proposto por Muller é entremeada pela voz desse autor onisciente intruso, que tudo sabe e sobre tudo opina – e que nos convida a acompanhar o próprio ato de criação, tornando-se quase uma aula sobre o ofício de escritor.

Morrissey é uma ousada novela em modo dramático, contada do início ao fim em um diálogo do qual o leitor dificilmente conseguirá se desprender; os fãs do cantor irão se deliciar com cada canção aqui recordada, e será impossível para quem não as conhece fugir da tentação de buscá-las de imediato. Não creio exagerar ao dizer que o próprio homenageado se divertiria muito ao ler essa narrativa policial que traz o vocalista do The Smiths até Curitiba na tentativa de solucionar uma série surpreendente de crimes.

Conversão é, em termos de estrutura, a mais tradicional das quatro partes desta rapsódia; a forma como o autor escolheu para abordar a questão central dessa novela – a fé –, no entanto, é inusitada e tão verossímil que certamente encontrará eco na experiência de vida de muitos leitores. Seu final é um bom exemplo de uma das principais características da literatura de Muller, um autor que oferece caminhos ao leitor, mas nunca respostas prontas; que confia na capacidade intrínseca do homem em buscar razões e preencher lacunas; que sabe usar a escrita para suscitar reflexões que vão muito além das obviedades cotidianas.

Sorry, o quarto movimento desta obra, é uma história deliciosa. Traz a voz narrativa de uma aluna da nona série, com todos os seus maneirismos e gírias, mas sem que isso ganhe tintas de exagero. É uma divertida história de amor adolescente temperada por pequenos tabus e estranhamentos, um refrigério que, ao final da rapsódia, deixa o ouvinte desejoso de conhecer mais e mais histórias cantadas por Muller.

Preciso apropriar-me desse autor intruso que surge em vários momentos deste livro para dizer que não há erros aqui – falo de ouvinte e histórias cantadas porque a música está intrinsecamente ligada a este Verão de 54. Fabrício Muller tem um texto musical, para ser lido em voz alta, e um sentido de composição e harmonia que remete aos grandes mestres daquela outra grandiosa forma de arte. Permita-se ouvir suas histórias como se as personagens estivessem vivendo cada episódio diante de seus olhos, leitor. Atesto que será um sarau particular – ou um concerto de rock – dos mais agradáveis.

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Literatura, Obra Literária
Trecho inicial de Sorry
26 de maio de 2019 at 19:58 0

Abaixo segue o trecho inicial de "Sorry", a quarta e última novela de "O verão de 54 (novelas)", a ser lançado proximamente, com prefácio do escritor, tradutor, editor, professor e conferencista Robertson Frizero.

Nona série


Segunda-feira, 4 de maio


Eu me chamo Renata e sou aluna da nona série. Aqui no Colégio a gente se senta por ordem alfabética, o que faz com que eu me sente atrás do Rafael. É o primeiro ano em que ele estuda aqui em Curitiba. Ele veio de Videira, lá onde o diabo perdeu as botas, e tem sotaque de catarinense, mas não muito. Explico: como ele morou também em Goiás o sotaque dele é meio misturado. Ele ri da minha cara cada vez que eu falo “leite”. Cariocas falam “leitch”, catarinenses não, mas, segundo o Rafael, só os curitibanos pronunciam de maneira tão ridícula o “te”. “Leite quente dá dor de dente”, é a frase que ele usa quando quer zoar o sotaque dos curitibanos. Estou tentando pensar num jeito de dar uma ideia para você, que me lê, de entender como o nosso sotaque é diferente (ridículo, segundo o Rafael), mas não tenho ideia de como fazer. Então, para você que não sabe como é o sotaque daqui, imagine uma coisa “peculiar”, que é uma expressão que meu pai usa de vez em quando. Às vezes ele vem com uma palavra muito nada a ver e eu e a minha mãe olhamos para ele como se ele fosse maluco e ele fica meio espantado, meio debochado, e acaba perguntando: “não tinha ideia de que vocês não sabiam o que (aí você coloca a palavra esquisita que meu pai falou) é”.


Tenho que ser justa com o Rafael. Ele não ri só do nosso sotaque. Ele é muito mais palhaço quando imita o sotaque do pessoal de Videira. Faz até umas caras diferentes, todo o mundo dá risada. Quando o Rafael chegou no Colégio ele, coitadinho, ainda estava meio deslocado, às vezes ficava sozinho no recreio e me partia o coração. Ainda bem que esta fase não durou muito, ele logo entrou para equipe de basquete do Colégio e agora todo o mundo gosta dele por aqui. Então. Eu preciso me concentrar, se não vem uma ideia, vem outra e daí você, que me lê, vai sair por aí falando que a “Renata se perde no meio da história”. Calma lá!

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Literatura, Obra Literária
Trecho inicial da minha novela “Morrissey”
10 de março de 2019 at 12:18 0
Morrissey - fonte: Billboard

- De jeito nenhum, delegado.

- Mas como assim, como é que você pode ter certeza?

- Tenho. Ele é um poeta, um homem estudado...

- Poetas e homens estudados não podem acreditar?

- Eu acho que não.

- Mas você sabe que a coisa não é bem assim, né?

- Eu acho que nenhum homem estudado, com talento, pode acreditar em Deus.

- Tá, vá lá, então o Morrissey não acredita em Deus e escreveu uma música chamada I have forgiven Jesus porque na verdade queria falar do seu desejo de matar alguém.

- Qualquer um pode ver isso, delegado... ah lá: Why did you give me so much desire? / When there is nowhere I can go / To offload this desire? Tá aí. Tá com desejo de matar.

- Ele disse que está com desejo de amor, é só ler a continuação da letra: And why did you give me so much love / In a loveless world / When there is no one I can turn to / To unlock all this love? Então você está dizendo que o amor que ele fala aqui é “metafórico”?

- Claro.

- Baseado exatamente no quê?

- Se fosse desejo de sexo, e aí até eu poderia aceitar, ele ia falar sexo, não amor. Ou você acha que um cara que tem tanto desejo assim de amor ia reclamar de falta de amor? Ninguém tem desejo assim de amor!

("Morrissey" é a segunda novela do meu livro "O verão de 54 (novelas)", a ser publicado em meados deste ano)

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