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Três séries israelenses
30 de junho de 2019 at 17:51 0
Shtisel (Netflix/Dori Media/via JTA)

Três séries israelenses distribuídas pela Netflix, uma bastante diferente da outra.

"Shtisel" tem duas temporadas com doze episódios de cerca de 45 minutos cada uma e discorre sobre a vida de uma família ultraortodoxa – com seus costumes às vezes estranhos para quem não vive aquela cultura – vivendo em Geula, Jerusalém. Os personagens principais são Shulem Shtisel (Dov Glickman), o patriarca, rabino e professor numa shivá (escola judaica), e seu filho mais novo, Akiva (vivido por Michael Aloni), que tem talento para pintura – o que traz conflitos dentro da família que, como normalmente ocorre com os ultraortodoxos, não vê com bons olhos a arte de modo geral. Além de querer ser artista, Akiva também arranja problemas já que não consegue arranjar uma noiva para casar, pois sempre escolhe os partidos mais complicados.

Mas “Shtisel” é muito mais do que isso: os outros personagens – notadamente os outros filhos e a mãe do patriarca Shulem – são todos muito bem desenvolvidos e seus dramas pessoais são às vezes tocantes, às vezes engraçados – e as atuações são sempre ótimas. Acabamos de assistir “Shtisel” e ficamos com a impressão de que os ultraortodoxos não são assim tão diferentes de nós.

“Hostages” é uma série policial com duas temporadas (22 capítulos no total, com cerca de 45 minutos cada um), uma bem diferente da outra: na primeira, a família de uma médica é sequestrada em casa para obrigá-la a errar um procedimento em uma intervenção cirúrgica que fará no primeiro-ministro israelense, com o fim de matá-lo; na segunda, os sequestradores estão encurralados por uma enorme quantidade de policiais numa escola judaica abandonada.

Os dramas de sequestrados, sequestradores e policiais são convincentes e o suspense e a tensão são uma constante nas duas temporadas. 

Finalmente, “Hashoter Hatov” é uma série de comédia em duas temporadas com quinze episódios de 30 minutos cada uma, e que conta a história de Danny Konfino (Yuval Semo), policial baixinho e incorruptível, seus colegas de delegacia (um chefe vaidoso, uma policial que quer ter um caso amoroso com Danny, um parceiro que tem dorme nos momentos menos recomendáveis e um policial árabe), e sua família – uma mãe responsável, um pai exageradamente sovina e dois irmão pilantras, cada um à sua maneira.

De humor escrachado, “Hashoter Hatov” frequentemente deixa a lógica de lado para garantir boas risadas para o espectador.

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História, Literatura, Séries
Júlio César
2 de junho de 2019 at 22:17 0

Estou escrevendo um conto chamado “A mulher de César”, e abaixo seguem comentários sobre uma peça de teatro, uma biografia e uma série da Netflix que utilizei nas minhas pesquisas.

É interessante observar como o prefácio da edição de “Júlio César”, de William Shakespeare (1564-1616), da Penguin-Companhia das Letras, 186 páginas, escrito pelo grande crítico literário Harold Bloom, comenta como a peça é considerada “fria” por muitos especialistas. Ele cita, inclusive, as palavras do “maior especialista de todos”, Samuel Johnson: “nesta peça, vários trechos merecem a atenção, e a contenda e reconciliação de Bruto e Cássio são celebradas universalmente. Em mim, porém, a trama jamais causou grande comoção; chego a considerá-la um tanto fria e inócua, comparada a outras peças de Shakespeare; a maneira com que se prende à História e aos costumes romanos parece haver bloqueado o vigor natural de sua genialidade”.

Apesar do título, a peça se concentra basicamente na figura de Bruto (Roma, 85 a.C. - Filipos, 42 a.C), protegido, e posteriormente, um dos participantes famoso assassinato do líder político Júlio César (Roma,100 a.C. – Roma, 44 a.C.) no Senado Romano.

Na época em que ocorrem os acontecimentos apresentados na peça, Roma está no final da República. Júlio César já se declarou ditador perpétuo, e os conspiradores contra sua vida têm receio que ele queira transformar Roma num Império. Na peça, são apresentadas diversas cenas envolvendo o planejamento do homicídio do político, além do próprio assassinato de Júlio César e o início da reação popular contra os conspiradores (spoiler: eles se dão muito mal).

Entre todos os conspiradores, Bruto parece o único preocupado com o futuro de Roma – ao contrário dos demais, não parece ter nenhum interesse pessoal no assassinato, só entrando na conspiração para proteger a República Romana. É um grande personagem de uma grande peça de teatro – ao contrário dos críticos citados acima, não achei a peça nem um pouco fria.

Já a biografia “Júlio César”, de Joël Schmidt, impressiona ao descrever a inteligência maquiavélica do ditador romano (100-44 a.C.) ao manipular adversários políticos para conseguir o objetivo de acabar com a República Romana e fundar o Império – o que, se não conseguiu, abriu caminho para que Augusto (63 a.C. – 14 d.C.), seu sobrinho, o fizesse anos depois de sua morte.

O Júlio César que emerge da biografia é de um homem bem quisto por seus soldados, excelente estrategista, e sexualmente voraz – era famoso por dormir com as mulheres de outros importantes líderes romanos. Não era mesquinho, embora tenha estado abaixo de sua grandeza, segundo Joël Schmidt, quando se irritou com o líder gaulês Vercingetórix quando da rendição deste em Alésia, na Gália (atual França), em 52 a.C.

Finalmente, “Império Romano”, da Netflix, é uma série em três temporadas no estilo dos documentários da History Channel/H2 (ou seja, com atores, permeada com comentários de especialistas), apresentando, em cada uma delas, a história de um dirigente romano.

A primeira temporada, com seis episódios, é dedicada a Cômodo (161-192), que foi imperador romano entre 180 e 192. Ele é considerado um dos responsáveis pelo início da decadência do Império, e a série da Netflix se concentra nas várias conspirações contra dele e no seu desejo de ser gladiador – chegou a lutar no Coliseu, inclusive - mesmo sendo mandatário romano. A terceira temporada, com quatro episódios, é dedicada ao imperador Calígula (12-41 d.C.). Ele iniciou bem seu mandato imperial, no ano de 37, mas depois de uma crise em que ficou semanas em coma, acordou irreconhecível, transformando-se num tirano paranoico.  A segunda temporada, com cinco episódios, é sobre Júlio César, sobre o qual já comentei acima.

Dá uma boa ideia da violência da sociedade romana o fato de que os três imperadores objeto da série da Netflix terem acabado seus dias assassinados.

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You
19 de maio de 2019 at 18:19 0
You - fonte: internerdz

Joe Goldberg (Penn Badgley) é um funcionário de uma livraria em Nova York. É no trabalho que ele encontra Guinevere Beck (Elizabeth Lail) e se apaixona de cara. Como a moça se expõe bastante nas redes sociais, ele em pouco tempo consegue um enorme número de informações sobre ela e passa a segui-la obsessivamente. Este é o mote principal de “You”, série de 2018 da rede americana Lifetime, distribuída internacionalmente pela Netflix, cuja primeira temporada (a segunda já está confirmada) teve nove episódios de cerca de 45 minutos cada um.

Guinevere é uma universitária com sérios problemas financeiros e que não consegue concentração suficiente para se sair bem nas matérias em que está matriculada. Suas amizades – principalmente a ricaça Peach Salinger (Shay Mitchell) – são tóxicas e prejudiciais e seu namorado, Benji (Lou Taylor Pucci) é um rapaz rico, pretensioso, viciado em heroína e que não dá a menor importância para ela. A obsessão de Joe por Guinevere não tem limites: ele logo faz amizade com ela, e depois, consegue ser seu namorado. Mesmo tomando atitudes assustadoras para conseguir se aproximar dela, Joe consegue fazer uma análise bastante justa da vida de Guinevere – por exemplo, quando percebe que suas amigas, seu namorado e a sua obsessão pelas redes sociais são uma péssima influência para ela e seus estudos. A mistura de um Joe realmente preocupado com a sua amada, mas fazendo coisas horríveis para protegê-la, é o grande segredo do fascínio que “You” causa no público; não à toa, muitas espectadoras são “apaixonadas” por Joe Goldberg - o que irrita sobremaneira Penn Badgley, o ator que faz o personagem.

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Tabula Rasa
7 de abril de 2019 at 16:38 0
fonte: Netflix

A situação de Annemie D'Haeze (Veerle Baetens, sensacional) está para lá de complicada: teve um acidente de carro que a fez perder toda a memória dos acontecimentos ocorridos antes dele, e é acusada do desaparecimento de um rapaz que ela nem se lembra de ter conhecido. Esse é o mote principal de “Tabula Rasa”, brilhante série belga da Netflix, produzida em 2017, com nove episódios de cerca de 50 minutos cada um.

“Tabula Rasa” é contada pelo ponto de vista de Annemie, e o espectador sofre junto com ela – como não se sabe o que aconteceu, basicamente todos os personagens são suspeitos, a incerteza é uma constante e os fatos são contados de maneira diferente à medida que a série transcorre – e há espaço até para o sobrenatural. Tanto as atuações dos atores, como o desfecho da história são brilhantes. Não tem como recomendar demais “Tabula Rasa”.

Como comentário complementar, tenho notado como as séries não americanas da Netflix têm atuações, em média, melhores que as suas correspondentes americanas. Posso destacar nesse sentido as séries “Dark” (Alemanha), “Fauda” (Israel), “Nobel” (Noruega), “The End of the F***ing World” (Reino Unido). A razão disto deve ser, simplesmente, a quantidade: como os Estados Unidos produzem a grande maioria das séries da Netflix, é inevitável que a qualidade média da atuação acabe diminuindo um pouco, enquanto que os outros países podem caprichar mais nesse sentido.

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Novas temporadas de Atypical, The Good Place e Suits
24 de março de 2019 at 21:53 0
Katherine Heigl em Suits - fonte: US Weekly

Este texto comenta as novas temporadas de séries sobre as quais já eu já tinha comentado aqui.

"Atypical” trata de um menino autista, Sam Gardner (Kier Gilchrist), seus pais e sua irmã. Em sua segunda temporada, a série da Netflix consegue desenvolver com competência as histórias da mãe do garoto, Elsa (Jennifer Jason Leigh), do seu pai, Doug (Michael Rapaport) e de sua irmã, a linda Casey (Brigette Lundy-Paine): os três continuam adoráveis e irritantes ao mesmo tempo, ao contrário de Sam e do seu melhor amigo, Zahid (Nik Dodani), que são sempre adoráveis.

Parecia que o início da terceira temporada de “The Good Place” iria desandar tudo: nossos amigos Eleanor Shellstrop (Kristen Bell), Chidi Anagonye (William Jackson Harper), Jameela Jamil (Tahani Al-Jamil) e Manny Jacinto (Jason Mendoza) voltam da “outra vida” (o “bom lugar” é para onde eles foram depois de mortos) para fazer um curso de ética na Austrália - e  parecia que a série da Netflix estava começando a se levar a sério demais. Por sorte, isso logo ficou para trás e “The Good Place” logo voltou ao seu ritmo alucinado e divertidíssimo de sempre. Como se não bastasse, a temporada faz pensar enquanto faz rir: é possível ser realmente bom numa sociedade tão industrializada, tecnológica e globalizada como a nossa?  

O assunto mais recorrente da série “Suits” – série da USA Today transmitida por aqui pela Netflix - em suas sete temporadas iniciais era a tensão devida ao fato de que Michael Ross (Patrick J. Adams) poderia ser desmascarado por fraude, já que trabalhava como advogado sem sê-lo – ele sabia advocacia com profundidade e tinha memória fotográfica (decorava tudo o que lia). Na oitava temporada (só a primeira parte dela foi transmitida para cá - a segunda parte começou a passar nos Estados Unidos em janeiro de 2019), tanto Michael Ross quanto Rachel Zane (vivida pela atual princesa Meghan Markle) não são mais personagens da série que, surpreendentemente, parece mais interessante sem eles: os advogados Alex Williams (Dulé Hill) e, principalmente, Samantha Wheeler (a ótima Katherine Heigl), conseguiram substituir com brilhantismo aqueles que saíram.

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Outlander
24 de fevereiro de 2019 at 16:45 0
Jamie e Claire - fonte: Observatório do Cinema

Produzido pela americana Starz, a série britânico-americana “Outlander” é transmitida aqui no Brasil pela Netflix, que já apresentou três de suas quatro temporadas – que têm entre 16 e 13 episódios cada uma, com capítulos de cerca de uma hora cada.

Claire Randall (vivida por Caitriona Balfe) é uma enfermeira inglesa recém-casada que tinha trabalhado na Segunda Guerra Mundial. Em 1946 ela vai visitar Inverness, na Escócia, onde seu marido, o historiador Frank Randall (Hanan Tobias Simpson Menzies) vai fazer algumas pesquisas sobre as lutas pela independência da Escócia, organizadas pelos jacobitas, que acabaram sendo derrotados na Batalha de Culloden, em 1746.

Num passeio pelas proximidades, Claire visita umas pedras rituais e acaba voltando no tempo, em 1743, na Escócia ainda lutando pela sua independência. Lá ela se encontra e se apaixona pelo líder jacobita Jamie MacKenzie Fraser (Sam Heughan), bonito, charmoso, corajoso, inteligente, bom caráter - não é à toa que as mulheres costumam amar “Outlander”.

As aventuras que o casal Claire e Jamie se envolvem incluem uma passagem pela França de Luís XVI, um mercado de escravos na Jamaica, um emprego aparentemente sério em Glasgow, batalhas, torturas, muita violência e muito sexo não-explícito (um sujeito mais cínico poderia dizer que “Outlander” é uma espécie de “Cinquenta tons de cinza” com fundo histórico). São tantas as situações rocambolescas em que o acaso acaba resolvendo situações aparentemente insolúveis que o negócio frequentemente beira o absurdo – mas não esqueçamos que Claire é uma enfermeira do séc. XX se atrapalhando e se apaixonando no sec. XVIII, não dá para exigir tanta verossimilhança mesmo.

De todo modo, a série é muito bem produzida, e confesso que me diverti muito em boa parte de seus muitos e longos capítulos.

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Conversando com um serial killer: Ted Bundy
10 de fevereiro de 2019 at 17:19 0
Ted Bundy - fonte: The Independent

Ted Bundy (1946-1989) foi um assassino serial americano que assumiu o assassinato de 30 mulheres, quase todas jovens e morenas, entre 1974 e 1978 em seis estados americanos - mas que possivelmente matou ainda mais. Ele era bonito, charmoso, e conseguia passar uma imagem gentil e bem-sucedida, de tal modo que os membros da igreja em que frequentava na Flórida – o último estado em que cometeu crimes – fizeram uma campanha para inocentá-lo quando ele foi preso: eles não conseguiam se conformar que um rapaz tão inteligente e bem-apessoado pudesse ser incriminado por crimes tão horrendos – ele matava suas vítimas com requintes de violência, frequentemente as estuprando vivas ou mortas.

É este personagem sombrio, a primeira pessoa a ser chamada de “serial killer”, o tema da excelente série documental da Netflix “Conversando com um serial killer: Ted Bundy”, com quatro episódios de cerca de 50 minutos cada um. A base para o documentário são as cem horas de gravação que o jornalista Stephen Michaud fez com o assassino quando este já estava no corredor da morte. Ted Bundy passa boa parte destas muitas horas negando qualquer envolvimento com os crimes dos quais era acusado, mas quando o jornalista pede que ele descreva os crimes na terceira pessoa ele começa a descrevê-los de maneira “hipotética”.

O documentário alterna áudios das gravações com imagens de arquivo, entrevistas com amigos do assassino, vítimas, policiais e promotores. A história que se desenrola para o espectador é tão estranha que parece ficção: Ted Bundy teve uma infância aparentemente normal, estudou psicologia e depois direito, pediu para se defender em seus julgamentos, conseguiu fugir duas vezes depois de preso - e em cada uma delas conseguiu cometer mais crimes.

As muitas fotos em preto e branco das garotas assassinadas, enquanto ainda estavam vivas, dão um nó na garganta do espectador.

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Minhas séries preferidas?
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Minhas séries preferidas?
6 de dezembro de 2018 at 10:21 0
Tenho praticamente certeza de que nunca vou gostar tanto de uma série como de “Arquivo X”. Não só tenho a série completa em DVD como já comentei sobre ela em dois livros, “Rua Paraíba” e “Memórias”, que espero conseguir publicar nos próximos anos. (mais…)
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