Margaret Atwood

“Alias Grace”, “Vulgo Grace”
Literatura, Séries
“Alias Grace”, “Vulgo Grace”
7 de fevereiro de 2021 at 19:45 0
É muito comum se ouvir que o “livro é sempre melhor que o filme”. Eu não compartilho dessa opinião, e quando a escuto normalmente cito o livro “Laranja Mecânica”, de Anthony Burgess, para mim bastante inferior ao filme homônimo de Stanley Kubrick. Séries não são filmes, mas achei que seria divertido comparar a minissérie “Alias Grace” (Netflix, seis episódios de cerca de 45 minutos cada um) com o livro que lhe deu origem, traduzido no Brasil como “Vulgo Grace”, da escritora canadense Margaret Atwood (Rocco, 512 páginas, tradução de Geni Hirata). Na verdade, fiquei tão entusiasmado com a série que acabei lendo o livro logo que acabei de assisti-la. A história é baseada num fato real: Grace Marks, uma irlandesa vivendo no Canadá, é condenada à morte em 1843 junto com o cocheiro James McDermott pelo assassinato do patrão dos dois, o fazendeiro Thomas Kinnear, e de sua governanta, Nancy Montgomery. McDermott é efetivamente enforcado, mas Grace Marks tem sua pena comutada para prisão perpétua. Na história contada pelo livro e pela série um médico, Dr. Simon Jordan, é contratado pelo reverendo Verrenger (vivido pelo grande diretor David Cronenberg!), líder de um grupo que luta pela absolvição de Grace Marks, para conseguir elementos psicológicos para inocentá-la. Acho que não vale a pena contar muito mais a respeito da história para não estragar a surpresa. Vamos à comparação entre a série e o livro, então. Inicialmente, é interessante notar que a própria Margaret Atwood, assim como tinha feito na série “Handmaid’s Tale”, também baseada num romance seu, faz uma pequena ponta em “Alias Grace” – ela mesma, portanto, não parece muito incomodada em querer defender a superioridade do livro em relação à série, né? Brincadeiras à parte, tanto “Alias Grace” quanto “Vulgo Grace” são obras de extrema qualidade, e a série é muito fiel ao livro – embora este, como normalmente acontece, seja mais detalhado do que aquela. E eu me emocionei igualmente com o final da série e o do livro, por mais que, quando li “Vulgo Grace”, eu já soubesse o que me esperava. Enfim, se eu fosse escolher um dos dois, escolheria a série mesmo. Não por nada, mas Sarah Gadon, a atriz que faz Grace Marks e que está na imagem que acompanha este texto, atua de maneira tão espetacular que desempata esse jogo que teria tudo para terminar com placar igual para os dois lados!
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Livros lidos recentemente
Literatura
Livros lidos recentemente
10 de janeiro de 2021 at 18:39 0
  • “O olho”, de Vladimir Nabokov (Alfaguara, 86 páginas, tradução de José Rubens Siqueira, publicado originalmente em 1965): quarto romance de Nabokov, ainda em sua fase russa, o livro discorre sobre Smurov, jovem russo pobre vivendo no exílio em Berlim e que se suicida logo no início da história. Se no início temos o Nabokov brilhante de sempre, o final do romance deixa um pouco a desejar.
  • “Madame Oráculo”, de Margaret Atwood (Círculo do Livro, 325 páginas, tradução de Domingos Demasi, publicado originalmente em 1976): uma escritora de romances açucarados só pode receber uma herança se emagrecer. O terceiro romance da autora de “O conto da aia” começa brilhantemente, mas, assim como o livro citado acima, se perde um pouco no final.
  • “Amiga de juventude”, de Alice Munro (Biblioteca Azul, 259 páginas, tradução de Elton Mesquita, publicado originalmente em 1990): comentei recentemente o seguinte sobre “A fugitiva”, outro livro de contos da escritora Prêmio Nobel de 2013: “já dá para perceber que a canadense, única pessoa a receber o Nobel de Literatura tendo escrito somente contos na carreira, tem um estilo todo próprio: o negócio então, para mim, é continuar lendo suas ótimas histórias, mesmo que o maravilhamento tenha diminuído muito da leitura de ‘Ódio, Amizade, Namoro, Amor, Casamento’ para cá”. Pois é, o mesmo vale para este “Amiga de juventude”.
  • “Philosophy, Pussycats, & Porn”, de Stoya (Not a Cult, 148 páginas, publicado originalmente em 2018): nesta coletânea de textos já publicados anteriormente em diversas mídias, a famosa atriz pornô Stoya fala sobre relacionamentos sexuais, apresentações ao vivo, questões relacionadas a trabalhadores do sexo, viagens de trabalho e, como diz o título, filosofia e gatos. Ela escreve muito bem, e o livro é de leitura extremamente agradável.
  • “O segundo tempo”, de Michel Laub (Companhia das Letras, 112 páginas, publicado originalmente em 2006): o narrador desta novela não sabe se vai dar ou não uma notícia ruim a seu irmão mais novo durante um Grenal no estádio Beira Rio, em Porto Alegre. O livro é tão bom quanto “A maçã envenenada”, do mesmo autor, sobre o qual eu tinha comentado aqui.
  • “A gafieira de dois tostões”, de Georges Simenon (Companhia das Letras, 150 páginas, tradução de Eduardo Brandão, publicado originalmente em 1931): antes de ser executado, o condenado Jean Lenoir confessa ao comissário Maigret que foi testemunha de um crime seis anos antes. Conforme o comentário do leitor Heitor Vieira de Resende no site da Amazon, “o pior livro de Simenon é ainda muito bom”. E este certamente não é o pior livro de Simenon!
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Os livros que mais gostei de ter lido em 2020
História, Literatura
Os livros que mais gostei de ter lido em 2020
31 de dezembro de 2020 at 15:16 0
  1. “Gengis Khan e a formação do mundo moderno”, de Jack Weatherford: provavelmente você não sabia que o grande imperador mongol (1158 – 1227) tinha uma mentalidade tão à frente do seu tempo.
  2. “Não me abandone jamais”, de Kazuo Ishiguro: poucos livros me perturbaram tanto.
  3. “O império de Hitler”, de Mark Mazower: sempre tive curiosidade de saber como os nazistas se comportavam como colonizadores, coisa que este livro monumental explica.
  4. “A destruição dos judeus europeus”, de Raul Hilberg: outro livro monumental, sobre o Holocausto neste caso.
  5. “O mapa e o território”, de Michel Houellebecq: fico mais feliz lendo uns autores do que outros, e Michel Houellebecq é um dos que me dão mais alegria na leitura.
  6. “Os testamentos”, de Margaret Atwood: continuação de “O conto da Aia”, não preciso explicar mais.
  7. “As luas de Júpiter”, de Alice Munro: tem gente que reclama do Prêmio Nobel de Literatura por causa disso e daquilo, mas eu provavelmente não conheceria autoras como esta canadense se não fosse a Academia Sueca.
  8. “A época da inocência”, de Edith Wharton: um amor mal resolvido e os preconceitos e costumes dos ricos americanos do final do século XIX e início do século XX numa obra-prima.
  9. “O dom”, de Vladimir Nabokov: Nabokov é Nabokov, e pronto.
  10. Deus, essa gostosa, de Rafael Campos Rocha: uma história em quadrinhos que comprova que God is a woman, como diz a Ariana Grande, uma favorita aqui da casa.
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Literatura
Três livros escritos por mulheres
12 de abril de 2020 at 22:19 0
V.S.Naipaul

O Prêmio Nobel de Literatura de 2001, o trinitário-britânico de origem indiana V.S.Naipaul (de quem, aliás, li três ótimos livros, “Os mímicos”, “Uma casa para o sr. Biswas” e “Guerrilheiros”) causou polêmica em 2011 ao criticar a literatura feminina, devido à "sensibilidade e estreita visão de mundo das mulheres". Isso é uma bobagem tão grande que nem merece refutação.

Mas é outra afirmação do escritor, na mesma ocasião, que me faz citá-lo aqui: ele acrescentou ainda que lia uma obra e depois de dois parágrafos já sabia dizer se o livro tinha sido escrito por uma mulher ou não. Li recentemente três ótimos romances escritos por mulheres, e fico me perguntando se eu saberia se tinham sido escritos por membros do sexo feminino caso eu não soubesse o nome do autor(a).

Sou fascinado pela distopia da república fictícia de Gilead, criada pela escritora canadense Margaret Atwood no romance “O conto da Aia” e que é a origem da excepcional série “Handmaid’s Tale”, ambos já comentados por aqui. Em 2019 ela lançou uma continuação de sua saga, chamada “Os testamentos” (Rocco, 448 páginas, tradução de Simone Campos). O livro é contado, de forma alternada, por três personagens femininas, tanto a favor quanto contra a opressora República de Gilead. O livro é excelente e com conflitos muito bem resolvidos, mas eu esperava um pouco mais. Coisa de fã.

Já “Largo pétalo del mar”, da chilena Isabel Allende (Sudamericana, 2019 – já existe uma tradução brasileira, a cargo da Bertrand Brasil) é uma verdadeira epopeia. O romance contando a história do casal espanhol (um casal bem diferente, diga-se, mas prefiro não dar mais detalhes) Víctor e Roser Dalmau desde a fuga da Guerra Civil Espanhol até seu final da vida no Chile – passando por uma fuga deste país quando do golpe de estado do ditador Augusto Pinochet. O livro parece esbarrar na pieguice aqui e ali, e os personagens principais são inesquecíveis.

Finalmente, “A época da inocência”, escrita pela americana Edith Wharton em 1920 (Penguin-Companhia, 416 páginas, tradução de Hildegard Feist), conta a história de amor mal-resolvido entre o rico advogado Newland Archer e a condessa Olenska, prima de sua futura esposa May Welland. Os preconceitos e costumes dos ricos americanos entre final do sec. XIX e o início do sec. XX são descritos com precisão cirúrgica e desapiedada por esta extraordinária Edith Wharton. Uma obra-prima.

Voltando à pergunta inicial: eu saberia se algum dos livros foi escrito por mulher, caso eu não soubesse o nome das autoras? Com certeza não. V.S. Naipaul era um bobão mesmo.

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Literatura, Obra Literária
Os livros que eu levaria para o exílio
8 de setembro de 2019 at 17:58 1
foto do autor

Se a polícia política chegasse aqui e eu fosse obrigado a me exilar, levando apenas doze livros de casa, eu acho que eu levaria esses:

- “Heavier than heaven – Mais pesado que o céu: Uma biografia de Kurt Cobain”, de Charles R. Cross (Globo Livros, 456 páginas): a biografia do líder do Nirvana (estou no meio da leitura), me lembraria de uma impressionante história do rock, assim como

- “Atravessar o fogo - 310 letras de Lou Reed” (Companhia das Letras, 792 páginas): uma edição com as letras do líder do Velvet Underground (no original e traduzidas para o português), algumas das quais citei no meu livro “Rua Paraíba”, ainda não publicado. Antes que me perguntem, não existe um livro semelhante com as letras do Morrissey aqui no Brasil;

- “En una noche escura - poesía completa y selección de prosa”, de San Juan de la Cruz (Penguin Clásicos, 560 páginas), que ainda não li, mas que serviria para eu treinar meu espanhol - além do que a poesia do santo carmelita é maravilhosa;

- “Alcorão Sagrado”: conheço outras versões do livro sagrado dos muçulmanos, mas nenhuma tão linda como a tradução de Samir El Hayek, publicada na coleção “Livros que mudaram o mundo”, da Folha de São Paulo. Além disso, a edição, com 700 páginas, tem mais de 2500 notas;

- “Bíblia Sagrada”, da NVI (Nova Versão Internacional – Editora Vida, 1640 páginas), com letra grande e linguagem bem mais acessível do que a maioria das que se encontram por aí;

- “Légendes de Catherine M.” (Denoël, 240 páginas), em que o marido de Catherine Millet – crítica de arte e autora do escandaloso e autobiográfico “A vida sexual de Catherine M.” – posta fotos da esposa, nua, e as comenta;

- “Machado de Assis – Obra Completa – Volume 1 – Romances” (Companhia Nova Aguilar, 1216 páginas): o bacana do mais importante escritor brasileiro é que ele faz comentários geniais em cada página - o que acaba incentivando bastante a releitura. Reler é útil num exílio, o que fez me lembrar também de

- “La Chartreuse de Parme”, de Stendhal (Éditions du milieu du monde, 676 páginas), provavelmente o único romance que li quatro vezes;

- “O Conto da Aia”, de Margaret Atwood (Rocco, 368 páginas): preciso confessar que gostei mais da série “Handmaid’s Tale” do que do romance que lhe deu origem. Mas o mundo que a escritora canadense criou é assombroso e distópico – e são livros que eu teria que levar e não séries para TV, não é?

- “Oeuvres”, de Diderot (Bibliothèque de la Pléiade, 1448 páginas), edição que amo tanto que até já fiz um texto sobre ela no meu blog;

- “Poemas”, de Friederich Hölderlin (Companhia das Letras, 216 páginas): vou querer levar comigo o meu poema preferido, “Aos jovens poetas”:

“Irmãos! Talvez a nossa arte logo amadureça

Porque, como o jovem, de há muito fermenta para

Chegar logo à tranquila beleza;

Sede só piedosos, como o grego era!

Amai os deuses, pensai nos mortais com afeto!

Ebriez e frieza, lição e descrição: odiai-as

Todas e, se o mestre vos der medo,

Pedi conselho à grande Natureza.”

- “O verão de 54 (novelas)”, de Fabricio Muller (Appris, 222 páginas): ah, que se dane.

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História, Literatura
A relação entre a História (e a Sociologia) e a Literatura em três romances
27 de janeiro de 2019 at 21:01 0
o grande J.M.Coetzee - fonte: The Nation

Eu não lembro bem onde li que era possível aprender mais sobre a história do Segundo Império (1852-1870) com os romances de Honoré de Balzac (1799-1850) do que com livros de História. De fato, a relação entre a História (e a Sociologia) com a Literatura é um tema bastante rico, e é claro que aqueles voltados ao estudo das duas primeiras ciências humanas tendem a destacar, em algum romance, mais os seus aspectos históricos e sociológicos, enquanto que outros – entre os quais me incluo – estão mais interessados na sua relevância propriamente literária.

Lembrei bastante desses aspectos em três romances que li recentemente: “Nix” (2016), do americano Nathan Hill (Intrínseca, 672 páginas), “Oryx e Crake" (2003), da canadense Margaret Atwood (Rocco, 344 págs.) e “A Infância de Jesus” (2013), do sul-africano J.M. Coetzee (Companhia das Letras, 304 págs. – eu li na versão em espanhol, da Literatura Random House).

“Nix” conta a história de Samuel Anderson, um professor de literatura inglesa de cerca de 30 anos de idade que dá aulas numa universidade na região de Chicago, nos Estados Unidos, e que está viciado em um jogo on-line de computador chamado “World of Elfscape”. Sua mãe, Faye, que o tinha abandonado quando este era criança, aparece nos noticiários depois de jogar pedras num candidato ultraconservador, com riscos de cegá-lo. É quando – por motivos um tanto escusos – o filho vai procurar a mãe, depois de anos sem saber notícias dela. Este é o mote principal do longo romance de Nathan Hill, que tem um grande número de outros personagens e que passa por diversas fases da história americana – concentrando-se de maneira especial nas manifestações contra a Guerra do Vietnã em Chicago, em 1968, e no movimento “Occupy Wall Street”, de 2011. A vontade de marcar tanto a obra em termos históricos (com o objetivo de fazer “O Grande Romance Americano”?) e as idas e vindas da narrativa no tempo e no espaço irritam um pouco, mas os personagens criados por Hill são bem construídos e o livro prende a atenção em todas as suas muitas páginas.

Os personagens criados na distopia “Oryx e Crake” são ainda melhores que os de “Nix”: o livro de Margaret Atwood conta a história de um futuro em que ocorre uma grande catástrofe depois que cientistas começam a fazer modificações genéticas em grande escala nos animais e nos seres humanos, e o único sobrevivente do homem conforme conhecemos (há também alguns seres humanoides, criados por manipulação genética) em uma grande região litorânea é um homem que agora tem o apelido de “Homem das Neves”. A ligação com a Sociologia e a História no caso de “Oryx e Crake” é, conforme comentou Bernardo Carvalho na Folha de São Paulo em 3 de abril de 2004, está em que “o discurso de Atwood representa uma preocupação que está no ar hoje (entre ecologistas e ambientalistas sobretudo). É um discurso com mensagens um tanto óbvias, embora não menos pertinentes, que fala de um desdobramento possível: as experiências dos homens com a natureza podem sair do controle e acabar destruindo os próprios homens e o mundo em que vivem.” Conforme complementa Bernardo Carvalho, este é “o ponto mais fraco” do livro, “como se o texto não passasse de um meio para a transmissão das ideias da autora”. A literatura é muito mais que simples transmissão de ideias e, por sorte, “Oryx e Crake” é tão criativo, delirante e bem escrito que o romance é, sim, grande literatura – independentemente das ideias que defende.

Finalmente, “A Infância de Jesus” também uma espécie de distopia, na qual os personagens vão morar numa ilha onde perdem as lembranças de tudo o que ocorreu em sua vida antes da chegada por lá. No local todos vivem em paz e harmonia o tempo todo, ninguém quer ganhar mais do que o mínimo necessário para uma sobrevivência digna, e o sexo tem importância secundária. O recém-chegado Simón é um dos únicos que acham esta “vida nova” muito chata - e tem grandes dificuldades para se adaptar a ela. Ele também leva um garoto, chamado David, para tentar encontrar a sua mãe: Simón não lembra quem ela é, mas acha que vai encontrá-la – e a encontra (ou acha que encontra) em Inés, uma mulher solteira e rica, que, depois de uma estranheza inicial, acaba adotando o garoto. David, que tinha um bom comportamento enquanto vivia com Simón, passa a ter todos os sintomas de alguém muito mimado: mesmo sem saber ler nem fazer contas, não quer aprender porque acha que “já sabe”. Não se adapta na escola, tem dificuldades de concentração, e Inés apoia o garoto em tudo.

E, bem, não dá para entender o que o grande J.M. Coetzee (Prêmio Nobel de 2003) quis dizer com esta história, que continua em “A vida escolar de Jesus”, que ainda não li. David tem alguma coisa a ver com Jesus Cristo? O que exatamente ele tentou mostrar com a ilha distópica do romance, onde as pessoas se esquecem do seu passado? Por que David e Inés são tão irritantes? (E por que, algum engraçadinho poderia perguntar, este livro está sendo comentado aqui?)

“A infância de Jesus” – muito bem escrito, como sempre em se tratando de J.M. Coetzee – é um dos livros mais estranhos que já li.

Vejamos se na sua continuação a coisa passa a fazer algum sentido.

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