janeiro 2023

“Era uma vez em Hollywood”, de Quentin Tarantino (o livro)
Cinema, Literatura
“Era uma vez em Hollywood”, de Quentin Tarantino (o livro)
28 de janeiro de 2023 at 15:46 0
Não é com orgulho que eu digo que o último filme a que assisti de Quentin Tarantino foi “Pulp Fiction” - a primeira vez que o vi foi no cinema, na época do seu lançamento, aí por 1994. A verdade é que amei o filme, um dos melhores a que já assisti, e que revi umas três vezes depois.  Depois, não me animei muito com as resenhas que li e com a duração (duas partes lançadas respectivamente em 2003 e 2004) do filme subsequente do diretor, “Kill Bill”. E assim a preguiça e o receio de que os filmes subsequentes de Tarantino não fossem tão bons quanto “Pulp Fiction” acabaram me impedindo de assistir aos outros filmes dele. Num podcast visto há algum tempo acabei sabendo de passagem que o diretor tinha escrito um livro - mas essa informação não me marcou muito. Até que, mais ou menos dois meses, atrás vi na Livraria da Vila “o novo livro baseado no filme”, um romance chamado “Era uma vez em Hollywood”, de Quentin Tarantino. O formato inusual (17 x 11,8 x 3,8 cm segundo a Amazon, menor do que o padrão dos livros vendidos no Brasil), já me chamou a atenção. As letras e o espaçamento faziam com que a leitura fosse agradável. O preço era acessível (não paguei tão pouco, mas está R$ 19,90 na Amazon agora!). Numa rápida folheada, gostei de todos os trechos que li. Resolvi comprar o romance “no sentimento”, coisa que raramente faço. Excelente investimento! O livro (intrínseca, 560 páginas, tradução de André Czarnobai, lançado originalmente em 2021) conta basicamente a história de dois personagens fictícios  -  Rick Dalton, um ator que costuma fazer vilões em séries de faroeste na TV, e seu dublê, amigo e chofer, Cliff Booth. Além dos dois, uma série de personagens reais aparecem - com mais ou menos profundidade - no romance, como o diretor Roman Polanski, sua esposa, a atriz Sharon Tate, e o responsável pelo assassinato dela, Charles Manson.  Além de personagens muito bem construídos, “Era uma vez em Hollywood” mostra um brilhante painel da meca do cinema americano no final dos anos 60 e início dos 70, quando muitos atores de séries de faroeste foram tentar a sorte na Europa como astros do chamado “western spaghetti”. Além dos apresentados acima, um grande número de personagens aparece no livro, e muitos filmes e séries são citados - só que eu mesmo, em geral, não sabia quem era real e quem era ficcional no romance! “Era uma vez em Hollywood” é um livro que prende a atenção da primeira à última página, com uma escrita ágil e leve, e mostra o grande amor de Tarantino pelo cinema em geral e por Hollywood em particular. Excelente pedida mesmo para os que, como eu, não costumam assistir aos filmes do diretor. Agora, eu que deixe de ser vagabundo e dê um jeito de ver “Era uma Vez em... Hollywood”, né?
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O mais emocionante
Música
O mais emocionante
21 de janeiro de 2023 at 19:38 0
Eu não sei como explicar direito, mas acho que isso deve acontecer meio com todo o mundo: umas músicas batem diferente das outras. Sei lá, é como se elas tocassem um nervo que as outras não tocam. Normalmente os músicos, ou compositores, ou cantores, ou bandas, que têm músicas que “batem” aqui comigo estão no meu álbum “músicas” do Facebook. Sempre que vou colocar uma foto lá fico me perguntando se aquele músico compôs (ou interpretou) coisas que realmente tocaram aquele “nervo” metafórico. É engraçado isso: gosto de muita coisa dos Beatles, mas só umas quatro canções da banda realmente me tocam (e por causa delas a banda está no meu álbum). Oasis é outro grupo que gosto muito, mas acho que só “bate” mesmo – e olhe lá - a versão deles de “I Am The Walrus”, dos Beatles (e por isso a banda não está no álbum). E isso vale para todos os estilos que escuto: no meu álbum “músicas” têm compositores barrocos pouco conhecidos como Girolamo Frescobaldi (1583-1683) e Monsieur de Sainte-Colombe (1640-1700), mas nenhum russo (Tchaikovski, Mussorgski, Rachmaninoff, Prokofiev, credo). E tem gente lá por causa de umas três músicas, como o rapper americano Chamillionaire, e tem outros que eu tenho até tatuagens de tanto que curto (Arctic Monkeys, Stone Roses). E tem aqueles que sempre acho que poderiam constar do álbum “músicas”, como Eminem e Caetano Veloso, mas sempre acabo adiando a sua entrada. Enfim, quem dos músicos no meu álbum mais toca naquele “nervo” metafórico? Quem, dentro do espectro da música, mais – desculpem a expressão – me emociona? Pergunta difícil. Tenho umas dez camisetas do Nirvana. Tenho tatuagens em homenagem a The Weeknd e Ariana Grande. Morrissey e Bones ocuparam, em diferentes épocas da minha vida, durante uns dez anos no total, uns 90% do tempo em que eu ouvia música. O melhor show a que já assisti foi o da banda de metal belga Amenra. Fui um dos 0,2% top ouvintes do Radiohead no YouTube Music em 2022. Skip James e Mississippi Fred McDowell são dois bluesmen que fizeram músicas lindas demais. Mas acabei me surpreendendo com a minha conclusão: o cara que mais me emociona – desculpem de novo a breguice - na música é um cantor e compositor americano que se matou com duas facadas no coração em 2003, o Elliott Smith. Fã do supracitado Beatles, ainda por cima, e cujas músicas se parecem com as do Fab Four de vez em quando. Mas, quando escuto o que ele compôs e gravou, “bate” quase sempre. Mas eu nem devia me surpreender tanto com minha conclusão: afinal, alguns anos atrás eu escrevi sobre Elliott Smith um dos piores textos que já fiz na vida, para o Mondo Bacana: desculpem, eu estava emocionado demais.
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