Gosto muito de vídeos de música. Para relaxar, normalmente antes de dormir, vejo alguns videoclipes com frequência. O mais comum é eu assistir a alguma coisa de gente a quem estou sempre voltando, como Bones, Nirvana, Morrissey, Mgla, Radiohead e The Weeknd — os de sempre.
Mas tem alguns clipes que eu amo de gente de quem eu basicamente desconheço o restante da obra, seja por preguiça de conhecer, seja por não ter gostado das poucas coisas que conheci do artista. Seguem adiante seis videoclipes de que gosto muito, de músicos que eu não acompanho e/ou não conheço o restante da obra – pode ser que depois eu faça uma segunda parte deste texto, mas não sei ainda. Os títulos são reproduções dos do YouTube e, clicando neles, é possível acessar o vídeo mencionado.Destiny’s Child - Soldier ft. T.I., Lil’ Wayne: sempre que tentei ouvir alguma coisa de Beyoncé não gostei, mas essa música em que ela canta no seu grupo de origem, o Destiny’s Child, ainda com o auxílio luxuoso de T.I. e Lil’ Wayne, é arrasadora. Uma batida hipnótica, uma dança excelente, muita gente se divertindo. Não preciso de mais nada.
JAŸ-Z - 99 Problems: o marido da Beyoncé é outro que nunca me agradou, não sei bem por quê. Mas essa música em que ele canta sobre uma base com guitarras criada pelo lendário produtor Rick Rubin (produtor de gente como os Beastie Boys e o System of a Down) é sensacional. E o clipe todo, em preto e branco, é perfeito. Bobby Shmurda - Hot N*gga (Official Music Video): este vídeo ajudou a polícia a prender o rapper, já que ele conta, na letra, as peripécias ilegais de todos os companheiros de gangue, apontando cada um deles neste clipe caótico – e, reconheço, assustador. Mas Hot Ngga* fez tanto sucesso quando do seu lançamento que até a Beyoncé (ela de novo) imitou a dança de Bobby Shmurda neste vídeo. Timbaland - Give It To Me (Official Music Video) ft. Nelly Furtado, Justin Timberlake: os três astros deste clipe nunca me impressionaram, embora eu tenha gostado do primeiro álbum de Nelly Furtado, que foi um sucesso fenomenal de crítica. Mas os três juntos em Give It To Me conseguiram fazer um combo perfeito: batida matadora, vocais e expressões debochados (a letra é toda uma provocação contra um produtor rival que fez menos sucesso que eles), a beleza e as roupas da cantora... não tem nada que não leve um 10 com louvor em Give It To Me. Wiz Khalifa - Black And Yellow [Official Music Video]: estava no carro dirigindo para a Teresa e uns amigos, coloquei esta música no aparelho de som e todos cantaram a letra de cor! Mas Black And Yellow merece todo o sucesso que fez. A batida épica, o lindo filtro do vídeo, que deixa as cores meio apagadas, as cores preta e amarela em todos os detalhes, o povo todo no vídeo – e os ouvintes e espectadores junto – se divertindo. Acho que não precisa de mais. Durutti Column “Never Known”: comprei o disco, chamado LC, em que esta maravilha saiu ainda nos anos 1980. Não gostei muito das outras canções, mas Never Known sempre me impressionou com a capacidade que tem de me levar a ambientes psicológicos de profunda tristeza e beleza (eita). Quando assisti ao videoclipe, não muitos anos atrás, percebi meio espantado como as imagens, em VHS, parecem as do Bones, rapper contemporâneo sobre quem estou cansado de comentar aqui. Aliás, o vídeo e a música de Air, o segundo de Bones que eu ouvi, lembram muito esta maravilha. E olha que o Durutti Column é uma banda de rock, e não de rap!O grupo guerrilheiro alemão Baader-Meinhof, formalmente conhecido como Fração do Exército Vermelho (RAF), estruturou-se em três “gerações”:
É possível assistir no YouTube ao documentário em seis partes The Red Army Faction (2017), dirigido por Anne Éven e Christopher Gerisch. Falado em alemão com legendas em inglês, a produção é espetacular, apresentando imagens de arquivo notáveis e conferindo importância equivalente às três gerações do movimento.
A República Democrática Alemã (RDA/DDR) — a face comunista da Alemanha dividida — ofereceu suporte estratégico à RAF. O regime não apenas forneceu apoio logístico e financeiro, como também serviu de refúgio, garantindo emprego e moradia a militantes que desejavam abandonar a luta armada. Com a Reunificação Alemã em 1990, foi relativamente simples para o novo governo identificar esses ex-membros, uma vez que a lista de cidadãos da Alemanha Ocidental que haviam obtido asilo no Leste era extremamente curta. Esse panorama, explorado no documentário supracitado, despertou meu interesse por Stasilândia: Histórias por Trás do Muro de Berlim, de Anna Funder (376 páginas, tradução de George Schlesinger, Companhia das Letras). Escrito no estilo do New Journalism, o livro é narrado em primeira pessoa (descrevendo inclusive histórias do cotidiano da autora na Alemanha, como uma hilária visita a uma piscina pública) e resgata o cotidiano na antiga RDA através de entrevistas com vítimas e defensores do regime. Embora o tom das memórias seja sombrio, a leitura é fascinante e transformou a extinta DDR em um dos meus “interesses estranhos” — ao lado do Período Permiano, do Império Wari ou do Papado de Avignon. Aguardem novos textos sobre este país que não existe mais.Imagem que acompanha o texto obtida no Gemini.
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