Obra Literária

Roberto Campos em “Energia”, terceira parte de “Rua Paraíba”
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Roberto Campos em “Energia”, terceira parte de “Rua Paraíba”
15 de novembro de 2020 at 19:07 0
A primeira vez que lembro de ter ouvido falar de Roberto Campos foi numa entrevista na Veja em que ele, então senador pelo Mato Grosso, vituperava contra a lei de reserva de mercado da informática. Era uma coisa estranha: uma espécie de Dom Quixote, do próprio partido do governo (de quem era a responsabilidade pela a malfadada lei), numa luta solitária e infrutífera contra tudo e contra todos: nesse ponto específico, o governo e a oposição de esquerda estavam do mesmo lado, contra Roberto Campos. Era uma lei que hoje parece uma coisa do século XV: as grandes empresas estrangeiras de informática eram proibidas de investir no Brasil – nos dias de hoje, é como se ninguém pudesse mais comprar um iPhone ou um laptop da Lenovo. É claro que estavam todos errados, e só Roberto Campos estava certo. (...) Il va sans dire que Roberto Campos tinha uma forte rejeição por parte da esquerda. O Luís Fernando Veríssimo, inclusive, criou uma piada que dizia que Delfim Netto era o Roberto Campos brasileiro – o senador mato-grossense, afinal, era chamado de Bobby Fields. Para a esquerda ele era um entreguista. Queria vender o país para os Estados Unidos a preço vil (a esquerda adora essa expressão). Era um lobista que defendia apenas os interesses estadunidenses (aqui no Brasil, quando alguém fala “estadunidense”, pode saber que é de esquerda). Durante um bom tempo, o que Roberto Campos escrevia era lei para mim. Eu ficava esperando - não lembro exatamente quantas vezes por semana - para ler suas colunas no jornal, ficava acordado esperando suas entrevistas na TV, defendia o cara contra tudo e contra todos. O ápice da minha ligação com ele foi a leitura do monumental “Lanterna na Popa”, autobiografia de mais de mil páginas. Eu reconhecia que certos comentários dele eram grosseiros, mas que vida a do Roberto Campos! Ministro da Fazenda de Castello Branco, embaixador na Inglaterra no governo Médici, senador por Mato Grosso no governo Figueiredo. Fica evidente, no livro, a frustração que ele teve ao perder o poder que teve no início do regime militar e que nunca mais iria recuperar. Ele deixava claro sua opinião segundo a qual o milagre econômico do governo Médici dependeu de maneira fundamental das reformas que ele implantara, ainda no governo Castello Branco. Para Roberto Campos, o governo Médici era excessivamente repressor contra a oposição. Para quem, como eu, cresceu num lar em que a mãe, esquerdista, tinha um peso fundamental na ideologia da casa, ser um admirador tão incondicional de um burocrata importante do governo militar não deixava de ser meio incômodo. O fato de ele efetivamente não ter participado da repressão e tê-la até criticado um pouco não deixava de ser um alívio. Pequeno, mas um alívio. De todo modo, ele estava numa fase áurea em termos de influência intelectual – até a esquerda o estava respeitando - Roberto Campos subitamente parou de escrever no jornal, por estar doente. Eu senti o baque, fiquei meio perdido, mas achava, claro, que logo ele se recuperaria e eu teria de novo meu economista de bolso para poder copiar as opiniões. Mas isso não ocorreu. Roberto Campos faleceu depois de uns dois anos doente. Nesse meio tempo era possível ler algumas notícias sobre a sua vida de recluso. Uma delas é que ele se obrigava a rezar a Ave-Maria – mesmo sem acreditar direito em Deus - em algumas línguas, para não perder a memória. Não adiantou, acabou perdendo a vida. Desculpem essa piada sem-graça: é uma homenagem às piadas sem graça de Roberto Campos. Na época em que os telefones celulares eram melhores e mais caros quanto mais pequenos, ele escreveu que eles eram uma espécie de homenagem à impotência, já que viviam dobrados e paravam de funcionar quando entravam em túneis. Chamava o whisky de néctar. Ex-seminarista, no início de seu livro de memórias ele conta a história de um colega de seminário que virou padre, mas que acabou sendo afastado. Segundo o que um colega em comum acabou contando para Roberto Campos, o padre afastado
"era comunista, e isso a gente podia aceitar; ele tinha um caso com uma mulher, e isso dava para aceitar; mas nunca acreditou em Deus, e isso não dava para aceitar".
(trecho de Energia, terceira parte do meu livro "Rua Paraíba", publicado recentemente - mais detalhes aqui; fonte da foto: Estadão)
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“Rua Paraíba”, meu novo livro
Obra Literária
“Rua Paraíba”, meu novo livro
6 de novembro de 2020 at 10:03 0
"Rua Paraíba", meu livro mais recente, é autobiográfico, fala sobre minha carreira como engenheiro (além de muitos outros assuntos), e é composto por três partes, "Rua Paraíba", "Memórias" e "Energia", escritas entre 2016 e 2019. Seguem alguns links sobre a obra:
  • Trechos e outras informações: aqui
  • Texto do Alvaro Augusto: aqui
  • e-book na Amazon: aqui
  • Entrevista com Sandro Bier, do Café do Escritor: aqui
  • Texto do Horacio Sendacz: aqui
  • Compra do livro físico: e-mail para fabriciomuller60@gmail.com
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Trecho de “Memórias”, da coletânea autobiográfica “Rua Paraíba”
Obra Literária
Trecho de “Memórias”, da coletânea autobiográfica “Rua Paraíba”
18 de outubro de 2020 at 17:59 0
ESCREVI um conto batido a máquina. Cabia numa folha A4, no modo paisagem. Era escrito em três colunas: lendo a primeira coluna, o conto tinha um sentido. Se se juntassem as linhas da primeira e da segunda colunas, o sentido se modificava. Juntando a primeira, a segunda e a terceira colunas, outro sentido ainda aparecia. Eu não devia ter mais que onze anos, e mostrei o conto para um colega do curso de francês. Ele, então, mostrou para o pai dele, que veio com a sentença: “esse menino vai ser um grande escritor”. Eu ri e ele respondeu, sério: “meu pai nunca se engana.” (fonte da imagem: Wikipédia)  
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Trecho de Memórias, segunda parte de Rua Paraíba
Obra Literária
Trecho de Memórias, segunda parte de Rua Paraíba
4 de outubro de 2020 at 15:06 0
Foi na Vice que eu ouvi falar em oogles pela primeira vez na vida. Punks vagabundos que se alimentam de restos encontrados no lixo, que usam em excesso todo o tipo de drogas, que vivem na rua com seus cachorros usados como carinho e proteção, que não tomam banho, que são promíscuos sexualmente, que andam clandestinos em trens de carga, sem destino pelos Estados Unidos. Fico horas procurando na internet fotos e textos sobre esses inúteis, esses parasitas, sobre esse pessoal asqueroso por quem sou totalmente apaixonado. No meu aniversário, minha filha, que não tinha ideia desta minha fascinação pelos oogles, me deu uma camiseta com os logos das bandas amadas por eles: D.R.I., T.S.O.L., Agent Orange, AC/DC, Black Flag. Parecia uma camiseta oogle estilizada. Deus sabe como amo aquela camiseta.
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Obra Literária
Contracapa de “Rua Paraíba”, meu próximo livro
20 de setembro de 2020 at 21:39 0

Formado por três livros (“Rua Paraíba”, “Memórias” e “Energia”) escritos entre 2016 e 2019, “Rua Paraíba” conta histórias pessoais, histórias profissionais e comentários do autor a respeito de assuntos como religião, economia, política e música pop.

Cada uma das três obras tem um foco e um estilo diferentes: “Rua Paraíba” conta sobre o início da vida de casado do autor e seu trabalho como hidrólogo; “Memórias” é composto por recordações e comentários curtos; finalmente, “Energia” é um livro sobre o início da vida profissional do autor como especialista em estudos energéticos de usinas hidráulicas, função que ele exerce até hoje.

De todo modo, uma característica permeia todo o volume: a passagem de um assunto para outro de maneira mais ou menos aleatória – mas num todo que, espera-se, faça sentido.

Enfim: quanto ao estilo, na falta de um termo melhor, “Rua Paraíba” é uma espécie de ensaio autobiográfico.

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Literatura, Obra Literária
Novo livro – Rua Paraíba
29 de julho de 2020 at 13:11 0

Nos próximos meses vou publicar um livro chamado "Rua Paraíba", pela editora do meu amigo Sandro Bier, a Café do Escritor. Ele é composto por três livros autobiográficos escritos entre 2016 e 2019. Segue o prefácio, para dar uma ideia da 'coisa:

“Rua Paraíba” e “Energia” eu escrevi aí pelo ano de 2016, e “Memórias” é mais recente, terminei em 2019.

A ideia de “Rua Paraíba” era escrever sobre o meu período inicial no casamento: minha profissão, meu dia-a-dia, o nascimento da filha, meu trabalho como hidrólogo. “Energia” teria mais a ver com meus primeiros anos como especialista em estudos energéticos e sobre minha visão sobre política e economia – que não mudou muito de lá para cá, diga-se de passagem, por mais que meu interesse no assunto tenha diminuído de maneira significativa. Já “Memórias” seria um livro com recordações esparsas e textos que eu já tinha colocado no meu blog (fabriciomuller.com.br/wp/), cada um deles ocupando meia página, no máximo (objetivo que eu não consegui cumprir inteiramente).

Relendo os três livros, reunidos aqui, percebi que consegui mais ou menos o que queria: falar da minha vida e da minha profissão de maneira aleatória – mas não sei se isso é algo de que eu deveria me orgulhar.

De todo modo, a releitura dos três trabalhos me deixou meio assustado num ponto: em como a música pop permeia a obra como um todo. Sei lá se por uma espécie de autoengano, eu não achava que isso era tão evidente.

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Literatura, Obra Literária
Vídeo de divulgação do meu conto “A mulher de César”, na coletânea “Ser”
19 de dezembro de 2019 at 09:23 0
https://youtu.be/ephpVxUthG8

Este é o vídeo que fiz para divulgar o meu conto "A mulher de César", publicado na coletânea "Ser". Ele foi feito para a live de lançamento do livro, no canal do YouTube do Café do Escritor.

A coletânea pode ser comprada na página do Facebook do Café do Escritor.

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Obra Literária
“O verão de 54 (novelas)”
6 de outubro de 2019 at 14:28 0

“O verão de 54 (novelas)” , de Fabricio Muller (Editora Appris), é composto por quatro histórias bastante diferentes uma da outra.

O Verão de 54 é uma história de amor proibido. Conversão trata de família e religião, Morrissey é um policial sobre um assassino serial com “uma missão” e Sorry é uma novela para adolescentes. O Verão de 54 é uma história em metalinguagem. Conversão utiliza um narrador onisciente, Morrissey é em formato de diálogo e Sorry é um diário.

Como se vê, o leitor pode iniciar a leitura deste livro por qualquer uma das quatro novelas cujo tema lhe pareça mais interessante.

Informações:

  • Comprar na Amazon, impresso ou para Kindle: aqui
  • Live de lançamento no YouTube, em de agosto de 2019 no Encontro Café do Escritor: aqui
  • Entrevista na CBN: aqui
  • Prefácio, por Robertson Frizero: aqui
  • Anúncio do lançamento na semana literária do Sesc, em 23 de setembro de 2019: aqui
  • Resenha da Regina Pimentel: aqui
  • Foto do lançamento do livro no CIP, em 4 de agosto de 2019: aqui
  • Trecho inicial da novela Morrissey: aqui
  • Trecho inicial da novela Sorry: aqui



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