Fabricio Muller

Duas biografias sobre o Buda
Religião
Duas biografias sobre o Buda
24 de setembro de 2018 at 15:48 0
A data escrita a mão na primeira página de “A vida do Buda”, de H. Saddhatissa (Zahar, 96 páginas) é testemunha de um fato antigo na minha vida: o início dos anos 80 foi a época em que eu era interessado em filosofias orientais – nessa toada, cheguei a ficar praticamente um ano sem comer carne, mas isto é tema para meu livro de crônicas chamado “Memórias”, e não para este texto. (mais…)
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Trecho do meu livro “Rua Paraíba”
Impressões
Trecho do meu livro “Rua Paraíba”
16 de setembro de 2018 at 22:18 0
Discutimos anos e anos – desde recém-casados – quais seriam os nomes de nossos filhos. Nunca chegamos a nenhuma conclusão. Quando finalmente minha mulher engravidou, ela veio para mim e me disse que tinha certeza de que a criança seria um menino, e que o nome seria Augusto. “Ok”, respondi, “se for menina vai ser Teresa”. (...) Na ecografia em que descobrimos o sexo da Teresa o médico perguntou o nome da criança, e não tivemos nenhuma dúvida na resposta. O desenho do perfil do rosto da Teresa era bem arredondado, como o meu. É uma coisa que ainda me impressiona, esta tecnologia que nos permite ter uma ideia de como será o rosto da criança quando ela ainda está na barriga da mãe. (mais…)
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Fauda
Séries
Fauda
13 de setembro de 2018 at 21:21 0
“Fauda”, em árabe, significa “caos”, e é também o nome de uma série israelense da Netflix que já apresentou até agora duas temporadas (a terceira já está garantida). Ela mostra um grupo especial antiterrorista às voltas com ameaças de terroristas palestinos, e “fauda” é a palavra que os israelenses do grupo gritam quando são descobertos numa operação e são ameaçados por palestinos. (mais…)
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Suits
Séries
Suits
9 de setembro de 2018 at 14:26 0
Um engravatado chega num escritório de altíssimo padrão e joga uma pasta na mesa. O engravatado que já estava por lá pergunta para o que acabou de entrar: “como é que você entrou aqui?” Quem quer que já tenha assistido a alguns episódios das sete temporadas (quase todas com dezesseis episódios cada uma) da série “Suits” (do canal “USA Network”, retransmitida aqui pela Netflix) deve se lembrar de ter visto uma situação assim. Reconheço que a cena acima não parece muito estimulante: eu mesmo não estava muito animado com a série que a Valéria assistia aqui em casa, enquanto eu fazia alguma coisa ali por perto. Mas, no final da segunda temporada comecei a assistir aos episódios, e assistimos juntos todos eles até o final da sétima temporada – e, como se não bastasse, ainda vi os episódios do início, para completar o negócio. “Suits” gira em torno de uma empresa de advocacia em Nova Iorque (por mais que a série seja gravada praticamente toda em Toronto, no Canadá). Logo no início, um dos sócios da empresa, Harvey Specter (Gabriel Macht) está fazendo um teste para a contratação de um advogado e, por um acaso daqueles, acaba aceitando no teste Michael Ross (Patrick J. Adams), um rapaz brilhante e de memória fotográfica (ele decora tudo o que lê), que sabe direito com profundidade mas que não se formou por uma série de problemas pessoais. Harvey Specter acaba aceitando Michael Ross mesmo sabendo que ele não é formado, e esta fraude é um motivo de permanente tensão e acontecimentos durante a série. Mas, claro, “Suits” é muito mais que isso: tem o brilhante e infantil advogado Louis Litt (Rick Hoffman); a esperta secretária Donna Paulsen (Sarah Rafferty, amiga pessoal de Gabriel Macht, o Harvey Specter); a fria chefona Jessica Pearson (Gina Torres); e, claro, muitas brigas judiciais e chantagens – e, sim, muitas discussões sérias e sutis sobre ética. De todo modo, você pode ter ouvido falar em “Suits” apenas por causa da agora princesa Meghan Markle, mulher do príncipe Harry, que fez a técnica judiciária Rachel Zane nas sete temporadas exibidas até agora e que – por motivos óbvios – estará ausente da oitava, que já estreou nos Estados Unidos. (foto que acompanha o texto: USA Network)
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Trecho do meu livro “Memórias”
Impressões
Trecho do meu livro “Memórias”
2 de setembro de 2018 at 12:42 0

IX

Abre-fecha é um tipo de origami usado pelas crianças para brincar. É um negócio complexo que, quando manipulado, têm abertos alternadamente quatro compartimentos – cada um deles ocultando uma diferente possibilidade. De modo que são oito repartições no total, e a criança que está mexendo na geringonça vai abrindo o brinquedo e a outra escolhe uma das oito possibilidades ocultas. Podem ser frutas, números, animais, plantas. O garoto se chamava Paulo e, depois das férias, trouxe vários abre-fechas para os amigos. Perguntei onde estava o meu. “Para você não tem”, me respondeu Paulo, na maior desfaçatez. Aposto que ficou até indignado com a minha pergunta. Eu detestava ir para aula. Aquelas horas todas eram uma agonia sem fim. Nada do que os professores falavam me interessava, tudo era chato, tudo era desinteressante. As férias começavam, normalmente, em dezembro, e terminavam no final de fevereiro. A minha depressão começava no início de fevereiro e ia aumentando até o final do mês – quando então a tristeza chegava ao máximo na minha pobre cabeça de estudante. Eu detestava tanto ir para aula que todos os domingos ficava deprimido, e o início do Fantástico era um momento de tristeza profunda. Quando eu ia para cama, finalmente, sofria horrivelmente com o pesado silêncio que desabava lá em casa. Ouvia um e outro carro fazendo pega nas proximidades, e a lembrança do som do carro andando velozmente numa cidade vazia me dá tristeza até hoje. (mais…)
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