Fabricio Muller

Livros que eu mais gostei de ter lido em 2021
Literatura
Livros que eu mais gostei de ter lido em 2021
16 de janeiro de 2022 at 19:52 0
  1. “Vulgo Grace”, de Margaret Atwood: a história de um assassinato real ocorrido no século XIX foi o ponto de partida para um livro fascinante, transformado numa série tão fascinante quanto.
  2. “O fim”, de Karl Ove Knausgård: o final da monumental série “Minha luta” mistura ensaios, principalmente sobre o nazismo, e problemas pessoais ligados ao sucesso de seus livros anteriores e ao casamento do autor.
  3. “Mundos paralelos – uma jornada através da criação, das dimensões superiores e do futuro do Cosmo”, de Michio Kaku: a estranha física moderna e valores humanos num livro afetivo e delicioso.
  4. “Os andarilhos do bem”, de Carlo Ginzburg: tudo é estranho neste livro de não-ficção que conta batalhas espirituais contra bruxas na Itália do século XVI.
  5. “O segundo tempo”, de Michel Laub: o narrador desta novela excelente não sabe se vai dar ou não uma notícia ruim a seu irmão mais novo durante um Grenal no estádio Beira Rio, em Porto Alegre.
  6. “O Outono do Patriarca”, de Gabriel García Márquez: só Gabriel García Márquez para conseguir fazer o leitor sentir empatia por um caudilho sanguinário.
  7. “Rei, valete, dama”, de Vladimir Nabokov: já Nabokov não consegue fazer com que o leitor sinta empatia pelos personagens deste romance, mas ele escreve tão bem que isso pouco importa.
  8. “A leitora do Alcorão”, de G. Willow Wilson: autora de HQs, criadora da super-heroína Kamala Khan da Marvel, G. Willow Wilson emociona na descrição de sua conversão ao Islã.
  9. “Amiga de juventude”, de Alice Munro: as histórias da canadense, Nobel de 2012, são pérolas da literatura.
  10. “A gafieira de dois tostões”, de Georges Simenon: conforme o comentário do leitor Heitor Vieira de Resende no site da Amazon, “o pior livro de Simenon é ainda muito bom”. E este certamente não é o pior livro de Simenon.
(foto: Karl Ove Knausgard, obtida no Rascunho)
Leia mais +
Os filmes noir e polar a que mais gostei de ter assistido em 2021
Cinema
Os filmes noir e polar a que mais gostei de ter assistido em 2021
7 de janeiro de 2022 at 21:32 0
Comentei aqui no final de 2020 que “filmes noir são filmes policiais americanos lançados nas décadas de 1940 e 1950, com fotografia expressionista. O gênero polar, às vezes chamado de noir francês, é um estilo que começou baseado no similar americano e que continuou com grande sucesso até os anos 1980 – aliás, é interessante acrescentar que existem filmes polar coloridos, ao contrário dos noir americanos, sempre em preto e branco.” Bem essa última informação está errada: alguns filmes noir, como “Um sábado violento”, de Richard Fleischer, de 1955, são coloridos. Para um fã do estilo, é estranho saber como eram as cores na época. Feita a correção, segue a lista dos filmes noir e polar a que mais gostei de ter assistido em 2021, juntamente com o volume da coleção da Versátil em que cada um aparece:
  1. “Curva do destino” (Detour, 1945, 69 min, de Edgar G. Ulmer): um pianista dá carona para uma moça e tudo começa a dar errado. Uma história impressionante, um roteiro excepcionalmente bem amarrado. Coleção Filme Noir vol. 13.
  2. “O caso da Rua Montmartre” (125 rue Montmartre, 1959, 87 min, de Gilles Grangier): mais um filme com coisas que dão errado: neste caso quem se dá mal é o vendedor de jornais Pascal, vivido pelo extraordinário Lino Ventura. Coleção Filme Noir Francês vol. 5.
  3. “O paxá” (Le pacha, 1968, 90 min, de Georges Lautner): um policial quer se vingar do assassinato de um amigo. Eu costumo até preferir os filmes noir, pelo ambiente, do que os polar, mas os atores franceses de filmes policiais, como o grande Jean Gabin neste caso - que faz o homem à procura de vingança - em geral são melhores que os correspondentes do outro lado do Atlântico. E este filme ainda tem a participação especial do grande Serge Gainsbourg, cantando. Coleção Filme Noir Francês vol. 5.
  4. “O sádico selvagem” (The Lineup, 1958, 86 min, de Don Siegel): um psicopata está atrás de uma família que trouxe heroína numa viagem de navio sem saber. Assustador. Coleção Filme Noir vol. 13.
  5. “Um sábado violento” (Violent Saturday, 1955, 90 min, de Richard Fleischer): citado acima, este filme noir colorido, que conta um assalto e suas consequências, é assustador e claustrofóbico como o citado logo acima. Coleção Filme Noir vol. 17.
  6. “O ódio é cego” (No Way Out, 1950, 106 min, de Joseph L. Mankiewicz): um médico negro é perseguido pelo irmão de um paciente branco que ele tentou salvar. Bem-feito para mim, que falei dos atores franceses: neste filme o médico negro é ninguém menos que Sidney Poitier, em sua estreia no cinema, e o homem que o persegue é o grande Richard Widmark. Descanse em paz, Sidney Poitier. Coleção Filme Noir vol. 12.
  7. “Por uma mulher má” (The Man Who Cheated Himself, 1950, 82 min, de Felix E. Feist): dois irmãos policiais: o mais velho tem uma amante envolvida num assassinato, e o mais novo investiga o caso sem saber do envolvimento do irmão. Um grande filme que apresenta grandes questões. Coleção Filme Noir vol. 13.
  8. “Adeus, bruto” (Adieu, Poulet, 1975, 91 min, de Pierre Granier-Deferre): Lino Ventura e Patrick Dewaere estão excepcionais como investigadores de crimes políticos. É, os atores franceses de filmes polar valem, e muito, o ingresso. Coleção Filme Noir Francês vol. 3.
  9. “Os sicilianos” (Le clan des Siciliens, 1969, 125 min, de Henri Verneuil): com Jean Gabin e Alain Delon como gângsters e Lino Ventura como investigador, não precisa falar mais nada. Coleção Filme Noir Francês vol. 3.
  10. "Borsalino" (Idem, 1970, 125 min, de Jacques Deray): aqui temos Alain Delon e Jean-Paul Belmondo em seu crescimento no mundo do crime. É, acho que mantenho o que comentei ali no item 3. Coleção Filme Noir Francês vol. 5.
Leia mais +
Os filmes não policiais a que eu mais gostei de ter assistido em 2021
Cinema
Os filmes não policiais a que eu mais gostei de ter assistido em 2021
19 de dezembro de 2021 at 19:57 0
Os filmes não policiais que eu mais gostei de ter assistido esse ano seguem abaixo. Logo lanço a lista dos noir e polar, como tenho feito há uns poucos anos. Quando for o caso, clicando no título você pode ir para meu comentário original sobre o filme.
  1. “Anjos caídos”, de Wong Kar-Wai (1995): esse filme tem um matador de aluguel com uma parceira misteriosa, um surdo-mudo muito doido, e algum amor envolvido. Os filmes de Wong Kar-Wai são lindos e esquisitos, e eu amo.
  1. The wedding march”, de Erich von Stroheim (1928): meu filme preferido de um dos meus diretores preferidos.
  1. À meia-noite levarei sua alma”, de Zé do Caixão (1964): o filme de estreia do Zé do Caixão tem uma qualidade artística que independente do baixo orçamento.
  1. “Crepúsculo dos deuses”, de Billy Wilder (1950): a decadência dos grandes artistas do cinema mudo em Hollywood depois do advento do cinema falado nunca foi mostrada de maneira tão cruel quanto neste clássico absoluto.
  1. “A grande ilusão”, de Jean Renoir (1949): este filme, cuja história se passa na Primeira Guerra Mundial mas que foi lançado poucos anos antes do início da Segunda, mostra o cavalheirismo - que as grandes guerras sepultaram para sempre - entre nobres de países inimigos.
  1. “Império dos sonhos”, de David Lynch (2006): por que eu gosto tanto desse filme maluco de duas horas e cinquenta e dois minutos de duração? Não sei, mas revi essa coisa doida esse ano e quero rever muitas vezes ainda.
  1. “Amores expressos”, de Wong Kar-Wai (1994): uma história de sessão da tarde filmada por um maníaco.
  1. “Ordet”, de Carl Theodor Dreyer (1955): uma história e um filme milagrosos. Literalmente.
  1. Twin Peaks: os últimos dias de Laura Palmer”, de David Lynch (1992): muito mais assustador que a famosa série na qual o filme foi baseado. Muito mais mesmo.
  1. “Deus e o diabo na terra do sol”, de Glauber Rocha (1964): uma câmera na mão e uma ideia na cabeça.
Leia mais +
Os dois primeiros romances de Vladimir Nabokov
Literatura
Os dois primeiros romances de Vladimir Nabokov
5 de dezembro de 2021 at 20:22 0
Li recentemente os dois primeiros romances de Vladimir Nabokov (1899-1977), “Mary” (Record, 175 páginas, tradução de Pinheiro de Lemos, publicado originalmente em 1926) e “Rei, Valete, Dama” (Artenova, 196 páginas, tradução de Affonso Blacheyre, publicado originalmente em 1928). Os dois livros são da fase russa de Nabokov, um dos raros grandes autores que escreveram partes importantes de sua obra em dois idiomas diferentes  (russo na primeira parte da carreira, inglês na segunda); o próprio escritor ajudou na tradução dos dois livros para a língua inglesa: a de “Mary” foi feita por Michael Glenny e publicada em 1970, enquanto a tradução de “Rei, Valete, Dama” foi feita pelo próprio filho do autor, Dmitri Nabokov, e publicada em 1969.  “Mary” (lançada também em outras edições com o título “Machenka”, conforme o original russo) conta a história, em primeira pessoa, de Lev Glebovich Ganin, um emigrante russo que mora em Berlim. O maior tema do romance é a paixão do narrador por Mary, uma moça por quem ele era apaixonado na infância/adolescência, quando ainda vivia na sua terra natal. Ganin descobre que ela vai chegar em Berlim e sua obsessão pela garota vai tomando conta de todos os aspectos de sua vida. Mas o romance também descreve, com grande quantidade de detalhes, a vida de outros moradores da pensão, como um velho poeta russo, Anton Sergeyevich Podtyagin, uma jovem menina alemã, Klara, a senhoria, Lydia Nikolaevna Dorn, e seu vizinho, Aleksey Ivanovich Alfyorov. “Rei, valete, dama” conta história de um triângulo amoroso: Martha Dreyer é casada com um rico empresário, Kurt Dreyer, e acaba tendo um tórrido caso com o sobrinho do marido, Franz Bubendorf, um jovem pobre que trabalha numa loja do tio. O caso entre Franz e Martha vai tomando ares cada vez mais sinistros, e logo os dois pensam em arranjar um jeito de assassinar Kurt Dreyer.  É difícil ter alguma empatia pelos três personagens principais de “Rei, valete, dama”: Martha e seu amante são frios e calculistas, enquanto Kurt Dreyer é totalmente autocentrado, embora não tenha nenhum traço de maldade. Mas, como escreve Nabokov! Suas descrições são precisas, claras, parece que conseguimos ver tudo o que o grande escritor descreve. Um grande romance do autor russo - como sempre, aliás.
Leia mais +
“Psychocandy”, de Jesus and Mary Chain
Música
“Psychocandy”, de Jesus and Mary Chain
21 de novembro de 2021 at 18:06 0
Ao contrário de muita gente, não sou saudosista quando o assunto é música. Você nunca vai me ouvir falar a famosa frase “boa mesmo era a música do meu tempo”, por exemplo. Esta falta de apego ao que eu ouvia pouco tempo antes acaba, de maneira engraçada, me fazendo ser um sujeito meio irritante para os meus amigos que continuam ouvindo estilos que eu fui praticamente parando de ouvir com o tempo. É do jogo. O legal de ser esse sujeito verdadeiramente infiel a estilos musicais é que, muito tempo depois de ter parado de ouvir alguma coisa, um belo dia me dá saudade e resolvo conferir o que já não escutava há anos – ou mesmo décadas. Um bom exemplo aconteceu ano passado, quando parecia que eu estava de novo nas minhas aulas no cursinho, na década de 80, quando coloquei para ouvir a coletânea “Standing on a beach”, do Cure. Em outros casos a coisa vem bem mais forte, e é sobre um disco específico que comprei nos anos 80 que vou comentar aqui. A primeira revista Bizz que comprei foi a de número 12, aquela famosa com a Patsy Kensit (que iria deixar a Madonna para trás, veja só) na capa. Enfim, nesta edição tinha uma crítica do grande José Augusto Lemos (sempre ele) falando maravilhas de “Psychocandy”, o primeiro disco de uma banda que eu nunca tinha ouvido falar, o Jesus and Mary Chain. O texto (que coloquei aqui para quem quiser ler; coloquei também aqui uma entrevista da banda, com Pepe Escobar, publicada na mesma edição) começava com a sensacional frase “não é propriamente uma revolução e sim um exercício de radicalismo, que segue uma lógica safada de venenosa”, e continuava comentando que o melhor do pop feito até então tinha duas vertentes, a “melodiosa e assobiável” de um lado, e o “barulho afiado do rock pós-Velvet Underground” do outro. José Augusto Lemos então conclui que o “Jesus & Mary Chain, num caso de inédita esquizofrenia, opta simultaneamente pelas duas linhas e o resultado dá num bombom recheado de cereja e ácido sulfúrico” – e por aí vai o genial texto. A crítica era tão maravilhosa que “Psychocandy” acabou sendo o primeiro dos muitos discos que comprei por causa da Bizz. O choque foi imediato e duradouro, e o álbum foi um dos que mais ouvi naqueles anos: a junção de melodias assobiáveis com uma microfonia maluca me pegou de jeito, na hora. Depois a banda lançou “Darklands”, sem barulho e só com a parte mais “sensível” da banda, e acabei perdendo o interesse no Jesus and Mary Chain. Até que um tempinho atrás descobri, por um amigo, que se podia ler todas as revistas Bizz online (aqui) e resolvi revisitar a crítica do “Psychocandy” - e acabei o escutando novamente o disco, com muita atenção. O álbum é tão bom - ou ainda melhor - do que me lembrava. De todo modo, tenho medo agora do que vou achar de “Darkland” e dos discos posteriores da banda; quem sabe os escute ainda, um dia.
Leia mais +
Marília Mendonça (1995-2021)
Música
Marília Mendonça (1995-2021)
6 de novembro de 2021 at 01:43 0
Assisti há alguns poucos anos um documentário sobre uma tournée de Marilia Mendonça, e gostei muito dela: uma moça de inteligência incomum, gentil, extremamente compenetrada. Nunca fui fã de ouvir suas músicas, mas sempre que escutava alguma delas gostava, apesar de não apreciar, normalmente, o sertanejo moderno. Mas eu sentia que ela tinha algo a mais – só não sabia bem o que era. Recebi a notícia de sua trágica morte por um telefonema da minha mãe e, no meu telefonema diário para meu pai, descobri que ele ficou triste de verdade. Uma tia da minha mulher chegou a passar mal quando soube da morte da cantora. Minha filha, que também praticamente não escuta sertanejo, também ficou triste. Vendo reportagens sobre sua carreira e sua morte, acho que consegui descobrir a diferença de Marília Mendonça em relação a quase todos os cantores, sejam eles do estilo que forem: ela cantava de modo verdadeiro. Ela era como outros intérpretes que captam, de alguma maneira, algo que os outros não captam. E é por isso que o Brasil está tão triste hoje. Descanse em paz, Marília Mendonça.
Leia mais +
Meus clipes preferidos
Música
Meus clipes preferidos
31 de outubro de 2021 at 20:55 0
Gosto muito de assistir a clipes de música. Seja pela música em si, seja pela filmagem, seja por alguma outra coisa, alguns deles eu vejo muitas vezes. Fiz uma lista deles, que seriam os meus preferidos, ou coisa assim:
  1. Hiyah - Ashley All Day: já falei sobre esse clipe aqui. Imagens de Ashley All Day na cozinha, com amigas e com o então marido, e em lugares de Los Angeles. E nada mais.
  2. Dance Again - Selena Gomez: também já comentei aqui sobre esse clipe, que mostra a cantora dançando. O vídeo foi gravado antes da pandemia, mas foi lançado depois do seu início: ficou meio estranho uma música tão feliz naquele momento, mas quem se importa?
  3. Color Blind - Diplo feat. Lil Xan: descoberta minha recente, Lil Xan é um menino com tatuagens assustadoras e com problemas com drogas, mas parece boa gente. Color Blind é uma obra-prima, e o vídeo, vá lá, é meio estranho e assustador.
  4. Heart-Shaped Box - Nirvana: tendo a preferir as apresentações ao vivo do que os clipes do Nirvana, mas este, famoso, com cores estouradas e imagens de uma religiosidade meio absurda, é perfeito.
  5. Fake Plastic Trees - Radiohead: a banda e pessoas de várias idades e estilos por um corredor de supermercado cheio de produtos de forma semelhante e cores distintas. Difícil um dia que eu não assista a este vídeo.
  6. Reminder - The Weeknd: já falei sobre este clipe aqui, que parece se passar num paraíso diferente.
  7. Tranquility Base Hotel & Casino - Arctic Monkeys: Alex Turner é funcionário e hóspede de um hotel de luxo e canta uma música que, com o tempo, vai se transformando numa das melhores da banda.
  8. Nonstop - Drake: um clipe em preto e branco, filmado em Londres, em que algumas imagens me lembram filmes noir. Ou é coisa da minha cabeça.
  9. DontLookDown - Bones: chuva, um filtro verde e uma música maravilhosa.
  10. destruction - nothing,nowhere. x Travis Barker: esse aqui tem um filtro vermelho e uma moto numa estrada numa floresta no meio do mato.
Leia mais +
“Pieces of You”, de nothing,nowhere.
Música
“Pieces of You”, de nothing,nowhere.
18 de outubro de 2021 at 23:12 0
Lembro bem da minha emoção quando o disco “Reaper”, do nothing,nowhere., esteve numa relação do jornal New York Times como um dos melhores discos do ano de 2017. Alguns meses antes eu tinha ficado simplesmente embasbacado com “the nothing,nowhere.lp”, ainda na época em que a banda só lançava músicas no YouTube (e no SoundCloud também). O único membro do grupo, John Mulherin, era tão esquivo que sempre escondia o rosto em fotos e clipes. Criei um grupo de fãs no Facebook, e escrevi nele textos sobre a banda que até hoje reputo entre as melhores coisas que já escrevi – a ponto de eu tê-los colocado no meu terceiro livro publicado, “Rua Paraíba”. De lá para cá nosso amigo John Mulherin parece ter encontrado o caminho do sucesso: sempre participa de festivais, realiza shows em diversos países e chegou a gravar um EP com o baterista do Blink 182, Travis Barker. Sua música se tornou mais raivosa, mais pop, menos melancólica - e ele não se esconde mais o rosto. E ele gosta de brincar de vez em quando. No clipe de “nightmare” ele se veste como um cantor de hard rock brega dos anos 80, com mullets brancos, roupa chamativa e óculos escuros - e fica fazendo micagens o tempo todo para a diversão de diversos personagens pouco afeitos ao rock que aparecem no clipe, como idosos e gente com roupas quase tão bregas como a que ele está usando. No clipe mais recente, “Pieces of You”, ele toca numa banda que aparece de surpresa num casamento num asilo de idosos. O clima, feliz, parece retirado diretamente de um Sessão da Tarde. Se você quiser saber, é lindo demais. Não me arrependo de ter tatuado o nome da banda nas minhas costas.
Leia mais +