Benny Blanco

O Paradoxo da Maquiagem: Entre a Lírica de Morrissey e a Verdade de Selena Gomez
Música
O Paradoxo da Maquiagem: Entre a Lírica de Morrissey e a Verdade de Selena Gomez
18 de janeiro de 2026 at 11:16 0
O novo disco de Morrissey, Make-up is a Lie, com lançamento confirmado para 5 de março de 2026, já teve seu primeiro single homônimo revelado. Ao rever o documentário Selena Gomez: My Mind & Me (2022, Alek Keshishian), notei uma conexão inevitável com a nova composição do cantor inglês. Em diversas cenas, enquanto era maquiada, Selena parecia personificar o verso de Morrissey, como se pensasse: “a maquiagem é uma mentira; minha carreira é uma mentira; minha vida é uma mentira”. É fascinante notar essa convergência temática entre dois artistas que tanto admiro. O projeto original de My Mind & Me previa um filme de estrada tradicional sobre a Revival Tour (2016), focado no brilho dos palcos e no auge comercial da cantora. Contudo, o diretor Alek Keshishian logo percebeu que Selena enfrentava uma crise profunda. O cancelamento da turnê após 55 shows, devido a questões de saúde mental e às complicações do lúpus, interrompeu as filmagens por anos. Quando retomado, o foco migrou do "sucesso pop" para a "sobrevivência humana", documentando a vida de Selena após o diagnóstico de transtorno bipolar e sua busca por propósito. O resultado não foi um produto de marketing, mas um retrato cru da desconstrução da imagem pública e da colisão entre as exigências da fama e a saúde da mente. É difícil não se emocionar com as batalhas físicas e psicológicas expostas no longa. Predominam cenas em que ela parece sucumbir à pressão da performance ou sofrer terrivelmente com as dores do lúpus. O filme registra o choque e o subsequente alívio ao receber o diagnóstico de transtorno bipolar, algo que, segundo ela, deu sentido a muitos de seus comportamentos passados. Para o espectador, o contraste é chocante: o glamour das roupas e a beleza de Selena confrontados com sua dor. A imagem de divulgação da Apple resume esse paradoxo: uma mulher belíssima, impecavelmente vestida, mas profundamente angustiada. Atualmente, Selena vive um momento de notável estabilidade. Casada com o produtor Benny Blanco, ela atingiu o status de bilionária com sua marca Rare Beauty. O que torna isso interessante é que, ao contrário da "maquiagem mentirosa" citada por Morrissey, Selena ressignificou o setor: sua empresa foca na aceitação das imperfeições e destina parte dos lucros ao Rare Impact Fund para o apoio à saúde mental. Além disso, consolidou-se como uma atriz de prestígio, dividindo o prêmio de Melhor Atriz em Cannes em 2024 e brilhando como Mabel Mora em Only Murders in the Building. Como fã declarado de Selena e de Ariana Grande — uma das minhas conhecidas "esquisitices" —, sinto-me gratificado ao observar essa trajetória de superação e autenticidade.
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A Descoberta de Gracie Abrams: Uma Culpa de Selena Gomez?
Música
A Descoberta de Gracie Abrams: Uma Culpa de Selena Gomez?
6 de julho de 2025 at 22:03 0
A "culpa" é da Selena Gomez. Seu namorado, Benny Blanco, produziu e dirigiu um videoclipe encantador em que a cantora e atriz aparece deitada na cama com uma artista que eu, confesso, nunca tinha ouvido falar: Gracie Abrams. A música, "Call Me When You Break Up", rapidamente me fisgou e, por meses, o clipe virou um ritual diário. Mas, afinal, quem é essa tal de Gracie Abrams? Segundo a Wikipédia, ela é uma cantora e compositora norte-americana nascida em 1999, filha do renomado cineasta J. J. Abrams e da produtora de cinema e televisão Katie McGrath. No Instagram, ela costuma aparecer no palco, vestida de forma sóbria, com longos vestidos e um violão. Os locais de seus shows são enormes – estádios e ginásios. "Ela deve ser um fenômeno", pensei, surpreso por nunca ter cruzado com seu trabalho. Uma situação que seria impensável nos anos 1980, quando a falta de internet tornava quase obrigatório conhecer os grandes nomes da música global. Por um tempo, resisti a ouvir qualquer outra música de Gracie Abrams além de "Call Me When You Break Up". Até que a curiosidade venceu e decidi dar uma chance a um de seus maiores sucessos, "I Love You, I'm Sorry". Foi amor à primeira audição. Hoje, ela lidera as audições no meu Last.fm nos últimos 90 dias. Sua voz é delicada, sussurrada e, às vezes, um tanto rouca. A dinâmica de muitas de suas canções apresenta um crescendo sutil. A maioria das faixas começa de forma suave, frequentemente com apenas um violão ou piano acompanhando sua voz sussurrante. Gradualmente, a produção adiciona camadas: um sintetizador, uma batida leve, backing vocals ou um baixo discreto. Esse aumento progressivo de instrumentação reflete a intensificação de um sentimento ou lembrança. Bons exemplos dessa dinâmica podem ser ouvidos em "I Miss You, I'm Sorry", "21" e "Where Do We Go Now?". Mesmo com a suavidade, ela usa a voz de forma dinâmica. Em "I Know It Won't Work", por exemplo, a voz de Gracie começa quase como um lamento, mas no refrão, ganha uma força sutil, mantendo, ainda assim, um tom íntimo. Essa pequena mudança na intensidade vocal é incrivelmente poderosa. Seus videoclipes são, na maioria das vezes, intimistas: a cantora aparece em locais sem glamour (sua cama bagunçada, a cozinha, uma praia comum, o banco de trás de um carro qualquer), e quase sempre sem maquiagem. De forma premeditada, ela se apresenta como uma garota normal, em situações com as quais os fãs podem se identificar profundamente. É um conceito conhecido como "bedroom pop", um subgênero em que os artistas produzem músicas de seus próprios quartos. Mesmo no palco, como mencionei, suas roupas, apesar de bonitas, não exibem grande glamour. E suas melodias são simplesmente lindas! Selena Gomez faz muito mais parcerias com cantores do que com cantoras. Não me parece um acaso ela ter escolhido Gracie Abrams para dividir uma canção. Gracie Abrams é um talento raro. ***
Imagem que acompanha o texto obtida no Last.fm.
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