É impressionante como, pelo menos para mim, em termos de qualidade literária as trilogias “MaddAddão” de Margaret Atwood, e “Os caminhos da liberdade”, de Jean-Paul Sartre, são similares. Citando primeiro as obras da escritora canadense, e depois as do existencialista francês, ambas começam com uma obra-prima - “Oryx e Crake” e “A idade da razão” -, continuam com livros ruins - “O ano do dilúvio”, sobre o qual comentei
aqui, e “Sursis”, simplesmente ilegível - e terminam com algo um pouco melhor, mas mesmo assim nada demais: “MaddAddão”, lido recentemente (Rocco, 448 páginas, traduzido por Márcia Frazão) e “Com a morte na alma”.
Também as trilogias têm em comum o fato de eu terminado de lê-las me irritando por continuar a leitura – com um pouco de “morte na alma”, eu diria.
***
Estava navegando na internet dia desses quando vi uma foto do cartaz de “MaXXXine” (que é a foto que acompanha este texto), filme de 2024 do diretor Ty West lançado em 2024 (104 min), e fiquei curioso por assistir. Acabei descobrindo que o filme era a terceira parte de uma trilogia do mesmo diretor, chamada “X”, também formada por “X – a marca da morte”, de 2022 (105 min), e “Pearl”, também lançado em 2022 (102 min), e assisti aos três recentemente, todos pela Prime Video.
Mia Goth - que é uma atriz britânica filha de uma brasileira e que viveu por aqui parte de sua juventude, e é neta da importante atriz Maria Gladys - não só é atriz principal dos filmes, como atuou como corroteirista e coprodutora de em alguns deles.
“X – a marca da morte” fala sobre um grupo que vai rodar um filme pornográfico numa casa numa fazenda no interior dos Estados Unidos – e é lá que coisas estranhas começam a acontecer. Mia Goth faz ao mesmo tempo a “mocinha” – por falta de uma palavra melhor - e a vilã do filme, e é como a personagem malvada que ela retorna em “Pearl”, uma
prequel que conta a juventude dela. Finalmente, “MaXXXine” é a continuação de “X – a marca da morte”, retomando a história da “mocinha” do primeiro filme da trilogia.
Confesso que meu conhecimento sobre terror
gore é basicamente inexistente, mas gostei muito da trilogia “X”. Mia Goth é estranha, sensual e misteriosa, e é o grande destaque dos filmes – não à toa, Martin Scorcese e Stephen King confessaram admiração por seu trabalho.
***
Para que terminar este texto com o disco com o álbum “Piano Trios Nos. 1 Op.8 & 2 Op. 87”, de Johannes Brahms, com o violinista Augustin Dumay, o violoncelista Juan Wang e a pianista Maria João Pires? Não sei, na verdade. Afinal de contas, são dois trios para piano, e não trilogias!
Sei lá. Acho que é porque eu queria comentar que, nestas obras, Johannes Brahms não cansa o ouvinte com tanta beleza: quando você acha que um trecho não pode ser mais lindo, ele vem com outra coisa mais maravilhosa ainda. Não canso de ouvir, há anos já.
E a pianista portuguesa Maria João Pires não parece deste mundo, de tão perfeito que é o seu toque.
***
Se você quiser receber meus textos semanalmente, clique
aqui e cadastre seu e-mail.
Comentários Recentes