Música

Texto de 2003 sobre o cd de estreia de Maria Rita
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Texto de 2003 sobre o cd de estreia de Maria Rita
16 de maio de 2021 at 22:43 0
Foi lendo uma resenha no Estadão que ouvi falar em Maria Rita pela primeira vez. Ela estava acompanhando o show de um violonista – mas quase todo o mundo, pelo visto, estava lá apenas e tão somente para ver a cantora. O tom do resenhista era de um completo deslumbramento – e, claro, havia comentários sobre a mãe de Maria Rita, Elis Regina, considerada por muita, mas muita gente mesmo (não por mim, diga-se de passagem) a maior cantora brasileira de todos os tempos. Bem, é impossível falar em Maria Rita sem compará-la com a sua mãe. Conforme se percebe em seu CD homônimo, recém-lançado pela Warner, o seu timbre é, em muitos momentos, impressionantemente parecido com o de Elis. O que deixa muitos fãs da mãe emocionados – às lágrimas – nos shows de Maria Rita. Mas há diferenças: a voz da filha é um pouco mais anasalada que a da mãe. Mais do que isto, Maria Rita é muito mais tranqüila. Elis tinha – na minha modesta e solitária opinião – tal intensidade dramática nas suas interpretações (um engraçadinho poderia falar em agitação), que freqüentemente chegava a irritar. No quesito tranqüilidade, portanto, ponto para a filha. Vamos ao disco. Por mais que Maria Rita tenha declarado – com sabedoria – que jamais regravará uma música da mãe, o estilo das suas músicas é demasiadamente parecido. Tem um bolero (“Dos Gardênias”), um samba divertido (“Cara Valente”), as músicas de Milton Nascimento (“A Festa” e “Encontros e Despedidas”), as da Rita Lee (“Agora Só Falta Você” e “Pagu”) e as confessionais sob o ponto de vista feminino (“Não Vale A Pena”). Além disso, duas regravações são discutíveis: tanto a versão de Milton Nascimento para “Encontros e Despedidas” quanto a do Los Hermanos para “Veja Bem Meu Bem” são bem superiores às de Maria Rita. E tem as músicas de Rita Lee, claro – péssimas, péssimas. De todo o modo, é preciso que se diga que Maria Rita está longe de ser um mau disco. “A Festa”, a "música de trabalho", é deliciosa, assim como a supracitada “Dos Gardênias”. As inéditas do hermano Marcelo Camelo (“Cara Valente” e “Santa Chuva”) também não fazem feio. “Menina da Lua” (de Renato Mota) é emocionante, para dizer o mínimo. Também muito boa é “Lavadeira do Rio” (de Lenine e B. Tavares), com uma levada de ritmos regionais do Nordeste. O mais espantoso, porém, é que as duas melhores "faixas", a emocionante “Vero” (de Natan Marques e Murilo Antunes) e a pungente “Estrela, Estrela” (de Vitor Ramil), somente podem ser obtidas quando baixadas da internet em um site secreto – que só pode ser acessado por quem comprar o CD original. Um verdadeiro tesouro secreto... (Texto publicado no Mondo Bacana em 2003)
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Traduções de entrevistas de Morrissey
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Traduções de entrevistas de Morrissey
18 de abril de 2021 at 13:25 0
Quando do lançamento do extraordinário “You are the quarry” em 2004, Morrissey concedeu várias entrevistas, algumas das quais eu traduzi na época para o Mondo Bacana, e que estão relacionadas abaixo. *** GQ [EUA] [Sobre a formação dos Smiths] Eu não tinha absolutamente mais nada. E também era um chamado, porque instantaneamente teve sucesso e não requisitou um grande esforço. Preparação sim, esforço não. [Sobre o fim dos Smiths] Era um compromisso, porque para mim foi um enorme investimento, e então Johnny [Marr, guitarrista e parceiro de Morrissey nas composições] simplesmente disse: "Acabou-se". E não acho que ele entendeu o tamanho do investimento que fiz. [Sobre a volta dos Smiths] Eu estou cansado de perguntas sobre a volta dos Smiths, porque só existe uma maneira de responder a uma dada questão e eu sinto que dei a resposta há 112 anos. Mas as pessoas ainda me perguntam – e não entendo o porquê. [Sobre envelhecer] Eu simplesmente adoro isto. Quanto mais velho fico, melhor me sinto. Eu sou fascinado por pessoas com 80, 90 anos. Especialmente por aqueles que ainda estão criando e vivendo de uma maneira interessante. [Sobre David Bowie] Ele não é mais a pessoa que era. Ele não é mais David Bowie de jeito nenhum. Hoje ele dá às pessoas o que ele acha que as vai fazer felizes, o que faz com que elas bocejem. E, fazendo isto, ela não é relevante. Ele só foi relevante por acidente. *** Sonic [Suécia] [comentários do jornalista] (...) Não há nenhum artista que é amado de uma maneira tão sem reservas por seus fãs, nenhum outro artista que seja tão intimamente definido pelo ouvinte. Eu não sou um deles. Mas é fácil entendê-los. A relação de Morrissey com a música pop sempre foi seríssima. Com 13 anos, sempre que os New York Dolls, T.Rex ou David Bowie passavam por Manchester, ele costumava chegar muito mais cedo do que qualquer outra pessoa até mesmo imaginasse em chegar, para estar o mais próximo possível do palco. Tendo chegado ali, ele agarrava o cercado tão firmemente que "mesmo um guindaste industrial não poderia me mover". Ele se sentava para assistir a Top Of The Pops toda semana, escrevia quilos de cartas a todas as publicações que simplesmente não iriam entender nada, construiu seu próprio reino onde as principais figuras seriam Oscar Wilde, James Dean e Johnny Thunders. Todo seu enorme amor pela música pop foi canalizada para sua própria música. Deste modo, o primeiro single dos Smiths, "Hand In Glove", soa como um ultrajante ataque a um mundo que simplesmente não vai entender, utilizando a música como sua arma ("Eu vou lutar até a morte/ Se eles ousarem tocar em um fio de cabelo seu"). Morrissey nunca deixa de acentuar o fato de que ele é o último outsider. Ele parece se sentir terrivelmente bem – mas ele não vai, jamais, fazer parte do mesmo mundo que nós: "Minha posição nunca parece se modificar. Eu pareço existir em algum planeta solitário, no meu mundo privado. Eu não sou parte de nada. Eu não pareço ter os mesmos interesses de outros letristas, eu não invado o território alheio e ninguém invade o meu." Você está testando seus fãs trabalhando com Jerry Finn? Não, provavelmente eles não vão ver isto como uma boa idéia. Mas no fim das contas isto é problema meu. Se eu for tomar constantemente as idéias alheias em consideração, eu nunca faria mais nada. As pessoas sempre dizem: "Não, você não pode fazer isto", mas você não pode ouvir o que as outras pessoas dizem. E você não pode, definitivamente, ouvir seu próprio público, porque quando você faz isto você simplesmente se torna um deles. Eu não rezo a Deus para que eles apreciem o que eu faço... Na maior parte do tempo eles não gostam mesmo. Bem, pelo menos eles fingem que não gostam. Eles sempre querem parecer tão superiores e intelectuais. Nada diz melhor "que se estrepe a NME" que um longo solo de flauta. Você acha que isso soa ridículo? Todos deveriam seguir as regras do jogo? E uma flauta sempre é progressiva? Alguns diriam que não. [comentários do jornalista] Quando a imprensa britânica estava acusando Morrissey mais do que nunca, ele se encheu e se mudou para os Estados Unidos. E Los Angeles foi aonde ele teve a maior audiência da sua vida. Em 1992, ele bateu o recorde dos Beatles, esgotando os ingressos do Hollywood Bowl no menor tempo já registrado. Ele foi, estranhamente, acolhido pela audiência dos chicanos dos EUA – audiência que adora el Moz com a mesma intensidade que os pálidos britânicos tinham tido dez anos antes. Quem sabe eles sejam apenas apaixonados pelos topetes rockabilly ou quem sabe eles apenas encontraram um cantor pop que canta sobre chorar sobre o travesseiro da mesma maneira que os cantores de baladas mexicanas fazem. Mas é provável que o principal é que as letras de Morrissey sobre ser um outsider são universais. Quão bem você se adaptou aos Estados Unidos, realmente? Existem tantas coisas que são muito importunas e as pessoas geralmente são muito importunas. Mas a paisagem é fabulosa; eu costumava dar uma volta com meu Jaguar e aproveitar a linda paisagem. Além disso, eu não tenho que ver uma única pessoa por milhares de milhas – o que, é claro, é muito prazeroso. As letras são muito diretas, pelo menos em "America Is Not The World" Sim, sem nuances, sem ambigüidade nenhuma. Eu não me importei muito em ser sutil agora. Simplesmente não há tempo para isto. E os Estados Unidos da América não é o mundo. Se você se opuser a isto você vai aparecer apenas idiota. Qual o objetivo em cantar sobre coisas óbvias? Bem, ao menos você não corre o risco de que eles não entendam o que você está cantando. Como nós podemos interpretar todas as suas referências a "andar ao léu" no álbum? É algo em que você está engajado? Ah sim. É realmente uma grande parte da minha vida, um hobby sem par. É algo que eu não posso deixar de fazer, especialmente quando estou num hotel. Aqui está o título do seu artigo: "Morrissey, eu amo andar ao léu", em negrito. Você já cantou, há vinte anos, que você "gostaria de deixar suas calças para a rainha", em “Nowhere Fast”, do álbum Meat Is Murder. Mmm... é verdade... Ela nem soube disso, eu temo. Os concertos de Morrissey usualmente tendem a ser revivals, onde a audiência tenta subir no palco apenas para tocar seu salvador. Não há surpresa que você não queira dividir esta experiência com stage divers fãs de Linkin Park. Eu acho que é tempo dos fãs ficarem chocados, será bom para eles. Pode ser difícil de acreditar, mas a explicação simples do porquê eu não participava de festivais antes deste ano é que esta é a primeira vez que me oferecem esta oportunidade. Minha experiência em festivais é extremamente limitada, eu não tenho idéia do que esperar. É tão mau como você diz? E este festival sueco... Tem uma boa reputação? Muitos fãs acham que não devem dividir você com pessoas que simplesmente não sabem nada sobre você. Não, mas eles podem começar a aprender. Seria bom ter mais fãs. Você está tentando converter pessoas? Sim, eu gostaria, qualquer um é OK. Eu ouvi tantas histórias estranhas sobre pessoas que eram fanáticas por metal e então foram do metal para mim. É muito fascinante. No novo álbum você canta "os adolescentes que te amam/ Vão acordar/ Bocejar e te matar". É este o tipo de fãs que você quer? Eu os entendo em parte. Mas sim, eu os quero, eles são muito críticos e me mantém alerta. Tantas pessoas me rejeitaram de novo e de novo. E ainda – depois de tanto tempo – existem tantas pessoas que querem falar comigo. Tudo se move em círculos... Ao menos quando você tem sorte. Alguma coisa definitivamente mudou nos últimos cinco anos e provavelmente isto dependeu do quão horrível a música pop tem sido. "Ídolos pop" têm estado em todos os lugares e um dia as pessoas ficam cansadas de música que não significa nada. Você acha que seus fãs querem que você atraia milhões de novos ouvintes? Agora eles querem. Porque os anos recentes foram tão frustrantes para eles quanto para mim. Eu espero e acredito que agora é tempo para vingança. Não, bem, não vingança... E sim para algo bem mais sério que vingança. O que é mais sério que vingança? Assassinato, ha ha ha! Eu acho que eles me querem assassinado pela polícia. [comentários do jornalista] Ter uma audiência tão extática pode ser algo de uma natureza dúbia. Morrissey é, é claro, o último fracasso do mercado. Quanto menos fãs ele tem, o mais difícil é para quem é de fora ser igualmente aficionado – o número de pessoas que escreve seu nome com um "S" chegou a um nível criticamente baixo. Sempre há alguém (com um nariz grande) [nota: referência à letra de “Cemetry Gates”] que sabe mais sobre Morrissey do que você jamais saberá. Para as pessoas como eu, cuja vida foi salva por Moz em apenas poucas ocasiões, não se admite camaradagem. Bem, a maior parte das pessoas nunca salvou qualquer vida, então uma vez em um longo período já é um bom placar. Eu nunca me sinto tão sozinho quanto quando escuto Smiths junto com pessoas que são fãs extremamente dedicados dos Smiths. Isto é muito interessante de ouvir. Você gosta desta sensação? Eu me sinto como se eu não pertencesse àquelas pessoas que não pertencem a lugar nenhum. Mas o negócio é que música é uma coisa muito privada. Eu posso escutar música pop boba e isto tem seu lugar na minha vida. Mas música que é privada é intensamente privada. Quando a música se transformou em algo tão importante na sua vida? Isto começou há muito tempo. Quando criança eu não tinha nada mais e quando adulto também não. Isto nunca foi realmente trocado por nada. Todos os meus momentos felizes foram quando eu vi bandas ao vivo, ou comprando discos. [comentários do jornalista] É difícil não falar em justiça Bíblica no fato de que o mundo está pronto para se atirar aos pés do Morrissey 2004 em um tempo em que as gravadoras gastaram todo o seu dinheiro em grupos de um só sucesso e pálidas cópias de coisas que ouvimos muito tempo atrás. Cada novo álbum de Morrissey, cada show com ingressos esgotados, cada capa de revista mostrando este homem é uma pequena vitória para todos aqueles que acreditam que a música pop pode mudar vidas. Mark Simpson, que recusou-se a ser entrevistado neste artigo dizendo que "Morrissey é um deus ciumento", escreveu em sua intrigante biografia "Saint Morrissey" que houve um erro no sistema, uma frágil abertura nos anos 80 que foi transpassada pelo último fã de música pop, transformando-o no último ídolo pop. Isto pode soar uma supersimplificação, mas não existe necessidade em se analisar o mais analisado ícone pop na Terra mais do que isso – o restante o próprio Morrissey deve explicar em sua autobiografia a ser publicada. Você lê livros sobre você? Não! Eu nunca os leio, mas às vezes chego a ler alguns pequenos trechos. Todos estes livros foram escritos por pessoas que nunca me encontraram, então o que eles podem saber? E neste momento você está ocupado em escrever sua autobiografia... Ela vai ser longa? Hahaha... Vai ser vulcânica! Escrever tem sido tão excitante quanto fazer música neste momento. Há tantas coisas que necessitam ser corrigidas, eu tenho estado nas mãos da imprensa e tantas coisas absurdas sobre mim têm sido aceitas como verdade. Esta é a minha vez. Você deve esperar nomes, fotos e impressões digitais. Tudo deve ser revelado. *** Les Inrockuptibles [França] Como você se sente a respeito do fato de que Tony Blair tem dado medalhas aos músicos ingleses? Eu me lembro do modo como Mick Jagger mudou o mundo, o que ele representou para uma geração lutando contra as instituições, a polícia, a justiça... Como ele pode ser condecorado cavalheiro 30 anos depois? David Bowie teve a dignidade de recusar isto – o que me surpreende, vindo de alguém que quer ser adorado por todo o mundo. Eu duvido que algum dia a rainha me convide para tomar chá. No que me concerne, o que me pediram – e eu aceitei – foi organizar o festival Meltdown. Uma oportunidade de colocar juntos de novo os últimos três New York Dolls e convidar Sparks, Sacha Distel, Jane Birkin, Nancy Sinatra, Franz Ferdinand, Ordinary Boys, Linder, James Maker, Loudon Wainwright III, Buffy Sainte-Marie, Damien Dempsey, Libertines, o ator Alan Bennett. As outras honras não são para mim. Eu sou e vou continuar sendo um pária. Você mora em Los Angeles. A Inglaterra foi te matando aos poucos? Alguém na Inglaterra teria me matado, certamente. Além do mais, a Inglaterra que eu amava tanto, sobre a qual eu cantei tanto, mesmo quando estava decaindo, começou a desaparecer. Poderia ter sido Gibraltar ou Marrocos, mas foi Los Angeles, uma cidade pela qual eu não sinto um amor louco. Eu pensei que eu ficaria lá um ano, de maneira a acalmar as coisas no Inglaterra. Mas já se passaram seis anos. É incrível como o tempo passa rápido quando você está adormecido... (risos] No que você se transformaria, se estivesse na Inglaterra? Um pária. Eu seria enterrado mais e mais. Eu tinha crescido com a imprensa musical, formado pelos singles pop, mas se tornou impossível para mim abrir os jornais ou ligar o rádio. Em 1992 você subiu ao palco com a bandeira inglesa e foi imediatamente acusado de racismo. Anos mais tarde, a mesma bandeira se transformou no emblema do britpop... Se tudo isto não tivesse sido tão deprimente e sério, poderia ter achado esta situação irônica. Eu fui vítima de ataques cruéis demais para achar graça disto. Recusei, naquele tempo, a entrar no debate, por que isto me pareceu odioso. Porque, anos mais tarde, as pessoas só precisavam mostrar esta bandeira para ter sucesso imediato nos jornais... Um geração inteira de bandas sem canções e sem experiência de shows automaticamente virou hits. Então senti que a máquina ficou louca, que o nível era baixo, que a música pop tinha perdido suas defesas e estava aceitando qualquer pessoa. Você cresceu com vinil. Como você se sente com a desmaterialização da música? Eu nunca baixei uma canção da internet. Foi-me oferecido um iPod, e eu não consegui nem abrir a caixa. Acho isto chato: música merece esforço. Como alguém pode amar um disco que chega assim tão fácil? Quando eu era garoto, acessar a música que eu amava era difícil: não estava no rádio nem na TV... Mesmo que a música fosse meu único amor, era uma luta permanente tê-la entre as mãos. Sem os discos e seus mistérios, eu jamais seria a pessoa que sou hoje. Eles me moldaram, cada single que eu tenho é ligado a um sentimento especial. Eu os tocava por horas, olhando para o diamante aterrissando no disco com fascinação. Eu ia para o subúrbio de ônibus, e, uma vez nele, olhava as capas, decorando-as... Eu passava tardes nas lojas de discos olhando os créditos de cada álbum. Tudo é muito fácil agora: escutar música, criar música, tornar-se uma estrela... Qualquer criança de 12 anos com um computador é capaz de criar música – tecnicamente, pelo menos. Programas como Pop Idol [Nota do editor: o equivalente britânico ao ianque American Idol e ao brasileiro Fama] têm só um objetivo: humilhar a música, mostrando-a como uma coisa frívola, inepta, inofensiva. Se você tivesse ficado na Inglaterra, você teria se tornado prisioneiro da persona Morrissey? Mesmo em Bangkok eu seria Morrissey. Eu não posso fazer nada a respeito, eu não atuo. Nunca me senti prisioneiro de qualquer caricatura, eu me sinto livre. A Califórnia me permitiu descobrir como é a vida lá fora. Eu me tornei mais expansivo graças ao sol, mais "físico" também. Na Inglaterra, o clima me força a ficar sozinho, entre quatro paredes. Enquanto que na Califórnia eu posso surfar com meu gato... [risos] Por exemplo, eu descobri o prazer de dirigir. Na Inglaterra, andar sem direção não existe: você tem de andar de um ponto até outro, deve existir um destino. E não é muito prazeroso dirigir sob a chuva. Na Califórnia, eu posso sair sem um objetivo, visitar o México, ficar horas seguindo a costa, passear pelos bairros latinos. Dirigir transformou-se, para mim, em uma paixão real, eu escuto música enquanto limpo minha mente todos os dias. No momento, ando em um Jaguar. Você escuta rádio? Eu não sou capaz disso, porque cada vez que eu escuto uma música que eu não gosto – o que acontece freqüentemente – eu tenho de mudar a estação. Seja na vida ou em uma música, eu não posso me forçar a ter mais sofrimento... [risos] Por exemplo, o hip hop permanece para mim um completo mistério. Eu sonho com explicações. Quando você sente falta da Inglaterra? Eu gostaria de andar, como quando eu estava em Manchester ou Londres, mas é uma coisa suspeita para se fazer em LA. Não se espera encontrar pessoas nas ruas. Eu sinto falta dos pubs, supermercados, até mesmo do pão; é bem difícil encontrar as comidas vegetarianas que eu gosto tanto. Graças a Deus, eu moro perto de uma livraria, Book Soup, onde eu posso sentir o cheiro gostoso da cultura. Exceto por isto, eu realmente não saio. Não conheço meus vizinhos [Johnny Depp por exemplo]. Não posso entrar em conversas simples sobre chuva ou tempo bom. As coisas não mudaram: sempre me sinto sozinho, isolado. Até mesmo me sinto mais assim com 44 anos do que quando eu tinha 20 ou 30. Aprendi a cuidar de mim, a apreciar minha própria companhia. Entendi que não tem assim tanta gente interessante aí fora, então eu prefiro ficar em casa, comigo... [risos]... Eu sou meu melhor amigo. Eu vou para cama comigo, eu acordo comigo, eu e eu mesmo [a quase intraduzível expressão me and myself] nunca vamos nos divorciar e temos bons momentos juntos. Tenho sorte. Eu, espiritualmente, odeio tudo o que me coloca longe de mim mesmo, do que eu sempre senti. Mas eu tento ser um artista. Poderia, sem dúvida, simplificar minha vida, mas eu tento ser um artista. E ser um não é um trabalho de tempo parcial: eu tenho de ser um artista 24 horas por dia. Sacrifiquei tudo por isto: prazer, amor... Minha vida é só um ritual de sacrifício: eu vivo no fogo... [risos] Sim, mas você mantém uma linha direita, muito razoável. Você nunca deseja ter sexo, drogas e álcool sem limites? Eu gostaria às vezes de ficar louco, sair de mim mesmo. Mas tenho muitos princípios, sou obcecado com minha integridade, minhas reações... Nunca achei muito elegante cair no chão vomitando... Cuido da minha saúde. Em "I'm Not Sorry" eu digo: "Tem um homem selvagem na minha cabeça". Eu entendo este homem selvagem. Mas, irremediavelmente, eu vou para cama cedo todos os dias sem nenhuma história. Esta é a minha danação. Totalmente sozinho? Sou mortalmente chato. Eu nunca precisei de sexo e hoje ainda menos do que quando tinha 20 anos. Não sei que tipo de brincadeira é esta. Na minha idade... Quem sabe isto me venha mais tarde, quando estiver enrugado e acabado, mas eu tenho de tentar isto. E não tenho de esconder nada: não sou um cara que esconde uma vida sexual secreta. Ela não existe, é tudo. Tampouco não recebo qualquer proposta. Você nunca mencionou a homossexualidade mais claramente – especialmente as lésbicas – do que em “All The Lazy Dykes”... Quem sabe isto seja porque eu seja lésbica... Esta música é um hino para as lésbicas que não sabem que o são, um chamado a todas as mulheres presas em seus casamentos, em seus hábitos. Digo a elas para ir ao Palms, um clube lésbico em Santa Monica Boulevard, um lugar bacana, onde elas poderiam ser felizes. Quando eu era mais jovem em Manchester, havia também clubes gays, como Berlin ou Legends, lugares extremamente glam-rock... Nunca me preocupei em ir lá. Meu negócio são os concertos... Quando você era mais novo, você era o tipo do rapaz que ficava próximo da pista de danças, fazendo piadas cruéis sobre quem estava dançando, mas secretamente querendo ser um deles? Sim, eu era, morria de ciúmes. Queria desesperadamente dançar, ser como os outros. Mas não podia me liberar, era consciente demais da minha falta de jeito. Eu me olhava enquanto dançava. Deveria ter bebido para esquecer tudo isto. Mas estaria gordo hoje. Como os Smiths funcionavam? Durante as turnês, os outros procuravam por mulheres ou drogas? Pode parecer estranho para você, mas eu, honestamente, nunca vi drogas em camarins. Soube de tudo isto pela imprensa. O que é bem desagradável para mim. Eles poderiam ter oferecido para mim, seria legal juntar-se ao clube... [risos] Eles deviam pensar que eu era frágil demais para isto, ficavam atentos para não falar nada na minha frente... Bem, eu estava ocupado, queimando minhas asas. Eu tinha de ficar sóbrio e consciente, para manter a unidade dos Smiths, para defender orgulhosamente nossa diferença. Você deu tudo para criar e manter os Smiths. Esta banda era a sua última chance? Exato. Por isto eu fiquei obcecado com os Smiths. Porque eu abandonei tudo por causa disto, dei tudo o que eu tinha, toda minha energia e alma. Era isto ou nada. [Sobre a longa época sem contrato com gravadoras entre o lançamento de Maladjusted e You Are The Quarry] Você achou que era o fim? Durante aqueles sete horríveis anos que se seguiram a Maladjusted, eu sempre mantive um pouco de esperança. Passei por situações humilhantes durante este tempo. Encontros nos quais as pessoas diziam: "nós gostamos de sua voz, mas sua banda é péssima" ou "nós tivemos uma grande idéia: você vai gravar com o Radiohead". Logo percebi que Hollywood é só uma fábrica onde as promessas não são sérias. Eu me transformei em uma espécie de troféu que era interessante de ser mostrado em restaurantes da moda, mas só. Eu freqüentemente chegava em casa com uma depressão profunda. Mas eu tive sorte quando achei uma pequena gravadora, a Sanctuary. Quando assinei o contrato, eles me ofereceram uma guitarra que pertenceu a Johnny Thunders quando ele estava nos New York Dolls: a Vox Teardrop branca. Quando comecei a gravar, me mandaram uma incrível cesta de frutas. Pela primeira vez, uma gravadora queria ser legal comigo. Você vai publicar um livro um dia? Eu já me sinto um escritor. Apenas um escritor cantando suas histórias. O que é difícil, já que uma parte inteira da vida tem de caber em uma canção de três minutos. Estou condenado a não escrever demais. Para isto, vai existir minha autobiografia... Cada canção conta uma história. E eu escrevi centenas delas. Nunca me senti preso por este modo de escrever. Eu me sentiria assim se fosse um entregador de leite. *** Mojo Morrissey está doente. Segundo suas próprias estimativas, ele está doente com o som da própria voz. Em uma suíte do Hotel Dorchester em Londres, ele pede desculpas à Mojo pelo que a revista está prestes a receber. Eu te previno que eu estou no estágio de zumbi. Eu simplesmente sento aqui, meus lábios estão se mexendo, posso ouvir o som das palavras vindo de algum lugar e então eu percebo que quem as está formando sou eu. Gostaria de ser capaz de ficar atrás de mim ou do meu próprio lado e então gritar comigo mesmo! A coisa chata é que isto acontece porque você acabou de sofrer para fazer um álbum do qual você está terrivelmente orgulhoso, e então as pessoas assumem que você tem respostas para tudo e que você pode explicar tudo com uma “fluência fantástica”. Eu tenho sido solicitado, digamos, a falar excessivamente e, infelizmente, para mim entrevistas acabam sempre virando intensas auto-análises, extremamente pessoais – o que realmente me esgota. Eu prezo intensamente, na verdade, a minha privacidade. O que significa que fazer verdadeiros malabarismos em entrevistas reveladoras é muito, muito difícil para mim. Por que, para ser honesto, eu preferia não dizer nada. Eu acharia melhor deixar a música falar por si mesma e que ela fizesse o que fosse possível. Mas eu tentei isto tantas vezes e nada aconteceu. Tudo acaba desaparecendo. Mas a gravadora, agora, quer que eu faça mais coisas ainda, e simplesmente não sei se posso. Quer dizer, não sou a Britney. Então por que você está aqui? Por que está fazendo isto? Isto é cem por cento um chamado, na verdade. Porque, infelizmente, eu não existo em nenhuma outra parte. [Comentários do jornalista:] Para ele, a importância de ser Morrissey é assegurar que ninguém sabe realmente quem ele é ou o que ele faz (e com quem). O que é, lógico, uma das razões de seu persistente fascínio. No início dos Smiths, ele contou que "Eu não sou o homem que você pensa que eu sou". E, vinte anos depois, o objetivo de despistar atrás destas palavras continua verdadeiro. Não há ninguém neste planeta que ache que eu seja OK. As pessoas são extremamente a favor ou extremamente contra. Eu não sou o tipo de pessoa que passa desapercebida. Por que você tem tantos inimigos? Eu acho que é porque eu sou uma pessoa forte, que não liga para o que os outros dizem. E eu não peço ajuda. Por isso as pessoas não têm piedade de mim. [O juiz Weeks] Fez um julgamento incorreto, dando direito ao [ex-baterista dos Smiths, Mike] Joyce de receber 1,25 milhão de libras, assegurando que ele tinha 25% dos direitos. Mas não decidiu como Joyce receberia este dinheiro. E, em conseqüência de Joyce nunca ter tido um contrato, nenhuma das partes vai lhe dar dinheiro porque ele nunca esteve sob a proteção de um contrato. Então, a cada vez que eu venho tocar na Inglaterra, Joyce tenta emitir ordens judiciais para me tirar dinheiro. Ele vai continuar isso pelo resto da vida, uma peste para todo o mundo que está na minha cola. Isto o define agora, é o que é a sua vida. Isto lhe permite continuar e ser parte da minha história. Ele se tornou uma farsa completa e só há uma vítima nesta história, que sou eu. Como você chegou a esta conclusão? Só por que o juiz não gostou de você? Ele disse muito a respeito. Ele disse aquele tanto, que foi o suficiente [nota: o juiz chamou Morrissey de “isolado, truculento e auto-suficiente”, conforme o Bacana mostrou aqui]. Isto é, um juiz tem direito de não gostar de mim, mas um juiz não tem direito de ignorar os fatos e ignorar o que é óbvio. O juiz não deve partir para o julgamento pessoal. Por que eu posso muito bem ser uma pessoa antipática, mas isto não significa que eu não seja confiável na corte. Obviamente o juiz estava se vingando de todas as coisas que eu sempre disse sobre Thatcher ou sobre a Rainha ou caça às raposas. Porque o juiz é obviamente um lorde e sempre, é lógico, há um lado privado neste tipo de coisa. Você ainda fala com Johnny Marr? Nós conversamos no último verão um pouco. Em termos realmente amistosos. Mas é muito, muito difícil por causa do problema judicial, que é um monstro enorme que segue adiante e que é muito detalhado. Mas o legado dos Smiths é pavoroso. Quer dizer, eu acho que é o pior legado de qualquer grupo na história da música. A história toda é tão negra e complicada que estou convencido que ela só vai terminar em... assassinato. E você está falando com o cadáver em potencial (risos)! Estou falando sério. Chegou neste estágio. Quer dizer, quem é que disse Viva Hate? Você sentiu algum preconceito na Inglaterra por suas origens irlandesas? Não particularmente. Na escola eu era chamado de Paddy (alcunha dada aos irlandeses), o que não era considerada uma forma amistosa de chamar os outros. Eu não entendo o porquê, já que é uma bela palavra e uma boa coisa para ser. Mas é claro que os ingleses riem de todos e ridicularizam todos. O que é bem divertido às vezes. Mas você, sendo escocês, recebeu alguma carga de racismo aqui? Só o trivial. Então não sentiu mesmo o racismo? Nada que machucasse, portanto... Eu não fui atacado fisicamente. Mas se eu fosse um negro escocês eu não teria tido tanta sorte. Sim. Mmmmm... Muito do nacionalismo escocês é devido à política do ressentimento. Contra a Inglaterra? Sim. Nos anos 70 se percebeu que certos recursos estavam sendo sugados – o que foi literalmente a verdade no caso do óleo. Você poderia, tão logicamente quanto, desprezar as multinacionais americanas por causa disso. O que nós fazemos... Mas a Inglaterra também tem sido brutalizada, e é brutalizada. Então por que as pessoas continuam levando a sério o nacionalismo, se ele é tão problemático? Por que as pessoas querem se sentir orgulhosas, o que quer que a nacionalidade signifique? Porque é o lugar onde você nasceu, onde vive e onde continua a viver. Onde você construiu sua vida. E é inconveniente sentir vergonha disso. Quer dizer, todos nós gostamos de nos sentir em um lugar razoavelmente decente. E todos nós gostamos de sentir orgulho, se pudermos. Mas então, infelizmente, há a monarquia. Mas talvez não por muito tempo. Sempre o otimista. Sempre o sonhador (risos). Embora eu goste de voltar para a Inglaterra, andar nas ruas e encontrar as pessoas, não imagino um tempo no qual eu volte em definitivo para a Inglaterra numa boa. Eu deixo a decisão para o destino. Eu sempre vou seguir o destino, seja lá o que ele me traga. Há uma frase – tenho 92% de certeza que foi dita pelo escritor Thomas Mann – que diz que você nunca pode voltar para casa. Cada segundo da vida diz respeito ao tempo e à atmosfera presentes. E você acha que o passado é o lugar para o qual você pode retornar, mas não é. Mesmo assim, eles dizem – não é mesmo? – que nunca é tarde demais para se ter uma infância feliz. Mas eu acho que você pode ter isto sem voltar para lugar nenhum. Você pode ter sua infância em outro lugar. Nunca é tarde demais para arrumar todos aqueles pesadelos em sua mente. Sobre o que é tudo isto, Morrissey? O que faz você seguir adiante? Bem, eu possivelmente não sou diferente de ninguém (ele ri e depois suspira)! Eu gostaria de não ter rido quando disse aquilo. Mas a vida, esta vida estranha, é simplesmente algo que você tem de atravessar de seu modo para ir a outro lugar. É simplesmente algo que você tem que se deixar levar. E nós simplesmente esperamos que em algum lugar alguma coisa realmente excitante ocorra conosco. A maioria das pessoas procura um romance e isto é o que realmente mantém as pessoas seguindo adiante. E você não está procurando um romance? Mmmm.... Err... Bem, não é a coisa que me mantém seguindo adiante, a esperança de ter um. Não. Não sou tão bobo. E eu sinto romance em objetos inanimados (risos)! Como carpetes, lâmpadas... Você finalmente quer ser amado? Bem, eu gostaria que gostassem de mim, tanto quanto. Mas eu vou ficar com o amor, se isto for tudo o que me ofertarem. Você tem algum conselho para me dar? Be yourself, free yourself (“Seja você mesmo, se liberte" – trecho da letra da música “All The Lazy Dykes, do mais recente disco de Morrissey, You Are The Quarry) (Dá uma risadinha) Eu vou dar uma chance a isto. *** NME [Entrevista publicada em edição lançada antes da edição 2004 de Glastonbury, realizada no último fim de semana de junho] Você está ansioso para se apresentar no festival de Glastonbury? Esta é a primeira vez que eu me aventuro nessa coisa de festival. Nós tocamos em um festival nos confins distantes da Suíça e foi pavoroso, e tocamos em outro em algum lugar por aí. Então isto tende a ser um desastre completo. Então você nunca tocou em Glastonbury? Há 21 anos. Tomara que o fornecimento tenha mudado, mas você nunca sabe. Quais são as suas memórias disso? Pedi para ir ao banheiro e me mostraram um buraco no chão. Eu pensei, "isto não é para mim". Você vai chegar cedo e ficar o fim-de-semana lá? Sim, eu vou direto para a grama e então... Vou me rastejar até uma barraca. Michael Stipe diz que quando toca em Glastonbury ele anda pelo local no meio do público sem camisa e ninguém o reconhece. Sim, o público o reconhece mas, como ele está sem camisa, ninguém quer chegar perto. Isto foi uma piada. Você deveria tentar isso. Michael é extremamente simpático. De camisa. Não, é algo que eu deveria tentar. Mesmo! Eu sou inseguro demais. *** Index [Morrissey foi entrevistado para a Index por James Murphy e Tim Goldsworthy, co-fundadores da jovem e crescentemente aclamada gravadora DFA.] James: Você ia a muitos shows quando criança? Eu comecei a ir a shows sozinho e muito cedo. Eu amava e ainda amo Velvet Underground. Eu vi Lou Reed em turnê antes de seu primeiro álbum quando eu tinha 12 anos. James: T.Rex e Roxy Music eram realmente anárquicos, mas sua música eram tão bonitas. As bandas preferidas de minha mãe são Johnny Mathis e Roxy Music. Isto fala muito sobre eles. E eu vi Bowie em 1972, na turnê de Starman. James: 1972 foi mesmo um ano para você! Realmente foi. Eu vi as coisas certas no tempo certo. Mas não há estrelas pop hoje como Bowie era então. Você precisa lembrar a idade dele: tinha só 23 anos. Marc Bolan também. Eu não acho que exista ninguém como ele. James: Eu não sei se entendi perfeitamente suas letras quando eu era jovem. Em que grau suas músicas são governadas pela ironia? Bem, eu acho que o humor faz parte, mas em toda a minha vida eu acreditei que eu sou uma pessoa real. Quando algumas pessoas chegam no palco, elas deixam de ser aquilo que elas são nas suas vidas. Mas, realmente, não há artifícios em mim! É tudo verdade. Tim: Talvez seja por isso que você consegue escrever músicas pop com tanto conteúdo e profundidade. Bem, eu quero usar a música pop para dizer alguma coisa inteligente e memorável. Isto era muito pouco comum quando eu comecei. Músicos que se consideravam intelectuais não esperavam ser populares, então eles faziam músicas que não poderiam tocar no rádio. James: Foi uma surpresa quando você se percebeu massivamente relevante? Bem, os Smiths nunca tocaram no rádio durante o dia. James: Mesmo assim... Sim, suponho que fôssemos, sim. James: Você estava nos programas de John Peel e de Janice Long. É isto a que eu estava me referindo. Claro, eram outros tempos. As estações de rádio estavam tocando estes ultrapop caros, enquanto nós tínhamos um som um pouco áspero. Eu acho que os programadores tinham uma idéia bem estabelecida do que soava profissional e do que soava amador. E os Smiths soavam amadores. James: E o que pensavam dos Smiths no começo da carreira? Nós éramos considerados detestáveis, esnobes, rudes, estúpidos, depressivos e sarcásticos. James: Você acha que vocês eram mal-interpretados. De jeito nenhum... (risos) Tim: O que você procura em um produtor? É importante ser apto a falar abertamente sem medir as palavras. E eu não sou o tipo de pessoa que fica vagueando em estúdios e jams. (...) É importante para o produtor entender que eu não sou um cantor técnico. Mas não sou fastidioso, não perco um tempo muito grande fazendo takes atrás de takes. James: E você continua fazendo discos que outras pessoas querem ouvir. Por algum acidente ou sorte, muitas pessoas gostam da minha música. Muitas pessoas querem falar sobre isto e falar comigo. Mas eu nunca, nem remotamente, tentei cortejar a imprensa. James: Alguma vez já pensou que deveria fazer isso? Não, moralmente eu não poderia fazer isto James: Mas o hype cria artistas que vendem milhões e milhões de cópias. Eles estão atingindo as pessoas não-pensantes, que só vão comprar CDs que são familiares a eles. E o que elas estão comprando é o retrato que elas se lembram de ter visto. Quando eu vejo um gigantesco vendedor de discos quando estou dirigindo no Sunset Boulevard, eu instantaneamente me afasto. James: Você ainda vive em Los Angeles? Eu ouvi que você se mudou para lá no início dos anos 90. Sim. Eu sei o que você vai dizer mesmo antes de você dizê-lo. E você está absolutamente certo. James: Que lá é um lugar esquisito? Sim. As pessoas sempre dizem que é um lugar muito peculiar, e eu concordo. Mas tem boas qualidades. Tem muito glamour visualmente, o que sempre é convidativo. Em LA você pode escolher quais elementos da vida da cidade você quer tomar parte, enquanto que em Nova York você não tem escolha, realmente. Eu fujo de praticamente tudo. Eu acho que a idéia toda de celebridade é terrivelmente embaraçosa. James: Mas Los Angeles é um lugar enormemente embaraçoso, onde ser celebridade vale mais do que tudo. É terrível. As opiniões das celebridades sobre todos os assuntos são levadas em conta, mesmo quando elas não têm qualquer ponto de vista a respeito.
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Música na pandemia
Música
Música na pandemia
31 de outubro de 2020 at 14:27 0
O marco do final da “vida normal”, para mim, foi o show da banda de metal belga Amenra, no Fabrique Club em 1 de março de 2020 - sobre o qual já comentei aqui, num texto que acabou aparecendo também no meu livro mais recente, “Rua Paraíba”. Foi um show espetacular, o melhor a que já assisti na minha vida e, estranhamente, parece mesmo realmente ter sido o final de uma era. Mas a vida continuou mesmo com a pandemia e, em termos de música, não tenho muito do que me queixar de 2020. Por exemplo, alguns dos meus artistas preferidos lançaram discos maravilhosos, como Selena Gomez com “Rare” (lançado antes da pandemia), The Weeknd com “After Hours”, Morrissey com “I Am Not a Dog on a Chain”, 21 Savage com “Savage Mode II”, Ariana Grande com “positions”. Além disso, os dois clipes que eu já considero os melhores que vi até hoje foram lançados depois do início da pandemia: “Dance again”, com a Selena Gomez dançando sozinha, e “POPSTAR”, de DJ Khalled e Drake, um vídeo divertidíssimo em que Justin Bieber canta no lugar do Drake. Também depois da pandemia foram lançados dois podcasts sobre música viciantes: Álvaro & Barcinski & Forasta & Paulão, com os jornalistas Álvaro Pereira Jr., André Barcinski, André Forastieri e Paulo César Martin, sendo que os três primeiros eu acompanho desde o tempo da revista Bizz. Segundo a descrição do próprio podcast, este apresenta “dicas e opiniões musicais malfeitas e desatualizadas para sua quarentena” – já dá para ter uma ideia do quanto ele é divertido. Outro podcast nos mesmos moldes é o B3, também com o André Barcinski, mais Benjamin Back e João Marcello Bôscoli. Outra coisa recente e marcante em termos de música  para mim foi a descoberta das coleções completas de música de câmara de Brahms e Mozart no YouTube Music (lançadas, é preciso que se diga, antes de 2020). Nem me sinto muito à vontade para comentar tanta maravilha junta. E não posso deixar de citar o cd Brahms: Piano Trio Nos.1 Op.8 & 2 Op.87, com Maria João Pires ao piano. Mas provavelmente o disco que vai ser o primeiro a vir à minha cabeça quando, daqui a um bom tempo, eu me lembrar da pandemia, vai ser o disco Brahms: Lieder, com a mezzo-soprano sueca Anne Sofie von Otter e o pianista Bengt Forsberg (também lançado antes de 2020). Infelizmente o YouTube Music não registra, até onde eu sei, quantas vezes um disco é escutado. Não importa, imagino que pus para tocar essa maravilha – que começa com uns lieder mais “alegres” e vai aumentando a carga de dramaticidade até lugares meio impossíveis de imaginar – no mínimo mais de cem vezes durante a pandemia. crédito da foto: AbeBooks
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Música
“O dia em que o rock morreu”, de André Forastieri
13 de agosto de 2020 at 22:03 0
André Forastieri: 180graus

Foi ouvindo o ótimo podcast “Álvaro & Barcinski & Forasta & Paulão”, que é uma retomada do falecido “Garagem”, que fiquei com vontade de ler este “O dia em que o rock morreu” (Arquipélago Editorial, 121 páginas, lançado originalmente em 2017), do jornalista e ex-crítico da Bizz André Forastieri (aliás, Álvaro Pereiro Jr. e André Barcinski, que participam do podcast, também eram críticos da finada revista). Acompanho a carreira de André Forastieri desde, praticamente, seu início, e fiquei interessado em ler este apanhado de textos jornalísticos do autor não só porque ele escreve muito bem, mas também porque, como soube pelo podcast, ele tinha colocado no livro todos os seus textos sobre Kurt Cobain – com direito à única entrevista do cantor do Nirvana quando esteve aqui no Brasil, em 1992.

Enfim, eu sabia que o gosto do André Forastieri é bem diferente do meu – ele odeia Smiths e Morrissey e isso já diz tudo. Mas a leitura de  “O dia em que o rock morreu” foi bem agradável: ele parece arrogante, mas quem conhece o cara do podcast “Álvaro & Barcinski & Forasta & Paulão” pode ter a mesma opinão que eu: ele parece não se levar assim tão a sério, e essa é uma qualidade rara. Sem contar que, não custa repetir, ele escreve bem demais.

O mais bacana ainda, particularmente, foi ele ter explicitado a diferença enorme que existe entre mim e os amantes de rock em geral. Segundo as palavras de André Forastieri,

“o rock foi muito importante para mim, na vida, no amor, no trabalho, na maneira como entendo o mundo. Rock é tesão proibido, coragem suicida, dentes à mostra.”

Falando sobre Jimi Hendrix, ele comenta que:

“ouvir sua guitarra me dá vontade de fazer besteira, e besteiras que nunca fiz. Rock’n’roll é isso.”

Já sobre a banda de punk feminino The Slits, que nunca ouvi, André Forastieri fala que

“(a banda) dizia a que vinha desde o batismo. Era rock barulhento, abrasivo, feminista, multicultural. As meninas não tinham medo de nada.”

Essa fé no poder transformador do rock, da revolta e tudo o que vem junto com ela, de certa forma me desvelou por que sempre senti um certo estranhamento com “roqueiros” (desculpem o termo, que muitos não gostam) em geral: para mim, o rock é só mais um estilo musical, como outros que amo tanto quanto, como blues, pop, rap, erudito e jazz. Um estilo, como todos os outros aliás, com coisas maravilhosas (Morrissey, por exemplo) e detestáveis.

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Música
Amenra (Fabrique Club, 1/3/2020)
15 de março de 2020 at 13:11 0

Eu comecei a me divertir pensando neste texto enquanto via o show da banda belga Amenra, em São Paulo. Explico: o meu show preferido tinha sido o do Morrissey no ano 2000, mas em 2017 escrevi aqui pedindo desculpas a ele por ter preferido o show da Ariana Grande. Depois, em 2018, foi a vez de o jogo virar eu comentar que o show do “Morrissey no Espaço das Américas em São Paulo, no dia 2 de dezembro, foi não só o melhor dos três dele que já vi, como, provavelmente, foi o melhor show a que já assisti”. E aí vem o motivo do meu divertimento durante o show do Amenra: eu teria que escrever que tinha mudado de ideia de novo, porque ele estava fazendo picadinho de tudo a que eu tinha assistido antes.

O espetáculo se iniciou com o vocalista Colin H. Van Eeckhout, de joelhos e de costas para a plateia, tocando uma espécie de percussão metálica num ritmo lento e preciso, enquanto os instrumentos faziam um clima baixinho ao fundo. Aquilo demorou uns bons minutos, a ponto de eu ficar me perguntando quando mesmo o show iria começar… até que todos os instrumentos (duas guitarras, bateria e baixo - a cargo do grande Levy Seynaeve, líder o Wiegedood, sobre quem já comentei aqui) tocam os primeiros acordes em uníssono, o vocalista grita, e todos no Fabrique Club passam a saber que estavam vivenciando uma experiência única.

Eu lamento não ter o talento do meu mestre José Augusto Lemos para o superlativo - eu lembro dos textos dele falando de shows como um da Gal Costa e outro do David Bowie: o Amenra merecia um texto melhor, mas isso agora não importa muito.

A banda de “doom/sludge metal/hardcore” (segundo o Encyclopaedia Metallum) mantém a pegada de alternância entre peso e delicadeza durante todo o show. Colin H. Van Eeckhout passa a maior parte do tempo de costas para a plateia, e se vira de vez em quando e parece que vai rasgar a camiseta; ao seu lado, o baixista Levy Seynaeve alterna entre momentos de costas e de frente para a plateia, do mesmo modo que os guitarristas Mathieu J. Vandekerckhove e Lennart Bossu, nas pontas do palco. Durante todo o show são projetadas belíssimas imagens em preto e branco com cenas rurais e partes de corpos humanos. Muito mais não tem como descrever, a não ser que eu fosse o já citado José Augusto Lemos. Por sorte a banda tem alguns shows muito bem filmados no YouTube (ver aqui, por exemplo), que dão uma boa ideia da coisa.

Enfim, quase todas as pessoas com as quais eu conversei falaram termos como “magia” para descrever esse espetáculo incomum. 

O show da minha vida. 

Desculpem, Morrissey e Ariana Grande.

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Música
“Heavier than heaven – Mais pesado que o céu: uma biografia de Kurt Cobain”, de Charles R. Cross
26 de janeiro de 2020 at 20:26 0
foto: JJ Gonson

Se Bach e Nick Drake só foram reconhecidos como gênios depois de mortos, isso absolutamente não aconteceu com o vocalista e líder do Nirvana, Kurt Cobain. Quando do lançamento de “Nevermind”, em 1991, a crítica e o público logo reconheceram que o que estava acontecendo ali não era algo “normal”, por nenhum padrão: uma banda alternativa chegando no primeiro lugar das paradas, e ainda com canções reconhecidas como geniais por quase toda imprensa especializada, não era algo que acontecesse todo o dia. 

Quanto a mim, eu era meio que o personagem de “In Bloom”, faixa de “Nervermind”: “ele é aquele que gosta de todas as canções bonitas / e gosta de cantar junto / (...) / mas não sabe o que significa”. Passei o verão de 92 ouvindo “Nevermind” ininterruptamente – entrei de cabeça na onda mundial.

Só ano passado que resolvi ouvir a sério as músicas do Nirvana – tentando entender o que elas significam, inclusive – e fiquei impressionado como a banda era muito melhor do que eu pensava. Um som forte, com letras complexas e profundas – um clássico eterno.

Neste contexto a leitura da biografia de Kurt Cobain, “Mais pesado que o céu”, de Charles R. Cross (Globo, 450 páginas, tradução de Cid Knipel), lançado originalmente em 2001, é um excelente complemento para a obra dele.

Nascido em Aberdeen, estado de Washington, em 20 de fevereiro de 1967, Kurt Cobain era de uma família de classe média baixa, e aparentemente viveu feliz até a separação de seus pais, quando ele tinha nove anos. Depois disso, ele passou por vários momentos difíceis, tendo sido jogado daqui para lá por vários parentes, e morado por muitos períodos em seu carro. Sua vida teve uma rica sucessão de acontecimentos e esquisitices – morou com uma namorada em um apartamento onde criava gatos, coelhos e outros animais, por exemplo. 

O sucesso acabou chegando mesmo, e de forma avassaladora, com “Nevermind”, seu segundo álbum, depois de “Bleach”, de 1989. Kurt Cobain parecia tanto gostar de vender milhões de cópias como não gostar, sinal de sua personalidade extremamente complexa, que fez com que, por exemplo, tenha se viciado em heroína aparentemente por uma decisão racional. Mesmo seu suicídio, em 1994, parece ter sido uma decisão totalmente pensada.

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Música
As melhores músicas de todos os tempos
8 de janeiro de 2020 at 22:22 0

É engraçado ouvir novamente uma música que você gostava muito depois de alguns meses, ou anos, sem ouvir: a experiência pode ser emocionante, ou frustrante. No caso de “New Rules”, grande sucesso de Dua Lipa que está chegando em dois bilhões de visualizações no YouTube, a surpresa foi fantástica: ela era ainda muito melhor do que eu lembrava, um verdadeiro clássico moderno.

A experiência de ouvir de novo “New Rules” me fez imaginar este texto, chamado pomposa e falsamente de “As melhores músicas de todos os tempos”, e fiquei pensando numa nova lista de músicas preferidas – sim, eu amo listas.

Durante muitos anos eu dizia para todo o mundo que a minha música preferida era o último movimento do ciclo de “A canção da terra”, de Gustav Mahler, chamado de “O Adeus” (Der Abschied). A edição que eu tinha, ainda em vinil, era com a Jessie Norman como solista deste incrível lied sinfônico – triste, lento e poderoso – com a London Symphony Orchestra regida por Sir Colin Davis. Lembro como se fosse hoje que fiquei uns quarenta minutos na loja me perguntando por que eu queria comprar este disco só pela capa – que é linda mesmo, como se pode ver pela imagem que acompanha este texto.

Já tinha tentado gostar de Nick Drake, indicado por um conhecido, mas só quando ouvi “Day is done” compartilhado pelo meu amigo Arthur Vicente Cordeiro entendi por que este cantor que não fez sucesso em vida, mas que é adorado hoje, é tão bom. Eu ouvia sem parar a faixa achando que iria parar de gostar dela – eu já tinha tentado gostar de Nick Drake, né – mas nunca rolou de eu deixar de amar "Day is done", até hoje.

Postei recentemente que “You know you’re right”, do Nirvana, era minha música preferida, então ela tem que ser citada aqui. Antes dela, minha preferida era “Boxers”, de Morrissey, também lembrada. Sou meio obrigado a colocar Ashley All Day em qualquer lista que eu faça, e “Obsessed”, com Kiiara, é a lembrada da vez.

“rockstar”, com Post Malone e 21 Savage, é outro sucesso monstruoso na linha de “New Rules” - com todo merecimento, aliás. O videoclipe da canção, cheio de sangue assumidamente falso, é outro clássico.

Lembro como se fosse hoje do choque que tive ao ouvir o início de “CtrAltDelete”, de Bones, que, sem exagero, se repete a cada nova ouvida desta maravilha – um caso raro de clássico instantâneo do Elmo que não tem videoclipe. Ainda no assunto “exagero”, confesso que lacrimejei diversas vezes ouvindo a ária “Ach, mein Sinn”, da Paixão Segundo São João de Johann Sebastian Bach.

Finalmente, “Oh yeah”, do Roxy Music, é a “nossa música”, minha e da Valéria Müller, a quem eu amo exageradamente.

Haha, ficou brega esse final. Não pelo exagero do amor, mas “nossa música” é coisa de gente brega.

Aqui está o link para a playlist no Spotify: https://open.spotify.com/playlist/5Zz91ZHuYgezfzLOc8QuIQ?si=qPO0EdStTZC-xfTUiDXhDw

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Música
Retrospectiva musical – 2019
8 de dezembro de 2019 at 17:08 0
François Couperin - foto: https://www.medici.tv/en/artists/francois-couperin/

Na minha - extremamente limitada - paisagem musical, o ano de 2019 apresentou algumas novidades, mas não muitas.

Entre as descobertas, foi bacana sacar que a Grã-Bretanha consegue fazer música pop de qualidade equivalente ao que se pratica do outro lado do Atlântico, com Ellie Goulding, Anne-Marie e Clean Bandit (Dua Lipa não vale, porque virei fã dela ano passado). 

Foi também um ano de duas redescobertas, Roxy Music e Nirvana - bandas que não ouvia direito há décadas - e de uma descoberta, Drake, de quem eu sempre tinha gostado de algumas poucas músicas. Outro que comecei a ouvir com mais cuidado em 2019 ano foi o DJ Marshmello.

Quanto à música clássica, foi um ano quase que só ouvindo teclados: cravo e piano com o compositor François Couperin, e diversos compositores com o pianista Ivo Pogorelich. 

Nada de grandes novidades na minha lista de músicas preferidas lançadas em 2019, apresentada lá embaixo neste texto. Selena Gomez anunciou que lançará seu disco novo no início do próximo ano, e as duas faixas já disponíveis são lindas: “Lose to love me” foi seu primeiro single a alcançar o topo da Billboard, e está no topo da minha lista também; “Look at her now” tem um clipe lindo. “DontLookDown” é uma das melhores faixas da vida do Bones, dá pra se ter uma ideia do que é isso? “METHHEAD LIFESTILE” é um rap coletivo alucinado que tem o grande Lil Darkie como destaque - agradeço Leonardo Gama, sempre me apresentando coisas maravilhosas. “7 rings” é provavelmente a melhor faixa da vida de Ariana Grande, e “Heartless” é um sinal de que o próximo disco de Weeknd vai ser um petardo. Morrissey lançou um disco de covers muito bom, “California Son”, mas eu gostei mais de suas músicas autorais novas, como este “Brow of my beloved”. O nothing,nowhere. lançou um EP com o baterista do Blink 182, e “destruction” é citado na minha lista. Fiquei chateado por não terem entrado na minha relação “Money In The Grave”, de Drake e Rick Ross, e "Get Like Me", de Bhad Bhabie com NLE Choppa - mas tudo bem, foram lembrados aqui.

Finalmente, minha lista de preferidas, definida anteontem, já tinha “Fast”, de Juice WRLD, que acabou falecendo hoje. Rest in peace.

A lista segue abaixo. Clicando nos títulos estão os links para os videos no YouTube, e logo abaixo o endereço da playlist correspondente no Spotify.

  1. Selena Gomez - Lose You To Love Me
  2. Ashley All Day - Shop Til U Drop
  3. BONES - DontLookDown
  4. Selena Gomez - Look At Her Now
  5. Morrissey - Brow of My Beloved
  6. LIL DARKIE - METHHEAD FREESTYLE
  7. The Weeknd - Heartless
  8. Ariana Grande - 7 rings
  9. nothing,nowhere. x Travis Barker - destruction
  10. Juice WRLD - Fast

O endereço da playlist no Spotify está aqui.

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