Tenho a impressão de que o escritor italiano Alberto Moravia (1907-1990) está meio fora de moda no Brasil. Praticamente não há edições novas por aí, tenho visto pouquíssimas citações de seu nome em resenhas. Procurando no arquivo do jornal Folha de São Paulo, por exemplo, achei um
texto importante, de janeiro deste ano, sobre as crônicas de Moravia reunidas em “Américas: Relatos de Viagem” – mas nada recente sobre sua obra de ficção.
Isso não era assim na minha adolescência: li “A Coisa”, que
reli há pouco tempo, indicado pela Revista Veja, que falou maravilhas deste livro de contos. Mais do que isto, Alberto Moravia tinha um verbete nas páginas principais da Enciclopédia Abril, o que para mim era a maior prova de que alguém era realmente importante.
Resolvi reler “A Romana” (Abril Cultural, 415 páginas, lançado originalmente em 1947, traduzido por Marina Colasanti), um romance que tinha me agradado muito na adolescência. O livro é contado em primeira pessoa por Adriana, uma garota linda e pobre que resolve ser prostituta, muito influenciada pela mãe - uma mulher amarga para quem a falta de dinheiro era a principal, senão única, preocupação de sua vida. Ela se se envolve amorosamente com um motorista de moral duvidosa, o Gino, e chama a atenção de Astarita, alto funcionário do governo que fica completamente apaixonado por ela. Dois outros homens têm importância fundamental na história, Mino, um estudante revolucionário e intelectual, e Sonzogno – mas nem vou falar muito dos dois para não dar spoiler. A história de Adriana se passa durante a década de 1930, em plena Itália fascista, e o romance está conectado com o neorrealismo italiano.
Uma inconsistência fundamental de “A Romana” é que Adriana não teve nenhum estudo e escreve divinamente. Outra coisa que deve estar colaborando com a perda de importância de Alberto Moravia é que ele escreve em primeira pessoa sobre a vida pessoal e sexual de uma mulher das classes baixas da sociedade – não teria muito lugar de fala, portanto.
Mas, como literatura, “A Romana” é um portento. Você consegue se sentir na Roma dos anos 1930, Adriana é extremamente bem construída, assim como os demais personagens e, como escrevi acima, Alberto Moravia escreve divinamente. Espero que ele volte a ficar na moda, ele merece!
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