Morrissey

Música
As melhores músicas de todos os tempos
8 de janeiro de 2020 at 22:22 0

É engraçado ouvir novamente uma música que você gostava muito depois de alguns meses, ou anos, sem ouvir: a experiência pode ser emocionante, ou frustrante. No caso de “New Rules”, grande sucesso de Dua Lipa que está chegando em dois bilhões de visualizações no YouTube, a surpresa foi fantástica: ela era ainda muito melhor do que eu lembrava, um verdadeiro clássico moderno.

A experiência de ouvir de novo “New Rules” me fez imaginar este texto, chamado pomposa e falsamente de “As melhores músicas de todos os tempos”, e fiquei pensando numa nova lista de músicas preferidas – sim, eu amo listas.

Durante muitos anos eu dizia para todo o mundo que a minha música preferida era o último movimento do ciclo de “A canção da terra”, de Gustav Mahler, chamado de “O Adeus” (Der Abschied). A edição que eu tinha, ainda em vinil, era com a Jessie Norman como solista deste incrível lied sinfônico – triste, lento e poderoso – com a London Symphony Orchestra regida por Sir Colin Davis. Lembro como se fosse hoje que fiquei uns quarenta minutos na loja me perguntando por que eu queria comprar este disco só pela capa – que é linda mesmo, como se pode ver pela imagem que acompanha este texto.

Já tinha tentado gostar de Nick Drake, indicado por um conhecido, mas só quando ouvi “Day is done” compartilhado pelo meu amigo Arthur Vicente Cordeiro entendi por que este cantor que não fez sucesso em vida, mas que é adorado hoje, é tão bom. Eu ouvia sem parar a faixa achando que iria parar de gostar dela – eu já tinha tentado gostar de Nick Drake, né – mas nunca rolou de eu deixar de amar "Day is done", até hoje.

Postei recentemente que “You know you’re right”, do Nirvana, era minha música preferida, então ela tem que ser citada aqui. Antes dela, minha preferida era “Boxers”, de Morrissey, também lembrada. Sou meio obrigado a colocar Ashley All Day em qualquer lista que eu faça, e “Obsessed”, com Kiiara, é a lembrada da vez.

“rockstar”, com Post Malone e 21 Savage, é outro sucesso monstruoso na linha de “New Rules” - com todo merecimento, aliás. O videoclipe da canção, cheio de sangue assumidamente falso, é outro clássico.

Lembro como se fosse hoje do choque que tive ao ouvir o início de “CtrAltDelete”, de Bones, que, sem exagero, se repete a cada nova ouvida desta maravilha – um caso raro de clássico instantâneo do Elmo que não tem videoclipe. Ainda no assunto “exagero”, confesso que lacrimejei diversas vezes ouvindo a ária “Ach, mein Sinn”, da Paixão Segundo São João de Johann Sebastian Bach.

Finalmente, “Oh yeah”, do Roxy Music, é a “nossa música”, minha e da Valéria Müller, a quem eu amo exageradamente.

Haha, ficou brega esse final. Não pelo exagero do amor, mas “nossa música” é coisa de gente brega.

Aqui está o link para a playlist no Spotify: https://open.spotify.com/playlist/5Zz91ZHuYgezfzLOc8QuIQ?si=qPO0EdStTZC-xfTUiDXhDw

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Literatura, Obra Literária
Trecho inicial da minha novela “Morrissey”
10 de março de 2019 at 12:18 0
Morrissey - fonte: Billboard

- De jeito nenhum, delegado.

- Mas como assim, como é que você pode ter certeza?

- Tenho. Ele é um poeta, um homem estudado...

- Poetas e homens estudados não podem acreditar?

- Eu acho que não.

- Mas você sabe que a coisa não é bem assim, né?

- Eu acho que nenhum homem estudado, com talento, pode acreditar em Deus.

- Tá, vá lá, então o Morrissey não acredita em Deus e escreveu uma música chamada I have forgiven Jesus porque na verdade queria falar do seu desejo de matar alguém.

- Qualquer um pode ver isso, delegado... ah lá: Why did you give me so much desire? / When there is nowhere I can go / To offload this desire? Tá aí. Tá com desejo de matar.

- Ele disse que está com desejo de amor, é só ler a continuação da letra: And why did you give me so much love / In a loveless world / When there is no one I can turn to / To unlock all this love? Então você está dizendo que o amor que ele fala aqui é “metafórico”?

- Claro.

- Baseado exatamente no quê?

- Se fosse desejo de sexo, e aí até eu poderia aceitar, ele ia falar sexo, não amor. Ou você acha que um cara que tem tanto desejo assim de amor ia reclamar de falta de amor? Ninguém tem desejo assim de amor!

("Morrissey" é a segunda novela do meu livro "O verão de 54 (novelas)", a ser publicado em meados deste ano)

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Minha retrospectiva musical – 2018
Música
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12 de dezembro de 2018 at 08:36 0
2018 foi o ano em que eu conheci Bhad Bhabie e Juice WRLD, uma cantora e um cantor de rap que logo se transformaram em favoritos da casa. (mais…)
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“A Descoberta da Escrita”, de Karl Ove Knausgard
Literatura
“A Descoberta da Escrita”, de Karl Ove Knausgard
14 de janeiro de 2018 at 22:59 0
Acho que Deus gosta de rir da minha cara: bastou eu ter tomado a firme decisão de não comprar mais livros - pelo menos enquanto não tivesse lido boa parte dos muitos encostados por aqui - que vi nas recomendações do Kindle que tinha acabado de ter sido publicado no Brasil  o quinto volume da série “Minha Luta”, de Karl Ove Knausgard, “A Descoberta da Escrita” (Companhia das Letras, 632 páginas). Que raiva. Se Deus sabia que eu não resistiria a comprar mais um livro do norueguês, por que me fez ver que o livro tinha sido lançado logo em seguida à minha firme resolução? Não tão firme, claro. Comprei o livro e, como sempre (pelo menos depois do segundo da série), o li rapidamente. Em “A Descoberta da Escrita” Knausgard conta sobre seu difícil início como escritor, suas (poucas) traições amorosas, bebedeiras, saídas sem rumo pela Europa, indecisões sobre seu futuro profissional. A cidade norueguesa de Bergen - por coincidência, citada na letra de “I Wish You Lonely”, do mais recente disco de Morrissey, “Low In High School” - é parte fundamental de mais uma obra-prima do grande escritor Knausgard, que consegue deixar hipnotizados milhões de leitores pelo mundo contando, com enorme quantidade de detalhes, episódios de sua própria vida. (mais…)
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Texto antigo sobre dois DVDs de Morrissey
Música
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1 de novembro de 2017 at 10:54 0
É interessante observar as diferenças existentes entre os dois DVDs com videoclipes de Morrissey lançados recentemente no Brasil pela EMI.  (mais…)
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Documentário “The Importance Of Being Morrissey”
Música
Documentário “The Importance Of Being Morrissey”
6 de setembro de 2017 at 22:56 0
A Importância de Ser Prudente é considerada a melhor peça de Oscar Wilde, o grande ídolo literário de Morrissey. Foi, portanto, um trocadilho óbvio – porém feliz – o título do documentário que o canal inglês Channel Four apresentou em 19 de junho de 2003 sobre o ex-frontman dos Smiths: The Importance Of Being Morrissey (A Importância de ser Morrissey). (mais…)
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Meus discos preferidos: 1. “Your Arsenal” – Morrissey
Música
Meus discos preferidos: 1. “Your Arsenal” – Morrissey
23 de dezembro de 2016 at 00:01 0
A culpa é da Revista Bizz. Nos anos 80-início dos anos 90 o amante brasileiro do rock que hoje é chamado de indie (entre os quais eu me incluía) e que não tinha dinheiro ou inglês suficientes para ler a New Musical Express ou a Spin não tinha outra fonte para saber das novidades que não fosse a Bizz mesmo. A revista amava The Smiths e eu ia na cola, mesmo sem entender patavina de inglês. Gostava do vocal e das melodias, mas estava longe de ser a minha banda preferida. Quando comecei a entender inglês – obrigado pelos estudos de mestrado – comecei a ler as letras de Morrissey e comecei a entender o porquê da adoração toda. Nesta época os Smiths já tinham acabado e a carreira solo estava começando a derrapar: depois de um início promissor com “Viva Hate” vieram dois discos malvistos pela crítica, “Bona Drag” e “Kill Uncle” (este último, hoje em dia desprezado pelo próprio cantor), e parecia que Morrissey não iria mais se reerguer. Só que não: o disco seguinte, “Your Arsenal”, foi incensado pela maior parte da crítica da Bizz (se bem que fiquei furioso com os dois zero que o disco levou na seção “Bolsa de Discos”, mas enfim) e parecia que o cantor inglês tinha reencontrado seu lugar. (mais…)
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