Netflix

Séries
Marseille
24 de novembro de 2019 at 18:09 0
Benoît Magimel e Gérard Dépardieu - https://laparola.com.br/marseille-netflix

A primeira série francesa da Netflix, “Marseille”, teve críticas em sua maioria desfavoráveis e por isso não será renovada para uma terceira temporada. Uma queixa comum diz respeito a uma suposta falta de originalidade -  Patrícia Kogut, de “O Globo”, por exemplo, comentou a respeito de suas semelhanças incômodas com séries como “The killing”, “The affair” e “House of Cards”. Bem, eu não assisti a nenhuma das três citadas, e será que isso me ajudou a gostar de “Marseille”? Sei lá.

As duas temporadas de série têm oito episódios de cerca de 50 minutos cada uma, e tratam principalmente dos jogos de poder entre o prefeito de Marselha, Robert Taro (Gérard Dépardieu) e seu desafeto e antigo seguidor Lucas Barrès, vivido por Benoît Magimel. No meio das disputas políticas, dramas familiares, relação com traficantes, a ascensão da extrema-direita, e muito sexo.

Gostei muito das muitas tramas que “Marseille” apresenta e a interpretação de Gérard Dépardieu é um negócio de outro mundo: vi poucas atuações deste nível - se é que já vi alguma.

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Séries
Duas minisséries
29 de agosto de 2019 at 18:39 0
The Alienist (Uol Entretenimento)

Minisséries são como filmes longos – sabemos que a história termina ali, por mais que alguns filmes (e minisséries) tenham continuação. Uma das melhores séries a que já assisti, “Dark objects”, sobre a qual já comentei aqui, na verdade é uma minissérie, formato dos ótimos “O bosque” e “The alienist”, objetos do presente texto.

Produzido pela TNT e distribuído pela Netflix por aqui, “The Alienist” tem dez episódios de cerca de 50 minutos cada. A minissérie se passa em Nova Iorque no final do sec. XIX (a reconstituição de época é primorosa), e conta história do estranho alienista (nome antigo dado aos psiquiatras) Laszlo Kreizler, vivido por Daniel Brühl, envolvido na investigação de crimes perpetrados por um assassino serial. O enredo é bem estruturado e as atuações, muito boas, mas a história é contada com mão pesada, fazendo com que acompanhar a história seja um pouco cansativo. De todo modo, já está prevista uma continuação para a minissérie, chamada “The Angel of Darkness”.

Gostei bem mais de “O bosque”, série francesa da Netflix com seis episódios de cerca de 50 minutos cada um. Numa cidade do interior francesa, duas adolescentes desaparecem – e a minissérie conta a história da procura por elas, que acaba desnudando segredos da cidadezinha. “O bosque” tem paisagens belíssimas, ótimas atuações e mantém a tensão em todos os episódios. Não precisa mais.

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Séries
Três séries israelenses
30 de junho de 2019 at 17:51 0
Shtisel (Netflix/Dori Media/via JTA)

Três séries israelenses distribuídas pela Netflix, uma bastante diferente da outra.

"Shtisel" tem duas temporadas com doze episódios de cerca de 45 minutos cada uma e discorre sobre a vida de uma família ultraortodoxa – com seus costumes às vezes estranhos para quem não vive aquela cultura – vivendo em Geula, Jerusalém. Os personagens principais são Shulem Shtisel (Dov Glickman), o patriarca, rabino e professor numa shivá (escola judaica), e seu filho mais novo, Akiva (vivido por Michael Aloni), que tem talento para pintura – o que traz conflitos dentro da família que, como normalmente ocorre com os ultraortodoxos, não vê com bons olhos a arte de modo geral. Além de querer ser artista, Akiva também arranja problemas já que não consegue arranjar uma noiva para casar, pois sempre escolhe os partidos mais complicados.

Mas “Shtisel” é muito mais do que isso: os outros personagens – notadamente os outros filhos e a mãe do patriarca Shulem – são todos muito bem desenvolvidos e seus dramas pessoais são às vezes tocantes, às vezes engraçados – e as atuações são sempre ótimas. Acabamos de assistir “Shtisel” e ficamos com a impressão de que os ultraortodoxos não são assim tão diferentes de nós.

“Hostages” é uma série policial com duas temporadas (22 capítulos no total, com cerca de 45 minutos cada um), uma bem diferente da outra: na primeira, a família de uma médica é sequestrada em casa para obrigá-la a errar um procedimento em uma intervenção cirúrgica que fará no primeiro-ministro israelense, com o fim de matá-lo; na segunda, os sequestradores estão encurralados por uma enorme quantidade de policiais numa escola judaica abandonada.

Os dramas de sequestrados, sequestradores e policiais são convincentes e o suspense e a tensão são uma constante nas duas temporadas. 

Finalmente, “Hashoter Hatov” é uma série de comédia em duas temporadas com quinze episódios de 30 minutos cada uma, e que conta a história de Danny Konfino (Yuval Semo), policial baixinho e incorruptível, seus colegas de delegacia (um chefe vaidoso, uma policial que quer ter um caso amoroso com Danny, um parceiro que tem dorme nos momentos menos recomendáveis e um policial árabe), e sua família – uma mãe responsável, um pai exageradamente sovina e dois irmão pilantras, cada um à sua maneira.

De humor escrachado, “Hashoter Hatov” frequentemente deixa a lógica de lado para garantir boas risadas para o espectador.

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História, Literatura, Séries
Júlio César
2 de junho de 2019 at 22:17 0

Estou escrevendo um conto chamado “A mulher de César”, e abaixo seguem comentários sobre uma peça de teatro, uma biografia e uma série da Netflix que utilizei nas minhas pesquisas.

É interessante observar como o prefácio da edição de “Júlio César”, de William Shakespeare (1564-1616), da Penguin-Companhia das Letras, 186 páginas, escrito pelo grande crítico literário Harold Bloom, comenta como a peça é considerada “fria” por muitos especialistas. Ele cita, inclusive, as palavras do “maior especialista de todos”, Samuel Johnson: “nesta peça, vários trechos merecem a atenção, e a contenda e reconciliação de Bruto e Cássio são celebradas universalmente. Em mim, porém, a trama jamais causou grande comoção; chego a considerá-la um tanto fria e inócua, comparada a outras peças de Shakespeare; a maneira com que se prende à História e aos costumes romanos parece haver bloqueado o vigor natural de sua genialidade”.

Apesar do título, a peça se concentra basicamente na figura de Bruto (Roma, 85 a.C. - Filipos, 42 a.C), protegido, e posteriormente, um dos participantes famoso assassinato do líder político Júlio César (Roma,100 a.C. – Roma, 44 a.C.) no Senado Romano.

Na época em que ocorrem os acontecimentos apresentados na peça, Roma está no final da República. Júlio César já se declarou ditador perpétuo, e os conspiradores contra sua vida têm receio que ele queira transformar Roma num Império. Na peça, são apresentadas diversas cenas envolvendo o planejamento do homicídio do político, além do próprio assassinato de Júlio César e o início da reação popular contra os conspiradores (spoiler: eles se dão muito mal).

Entre todos os conspiradores, Bruto parece o único preocupado com o futuro de Roma – ao contrário dos demais, não parece ter nenhum interesse pessoal no assassinato, só entrando na conspiração para proteger a República Romana. É um grande personagem de uma grande peça de teatro – ao contrário dos críticos citados acima, não achei a peça nem um pouco fria.

Já a biografia “Júlio César”, de Joël Schmidt, impressiona ao descrever a inteligência maquiavélica do ditador romano (100-44 a.C.) ao manipular adversários políticos para conseguir o objetivo de acabar com a República Romana e fundar o Império – o que, se não conseguiu, abriu caminho para que Augusto (63 a.C. – 14 d.C.), seu sobrinho, o fizesse anos depois de sua morte.

O Júlio César que emerge da biografia é de um homem bem quisto por seus soldados, excelente estrategista, e sexualmente voraz – era famoso por dormir com as mulheres de outros importantes líderes romanos. Não era mesquinho, embora tenha estado abaixo de sua grandeza, segundo Joël Schmidt, quando se irritou com o líder gaulês Vercingetórix quando da rendição deste em Alésia, na Gália (atual França), em 52 a.C.

Finalmente, “Império Romano”, da Netflix, é uma série em três temporadas no estilo dos documentários da History Channel/H2 (ou seja, com atores, permeada com comentários de especialistas), apresentando, em cada uma delas, a história de um dirigente romano.

A primeira temporada, com seis episódios, é dedicada a Cômodo (161-192), que foi imperador romano entre 180 e 192. Ele é considerado um dos responsáveis pelo início da decadência do Império, e a série da Netflix se concentra nas várias conspirações contra dele e no seu desejo de ser gladiador – chegou a lutar no Coliseu, inclusive - mesmo sendo mandatário romano. A terceira temporada, com quatro episódios, é dedicada ao imperador Calígula (12-41 d.C.). Ele iniciou bem seu mandato imperial, no ano de 37, mas depois de uma crise em que ficou semanas em coma, acordou irreconhecível, transformando-se num tirano paranoico.  A segunda temporada, com cinco episódios, é sobre Júlio César, sobre o qual já comentei acima.

Dá uma boa ideia da violência da sociedade romana o fato de que os três imperadores objeto da série da Netflix terem acabado seus dias assassinados.

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Stranger Things
Séries
Stranger Things
7 de março de 2018 at 21:52 0
Cheguei atrasado em “Stranger Things”, da Netflix. Lembro de um meme que viralizou enquanto ocorria o processo de impeachment de Dilma Rousseff, em 2016, quando não entendi muito a graça da coisa: só agora, que assisti às duas temporadas da série (a primeira com oito e a segunda com nove episódios de cerca de uma hora cada um – a próxima já está garantida), que consegui entender direito as implicações do meme. (Implicações de um meme. Ora francamente.) (mais…)
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Atypical
Séries
Atypical
14 de fevereiro de 2018 at 16:37 0
Quando a Valéria e Teresa me sugeriram que eu assistisse “Atypical”, da Netflix, sobre um menino autista que tenta arranjar uma namorada, logo imaginei uma série dramática, triste, sobre um garoto desajustado que não consegue suprir sua carência afetiva por causa de seu problema mental – há exemplos desse tipo de temática por aí. Mas minha filha e minha mulher afirmaram que “Atypical” não era nada disso. Que a série não só não era melodramática, como era engraçada. (mais…)
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The End of the F***ing World
Séries
The End of the F***ing World
11 de fevereiro de 2018 at 12:45 0
Bastou eu comentar aqui recentemente, num texto sobre a Prêmio Nobel Alice Munro, que eu preferia “ler do que assistir a séries no Netflix”, que eu comecei a ver séries. Mas continuo preferindo ler, então não há necessidade de editar aquele texto sobre a grande contista, hehe. E, claro, já que estou assistindo a séries, não custa comentar sobre elas por aqui, não é? Pedi para o grande Guilherme Bresola da Rocha para colocar uma nova categoria no meu site - e aí vou eu. Foi quando se colocou um problema: são frequentes brigas por causa de spoilers entre espectadores, e não tenho assim tanta vontade de levar pancadas virtuais por revelar algo que não deveria ter revelado. Se eu não posso dar spoilers, sobre o que eu posso falar? Sei lá, alguma coisa do primeiro capítulo, e algumas características das séries. Acho que vai dar certo. Ou não. (mais…)
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