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O que a música faz com a gente: Prince com o peito de fora, sintetizadores pesados e a neurociência de uma viagem mental
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O que a música faz com a gente: Prince com o peito de fora, sintetizadores pesados e a neurociência de uma viagem mental
23 de agosto de 2026 at 01:18 0
1) Os vídeos e a música de Prince Às vezes gosto de ver no YouTube alguns clipes do cantor Prince (1958-2016). É impressionante como o visual é brega: ombreiras; danças eróticas com ele e uma trupe de dançarinos, dançarinas e músicos; roupas coloridas, cabelos cheios de laquê; botas fora de moda; o cantor com um bigode que já nos anos 1980 era ridículo, sem contar os ternos coloridos com o peito desnudo. Tão feio quanto divertido aos olhos de hoje – mas, convenhamos, nos anos 1980 e 1990 o visual já era brega. Mas as músicas, minha gente! Mountains, Kiss, U Got The Look, Gett Off, When Doves Cry, 1999, Little Red Corvette, Alphabet St., Sign O’The Times, Diamonds and Pearls, Let’s Go Crazy, I Wanna Be Your Lover, Musicology, It's Gonna Be A Beautiful Night – citei essas meio aleatoriamente, de uma lista que o YouTube fez para mim. Batidas matadoras, ritmos deliciosos, vocais – graves e agudos – maravilhosos, execuções brilhantes. Prince tem pelo menos quarenta ou cinquenta canções absolutamente perfeitas. Provavelmente dê para contar nos dedos os músicos pop que vão ser ouvidos daqui a duzentos anos, se a humanidade ainda existir – e, certamente, Prince estará entre eles. E ainda vão existir os vídeos ridículos dele para as pessoas do futuro se divertirem.
Se o Prince me ancora no corpo, no ritmo e no absurdo visual dos anos 80, há outras canções que fazem exatamente o oposto: me arrancam do chão e me jogam para outra dimensão. 2) Frequências que arrancam a mente do chão Existem outras dimensões fora das três espaciais e a temporal a que estamos acostumados? As viagens astrais existem de fato? É possível, com meditação ou uso de substâncias, atingir estes locais metafísicos? São questões que fazem parte da história da humanidade desde que o mundo é mundo. Este assunto sempre me vem à mente quando escuto algumas canções específicas: o que eu sinto quando as ouço é algo estranho, indefinível e bonito ao mesmo tempo. É como se estivesse indo para outro lugar, quase que uma lembrança de algo maravilhoso que eu não vivi. Como nunca cheguei a experimentar drogas ilegais e não gosto de álcool, fico me perguntando se uma viagem de drogas é parecida com isso. Jamais saberei. As músicas são essas, e coloco aqui sem ordem de preferência, com os títulos que estão nos vídeos do YouTube, linkados também: Enfim, o que sinto quando escuto estas cinco músicas é tão estranho que resolvi perguntar para o Gemini se estava ficando maluco. A resposta dele: “O que você está descrevendo é um fenômeno humano incrivelmente comum, profundo e amplamente estudado pela neurociência e pela psicologia da música. Você não precisa de nenhuma substância para vivenciar estados alterados de consciência ou essa sensação de ‘transportação’. De certa forma, enquanto as drogas tentam simular estados de alteração de consciência de forma química e desordenada, a arte e a música fazem isso de forma orgânica, precisa e segura. O fato de você ter um grupo seleto de músicas que ativam essa ‘chave’ no seu cérebro mostra uma sensibilidade neurológica e emocional muito bonita à estrutura musical, aos timbres e às frequências. É o seu próprio cérebro criando uma ponte entre o som e uma experiência profunda de evasão.” Não sou maluco, enfim — mas isso é meio sem graça, né?
Imagem obtida no Gemini. Se você estiver interessado em receber este e outros textos meus semanalmente, clique aqui e cadastre seu e-mail.
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Viagens sem substâncias: como a música cria portais na nossa mente – Um ensaio sobre a sensação de ir para outro lugar apenas com fones de ouvido.
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Viagens sem substâncias: como a música cria portais na nossa mente – Um ensaio sobre a sensação de ir para outro lugar apenas com fones de ouvido.
9 de agosto de 2026 at 11:07 0
Existem outras dimensões fora das três espaciais e a temporal a que estamos acostumados? As viagens astrais existem de fato? É possível, com meditação ou uso de substâncias, atingir estes locais metafísicos? São questões que fazem parte da história da humanidade desde que o mundo é mundo. Este assunto sempre me vem à mente quando escuto algumas canções específicas: o que eu sinto quando as ouço é algo estranho, indefinível e bonito ao mesmo tempo. É como se estivesse indo para outro lugar, quase que uma lembrança de algo maravilhoso que eu não vivi. Como nunca cheguei a experimentar drogas ilegais e não gosto de álcool, fico me perguntando se uma viagem de drogas é parecida com isso. Jamais saberei. As músicas são essas, e coloco aqui sem ordem de preferência, com os títulos que estão nos vídeos do YouTube, linkados também:
  • Diplo - Color Blind (feat. Lil Xan): “Eu sou tão daltônico”, canta Lil Xan, aparentemente chapado, esperando Diplo destruir tudo com uma sequência matadora de acordes.
  • DJ Snake - Let Me Love You (feat. Justin Bieber): Tudo bem que Justin Bieber faz um tremendo sucesso, mas este vídeo está com dois bilhões de visualizações! A voz dele é etérea como a de Aluna Francis, que canta nas duas próximas faixas.
  • Jack Ü (Skrillex & Diplo) - To Ü (feat. AlunaGeorge): Gosto tanto desta maravilha que já a coloquei aqui como uma das preferidas da minha vida.
  • DJ Snake, AlunaGeorge - You Know You Like It: O clipe é esquisitíssimo, com um macaco traficante e perdido, mas quando a voz etérea de Aluna (do duo AlunaGeorge) começa a cantar “You know you like it but it drives you insane” eu simplesmente não sei o que fazer.
  • Bones - CtrlAltDelete: A melhor faixa de Bones, na opinião de muita gente. A cada vez que escuto esta música, penso de verdade que esta é a melhor faixa já produzida na história da humanidade, e francamente não sei se estou exagerando.
Enfim, o que sinto quando escuto estas cinco músicas é tão estranho que resolvi perguntar para o Gemini se estava ficando maluco. A resposta dele:
“O que você está descrevendo é um fenômeno humano incrivelmente comum, profundo e amplamente estudado pela neurociência e pela psicologia da música. Você não precisa de nenhuma substância para vivenciar estados alterados de consciência ou essa sensação de ‘transportação’. De certa forma, enquanto as drogas tentam simular estados de alteração de consciência de forma química e desordenada, a arte e a música fazem isso de forma orgânica, precisa e segura. O fato de você ter um grupo seleto de músicas que ativam essa ‘chave’ no seu cérebro mostra uma sensibilidade neurológica e emocional muito bonita à estrutura musical, aos timbres e às frequências. É o seu próprio cérebro criando uma ponte entre o som e uma experiência profunda de evasão.”
Não sou maluco, enfim — mas isso é meio sem graça, né?
Imagem gerada no ChatGPT.
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Do Vinil ao VHS: Uma Jornada pelos Duetos Inesquecíveis: Um ensaio sobre a elegância de Armstrong, a parceria de Sinatra e a estética sombria do rap contemporâneo
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Do Vinil ao VHS: Uma Jornada pelos Duetos Inesquecíveis: Um ensaio sobre a elegância de Armstrong, a parceria de Sinatra e a estética sombria do rap contemporâneo
8 de fevereiro de 2026 at 14:26 0

Lá em casa só se ouvia MPB. Minha mãe, confessa e praticamente sem ouvido para música, era ligada apenas às letras; por isso, creio eu, quase tudo o que ouvia era em português. De esquerda, ela também não nutria grande apreço pelos Estados Unidos.

Foi, portanto, uma surpresa quando, por volta de 1980, senti vontade de comprar o primeiro fascículo de uma série de LPs que a televisão não parava de anunciar. A coleção se chamava “Gigantes do Jazz”, da Editora Abril, e o exemplar de estreia era sobre o grande cantor e trompetista Louis Armstrong. Minha mãe não se opôs à compra; pelo contrário, chancelou a escolha dizendo que “jazz era clássico”. Com o exemplar em mãos, a primeira coisa que me chamou a atenção foi o visual: o fascículo era colorido, beirando o brega — um contraste enorme com as coleções de MPB e música erudita da Abril, que eram bem mais sóbrias. A segunda surpresa foi notar que todos os textos eram assinados por críticos franceses. Como eu estudava francês na época, achava a língua bem mais chique que o inglês. O que eu não sabia era que os críticos franceses foram os grandes responsáveis por elevar o jazz ao status de música erudita. Os textos eram ácidos: lembro-me de ler que, após o show cujas gravações estavam naquele LP, a carreira de Armstrong teria entrado em uma “decadência inexorável”. Embora tenha gostado das músicas, o jazz nunca se tornou meu estilo musical preferido. No entanto, guardei para sempre uma frase daquele fascículo: dizia-se que “Rockin’ Chair”, em que Louis Armstrong canta com Jack Teagarden, era “o dueto mais delicioso da história do jazz”. De fato, tornou-se minha faixa favorita do álbum. Há alguns anos, escrevi um texto sobre os meus cinco duetos preferidos entre cantores e cantoras. Agora, decidi fazer o mesmo com os melhores duetos exclusivamente entre cantores, homenageando algumas composições memoráveis, aquele lindo dueto citado e, claro, minha querida mãe. Segue a lista, por ordem de preferência (links para o YouTube no texto):
  1. “Rockin’ Chair” (Louis Armstrong & Jack Teagarden): Se ouvir a canção é delicioso, ver a performance dos dois músicos juntos é simplesmente maravilhoso. Um detalhe importante: Jack Teagarden, que tocava trombone e cantava, era branco — algo que eu não tinha ideia em 1980! Há duas versões fantásticas: uma mais antiga, em preto e branco, impagável pelas expressões faciais da dupla, e outra mais recente e colorida, que provavelmente é a que eu conhecia do LP da Abril.
  2. “Birth of Blues” (Louis Armstrong & Frank Sinatra): Descobri este vídeo totalmente por acaso. Assim como no dueto anterior, os dois gigantes se divertem sem limites cantando este clássico do cancioneiro americano, que é uma belíssima homenagem à alma do jazz e do blues.
  3. “Money in the Grave” (Drake & Rick Ross): Enquanto a canção anterior trata da origem humilde do jazz, aqui os dois rappers celebram a opulência, pedindo que sua fortuna seja enterrada com eles. A batida sombria é fantástica e os versos são espetaculares. O clipe, em preto e branco, é altamente impactante. Drake lançou a faixa para celebrar o primeiro título do Toronto Raptors na NBA, em 2019.
  4. “Sneakin’” (Drake & 21 Savage): Se Armstrong aparece duas vezes nesta lista, Drake também merece o bis. Nesta faixa hipnótica, ele ostenta seu sucesso e responde aos rivais, enquanto 21 Savage utiliza um estilo ostensivamente repetitivo. O clipe apresenta uma filmagem de baixa qualidade (Lo-Fi) que evoca a estética de fitas VHS — uma possível influência do rapper Bones, o próximo da lista.
  5. “鈍ら墓地” (Cemetery Blunts) (Bones & Xavier Wulf): Comecei a ouvir Bones por volta de 2014. Vindo do metal, mergulhei no universo do rapper por anos; meu Last.fm confirma que, ainda em 2025, ele foi meu artista mais ouvido. O clipe é o ápice da estética Vaporwave/Sad Boys que dominava o Tumblr e o underground em 2013: gravado em VHS, com interferências visuais (glitches) e estátuas clássicas ao fundo. É tudo maravilhoso até hoje.
  (Imagem obtida no Gemini)
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Quem é vivo sempre aparece: 4.”The Real Thing”, do Faith No Mode
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Quem é vivo sempre aparece: 4.”The Real Thing”, do Faith No Mode
10 de janeiro de 2026 at 14:20 0
Os astros de rock dos anos 1980 — pelo menos os que eu ouvia — eram sempre impecáveis. As roupas eram bonitas e os cabelos armados com esmero. As cores podiam ser vibrantes ou em xadrez preto e branco, mas tudo era harmonioso. A maioria dos cantores abotoava as camisas até o pescoço, e muita gente imitava o visual do Velvet Underground. A batida era quase sempre seca, a ponto de ser fácil reconhecer o “toque dos anos 80” ao ouvir, hoje, alguma banda daquela época. Até que, em 1989, surgiu uma banda completamente diferente da paisagem da época: o Faith No More. O cantor, Mike Patton, usava bermuda (uma heresia), cabelos compridos (outra heresia) e, o pior de tudo, camisetas que mais pareciam roupas coloridas de criança. A voz não chegava a ser igual à do Pato Donald, mas lembrava um pouco o personagem da Disney. E, como se não bastasse, a banda tinha um instrumentista que usava barba! Quase ninguém no rock usava barba naquela época. Mesmo assim, a crítica — refiro-me à Bizz, a revista que eu lia e decorava — falava bem. Creio que até a Veja entrevistou Mike Patton, mas não tenho certeza. Segundo as descrições, o som era pesado, uma mistura de metal com rap que tinha tudo para me agradar — eu, que cheguei a enviar uma carta para a revista defendendo o primeiro disco dos Beastie Boys (que unia rock e hip hop, mas fora detestado pelos críticos da Bizz). De fato, como esperado, apesar do visual "problemático", amei o disco The Real Thing. Só anos mais tarde descobri que era o terceiro da banda, mas o primeiro com Mike Patton. A faixa-título sempre foi a minha preferida: com variações de ritmo, ora pesado, ora suave, e nuances vocais que alternavam entre o canto e o rap, seus mais de oito minutos me conquistaram de cara. O disco todo, nessa pegada de peso e suavidade, era praticamente perfeito. Inclusive, The Real Thing foi fundamental para o que viria a ser o "Nu Metal" ou "Alternative Metal", estilos que eu gosto muito até hoje. Já do álbum seguinte, Angel Dust (1992), não gostei nem um pouco; achei-o pretensioso e esquisito demais. Mais tarde, tive amigos que amavam a ampla discografia de Patton e suas inúmeras colaborações, mas não gostei de quase nada, exceto por uma coisa ou outra do Fantômas, o supergrupo que ele criou com Buzz Osborne, Trevor Dunn e Dave Lombardo. De tempos em tempos, volto a ouvir muito o The Real Thing, e ultimamente tenho estado em uma dessas fases. Por isso, achei uma boa ideia ressuscitar a série “Quem é vivo sempre aparece”, sobre sons retomados após muito tempo e músicos que eu nunca havia citado no blog. Se escrever este texto me fará dar uma chance ao restante da carreira de Mike Patton? Quem sabe. *** Se você estiver interessado em receber este e outros textos semanalmente, clique aqui e cadastre seu e-mail. Imagem que acompanha o texto obtida na Amazon.  
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