quadrinhos

“Degenerado”, de Chloé Cruchaudet
Literatura
“Degenerado”, de Chloé Cruchaudet
29 de agosto de 2026 at 15:40 0
O casal Paul e Louise Grappe se conhece em 1910, e em 1914 eclode a Grande Guerra — como era chamada na época a Primeira Guerra Mundial —, levando Paul para o front. Lá, apavorado com o horror dos combates, ele chega a decepar um dedo para tentar conseguir dispensa médica, mas a farsa é descoberta pelos seus superiores. Desesperado, Paul deserta e volta para casa, sendo acolhido por Louise. Para não ser preso e condenado à morte, ele passa a se vestir com roupas femininas e assume a identidade de Suzanne, sem deixar de viver o casamento com a esposa. Louise sustenta a casa com dificuldade, trabalhando como costureira, e Suzanne começa a ajudá-la na fábrica. Acontece que Paul/Suzanne logo se cansa da rotina de trabalho e passa boa parte do tempo em um bosque de Paris, entregando-se a encontros sexuais com homens e mulheres que compartilham da mesma busca por prazer. A partir daí, a história toma rumos surpreendentes que valem a leitura sem spoilers. Esta é a trama de “Degenerado”, de Chloé Cruchaudet (Nemo, 160 páginas, tradução de Fernando Scheibe, lançamento original: 2013), uma HQ impressionante em todos os sentidos. O traço em tons de sépia e carvão é expressivo e marcante; a narrativa tem um ritmo impecável; e, mesmo sendo inspirada em fatos reais, os personagens ganham uma profundidade psicológica formidável. O livro faz jus a todo o sucesso que alcançou, incluindo o Prêmio do Público no Festival Internacional de Quadrinhos de Angoulême em 2014.
Imagem criada pelo Google Gemini.
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Histórias como Escudo: Uma Resenha de As 100 Noites de Hero
Literatura
Histórias como Escudo: Uma Resenha de As 100 Noites de Hero
12 de agosto de 2026 at 17:35 0
Dois homens fazem uma aposta: Jerome vai passar 100 dias fora de casa, e Manfred aposta que consegue seduzir a esposa dele, chamada Cherry, em algum dia durante a ausência do outro. Se Manfred tiver sucesso, ganha o castelo do amigo. Se não conseguir, perde a própria vida. Cherry não quer saber de fazer sexo com Manfred, já que ela gosta mesmo de sua secretária e companheira, Hero. Para ganhar tempo, Hero começa a contar histórias para o conquistador que, fascinado com elas e achando que tem tempo de sobra para cumprir a aposta, vai deixando a conquista de Cherry sempre para o dia seguinte, para o dia seguinte, para o dia seguinte... É esta história claramente baseada nas Mil e Uma Noites que é o pano de fundo para a HQ "As 100 noites de Hero", de Isabel Greenberg (Quadrinhos na Cia., 224 páginas, traduzido por Érico Assis, ano de publicação original: 2016). O livro alcançou grande repercussão de crítica, figurando na seleção feminista Rise da American Library Association e entre os melhores lançamentos do ano pelo jornal britânico The Guardian, além de ter inspirado uma adaptação cinematográfica em 2025. As diversas histórias da HQ ganham vida nos quadrinhos de “As 100 noites de Hero”, de cunho mitológico e fortemente feminista: as irmãs que leem livros, apesar da proibição no reino em que moram; uma jovem que se transforma em pássaro para fugir da obsessão do homem poderoso; as rainhas que governam – e bem – um reino, mas em segredo, enquanto os homens levam os créditos; e até uma bela lenda sobre a Lua. As histórias são extremamente bem contadas e chamam a atenção, e o traço de Isabel Greenberg é extremamente marcante, com muito preto e pouca variação de cores. Mas o tom geral do livro poderia ser um pouco menos maniqueísta. *** Imagem obtida no Gemini.
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Entre a inocência e o excesso: Minha leitura de Hakoiri
Impressões
Entre a inocência e o excesso: Minha leitura de Hakoiri
1 de agosto de 2026 at 10:53 0
Tinha comentado aqui sobre “Mulheres e seus desejos”, o primeiro mangá erótico que li. O próximo da lista foi “Hakoiri”, de uma autora chamada Cuvie (Nova Sampa, 180 páginas, traduzido por Rafael Sanzio, publicado originalmente em 2007, volume único). O livro é formado por três histórias. A primeira, “Hakoiri”, é a mais longa e conta a história de Shion, uma rica e linda herdeira que se apaixona por um pobretão chamado Kouichi. O avô dela, milionário, faz de tudo para impedir o relacionamento dos dois — inclusive tentar casar Shion com outro herdeiro ricaço. “Hakoiri” é cheio de reviravoltas, e tudo se resolve com a ajuda de outra menina linda chamada Satoko. Depois de “Hakoiri”, o livro conta com duas histórias curtas: “Paixão do Jovem Lobo”, sobre um jovem sedutor e mentiroso, e “Anormal”, uma história sobre um professor que seduz duas alunas adolescentes. Mesmo com todo o erotismo, a primeira é na linha de “menina rica apaixonada por um rapaz pobre”, tão comum em folhetins. “Paixão do Jovem Lobo” é disparada a mais interessante, uma história original e que parece ter uma reviravolta a cada página. Já “Anormal” é uma espécie de glorificação do assédio, extremamente desconfortável, para dizer o mínimo. Ainda me atrapalho com a linguagem rápida e meio caótica dos mangás, mas é um mundo fascinante, sem dúvida. E o traço de Cuvie é lindo.
Imagem que acompanha o texto obtida no Google Gemini.
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Dez na Área, um na Banheira e Ninguém no Gol – Volume 1, de vários autores
Esporte
Dez na Área, um na Banheira e Ninguém no Gol – Volume 1, de vários autores
22 de abril de 2015 at 02:09 0
Segundo o ex-jogador e atual comentarista Tostão, "o grande craque é o que simplifica, define logo a jogada. Antes da bola chegar, já sabe o que vai fazer com ela. Não perde tempo com detalhes inúteis. Assim é também o cartunista, desenhista e contador de histórias em quadrinhos. O desenho e as poucas palavras - ou nenhuma – informam, analisam e nos divertem". (mais…)
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