resenha de quadrinhos

Histórias como Escudo: Uma Resenha de As 100 Noites de Hero
Literatura
Histórias como Escudo: Uma Resenha de As 100 Noites de Hero
12 de agosto de 2026 at 17:35 0
Dois homens fazem uma aposta: Jerome vai passar 100 dias fora de casa, e Manfred aposta que consegue seduzir a esposa dele, chamada Cherry, em algum dia durante a ausência do outro. Se Manfred tiver sucesso, ganha o castelo do amigo. Se não conseguir, perde a própria vida. Cherry não quer saber de fazer sexo com Manfred, já que ela gosta mesmo de sua secretária e companheira, Hero. Para ganhar tempo, Hero começa a contar histórias para o conquistador que, fascinado com elas e achando que tem tempo de sobra para cumprir a aposta, vai deixando a conquista de Cherry sempre para o dia seguinte, para o dia seguinte, para o dia seguinte... É esta história claramente baseada nas Mil e Uma Noites que é o pano de fundo para a HQ "As 100 noites de Hero", de Isabel Greenberg (Quadrinhos na Cia., 224 páginas, traduzido por Érico Assis, ano de publicação original: 2016). O livro alcançou grande repercussão de crítica, figurando na seleção feminista Rise da American Library Association e entre os melhores lançamentos do ano pelo jornal britânico The Guardian, além de ter inspirado uma adaptação cinematográfica em 2025. As diversas histórias da HQ ganham vida nos quadrinhos de “As 100 noites de Hero”, de cunho mitológico e fortemente feminista: as irmãs que leem livros, apesar da proibição no reino em que moram; uma jovem que se transforma em pássaro para fugir da obsessão do homem poderoso; as rainhas que governam – e bem – um reino, mas em segredo, enquanto os homens levam os créditos; e até uma bela lenda sobre a Lua. As histórias são extremamente bem contadas e chamam a atenção, e o traço de Isabel Greenberg é extremamente marcante, com muito preto e pouca variação de cores. Mas o tom geral do livro poderia ser um pouco menos maniqueísta. *** Imagem obtida no Gemini.
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Erma Jaguar: Traços Elegantes, Histórias Estapafúrdias
Literatura
Erma Jaguar: Traços Elegantes, Histórias Estapafúrdias
12 de agosto de 2026 at 04:21 0
Erma Jaguar é uma mulher misteriosa, de sexualidade agressiva e às vezes bastante irresponsável. Ela tem aventuras sexuais com desconhecidos de todas as classes sociais, aparências e idades. Secundada por sua funcionária Charlotte e por uma mulher muito parecida com a atriz pornô Cicciolina, é sempre difícil imaginar qual será o próximo passo desta mulher insaciável, linda e esquisita. Erma Jaguar é a personagem que dá título a uma célebre HQ do quadrinista francês Alex Varenne, lançada originalmente em três volumes entre 1988 e 1992 – reunidos em uma edição única pela L&PM em 2012, com tradução de Alexandre Boide (150 páginas). Às vezes é meio difícil saber o que está acontecendo nas histórias, tantos são os acontecimentos estapafúrdios que ocorrem a todo o momento – lá pelas tantas, sem nenhum motivo aparente, ela chega a decepar o pênis de um rapaz bem bonito. Além disso, muitas vezes as aventuras são apenas descrições dos sonhos de uma das personagens, ou simplesmente não se sabe quem está no comando de cada situação. De todo modo, nada diminui a extrema sensualidade e o forte traço em preto e branco de Alex Varenne: Erma Jaguar merece todo o sucesso que fez. *** Imagem obtida no Claude.
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Do Japão aos EUA: Uma Iniciação Surpreendente nos Quadrinhos Eróticos
Literatura
Do Japão aos EUA: Uma Iniciação Surpreendente nos Quadrinhos Eróticos
1 de julho de 2026 at 14:25 0
Conheço pouquíssimo de história em quadrinhos, e menos ainda sobre quadrinhos eróticos. Para conhecer alguma coisa sobre o assunto, pesquisei na Amazon e li recentemente "Mulheres e Seus Segredos", de Takeshi Ohmi (NewPOP, 168 páginas, traduzido por Thiago Nojiri, ano de publicação original: 2016), e "Omaha: A Stripper", de Reed Waller e Kate Worley (Conrad, 130 páginas, traduzido por Michele De Aguiar Vartuli, ano de publicação original: 1978). Acho que comecei bem. “Mulheres e Seus Segredos” é um mangá erótico em que oito mulheres são chamadas a responder ao seguinte questionamento: “qual foi o sexo mais memorável que você já teve?”. A obra é baseada em relatos e confissões reais enviados por leitoras à revista onde as histórias eram originalmente publicadas no Japão. Aparentemente, a proposta do autor foi justamente compilar essas experiências de oito mulheres comuns para abordar seus fetiches, desejos e o apetite sexual feminino de forma crua, tentando desmistificar certos tabus. São histórias bem variadas: a voyeur, a esposa tentando salvar seu casamento, a que tem uma experiência maravilhosa com um homem experiente, a que tenta conquistar um garoto tímido, e por aí vai. Como tenho pouco conhecimento em HQs, fiquei agradavelmente surpreso ao ver como, nas histórias, tantos detalhes podem ser contados apenas visualmente. Já “Omaha” lembra mais uma obra de literatura. A HQ mistura o estilo de personagens antropomórficos (animais com corpos, comportamentos e dilemas humanos) com uma narrativa densa de novela dramática (soap opera) e erotismo explícito. A história se passa na cidade fictícia de Mipple City e acompanha Susie Jensen, uma gata que sai do interior para tentar a vida na cidade grande. Para se sustentar, ela adota o nome artístico de Omaha e começa a trabalhar como dançarina exótica (stripper) no clube Kitty Korner Klub. A trama é muito bem contada, mesclando romance — ela se apaixona e tem um ótimo relacionamento com Chuck, um artista sensível — com política e aventura policial, envolvendo as campanhas de censura americana ao erotismo, políticos corruptos e gangsterismo. As duas HQs são excelentes, e é interessante observar uma diferença fundamental entre elas: em “Mulheres e Seus Segredos”, os personagens são seres humanos e, à moda japonesa, os genitais são escondidos por uma mancha branca nas cenas de sexo; enquanto isso, os personagens de “Omaha” são animais — cães, gatos, porcos, aves — com corpos humanos e órgãos genitais mostrados em detalhes.
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