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Erma Jaguar: Traços Elegantes, Histórias Estapafúrdias
Literatura
Erma Jaguar: Traços Elegantes, Histórias Estapafúrdias
12 de agosto de 2026 at 04:21 0
Erma Jaguar é uma mulher misteriosa, de sexualidade agressiva e às vezes bastante irresponsável. Ela tem aventuras sexuais com desconhecidos de todas as classes sociais, aparências e idades. Secundada por sua funcionária Charlotte e por uma mulher muito parecida com a atriz pornô Cicciolina, é sempre difícil imaginar qual será o próximo passo desta mulher insaciável, linda e esquisita. Erma Jaguar é a personagem que dá título a uma célebre HQ do quadrinista francês Alex Varenne, lançada originalmente em três volumes entre 1988 e 1992 – reunidos em uma edição única pela L&PM em 2012, com tradução de Alexandre Boide (150 páginas). Às vezes é meio difícil saber o que está acontecendo nas histórias, tantos são os acontecimentos estapafúrdios que ocorrem a todo o momento – lá pelas tantas, sem nenhum motivo aparente, ela chega a decepar o pênis de um rapaz bem bonito. Além disso, muitas vezes as aventuras são apenas descrições dos sonhos de uma das personagens, ou simplesmente não se sabe quem está no comando de cada situação. De todo modo, nada diminui a extrema sensualidade e o forte traço em preto e branco de Alex Varenne: Erma Jaguar merece todo o sucesso que fez. *** Imagem obtida no Claude.
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Olhando de perto o desejo: Uma crítica de Delta De Vênus, de Anaïs Nin
Literatura
Olhando de perto o desejo: Uma crítica de Delta De Vênus, de Anaïs Nin
5 de julho de 2026 at 15:21 0
A primeira vez que li “Delta de Vênus”, de Anaïs Nin (L&PM, 304 páginas, traduzido por Lúcia Brito, ano de publicação original: 1977) eu não gostei muito. A autora, nascida em na França em 1903 e falecida em Los Angeles, Estados Unidos, em 1977, tinha autorizado a publicação dos contos eróticos que fazem parte do livro e que tinham sido escritos muito antes, no início dos anos 1940, para um cliente rico que queria ler histórias de cunho sexual explícito. Amante do grande escritor Henry Miller, Anaïs Nin usava tanto histórias pessoais quanto dos amigos próximos para escrever os contos. Três coisas me desagradaram sobremaneira na primeira leitura: a maneira como os personagens entram nas histórias sem nenhuma apresentação: lá pelas tantas, um nome (Pierre, por exemplo) aparece como se o leitor soubesse quem ele é; muitas vezes temas terríveis como pedofilia, estupro e necrofilia aparecem sem nenhum julgamento moral; muitos temas complexos – mulheres com desejos masculinos, homens frágeis psicologicamente – são descritos com uma mão pesada, com a autora descrevendo o comportamento dos personagens sem deixar nenhum espaço para o leitor chegar a uma conclusão por si só. Nesta releitura, esta frieza da descrição me agradou bem mais: Anaïs Nin não julga ninguém, e não demonstra nenhuma simpatia por quem quer que seja, sejam homens ou mulheres – por mais que ela tenha sido avançada, em termos sociológicos, por escrever sobre assuntos tão pesados há tanto tempo, é até interessante que sua visão do sexo não tem absolutamente nada de feminista: em seus contos, homens e mulheres têm suas vidas totalmente chacoalhadas por pulsões sexuais violentas, e ela se coloca na posição de quem não está ali para julgar. *** Imagem obtida no Google Gemini.
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