Eu era adolescente quando li pela primeira vez Cartas na Rua, de Charles Bukowski (L&PM, 176 páginas, traduzido por Pedro Gonzaga, ano de publicação original: 1971), recomendado pela revista Veja. Não era o tipo de leitura a que eu estava acostumado – em sua maioria, livros clássicos recomendados pela Enciclopédia Abril —, mas mesmo assim gostei bastante. O fato de ele contar histórias totalmente diferentes da minha realidade não me atrapalhava em nada; eu achava a escrita do autor americano divertida e carismática.
Resolvi reler Cartas na Rua, o primeiro romance escrito por Bukowski (1920-1994), escritor e poeta americano nascido na Alemanha, e, confesso, o prazer foi até maior do que na primeira leitura. Basicamente autobiográfico, o livro conta a história do alter ego do autor, Henry Chinaski: um sujeito que bebe em quantidades industriais, tem vários casos com diferentes mulheres – a maioria pobres como ele, embora uma fosse uma rica herdeira com apetite sexual insaciável —, trabalha num verdadeiro subemprego nos Correios e passa longas épocas apostando em corridas de cavalos.
Além da sua escrita absolutamente envolvente, outra qualidade do livro é que o narrador nunca é autoindulgente, nunca coloca a culpa nos outros pelos seus problemas e só tem má vontade com quem lhe é superior hierarquicamente e sem caráter. Em vários momentos da narrativa, inclusive, ele se mostra solidário e afetuoso com seus colegas de trabalho – mas é preciso prestar muita atenção para perceber isso, porque Henry Chinaski tem que manter a fama de mau, né?
Imagem que acompanha o texto obtida no Google Gemini.
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