Meus discos preferidos: 8. “Check Your Head” – Beastie Boys
Música
Meus discos preferidos: 8. “Check Your Head” – Beastie Boys
7 de setembro de 2016 0
Eu nunca gostei muito de ouvir músicas repetidamente: tanto pelo fato de sempre ter apreciado vários estilos diferentes, quanto por ter medo de me cansar do que estou ouvindo, o repeat nunca foi meu forte – mesmo no tempo dos LPs, poucos foram os discos que ficaram muito tempo seguido no aparelho de som. Nas minhas madrugadas fazendo dissertação de mestrado, meio que deixei este costume de lado: em boa parte do tempo dispendido escrevendo ou programando eu ouvia o CD “Cor de Rosa e Carvão”, de Marisa Monte, no aparelho de som do escritório, ou a fita cassete oficial (acho que nem tinha sido lançado o LP no Brasil) de “Check Your Head”, do grupo de rap americano Beastie Boys, que eu ouvia num aparelho pequeno que tinha apenas rádio e toca-fitas.
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Machado de Assis, Woody Allen
Cinema, Literatura
Machado de Assis, Woody Allen
4 de setembro de 2016 0
Em algum lugar na minha cabeça confusa, o escritor brasileiro Machado de Assis e o cineasta americano Woody Allen ocupam o mesmo espaço. Explico: os dois fazem obras sofisticadas, de humor fino, com ótimos comentários sobre a existência humana, nas quais os personagens raramente se preocupam com dinheiro – mas que não grudam na memória. Consigo lembrar com detalhes do pobre pai que se sacrifica até à morte pelas duas filhas em “Pai Goriot”, de Balzac, mas não sei direito como descrever direito os gêmeos Esaú e Jacó de Machado de Assis, ou o que mesmo é que aconteceu no ótimo “Vicky Cristina Barcelona”, de Woody Allen. Duas visitas recentes às obras destes dois gigantes reforçaram esta minha impressão geral. Em “Café Society”, Bobby (Jesse Eisenberg) é um judeu nova-iorquino que vai tentar a sorte com um tio ricaço, o produtor cinematográfico Phil (Steve Carell). Depois de uma estranheza inicial – tio e sobrinho nem se conheciam –, Phil começa a ajudar Bobby, e indica Vonnie (Kristen Stewart) para auxiliá-lo na inserção no mundo hollywoodiano. O rapaz rapidamente se encanta com a garota – mas ela tem um namorado, por quem é apaixonada. Não dá para contar mais para não estragar a surpresa.
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Gottfried Heinrich Bach
Música
Gottfried Heinrich Bach
28 de agosto de 2016 0
O compositor alemão Johann Sebastian Bach (1685-1750) teve sete filhos com a primeira mulher, Maria Barbara, e mais treze com a segunda, Anna Magdalena. Praticamente metade deles faleceu ainda criança e, entre os sobreviventes, quatro se tornaram compositores importantes: Wilhelm Friedemann, Carl Philipp Emanuel, Johann Christoph Friedrich e Johann Christian.
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Dois livros de José Luís Peixoto
Literatura
Dois livros de José Luís Peixoto
21 de agosto de 2016 0
Uma das coisas fascinantes na boa literatura é a possibilidade de o leitor ser transportado, mentalmente, para outros países e/ou épocas. A chance de entrar em contato com uma pequena cidadezinha portuguesa nos anos 80 me trouxe a curiosidade de ler “Galveias” (Companhia das Letras, 264 páginas), do português José Luís Peixoto, publicado em 2014. O tema do livro lembra o de “Cenas da Vida da Aldeia”, em que o israelense Amós Oz descreve a vida numa pequena aldeia de seu país natal.
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Bones: “PaidProgramming2”
Música
Bones: “PaidProgramming2”
19 de agosto de 2016 0
Quem sabe Bones não estaria assim tão errado se tivesse chamado seu novo disco, “PaidProgramming2”, de “Powder2”. Do mesmo modo que para “Powder”, de 2015, para “PaidProgramming2” o rapper anunciou meses antes o lançamento do disco, com teasers no Youtube e tudo (quando o “processo” normal dele consiste no anúncio de novos álbuns pouco tempo antes do lançamento na internet – não esqueçamos que Bones sempre distribui de graça suas músicas). Fora isso, os dois discos têm um grande número de faixas (25 para “PaidProgramming2” e 28 para “Powder”) e um clima em geral mais tranquilo do que, por exemplo, aquele das obras-primas “Rotten”, “Garbage” ou “Deadboy”. De todo modo, é interessante ele ter criado um “volume 2” de “PaidProgramming”, um lançamento do já longínquo 2013 (época em que o nosso Elmo já tinha basicamente criado sua identidade artística própria), também mais ou menos tranquilo e com muitas faixas. A capa de “PaidProgramming2”, inclusive, é uma comparação para lá de interessante com a de “PaidProgramming”. Comecemos pelos clipes lançados até agora: “TheCurseOfTheGhost” e “BlackMold” podem se inserir numa tendência recente de seus vídeos que, mesmo utilizando técnicas diferentes (por exemplo, o primeiro foi filmado com tecnologia moderna e segundo foi feito em VHS), utilizam primordialmente as cores preto, cinza, branco e azul (outros exemplos desta tendência são os de “WhereTheTreesMeetTheFreeway”, “TheDayYouLeaveThisPlanetNobodyWillNotice”, “GladWeHaveAnUnderstandig” e “Cholesterol”). Eu particularmente acho uma escolha feliz, e já tinha comentado aqui a beleza do clipe de “OakGroveRoad”, em que a utilização intensiva destas cores é a primeira coisa que chama a atenção.
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“Malone Morre”, de Samuel Beckett
Literatura
“Malone Morre”, de Samuel Beckett
14 de agosto de 2016 4
Se a memória não me trai, Paulo Francis uma vez escreveu que autores como Borges, Kafka e Samuel Beckett (este, vencedor do Nobel de 1969) eram muito estudados nas universidades porque tinham obras curtas, o que sem dúvida facilita a vida do crítico: parece, por exemplo, que raríssimas pessoas leram tudo o que Victor Hugo escreveu (aí incluindo cartas e textos não voltados à publicação). Enfim. Kafka é um dos meus autores preferidos, de Borges não sou assim tão fã e de Beckett eu só tinha lido a famosa peça de teatro “Esperando Godot”, em que uns vagabundos ficam esperando um sujeito que não chega nunca. Irlandês que escrevia em inglês e francês, Beckett (1906-1989) era inicialmente mais conhecido pela peça supracitada, mas hoje em dia parece que a sua “trilogia do pós-guerra”, composta pelos romances “Murphy”, “Malone Morre” (sobre o qual vou comentar aqui) e “O Inominável”, é considerada o auge de sua produção literária. “Malone Morre” é contado em primeira pessoa pelo próprio Malone, um inválido que está num quarto de hospital (ou asilo) e começa a contar histórias para passar o tempo. Uma delas é sobre um rapaz quase deficiente mental chamado Sapo, que pertence à família Saposcat. Seus pais preveem um grande futuro para ele, mas o garoto não entende direito o que eles querem, e só quer saber de andar no meio da natureza, que ele adora, meio sem rumo. A família Louis é composta pelo pai, pela mãe e dois filhos. O chefe da família, chamado por Malone de Grande Louis, é um sujeito violento e que tem grande prazer em seu trabalho, que é sangrar e esquartejar porcos. Outro personagem criado durante as digressões do inválido é o idoso Macmann, que se deita no chão num parque durante uma forte chuva e acorda num asilo. Lá ele tem um tórrido caso de amor com uma idosa designada para cuidar dele.
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Meus discos preferidos: 9. “It Takes a Nation of Millions to Hold Us Back” – Public Enemy
Música
Meus discos preferidos: 9. “It Takes a Nation of Millions to Hold Us Back” – Public Enemy
12 de agosto de 2016 0
Eu tinha comprado uma coletânea com músicas de vários grupos de hip hop, da qual constavam duas faixas do Public Enemy: “Sophisticated Bitch” e “Timebomb”. Naqueles longínquos anos 80, quando a Revista Bizz falava bem de algum grupo cujos discos não tinham sido lançados por aqui, não me restava nada senão ficar imaginando o som – ou tentar achar alguma coisa numa coletânea, como no presente caso. Pois bem: “Sophisticated Bitch” e “Timebomb” rapidamente se tornaram favoritas lá em casa. A primeira tem uma guitarra de rock ao fundo, e a segunda é um pouco mais pesada que o rap que eu ouvia na época – Run D.M.C., Beastie Boys, Eric B. and Rakim e o que mais passasse na frente.
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“Prosas Apátridas”, de Júlio Ramón Ribeyro
Literatura
“Prosas Apátridas”, de Júlio Ramón Ribeyro
5 de agosto de 2016 0
Pouco conhecido no Brasil, o escritor peruano Júlio Ramón Ribeyro (1929-1994) teve recentemente lançado seu livro “Prosas Apátridas” no Brasil pela Editora Rocco (160 páginas). Na introdução, o autor explica que o “apátridas” a que se refere o título não corresponde “às prosas de um apátrida ou de alguém que, sem sê-lo, se considera como tal”. Segundo Ribeyro, o livro, na verdade, é composto de “textos que não encontraram lugar” em seus livros já publicados e que erravam entre seus papéis, “sem destino nem função precisos”. Além disso, “trata-se de textos que não se emncaixam plenamente em nenhum gênero, pois não são poemas em prosa, nem páginas de um diário, nem anotações destinadas a um desenvolvimento posterior”. É por isto que o autor os considera “apátridas, pois carecem de um território próprio”. “Prosas apátridas” é composto por 200 pequenos textos em que o autor fala da vida de um peruano em Paris – onde passou boa parte da vida -, da morte, da família, da literatura, dos passantes na rua, dos relacionamentos.
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