Espartanos

Entre o Mito da Internet e a Realidade das Termópilas: Uma Resenha de “The Spartans”
História
Entre o Mito da Internet e a Realidade das Termópilas: Uma Resenha de “The Spartans”
20 de setembro de 2026 at 03:33 0
Acho difícil para alguém fascinado por História não se fascinar também por Esparta. A cidade-estado grega, grande inimiga e, às vezes, aliada de Atenas, é famosa por sua educação extremamente rígida e por moldar seus cidadãos, basicamente, para que fossem excelentes guerreiros. O historiador Thiago Braga fez alguns vídeos em seu canal do YouTube (Brasão de Armas) avacalhando com a coragem e o caráter dos espartanos e, para tirar a cisma, resolvi procurar algum livro que descrevesse a história real da cidade. Em uma rápida pesquisa na internet, o primeiro escolhido foi "The Spartans", de Paul Cartledge (Channel Four Books, 285 páginas, ano de publicação original: 2002). Embora apresente elementos da trajetória completa da cidade, desde as origens até o período helenístico, o livro se concentra basicamente no Período Clássico da Grécia Antiga (séculos V a.C. e IV a.C.), que representa o auge do poder militar, político e cultural de Esparta. Muito do que o historiador comenta é surpreendente para alguém, como eu, desconhecedor da história espartana. Por exemplo, as mulheres da cidade tinham muito mais liberdade — inclusive a de serem proprietárias — que as correspondentes gregas da mesma época: são muitas as críticas, vindas até de intelectuais como Aristóteles, em relação a como os espartanos obedeciam às suas esposas e mães, e como as garotas estudavam quase como os rapazes, fazendo inclusive exercícios nuas ou com pouquíssima roupa. Os espartanos também eram profundamente religiosos, deixando de guerrear se os augúrios não fossem bons. Outro detalhe que me chamou a atenção é que os guerreiros deixavam seus cabelos longos, ao contrário do costume de quase toda a Antiguidade Clássica — inclusive a romana. E, vale ressaltar, Paul Cartledge declara que, sim, os espartanos eram combatentes formidáveis e que a história dos “300” — quando três mil e trezentos soldados gregos, liderados por trezentos espartanos e pelo Rei Leônidas, sacrificaram-se heroicamente no estreito desfiladeiro das Termópilas para atrasar o massivo exército persa e inspirar a união da Grécia — aconteceu praticamente do jeito que a lenda conta. Infelizmente, “The Spartans” entra em detalhes excessivos sobre diversos personagens da história local — não à toa o título da tradução em português é “Os Espartanos” —, tornando a leitura um pouco confusa para quem ainda não está familiarizado com o tema, como eu. Apesar disso, é um livro brilhante sobre uma sociedade realmente fascinante.
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