Minhas músicas preferidas: 3. “Do You Wanna Know?”, do Arctic Monkeys
Música
Minhas músicas preferidas: 3. “Do You Wanna Know?”, do Arctic Monkeys
5 de fevereiro de 2018 0
Era uma coisa engraçada: a cada vez que eu ouvia uma música na voz do Alex Turner, vocalista do Arctic Monkeys, eu pensava que devia dar uma chance para esta banda britânica. Há muitos anos eu não acompanho as novidades do rock originário da Inglaterra, de modo que o que sempre acontecia é que eu esquecia do Alex Turner logo depois de ter pensado que sim, eu deveria dar uma chance para o Arctic Monkeys.
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“O nome e o sangue”, de Evaldo Cabral de Mello
História
“O nome e o sangue”, de Evaldo Cabral de Mello
28 de janeiro de 2018 0
“O novo século, que era o XVIII, começou bem para o sargento-mor Felipe Pais Barreto, senhor do engenho Garapu no Cabo: Sua Majestade, que Deus guardasse como todos os seus vassalos haviam mister, concedera-lhe a mercê de cavaleiro da Ordem de Nosso Senhor Jesus Cristo, com 12 mil réis anuais de pensão efetiva. Era a coroação de uma carreira que iniciara como soldado da tropa de primeira linha da capitania de Pernambuco e que prosseguira na milícia como capitão e sargento-mor das ordenanças da freguesia do Cabo, além dos cargos honrosos da gestão municipal de Olinda. Pelos estatutos da Ordem, cumpria-lhe agora passar pelas “provanças”, isto é, a investigação sobre sua ascendência, destinada a averiguar se preenchia os requisitos indispensáveis, entre outros a limpeza de sangue. ”
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Bones: Failure
Música
Bones: Failure
23 de janeiro de 2018 0
Depois da vinheta inicial, a mixtape “Failure”, lançada por Bones em outubro do ano passado, diz a que veio, na poderosíssima “Hi-Fi” (“Bones, o deus do microfone”). A coisa continua no mesmo nível na viajante “Supressor”, que conta uma história de perseguição numa “noite como nenhuma outra”. A seguinte, “GetAGrip”, com sua base pesada, mantém o nível extremado deste disco: quando Bones diz “tic, toc, tic, toc, tic, toc, seu tempo acabou”, ele parece estar realmente falando a sério. Mais uma vinheta (“GetAGrip”) depois, chegamos na hipnótica “Mulch”, uma das melhores do álbum, em que Bones conta sobre seu sucesso e de sua casa nova numa região de classe alta, por mais que os vizinhos tenham medo dele , porque sabem que ele “não parece pertencer ao lugar”.  “Deadline” é um pouco mais “normal” para o padrão do rapper, que se queixa que “não existe tempo suficiente no dia”, para falar tudo o que tem a dizer. A sombria “YouFeelingLuckyPunk?” (“não tente a sorte, vadia, você não é uma das nossas”) é outra das melhores da mixtape. A próxima é “Ressurrection”, que é o único clipe de “Failure”: Bones canta na rua à noite, no frio, junto com amigos – um deles é Fred Durst do Limp Bizkit. “SometimesTheUglyTruthCanBeBeautiful” é outra ótima faixa, assim como “HolySmokes”.
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A.S.C.O
Música
A.S.C.O
21 de janeiro de 2018 2
A.S.C.O é um garoto de cerca de 23 anos que sempre sonhou em uma ter banda, e que começou a cantar para ajudar um amigo nos trabalhos da faculdade de produção fonográfica dele. Agora ele lançou “Remorso”, seu primeiro EP, cuja maior influência, confessa, é o nothing,nowhere. – nas letras, músicas e na capa do disco. O produtor oilcolor, que trabalhou com o nothing,nowhere., também produz algumas faixas do EP. E sim, aquele toque melancólico e belíssimo que encontramos na banda de Joe Mulherin também encontramos no EP do A.S.C.O. É lindo. Conversei pelo Messenger com o A.S.C.O – que não fala seu nome. Seu objetivo é trazer o estilo do nothing,nowhere. e de bandas semelhantes para o Brasil com a mesma qualidade dos originais. Ele não quer chamar a atenção pela pessoa dele, mas para o gênero – bem como o nothing,nowhere., aliás, banda de uma pessoa só que apenas recentemente revelou seu nome próprio. A.S.C.O não só sonha com a qualidade de produção – ele também sonha em ter sua discografia, fazer shows por aí. No início seu estilo era “emo/hardcore/violão”, e agora é “emo/rap”, que é o estilo com qual ele mais se identifica.
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Carlos Heitor Cony (1926-2018)
Literatura
Carlos Heitor Cony (1926-2018)
17 de janeiro de 2018 0
Eu estava andando de carro, indo para o trabalho. Era a segunda metade dos anos 90. Olho para a esquerda e, na calçada, se dirigindo a um hotel no Alto da Glória, estava Carlos Heitor Cony. Pensei rapidamente em descer e pedir um autógrafo mas, meio por babaquice, meio pela relação de amor e ódio que sempre tive com ele, meio por não estar carregando nenhum livro seu – acho que eu estava lendo “O Piano e a Orquestra” na época – não parei. Na próxima esquina, mudo de ideia e resolvo dar a volta na quadra para pedir-lhe um autógrafo. Não consegui, claro, ele já tinha entrado no hotel e perdi a única oportunidade que Deus me deu para pedir um autógrafo para o Cony. E era ele mesmo, antes que você me pergunte. Saiu na televisão daqui uma propaganda de um colégio, com ele, pouco tempo depois deste quase encontro.
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“A Descoberta da Escrita”, de Karl Ove Knausgard
Literatura
“A Descoberta da Escrita”, de Karl Ove Knausgard
14 de janeiro de 2018 0
Acho que Deus gosta de rir da minha cara: bastou eu ter tomado a firme decisão de não comprar mais livros – pelo menos enquanto não tivesse lido boa parte dos muitos encostados por aqui – que vi nas recomendações do Kindle que tinha acabado de ter sido publicado no Brasil  o quinto volume da série “Minha Luta”, de Karl Ove Knausgard, “A Descoberta da Escrita” (Companhia das Letras, 632 páginas). Que raiva. Se Deus sabia que eu não resistiria a comprar mais um livro do norueguês, por que me fez ver que o livro tinha sido lançado logo em seguida à minha firme resolução? Não tão firme, claro. Comprei o livro e, como sempre (pelo menos depois do segundo da série), o li rapidamente. Em “A Descoberta da Escrita” Knausgard conta sobre seu difícil início como escritor, suas (poucas) traições amorosas, bebedeiras, saídas sem rumo pela Europa, indecisões sobre seu futuro profissional. A cidade norueguesa de Bergen – por coincidência, citada na letra de “I Wish You Lonely”, do mais recente disco de Morrissey, “Low In High School” – é parte fundamental de mais uma obra-prima do grande escritor Knausgard, que consegue deixar hipnotizados milhões de leitores pelo mundo contando, com enorme quantidade de detalhes, episódios de sua própria vida.
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“hopes up”, do nothing nowhere.
Música
“hopes up”, do nothing nowhere.
8 de janeiro de 2018 0
É interessante comparar o vídeo de “clarity in kerosene” com o deste “hopes up”. Nos dois aparecem imagens amadoras de jovens garotas, em VHS. A diferença, porém, é ao mesmo tempo sutil e impressionante: no primeiro a garota parece rir da cara do garoto que está filmando; no segundo o clima é totalmente diferente: nota-se amor dela pelo rapaz que filma – as tomadas são tão apaixonadas que dá para adivinhar o sentimento dos dois namorados somente pelas imagens.
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Minhas músicas preferidas: 4. “Reminder”, de The Weeknd
Música
Minhas músicas preferidas: 4. “Reminder”, de The Weeknd
20 de dezembro de 2017 0
No clipe de “Reminder”, o cantor The Weeknd contracena com muitos outros astros da música pop negra americana, como Drake, ASAP Rocky, Travis Scott e Nav. Todos transitam entre belas mulheres, carros possantes, uma mansão e até um avião. Mas os outros cantores estão lá apenas para marcar presença, já que The Weeknd canta sozinho esta preciosidade: sinal, provavelmente, de que o cantor é bem quisto por seus pares. A letra de “Reminder” fala do uso de drogas (“tudo que eu quero é fazer dinheiro e me drogar”), sexo (“quando volto para a minha cidade, eu como toda garota que eu conheço”), sucesso (“quando viajo pelo mundo, faço 2 milhões por show”), álcool (“bebi um copo duplo, eu estou misturando as doses”). Pode parecer chocante para quem não acompanha o rap/rhythm & blues moderno, mas não é assim tão diferente do que se ouve por aí.
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