Prêmio Nobel de Literatura

Vale a pena ler “A Classe de Grego”, livro de Han Kang sem edição no Brasil? – Uma análise crítica do romance de 2011 da vencedora do Prêmio Nobel de Literatura.
Literatura
Vale a pena ler “A Classe de Grego”, livro de Han Kang sem edição no Brasil? – Uma análise crítica do romance de 2011 da vencedora do Prêmio Nobel de Literatura.
5 de julho de 2026 at 11:00 0
Recentemente, li “O Livro Branco”, da coreana Han Kang, vencedora do Prêmio Nobel de 2024. É um dos livros mais pungentes e bonitos que já li. Anteriormente, eu tinha escrito sobre “A Vegetariana”, da mesma autora, um excelente romance explosivo de sexualidade e loucura. Foi com a maior das expectativas que comecei a ler a versão em espanhol (“La clase de griego”, Random House, 176 páginas, traduzido por Sunme Yoon, ano de publicação original: 2011) de um romance de Han Kang que ainda não tem edição brasileira. O meu entusiasmo com o livro é justificado não somente porque amei os dois livros supracitados da autora, mas porque o romance que estou escrevendo, “Não tenho medo do escuro”, tem um personagem que fica cego, do mesmo modo que nesta obra. Achei que a leitura poderia me familiarizar um pouco com o tema. O livro de Han Kang conta a história de um homem na faixa dos trinta anos, um coreano que estudou e trabalhou na Alemanha boa parte da vida, especialista em grego clássico. Ele dá aulas em um curso noturno em Seul para alguns alunos – a maioria estudando a língua de maneira diletante –, e uma de suas alunas é uma mulher muda: ela pode ouvir, mas não consegue emitir palavras. Os dois são solitários. O professor tem uma vida simples, com poucos amigos, e aparentemente foi se acomodando no emprego e na falta total de qualquer ambição. A lenta perda da visão é encarada de maneira estoica, sem grandes dramas. Já a estudante muda tem um filho de um relacionamento fracassado, e o pai do menino consegue a guarda dele. O mutismo da estudante aconteceu de forma súbita após seus traumas: ela sempre tendeu a ser calada, mas o silêncio tomou tal dimensão que, quando ela conhece o professor, tornou-se totalmente muda. Sim, é uma espécie de loucura, um tanto semelhante à da personagem principal de “A Vegetariana”. É até difícil descrever o abismo de solidão que é a vida dos dois personagens principais: Han Kang consegue, com a maestria de sempre, fazer o leitor mergulhar em sensações de profunda dor, tão grandes que parece não haver palavras para descrevê-las. Mais do que dor, parece que o tempo, em “A Classe de Grego”, parou em algum lugar, um lugar frio, solitário e sem esperança. Francamente, por mais que eu reconheça a maestria de Han Kang, neste livro ela pesou demais a mão na solidão e na loucura. “A Classe de Grego” é estático, dolorido e solitário um pouco além da conta. *** Se você estiver interessado em receber este e outros textos meus semanalmente, clique aqui e cadastre seu e-mail. Imagem obtida no Google Gemini.
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