“O verão de 54 (novelas)”
Obra Literária
“O verão de 54 (novelas)”
6 de outubro de 2019 0
“O verão de 54 (novelas)” , de Fabricio Muller (Editora Appris), é composto por quatro histórias bastante diferentes uma da outra. O Verão de 54 é uma história de amor proibido. Conversão trata de família e religião, Morrissey é um policial sobre um assassino serial com “uma missão” e Sorry é uma novela para adolescentes. O Verão de 54 é uma história em metalinguagem. Conversão utiliza um narrador onisciente, Morrissey é em formato de diálogo e Sorry é um diário. Como se vê, o leitor pode iniciar a leitura deste livro por qualquer uma das quatro novelas cujo tema lhe pareça mais interessante. Informações: Comprar na Amazon, impresso ou para Kindle: aqui Live de lançamento no YouTube, em de agosto de 2019 no Encontro Café do Escritor: aqui Entrevista na CBN: aqui Prefácio, por Robertson Frizero: aqui Anúncio do lançamento na semana literária do Sesc, em 23 de setembro de 2019: aqui Resenha da Regina Pimentel: aqui Foto do lançamento do livro no CIP, em 4 de agosto de 2019: aqui Trecho inicial da novela Morrissey: aqui Trecho inicial da novela Sorry: aqui
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O verão de 54 – resenha
Literatura, Obra Literária
O verão de 54 – resenha
6 de outubro de 2019 0
Segue abaixo a resenha, bem elogiosa por sorte, que a Regina Pimentel fez do meu “O verão de 54 (novelas)”: Fabricio Muller publicou mais um livro. Este, agora, é uma coletânea de quatro novelas, díspares entre si, cada uma com seu próprio leitmotiv. Mas há o que as una: é o estilo muito pessoal de Fabricio, sempre muito intimista, voltado para os recessos da mente e da emoção. As “verdades em si mesmas”: a noção protofenomenológica de que o mundo é como a consciência o percebe. Já vimos isso em Balzac, em Flaubert, em Henry James, em Phillip Roth, e já vimos isso aqui mais perto em Dalton Trevisan – o realismo  voltado àquilo que constitui o desenrolar da vida  humano. Sem a crítica social. O sexo sempre premente, as relações interpessoais, os pequenos fracassos e sucessos. Tudo isso, na pena de Fabricio, exposto a céu aberto, às vezes com um sarcasmo que é ao mesmo tempo uma divina concessão à humana pequenez. E a sua escrita é impecável. “Morrissey”, entre os quatro contos, se destaca por ser, ao mesmo tempo, uma homenagem ao cantor inglês, uma história policial e uma novela escrita inteiramente como fluxo de consciência dialogal. O que é ainda mais interessante por se tratar do diálogo entre um acusado e um criminoso… A primeira novela, a que dá nome ao livro, entremeia à narração o diálogo interior do autor. A história em si é então uma metanovela: o conto é sobre como o autor decidiu escrever, e escreveu, sobre fatos. Ou o inverso? Um contista narra uma história, mas há um metanarrador que insiste em dizer como e por que isso e aquilo foi escrito… “Sorry” é o diário de uma adolescente – “nada do que é humano me é estranho”, diria Fabricio, que sim, conseguiu narrar as aventuras e desventuras de uma menina rica de família judia. Finalmente, “Conversão” relata o caminho percorrido por um grupo de pessoas de classe média rumo a Jesus, nominadamente o Jesus das igrejas Luterana e Bola de Neve. Mais uma vez, o autor consegue mostrar os fatos e as reflexões envolvidas em acontecimentos aparentemente cotidianos.
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O surfista Paulinho
Esporte, Exercícios Literários
O surfista Paulinho
29 de setembro de 2019 0
Paulinho era um surfista extraordinário. Suas rasgadas, seus floaters, seu flow, sua direita absolutamente fantástica assustavam os adversários. Não era o melhor tube rider que o mundo já tinha visto, mas estava entre os melhores. Já no primeiro campeonato do CT, da WSL, ficou em segundo lugar, perdendo apenas em Pipeline, e na final, para o eterno campeão Kelly Slater. Já no ano seguinte não teve para ninguém, e ele já era matematicamente campeão já na etapa de Peniche, em Portugal. Paulinho, então com apenas 17 anos, seria o novo Kelly Slater? Ultrapassaria a quantidade de onze campeonatos mundiais do maior surfista de todos os tempos? Eram esses os maiores questionamentos da imprensa especializada a respeito de Paulinho, depois de seu primeiro – que seria o último – campeonato mundial pela WSL. Sim, último. Logo no ano seguinte à sua vitória no CT, um novo surfista chegou para assombrar o mundo do esporte: Gabriel Medina – brasileiro como Paulinho e que, assim como ele, foi matematicamente campeão da WSL já na etapa portuguesa. No ano seguinte o havaiano John John Florence ganhou o “caneco” mundial, e meio que foi se revezando com o brasileiro Medina em vitórias nos campeonatos da WSL nas duas décadas e meia seguintes – as quais ainda contaram com vitórias solitárias do sul-africano Jordy Smith e do brasileiro Ítalo Ferreira. E o Paulinho? Continuou disputando o CT sempre com bravura, mas nunca mais passou do quinto lugar. A princípio, poderia parecer que a reversão completa das expectativas em relação àquela promessa do surf  mundial foi devida a algum motivo psicológico, ou mesmo físico – mas não: Paulinho continuou surfando como sempre surfara, mas não conseguiu, jamais, fazer as manobras inovadoras e progressivas que eram a característica principal da nova geração (Medina, John John, Filipe Toledo, Ítalo Ferreira, Jordy Smith, e por aí vai), a qual Paulinho pertencia apenas em termos cronológicos: seu surf era ultrapassado desde o início – o que ninguém, por incrível que pareça, tinha percebido a tempo. E não que ele não tentasse dar os aéreos que deliciavam os amantes do esporte, e que tanto deviam à influência do skate – John John Florence, é sempre bom lembrar, era um excelente skatista. Mas Paulinho não conseguiu, nunca, acertar um aéreo que fosse. Cinco anos depois que Paulinho tinha vencido seu único campeonato da WSL (anos nos quais ele treinou sem sucesso fazer manobras inovadoras e progressivas), ele teve uma espécie de luz: percebeu que jamais seria um John John Florence, que jamais seria um surfista realmente grande – ao contrário da expectativa geral anterior, inclusive dele. No dia em que ele finalmente teve consciência disso, chamou seu grande amigo Gabriel Medina no canto e desabafou: “irmão, nunca mais vou ser campeão mundial, nunca vou conseguir dar uma manobra inovadora”. O então campeão mundial olhou bem nos olhos de Paulinho e respondeu: “Jesus tem um propósito maior pra você, bro, não se preocupe com isso”. Paulinho, que nunca acreditara em Deus, hoje frequenta cultos evangélicos – quase sempre ao lado de seu amigo Medina – em Boiçucanga, na Igreja Bola de Neve. (O texto acima, uma ficção com personagens reais, é uma resposta ao seguinte desafio literário proposto por Robertson Frizero: “escreva, em 500 palavras, um conto cujo tema seja a mediocridade. O protagonista deve ser um artista – não importa qual a sua expressão artística – e a cena mostrada deve retratar o momento em que a personagem dá-se conta do quanto está iludida quanto ao seu ‘talento’. O que a personagem fará depois dessa constatação deve ser o desfecho do conto.”)
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Se vivêssemos num Império
Exercícios Literários
Se vivêssemos num Império
15 de setembro de 2019 0
 “Ai ai Izaura, hoje eu não posso ficar / se eu cair nos teus braços não há despertador que me faça acordar”. Como acontecia frequentemente, Paulo se lembrava dessa música quando Maria lhe pedia para ficar “só mais um pouquinho”. De brincadeira, finalmente, resolveu cantá-la. Maria estrilou: – Que música idiota. – Mas é bonitinha, Maria. – Ah vá. Era assim. Os dois se acertavam em quase todos os aspectos, menos na música. Amante que era do tal “sertanejo universitário”, Maria se irritava a cada vez que ele colocava no carro algo mais sofisticado, na linha de um John Coltrane ou Miles Davis. Ele meio que se divertia com isso e nunca ligou muito para essa profunda diferença musical, mas uma vez ele teve esperança de que ela fosse abrir um pouco seus horizontes musicais. Foi assim: literalmente apaixonada pela família imperial, e pelo imperador Pedro Luís de Orléans e Bragança em particular, Paulo um dia contou para Maria que o próprio monarca tinha lhe dito que seu cantor preferido era o jazzista americano Chet Baker. Tinha sido numa reunião de trabalho na capital imperial, Rio de Janeiro – ocasião que tinha deixado Maria praticamente sem dormir durante uma semana. Ela não parava de mandar para o Paulo mensagens no Whatsapp falando da excitação que sentia por saber que ele teria uma reunião com o imperador. Com o imperador! Maria tinha quadros com toda a família imperial pela casa, era um fanatismo que não conhecia limites. Na verdade, Paulo exagerara um pouco em seu relato para Maria. De fato, depois da reunião de trabalho (uns assuntos sobre o metrô do Rio), ele e o imperador trocaram palavras sobre música. Pedro Luís de Orléans e Bragança falou que amava Bach, que ouvia desde criança e que, agora, com o Spotify, estava muito feliz pela possibilidade de conhecer ainda mais intérpretes e gravações de seu compositor preferido. Paulo, que nunca foi fã de música clássica, resolveu lhe perguntar se gostava de jazz também. O imperador lhe respondeu que não tinha maior interesse pelo estilo, mas tinha visto um show de Chet Baker no YouTube e tinha gostado muito – a história trágica do grande jazzista também tocava o coração do monarca. De modo que o papo de Chet Baker ser o “cantor preferido” do imperador era só isso – papo, e furado. O mais engraçado tinha sido a reação de Maria: – Que pena, um imperador tão maravilhoso, com um gosto tão estragado. (Exercício literário proposto por Robertson Frizero: em Literatura, chamamos de ucronia qualquer narrativa que conte uma versão alternativa da História como a conhecemos. Trata-se da reconstrução de um evento do passado tal como ele poderia ter acontecido. Em Fatherland, romance policial de Robert Harris, por exemplo, o autor imagina um mundo no qual a Alemanha nazista teria vencido a Segunda Guerra Mundial.  O desafio de hoje é escrever uma narrativa de até 500 palavras que se passa no seguinte cenário ucrônico: Deodoro da Fonseca não proclamou a República e o Brasil seguiu sendo governado por um regime monárquico e pela mesma linhagem dos Orleans e Bragança. Use essa informação apenas como pano de fundo para sua narrativa; não se preocupe em descrever como o movimento republicano falhou, etc.)
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“Viva a vagina: Tudo que você sempre quis saber”
Literatura
“Viva a vagina: Tudo que você sempre quis saber”
15 de setembro de 2019 0
Duas estudantes de medicina norueguesas, Nina Brochmann e Ellen Dahl, resolveram escrever um livro sobre o órgão sexual feminino que, ao mesmo tempo, contivesse informações cientificamente corretas e que fosse acessível ao grande público. Tiveram grande sucesso nessa empreitada, e “Viva a vagina: Tudo que você sempre quis saber” (Paralela, 344 páginas, publicado originalmente em 2017) acabou sendo traduzido para diversos países. De fato, o livro – que fala de assuntos como anticoncepcionais, anatomia da região genital feminina, doenças sexualmente transmissíveis, menstruação, hormônios, gravidez – merece esse sucesso todo. Escrito em linguagem leve e divertida, é uma leitura altamente recomendada para quem se interessa pelo assunto, sejam homens ou mulheres. As autoras só poderiam ter falado um pouco menos no DIU, haha – mesmo assim, bem, agora acho que até eu entendo um pouco desse método anticoncepcional.
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Valérie Tasso
Literatura
Valérie Tasso
15 de setembro de 2019 0
Valérie Tasso é uma escritora, sexóloga e pesquisadora francesa radicada em Barcelona, na Espanha – onde é presença frequente em debates televisivos, falando sobre sua especialidade, o sexo. Li recentemente três livros dela. “Diário de uma ninfomaníaca” (Essência, 262 páginas) foi seu livro de estreia, publicado originalmente em 2003, e é de caráter autobiográfico. O início da obra conta o tempo em que a autora trabalhava como publicitária em Barcelona, de onde saía para diversas viagens, nas quais se encontrava com vários homens diferentes para fazer sexo. Lá pelas tantas, ela se apaixonada por um “homem errado”, que a engana e acaba a levando à falência. Sem emprego e sem dinheiro, Valérie começa a trabalhar como prostituta para tentar se reerguer. O livro é francamente ruim, escrito com mão pesada, sem nenhuma sutileza. O leitor não consegue ter muita empatia para com a narradora, o que dificulta muito a leitura num livro com tal temática. Por sorte eu – que sigo a Valérie Tasso no Twitter e simpatizo com suas postagens – acabei insistindo com a autora e acabei tentando a leitura de “Confesiones sin vergüenza: Las mujeres españolas nos cuentan sus fantasías sexuales” (Grijalbo, 150 páginas), publicado originalmente em 2015. A partir de uma turnê na qual a autora fez palestras e reuniões por toda a Espanha falando sobre sexo, o livro reproduz fantasias sexuais escritas por mulheres participantes de tal turnê. As fantasias apresentadas no livro são de mulheres de todas as idades e estados civis, e o resultado é interessantíssimo. Muito bom também é “El otro lado del sexo” (Plaza & Janés, 248 páginas, 2006), publicado originalmente em 2006. O livro descreve as pesquisas de Valérie Tasso sobre grupos ou pessoas que têm a originalidade (ou estranheza?) como característica principal. Entre eles, umas tais “Tigresas Brancas”, que passam a vida praticando a felação, elevando esta atividade em arte sagrada; abstinentes sexuais; um médico que diz aumentar o prazer feminino injetando colágeno no ponto G; sadomasoquistas. Ao contrário de o “Diário de uma ninfomaníaca”, os outros dois livros comentados aqui são de leitura bastante leve e agradável.
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O cão
Exercícios Literários
O cão
12 de setembro de 2019 0
Eu gostava muito do meu dono. Frequentemente nos encontrávamos com amigos dele, que também tinham outros cães como eu, e era uma festa. Meu dono e os amigos tomavam bebidas com um cheiro forte, cantavam, tocavam seus banjos – às vezes saía uma briga ou outra, e eu tinha que defender meu dono. Frequentemente dormíamos em calçadas, ou só eu e meu dono, ou nós dois com alguns amigos dele – também com seus cães. Para nos alimentar, meu dono revirava lixos, e sempre sobrava comida para mim. Às vezes alguma pessoa desconhecida me dava ração, e meu dono a agradecia. Às vezes algum desconhecido xingava meu dono, mas ele me dizia que só não o xingavam mais porque eu, com meu tamanhão, colocava medo nas pessoas “normais” – ele sempre falava “normais” com um tom meio debochado. Eu gostava muito de nossos passeios de trem. Entrávamos em vagões de carga, nos cobríamos do jeito que dava e ficávamos olhando as paisagens. Chegávamos a lugares lindos, cheios de cheiros diferentes. Lá nos encontrávamos com outros amigos do meu dono, e sempre havia cantoria, alegria e algumas brigas. Aquelas bebidas com cheiro forte eram presentes também. Meu dono sempre me dizia que nunca iria me abandonar. Que ele me amava tanto que jamais iria me deixar sozinho. Infelizmente, não foi o que aconteceu. Ele começou a ficar estranho quando começou a colocar no braço umas coisas esquisitas e pontudas. Depois de se machucar com aquilo, ele ficava num torpor estranho, não parecia mais a mesma pessoa. Dormia muito mais que antes, ou ficava acordado como se estivesse dormindo. Um dia, depois de se machucar com aquela coisa pontuda, ele entrou num torpor do qual não saiu mais. Demorei para perceber que ele tinha me deixado para sempre. Hoje estou com um amigo dele, e continuo tendo o mesmo dia-a-dia que tinha quando estava com meu antigo dono. O meu novo proprietário me trata tão bem quanto o antigo, e também sempre me promete que nunca vai me deixar. Infelizmente, não consigo acreditar nele. (Texto escrito para responder ao seguinte desafio literário proposto pelo Robertson Frizero: Personagem é qualquer ser atuante de uma história ou obra de arte. Normalmente é uma pessoa, mas pode ser um animal, um ser fictício, um objeto, desde que tenha características humanas. O desafio do dia é escrever uma história cujo protagonista seja uma personagem não-humana. A história deve ter no máximo 500 palavras e ter como tema central a mentira.)
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Os livros que eu levaria para o exílio
Literatura, Religião
Os livros que eu levaria para o exílio
8 de setembro de 2019 1
Se a polícia política chegasse aqui e eu fosse obrigado a me exilar, levando apenas doze livros de casa, eu acho que eu levaria esses: – “Heavier than heaven – Mais pesado que o céu: Uma biografia de Kurt Cobain”, de Charles R. Cross (Globo Livros, 456 páginas): a biografia do líder do Nirvana (estou no meio da leitura), me lembraria de uma impressionante história do rock, assim como – “Atravessar o fogo – 310 letras de Lou Reed” (Companhia das Letras, 792 páginas): uma edição com as letras do líder do Velvet Underground (no original e traduzidas para o português), algumas das quais citei no meu livro “Rua Paraíba”, ainda não publicado. Antes que me perguntem, não existe um livro semelhante com as letras do Morrissey aqui no Brasil; – “En una noche escura – poesía completa y selección de prosa”, de San Juan de la Cruz (Penguin Clásicos, 560 páginas), que ainda não li, mas que serviria para eu treinar meu espanhol – além do que a poesia do santo carmelita é maravilhosa; – “Alcorão Sagrado”: conheço outras versões do livro sagrado dos muçulmanos, mas nenhuma tão linda como a tradução de Samir El Hayek, publicada na coleção “Livros que mudaram o mundo”, da Folha de São Paulo. Além disso, a edição, com 700 páginas, tem mais de 2500 notas; – “Bíblia Sagrada”, da NVI (Nova Versão Internacional – Editora Vida, 1640 páginas), com letra grande e linguagem bem mais acessível do que a maioria das que se encontram por aí; – “Légendes de Catherine M.” (Denoël, 240 páginas), em que o marido de Catherine Millet – crítica de arte e autora do escandaloso e autobiográfico “A vida sexual de Catherine M.” – posta fotos da esposa, nua, e as comenta; – “Machado de Assis – Obra Completa – Volume 1 – Romances” (Companhia Nova Aguilar, 1216 páginas): o bacana do mais importante escritor brasileiro é que ele faz comentários geniais em cada página – o que acaba incentivando bastante a releitura. Reler é útil num exílio, o que fez me lembrar também de – “La Chartreuse de Parme”, de Stendhal (Éditions du milieu du monde, 676 páginas), provavelmente o único romance que li quatro vezes; – “O Conto da Aia”, de Margaret Atwood (Rocco, 368 páginas): preciso confessar que gostei mais da série “Handmaid’s Tale” do que do romance que lhe deu origem. Mas o mundo que a escritora canadense criou é assombroso e distópico – e são livros que eu teria que levar e não séries para TV, não é? – “Oeuvres”, de Diderot (Bibliothèque de la Pléiade, 1448 páginas), edição que amo tanto que até já fiz um texto sobre ela no meu blog; – “Poemas”, de Friederich Hölderlin (Companhia das Letras, 216 páginas): vou querer levar comigo o meu poema preferido, “Aos jovens poetas”: “Irmãos! Talvez a nossa arte logo amadureça Porque, como o jovem, de há muito fermenta para Chegar logo à tranquila beleza; Sede só piedosos, como o grego era! Amai os deuses, pensai nos mortais com afeto! Ebriez e frieza, lição e descrição: odiai-as Todas e, se o mestre vos der medo, Pedi conselho à grande Natureza.” – “O verão de 54 (novelas)”, de Fabricio Muller (Appris, 222 páginas): ah, que se dane.
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