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Jack the Ripper: O início de um conto perturbador de A mulher de César
Obra Literária
Jack the Ripper: O início de um conto perturbador de A mulher de César
24 de maio de 2026 at 11:22 0

3 de março de 2017

Acordo com uma sensação terrível: percebo, de repente, que assassinar pessoas é uma atividade horrenda, punida com prisão, muito malvista pela sociedade. O estranho, no caso, é que nunca matei ninguém, nem nunca tive vontade – mesmo assim, por que fico tão chocado? Em que canto horrível da minha mente assassinar é fácil e corriqueiro?

15 de março de 2017

Doze dias depois, a sensação ruim não passa: se estou relaxado, pensando em nada, a sensação de incompreensão – não entender por que tirar a vida dos outros é considerado um crime grave – volta à minha mente com toda a força. Assim, acabo me lembrando da morte de um ex-amigo meu. Eu tinha achado mesmo estranho o acidente do Jairo depois de discutir comigo: ele me acusou de desonestidade – coisa absurda da parte dele, que sempre o ajudei quando precisava – e respondi que não falasse nunca mais comigo, que eu não o perdoaria jamais. Ele saiu batendo a porta e não nos falamos durante um mês, ao final do qual ele morreu num acidente horroroso na estrada da praia. Não senti nenhum remorso, nada. Nem fui ao enterro – tínhamos sido amigos inseparáveis, mas por sorte eu estava viajando (tinha ido ao Peru) quando da morte dele, não tinha como voltar, não precisei me justificar com nada. Na missa de sétimo dia acabei não indo também; minha presença não era tão requerida assim, ninguém veio me perguntar por que eu tinha faltado a uma ocasião tão importante. A morte de Jairo foi horrível: um caminhão desgovernado passou por cima do carro no qual ele estava, e ele não teve como desviar, nem fugir. As ferragens do próprio carro e do caminhão que o matou acabaram impedindo o resgate – ele ficou agonizante e ferido por algumas horas e, quando finalmente foi retirado daquele amontoado de metal retorcido, estava morto. Foi uma morte muito dolorosa, a respeito da qual eu não senti absolutamente nada. Não que eu sentisse ódio de Jairo; para mim, ele simplesmente já não existia mais, e sua morte apenas confirmou o que eu sentia por dentro. O pensamento de que Jairo pudesse ter morrido por algum suposto poder mediúnico meu nunca tinha me passado pela cabeça, mas, lembrando agora do ocorrido, não posso deixar de pensar que pode ter sido o caso.

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O texto acima é o o início de “Jack The Ripper”, conto que você pode ler em “A mulher de César”, meu mais recente livro e que você pode comprar aqui.

Imagem que acompanha o texto obtida no Gemini.  
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