Meus discos preferidos: 10. “Lisboa” – Madredeus
Música
Meus discos preferidos: 10. “Lisboa” – Madredeus
2 de agosto de 2016 0
Sempre que eu penso no álbum duplo ao vivo “Lisboa”, do grupo português Madredeus, de 1992, eu penso num ápice antes da decadência fatal. Sim, eu sei que é uma impressão injusta: “O Espírito da Paz”, de 1994 e “O Paraíso”, de 1997, são álbuns superiores a “Os Dias da Madredeus” (1987) e “Existir” (1990), cujas músicas servem de base a este monumental “Lisboa”. Mas eu vou tentar me explicar. “Os Dias da MadreDeus”, o primeiro álbum, espanta quem conheceu a banda nos discos seguintes pelo amadorismo das gravações e pela voz – como direi – inexperiente da espetacular Teresa Salgueiro: o fato é que, neste disco, ela parece outra pessoa cantando. Já no álbum seguinte, “Existir”, tudo é mais profissional e a vocalista do Madredeus já era a cantora que passamos a admirar então – e que teve uma carreira absolutamente irretocável até o lançamento de outro duplo ao vivo, “O Porto” (1998), mas esta é outra história.
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“Para Você não se Perder no Bairro”, de Patrick Modiano
Literatura
“Para Você não se Perder no Bairro”, de Patrick Modiano
28 de julho de 2016 0
A memória dos fatos ocorridos durante a ocupação nazista na França é o principal tema dos livros do escritor francês Patrick Modiano, vencedor do Prêmio Nobel de 2014 – e é também o tema de seu livro mais recente, “Para você não se perder no bairro” (também de 2014). O livro conta a história de um escritor de meia-idade, Jean Daragane, que vive sozinho em Paris (cidade-sede da maioria dos enredos de Modiano, aliás). Um dia ele recebe um telefonema de Gilles Ottolini, um homem de cerca de 40 anos que tinha achado a agenda de Daragane numa estação em Lyon. Os dois acabam combinando um encontro num café para a devolução, e Ottolini leva junto sua namorada, Chantal Gripay, uma moça de cerca de 30 anos de idade. Lá o escritor descobre que Ottolini não está interessado apenas em devolver o objeto perdido de Daragane, mas também em obter informações sobre um tal de Guy Torstel para uma investigação policial privada. O número de telefone deste Torstel constava do objeto recuperado, mas Daragane já não lembrava dele, já que a agenda era muito antiga.
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“O Jardim Secreto”, de Frances Hodgson Burnett
Literatura
“O Jardim Secreto”, de Frances Hodgson Burnett
25 de julho de 2016 0
Eu nunca tinha ouvido falar nem em “O Jardim Secreto” nem em sua autora, a inglesa Frances Hodgson Burnett (1849-1924). Por sorte descobri o livro mexendo na prateleira com livros da coleção Penguin-Companhia das Letras e acabei por comprá-lo. A autora escreveu vários romances populares para adultos, peças de teatro e um livro de memórias da infância. Entretanto, ela é lembrada principalmente por seus romances que escreveu para crianças, como “O Pequeno Lorde” e este “O Jardim Secreto”.
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“Perto do Coração Selvagem”, de Clarice Lispector
Literatura
“Perto do Coração Selvagem”, de Clarice Lispector
20 de julho de 2016 0
Não sei se é por causa da minha formação de engenheiro (provavelmente não), mas, quando leio um livro, tendo a gostar de uma temática mais ou menos objetiva. Fico fascinado com os longos comentários paralelos nas histórias de Proust, em que ele começa a contar alguma coisa que está relacionada ao fio principal da história, utiliza páginas e páginas e, quando começo a achar que ele se perdeu, ele retoma o que estava contando. Este meu gosto pela objetividade também me faz ter alguma dificuldade na leitura de poesia, de maneira geral. De todo modo, há leituras que nos desafiam exatamente por nos retirar da zona de conforto como leitores, e “Perto do Coração Selvagem”, o primeiro romance de Clarice Lispector, publicado quando ela tinha vinte anos, se enquadra neste caso.
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“A Hora da Estrela”, de Clarice Lispector
Literatura
“A Hora da Estrela”, de Clarice Lispector
17 de julho de 2016 0
Na adolescência foi que eu li pela primeira vez o romance “A Hora da Estrela”, de Clarice Lispector (1920-1977). A sensação que tive foi das mais difíceis: para mim foi um livro chocante, o equivalente literário de um soco no estômago. Reli há pouco tempo achando que, com o tempo, a sensação seria atenuada: ledo engando, parece que levei mais um soco (metafórico, claro).
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“Utopia”, de Thomas More
Filosofia
“Utopia”, de Thomas More
17 de julho de 2016 0
A palavra “utopia” entrou para o vocabulário da humanidade graças a uma obra do filósofo inglês Thomas More (1478-1535), um dos grandes humanistas do Renascimento.
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“7 years”, de Lukas Graham
Música
“7 years”, de Lukas Graham
8 de julho de 2016 0
Não costumo colocar músicas no repeat. O culpado disto é o Morrissey: ouvi tanto suas músicas (solo e com os Smiths) que hoje elas já não me fazem mais o mesmo efeito que faziam no início nos anos 90 (eu sei que parece papo de maconheiro velho que diz que a erva de hoje não é tão boa quanto aquela que ele usava na juventude – mas eu sou abstêmio, então este papo é só mais uma piada sem graça). Dia destes eu estava ouvindo “7 years”, do dinamarquês Lukas Graham, líder da banda que leva o seu nome. Ouvi uma vez. Duas. Três. Acho que na décima meu alerta “anti-repeat” começou a apitar. Alto. Mas eu lutei contra o alerta, e continuei ouvindo “7 years” durante o resto daquele dia. No dia seguinte, comecei a ouvir a música no início da tarde e… fui ouvindo até anoitecer. Acho que no dia subsequente, com medo de uma recaída (e aqui cabe mais uma piada sem graça), fiquei longe da tentação. De todo modo, contei para minha filha sobre a música e fiquei feliz de saber que ela já era fã. Eu disse que estava pensando em escrever um texto sobre “7 years”, ela gostou da ideia e vem me cobrando desde então.
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“Tartufo”, “Escola de Mulheres”, “O Burguês Fidalgo”, de Molière
Literatura
“Tartufo”, “Escola de Mulheres”, “O Burguês Fidalgo”, de Molière
26 de junho de 2016 0
O fato de eu ter estudado “Le Cid”, de Pierre Corneille (1606-1684), no curso de francês, me fez gostar muito deste dramaturgo clássico do sec. XVIII, e esta admiração se estendeu posteriormente a seu contemporâneo Jean Racine (1639-1699) – ambos eram dramaturgos da corte de Luís XIV. Os dois eram mestres na criação de tragédias, e suas peças tratam dos grandes dramas humanos – honra, amor, paxão, orgulho; seus diálogos em forma de versos são tão bem escritos que sempre tenho vontade de ler aquelas poesias maravilhosas em voz alta. Por levar tão a sério Corneille e Racine, sempre tendi a menosprezar o outro grande dramaturgo clássico da corte de Luís XIV, Molière (1622-1672, pseudônimo de Jean-Baptiste Poquelin), que era especialista em comédias – na minha opinião, um comediante não poderia ser tão profundo quanto um poeta trágico. Para tirar a cisma, resolvi ler as três peças de uma antiga edição da Editora Abril, “O Tartufo”, “Escola de Mulheres” e “O Burguês Fidalgo” (acho que li uma ou duas delas na adolescência, mas certamente a leitura não me marcou muito).
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