A ilusão da camisa
Esporte

A ilusão da camisa

6 de julho de 2026 0

Acho que a maioria dos brasileiros – e muita gente pelo mundo – considera o futebol brasileiro o melhor do mundo. Quando acontece uma derrota dramática em fases intermediárias da Copa do Mundo, é frequente buscar um culpado: é o técnico, é o jogador, é a preparação, é qualquer coisa.

Mas eu tenho uma ideia meio diferente, que parece óbvia, mas quem sabe não seja: as Copas do Mundo não são jogadas por países, mas por alguns jogadores por país. Acho que me manquei disso quando vi a festa no vestiário da Espanha depois da vitória em 2010: eram alguns sujeitos pulando, em fila – se não me engano, eram divididos entre os pró e contra a independência da Catalunha, mas minha memória pode estar me enganando. Era um pequeno grupo de homens, não era “A Espanha”. A Espanha é um país enorme, com vários milhões de habitantes.

Então, cada vez mais eu me convenço de que não existe o “futebol brasileiro” em Copas do Mundo; existe um pequeno grupo de jogadores que representa os milhões de brasileiros. E é aí que o excepcional faz diferença. Ou alguém acha que Pelé e Garrincha não foram os principais responsáveis pelos primeiros títulos mundiais do Brasil? Romário por 1994, Rivaldo e Ronaldo por 2002? Zidane por 1998 e o vice em 2006? Maradona por 1986, Messi por 2022, Mbappé por 2018?

É claro que existem outros fatores, claro: em 1982 Zico não conseguiu ganhar uma Copa do Mundo, nem Cruyff em 1974, nem Puskás em 1954. Mas são inesquecíveis. E às vezes um conjunto é tão bem azeitado que o time passa a ser o excepcional, como provavelmente aconteceu na supracitada Espanha em 2010, e com a Alemanha em 2014.

Mas o que conta mesmo, numa Copa do Mundo, não é o país. É um ou dois jogadores num pequeno grupo.

Como Flavio Prado falou ontem, Haaland nasceu na Noruega; se tivesse nascido no Brasil, a gente venceria. O excepcional, como tantas vezes acontece, fez a diferença em mais uma derrota da seleção brasileira, que só teve um jogador excepcional desde 2002: Neymar, que quase sempre esteve sem condições físicas ideais nas Copas do Mundo de que participou.

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Imagem obtida no Google Gemini.

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