Música

Meus discos preferidos: 10. “Lisboa” – Madredeus
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Meus discos preferidos: 10. “Lisboa” – Madredeus
2 de agosto de 2016 at 11:34 0
Sempre que eu penso no álbum duplo ao vivo “Lisboa”, do grupo português Madredeus, de 1992, eu penso num ápice antes da decadência fatal. Sim, eu sei que é uma impressão injusta: “O Espírito da Paz”, de 1994 e “O Paraíso”, de 1997, são álbuns superiores a “Os Dias da Madredeus” (1987) e “Existir” (1990), cujas músicas servem de base a este monumental “Lisboa”. Mas eu vou tentar me explicar. “Os Dias da MadreDeus”, o primeiro álbum, espanta quem conheceu a banda nos discos seguintes pelo amadorismo das gravações e pela voz – como direi – inexperiente da espetacular Teresa Salgueiro: o fato é que, neste disco, ela parece outra pessoa cantando. Já no álbum seguinte, “Existir”, tudo é mais profissional e a vocalista do Madredeus já era a cantora que passamos a admirar então – e que teve uma carreira absolutamente irretocável até o lançamento de outro duplo ao vivo, “O Porto” (1998), mas esta é outra história. (mais…)
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“7 years”, de Lukas Graham
Música
“7 years”, de Lukas Graham
8 de julho de 2016 at 17:18 0
Não costumo colocar músicas no repeat. O culpado disto é o Morrissey: ouvi tanto suas músicas (solo e com os Smiths) que hoje elas já não me fazem mais o mesmo efeito que faziam no início nos anos 90 (eu sei que parece papo de maconheiro velho que diz que a erva de hoje não é tão boa quanto aquela que ele usava na juventude - mas eu sou abstêmio, então este papo é só mais uma piada sem graça). Dia destes eu estava ouvindo “7 years”, do dinamarquês Lukas Graham, líder da banda que leva o seu nome. Ouvi uma vez. Duas. Três. Acho que na décima meu alerta “anti-repeat” começou a apitar. Alto. Mas eu lutei contra o alerta, e continuei ouvindo “7 years” durante o resto daquele dia. No dia seguinte, comecei a ouvir a música no início da tarde e… fui ouvindo até anoitecer. Acho que no dia subsequente, com medo de uma recaída (e aqui cabe mais uma piada sem graça), fiquei longe da tentação. De todo modo, contei para minha filha sobre a música e fiquei feliz de saber que ela já era fã. Eu disse que estava pensando em escrever um texto sobre “7 years”, ela gostou da ideia e vem me cobrando desde então. (mais…)
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Carnaval, Papillons, Kinderszenen e  Arabeske, de Schumann, com Nelson Freire
Música
Carnaval, Papillons, Kinderszenen e Arabeske, de Schumann, com Nelson Freire
2 de junho de 2016 at 16:55 0
Não é fácil ser crítico de música clássica. A Folha de São Paulo, por exemplo, tinha um crítico exclusivo sobre o assunto, Sidney Molina (que acho que não escreve mais lá). O sujeito, obviamente, tem que ter uma formação mínima sobre música erudita, o que requer bastante estudo e tal. É por isto que eu fico meio envergonhado quando leio algum texto antigo meu falando sobre música clássica. Tudo bem ser diletante, mas este assunto requer um conhecimento mais aprofundado que eu não tenho. Mas, enfim, não resisto. (mais…)
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“Dirty Mind”, de Prince
Música
“Dirty Mind”, de Prince
26 de abril de 2016 at 22:53 0
Para homenagear a memória do grande Prince eu poderia ter escolhido qualquer dos álbuns que ele lançou entre 1980 e 1988, com exceção de “Parade” e “Around the World in a Day”. Realmente, não é qualquer músico que lança, em tão curto espaço de tempo, álbuns como “Dirty Mind”, "Controversy", "1999", "Purple Rain", "Sign O' The Times" e “Lovesexy”. Depois deste último, de 1988, seus discos passaram a ter cada vez mais momentos de megalomania e as faixas realmente boas, que eram a grande maioria, começaram a rarear. Eu mesmo acompanhei de perto os álbuns lançados entre "Batman", de 1989, e "Chaos and Disorder", de 1996, e não creio que nenhum dentre estes chegue perto dos anteriores em termos de qualidade. Como muita gente, acabei deixando os discos novos de lado: pode ser que tenha muita coisa boa entre "Emancipation", de 1996, e "HITnRUN Phase One", de 2015, mas não posso dizer com certeza. (mais…)
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João Gilberto: 10 preferidas + 1
Música
João Gilberto: 10 preferidas + 1
20 de abril de 2016 at 15:09 0
Segundo Miles Davis, “João Gilberto pode ler um jornal que fica bonito”. Como eu concordo com ele, fiz uma listinha com minhas dez músicas preferidas do criador da bossa nova, em ordem de preferência – mas com o critério de não colocar mais de uma por faixa disco lançado. Assim eu tento provar que ele é bom em qualquer época da carreira. Como se ele precisasse provar qualquer coisa para quem quer que seja. Enfim. (mais…)
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“Paradise”, do New Order
Música
“Paradise”, do New Order
13 de abril de 2016 at 18:28 0
Eu vivia cansado por causa dos treinos. Além de nadar, eu comprava muitos discos: basicamente LPs indicados pela extinta Revista Bizz ou LPs de música clássica (principalmente Bach). Trazer um LP para casa era uma emoção bacana, e o fato de estar sempre cansado fazia com que eu frequentemente dormisse na primeira audição do disco – e isto só aumentava a graça da coisa toda. Nem sempre os discos que a Bizz recomendava eram aquilo que o crítico dizia que eram. Muitas vezes eu me forçava a gostar de alguma coisa que, no fundo, não achava assim tão bom. Mesmo dos Smiths eu não gostava tanto: achava a musicalidade deles muito luminosa, mas no fundo não me impressionava tanto. Só virei fã da banda mesmo quando comecei a entender inglês – mas isso foi bem mais tarde. (mais…)
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O lied “Des Mädchens Klage”, de Schubert
Música
O lied “Des Mädchens Klage”, de Schubert
12 de abril de 2016 at 08:52 0
Dos cds de Schubert com lieder que eu tenho (acho que são uns quinze), aquele com canções sobre poemas de Schiller, com o tenor Christoph Prégardien acompanhado por Andreas Staier ao piano forte, é um dos que eu menos recomendaria. A impressão que eu tenho é que, quando musicava poemas deste grande poeta alemão, Schubert queria fazer Arte. Estranho. Os lieder, quase todos, são sérios, meio atormentados... e esquecíveis, infelizmente. Ao contrário de suas lindas canções sobre poemas de Goethe, o Schubert melodista, ao que parece, estava de férias quando musicou Schiller. Há um lied, entretanto, chamado Des Mädchens Klage, D. 191, que realmente fez valer o preço do cd. (mais…)
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Snoop Doggy Dogg
Música
Snoop Doggy Dogg
12 de abril de 2016 at 08:46 0
Eu não esqueço da primeira vez que ouvi falar em Snoop Doggy Dogg (deve ter sido em 1993). Foi num noticiário do SBT: o jornalista Hermano Henning dizia que o sucesso estrondoso (primeiro lugar na Billboard) de um novo rapper, que glorificava a violência, a vida dos gângsters e que era exacerbadamente machista estava assustando a América. A reportagem então cortava para a entrevista na casa do rapper: um negro magro, mal encarado e mal humorado que dizia: “quem gostar de mim, ok - quem não gostar f***-se”. O tom da reportagem, obviamente, era de total repúdio a este novo tipo de som. (mais…)
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