Músicas preferidas por artista ou banda
Música
Músicas preferidas por artista ou banda
3 de julho de 2022 0
Além de gostar de fazer listas, acho bacana saber qual a minha música preferida de determinado artista (seja cantor e/ou compositor) ou banda. Comecei a pensar no assunto e logo percebi que a lista de preferidas por artista seria grande, e resolvi escrevê-la. Quando o assunto é música clássica, não achei que faria sentido colocar uma peça inteira, como uma cantata ou sonata, mas sim um movimento dela, como um movimento ou um lied: achei que assim o conceito de uma “música preferida” seria mais coerente. Tem uma exceção, o Concerto para Violão de Heitor Villa-Lobos, que sempre ouvi inteiro. Também apareceriam artistas que quase não ouço, além de preferidos da casa. Não importaria, eu iria curtir todas as músicas da lista. Enquanto pensava no assunto, percebi, com alguma estranheza, que em poucos casos fiquei com dúvidas – lembro, por exemplo, de não saber qual de duas eu preferia de artistas ou bandas como The Smiths, Arctic Monkeys, Massive Attack ou Bhad Bhabie. Mas, em geral, foram casos isolados – e não colocarei a música alternativa aqui, porque a lista já está grande demais. Dei uma reconferida naquelas que eu não ouvia há muitos anos, para saber se elas ainda “batiam”, e só estão aqui as que “bateram” mesmo – quase todas. Em alguns casos um artista aparece mais de uma vez, mas a segunda aparição é sempre em participação (ver Ariana Grande e Cashmere Cat, por exemplo). Outras vezes (posso citar Bryan Ferry e Roxy Music), um mesmo artista aparece na sua banda e na sua carreira solo. Alguns dos músicos listados eu não gosto, mas aparecem aqui quando algum raro som me agrada: caso de  Queen e Red Hot Chilli Peppers, por exemplo. Segue, finalmente, a relação das minhas músicas preferidas de artistas ou bandas, sem nenhuma ordem de gênero ou preferência: a única ordem que respeitei é a da memória, ou seja, o que apareceu antes na minha cabeça apareceu antes na lista. Massive Attack: Small Time Shot Away João Gilberto: Manhã de Carnaval The Beatles: Blackbird Rolling Stones: Paint It Black Johann Sebastian Bach: ária “Ach, mein Sinn”, da Paixão Segundo João, BWV 245 Bhad Bhabie: Gucci Flip Flops (feat Lil Yachty) Lil Xan: Betrayed João Gilberto: Manhã de Carnaval Jorge Ben: Menina mulher da pele preta Tom Jobim: Chansong Marisa Monte: Balança Pema Morrissey: Boxers Arctic Monkeys: Tranquility Base Hotel & Casino Selena Gomez: Back to You Ariana Grande: 7 rings Dua Lipa: Levitating Prince: Darling Nikki The Weeknd: Reminder Justin Bieber: Company Elvis Presley: Little Sister Sam Cooke: Bring It on Home to Me Mahalia Jackson: How I got over Frank Sinatra: I’ve Got the World on a String Billie Holiday: Strange Fruit John Coltrane: Moment’s Notice Robert Schumann: I. Nicht schnell, de Three Romances for Oboe and Piano, Op. 94 Johannes Brahms: V. Mädchenlied “Auf die Nacht in der Spinnstub’n”, de Fünf Lieder, Op. 107 João Mineiro e Marciano: Seu Amor Ainda É Tudo The Doors: Riders on The Storm Jimi Hendrix: All Along the Watchtower Pink Floyd: Echoes Led Zeppelin: In the Light Black Sabbath: Behind the Wall of Sleep Electric Wizard: Funeralopolis François Couperin: II.Soeur Monique / Tendrement Sans lenteur – 18e ordre, 3e livre Henry Purcell: Suite No.2 in G minor Z661 Ashley All Day: Hiyah Giuseppe Tartini: terceiro movimento (grave), do Cello Concerto in D major GT 1.D34 Domenico Scarlatti: sonata K.20 in E major Beastie Boys: Sure Shot Velvet Underground: Venus in Furs Roberto Carlos: O Divã Lou Reed: Sword of Damocles Bones: CtrlAltDelete ZillaKami x SosMula: 33rd Blakk Glass Demi Lovato: Stone Cold $uicideboy$: Magazine 6ix9ine: GUMMO Neurosis: No River to Take Me Home Amenra: A Solitary Reign Velvet Cacoon: Genevieve Burzum: Dunkelheit Drudkh: Самітність (Solitude) Charles Aznavour: Comme Ils Disent Xasthur: Telepathic with the Deceased Deathspell Omega: Second Prayer GZA: 4th Chamber Feat. Ghostface Killah, Killah Priest & Rza Wu-Tang Clan: Cash Still Rules / Scary Hours (Still Don’t Nothing Move but The Money) Cardi B: Bodak Yellow DJ Khaled: Popstar ft. Drake Drake: Nonstop 21 Savage & Metro Boomin: X ft Future Franz Schubert: Am Flusse I, D. 160: Verfließet, vielgeliebte Lieder Skip James: Washington D.C. Hospital Center Blues Lightnin Hopkins: Trouble in Mind Sonny Boy Williamson II: Keep It to Your Self Stevie Ray Vaughan & Double Trouble: Pride and Joy B. B. King: The Thrill Is Gone John Lee Hooker Official: Hard Times Blues Mississippi Fred McDowell: Goin Down to the River Muddy Waters: Got My Mojo Workin’ Sonic Youth: Kool Thing Nirvana: Negative Creep Radiohead: Fake Plastic Trees Stone Roses: I Wanna Be Adored The Cure: Killing an Arab New Order: Paradise Echo & The Bunnymen: Turquoise Days The Smiths: Please, Please, Please, Let Me Get What I Want The Jesus and Mary Chain: Never Understand Ike & Tina Turner: Nutbush City Limits The Shangri-Las: Past, Present and Future Ramones: Blitzkrieg Bop NOFX: Stickin’ in My Eye Husker Du: Could You Be the One Sublime: Santeria Korn: Falling Away from Me Slipknot: Duality System Of A Down: Chop Suey! blink-182: All the Small Things nothing,nowhere. : bedhead Limp Bizkit: Nookie Nick Drake: Day is Done Elliott Smith: Between the Bars Frédéric Chopin: Ballade No. 4 in F minor, Op. 52 Éric Satie: 3 Gymnopédies No. 1: Lent et douloureux Egberto Gismonti: Dança das Cabeças, lado A Villa-Lobos: Concerto para Violão Chet Baker: Time After Time David Bowie: Life on Mars? Roxy Music: Oh Yeah T. Rex: Mystic Lady Bryan Ferry: The Right Stuff Selena Gomez, Marshmello: Wolves DJ Snake: Let Me Love You ft. Justin Bieber Major Lazer & DJ Snake: Lean On (feat. MØ) Dave Brubeck: Take Five Cashmere Cat: Quit ft. Ariana Grande Clean Bandit: Rockabye (feat. Sean Paul & Anne-Marie) Anne-Marie: Alarm Ellie Goulding: Love Me Like You Do Diplo: Color Blind (feat. Lil Xan) Miles Davis: ‘Round Midnight Louis Armstrong & Jack Teagarden: Rockin Chair Thelonious Monk: Little Rootie Tootie Charlie Parker: Hot house Dre: Still D.R.E. ft. Snoop Dogg Snoop Doggy Dogg: Tha Shiznit Fetty Wap:
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“Correntes”, de Olga Tokarczuk
Literatura
“Correntes”, de Olga Tokarczuk
12 de junho de 2022 0
É estranha a minha relação com a escritora polonesa Olga Tokarczuk, vencedora do Prêmio Nobel de 2018. O primeiro livro dela que li, “Sobre os ossos dos mortos”, sobre o qual escrevi aqui, foi crescendo em qualidade na memória: enquanto estava lendo-o ele me cansou diversas vezes, mas quando fui escrever sobre o romance não consegui encontrar nenhum defeito nele. Hoje posso dizer que foi um dos livros mais marcantes da minha vida, tão vívidas e fortes suas descrições. Já com este excelente “Correntes” (Todavia, 400 páginas, tradução de Olga Bagińska-Shinzato, publicado originalmente em 2007) a estranheza vem de outro lugar. A obra é dividida em 116 capítulos, a maior parte deles muito curtos e aparentemente autobiográficos, e sem relação com os demais. Alguns trechos me lembraram meu próprio “Memórias”, segundo livro de “Rua Paraíba”, obra mais recente que publiquei. Para dar uma ideia da coisa, vou transcrever um capítulo completo de “Correntes” aqui: “Um sujeito na lanchonete de um certo museu me disse que nada lhe dava mais satisfação do que conviver com um original. Também insistiu que quanto mais cópias houver no mundo, maior será o poder do original — que às vezes se aproxima do poder de uma relíquia sagrada. Pois o que é singular é significativo, com a ameaça de destruição que paira sobre ele. A confirmação dessas palavras veio na forma de um grupo de turistas que celebrava com concentração devotada uma pintura de Leonardo da Vinci. Apenas ocasionalmente, quando algum deles já não aguentava mais, ouvia-se o clique de uma máquina fotográfica, que soava como um amém falado numa nova língua digital.” Já no meu “Memórias” eu tenho um capítulo assim: “Escrevi um conto batido a máquina. Cabia numa folha A4, no modo paisagem. Era escrito em três colunas: lendo a primeira coluna, o conto tinha um sentido. Se se juntassem as linhas da primeira e da segunda colunas, o sentido se modificava. Juntando a primeira, a segunda e a terceira colunas, outro sentido ainda aparecia. Eu não devia ter mais que onze anos, e mostrei o conto para um colega do curso de francês. Ele, então, mostrou para o pai dele, que veio com a sentença: ‘esse menino vai ser um grande escritor’. Eu ri e ele respondeu, sério: ‘meu pai nunca se engana.’” Duas lembranças de episódios longínquos no tempo, duas opiniões originais (esquisitas?) de desconhecidos: um gosta de pessoas originais, outro achava que eu iria ser um grande escritor. Mas “Correntes” tem muito mais do que pequenas lembranças: o livro fala sobre suas obsessões por viagens e por “gabinetes de curiosidades onde se coleciona e expõe objetos raros, únicos, bizarros e disformes”, como órgãos disformes de seres humanos conservados em formol (duas obsessões que, é interessante comentar, eu não tenho). Além disso, algumas histórias – não sei se ficcionais ou não – são contadas de maneira completa, como a de uma mãe e um filho que aparentemente desaparecem numa ilha turística, e a de uma nobre no século XVIII que pede desesperadamente, por cartas, para que Francisco, o Imperador da Áustria, dê um enterro digno para o seu pai. “Correntes” é um livro fascinante, aliás muito melhor que o meu “Memórias”. (foto que acompanha o texto obtido no site da Revista Veja)
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Nos tempos do Imperador
Televisão
Nos tempos do Imperador
5 de junho de 2022 0
Sou fascinado por algumas épocas da História: o Império Romano e o cristianismo primitivo; o império Wari, no Peru; o Holocausto e tudo o que aconteceu para que este crime horrendo tenha sido possível; o Brasil Colônia e o Brasil Imperial.  Foi portanto com muita curiosidade que comecei a assistir ‘Nos Tempos do Imperador”, novela das seis da Globo que foi exibida de 9 de agosto de 2021 a 4 de fevereiro de 2022, em 154 capítulos, com direção de João Paulo Jabur e Vinícius Coimbra e com Thereza Falcão e Alessandro Marson como autores principais. A novela pode ser assistida pela Globoplay.  “Nos tempos do Imperador” teve uma audiência muito baixa, e boa parte dos espectadores reclamou do seu andamento lento – característica que, para mim, foi uma qualidade da novela.  Além do ritmo tranquilo, gostei muito dos cenários e da reconstituição da época, muito bem feitos e aparentemente bastante fiéis ao período retratado, e da iluminação – eu mesmo tirei a foto que acompanha este texto, porque na hora da transmissão achei belíssimo o tratamento de luz na cena. Outro destaque (não vou falar dos defeitos da novela, já que a crítica bateu bastante nessa tecla e acho que não preciso retomar o assunto) foram as atuações. Posso citar aqui Maicon Rodrigues, grande ator que infelizmente pegou o pequeno papel do revoltado Guebo, Selton Mello, excelente como o Imperador Pedro II, e Augusto Madeira e Dani Barros, vivendo o casal atrapalhado Quinzinho e Clemência, mostrados na foto supracitada. Por coincidência, as duas grandes atuações da novela são de atores que viveram muitos anos em Curitiba: o curitibano Alexandre Nero, inesquecível como o vilão Tonico Rocha, e a belorizontina Letícia Sabatella, que fez uma sofrida Imperatriz Teresa Cristina, traída às clara por Pedro II (que, aliás, aparece em “Nos tempos do Imperador” como apaixonado pela amante), ao mesmo tempo intensa e contida – coisa de gênio.
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Gertrud, de Carl T. Dreyer
Cinema
Gertrud, de Carl T. Dreyer
29 de maio de 2022 0
Quando se fala no grande diretor dinamarquês Carl T. Dreyer (1889-1968), os dois primeiros filmes que vêm à cabeça são “Ordet” (A palavra) – uma história profunda e perturbadoramente religiosa – de 1955, e “A paixão de Joana D’Arc”, filme mudo que conta o martírio da santa com closes espetaculares e exasperantes. Os dois filmes foram escolhidos pelo Vaticano em 1995 como estando entre os cinco melhores de todos os tempos no quesito “religião”. Último filme lançado por Dreyer, “Gertrud” conta a história de uma mulher – a própria Gertrud – que deixa do amante, Gabriel Lidman, poeta célebre, para se casar com um político e advogado eminente, Gustav. Quando o filme começa ela já está casada com este último e se apaixona por um pianista e compositor talentoso e novato, Erland Jansson. Gertrud leva a paixão pelo amor verdadeiro às suas últimas consequências, e o filme, lançado em 1964, pode ser considerado, com alguma boa vontade, um libelo feminista. Quando lançado no festival de Cannes ele chegou a ser vaiado, e a crítica da época ficou dividida em relação ao filme – hoje considerado uma obra-prima por grande parte dos especialistas. “Gertrud” tem o mesmo estilo de filmagem de “Ordet”: cenas longuíssimas com a câmera parada, com os atores olhando a maior parte do tempo para a frente, conversando sem olhar uns para os outros. A sensação é estranhíssima – e, mais estranho ainda, revi dia desses “Gertrud” e fiquei fascinado: não sei o segredo de Dreyer para fazer filmes tão esquisitos e tão espetaculares ao mesmo tempo.
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The highlights, The Weeknd
Música
The highlights, The Weeknd
22 de maio de 2022 0
Eu gosto de comprar CDs. Acho bacana como uma lembrança, ou coisa assim, dos artistas que admiro.  Para mim, que tenho seis gatos em casa, os CDs têm uma vantagem sobre os LPs: não são uma tentação para os felinos brincarem com um prato girando com uma agulha em cima. Além disso, os antigos discos de vinil também ocupam muito espaço: me desfiz de todos os que eu tinha há mais de quinze anos e nunca me arrependi. E ainda há mais uma vantagem dos CDs sobre os LPs, sob meu ponto de vista: é possível conseguir lançamentos de disquinhos prateados por um preço razoável, ao contrário do que acontece com os vinis. Sim, gosto de CDs mas não de gastar muito dinheiro com isso: como não costumo comprar discos usados, acabo conseguindo por preços módicos lançamentos nacionais de artistas populares como Elvis Presley, The Weeknd, Ariana Grande e Selena Gomez, mas não de outros artistas que também gosto, como Amenra, Wiegedood, Radiohead ou Massive Attack. Isso sem contar Bones e $uicideboy$, né, que não lançam CDs. Morrissey é um caso especial: comprei “Low in high school”, o penúltimo que ele lançou, mas não o mais recente “Dog in a chain”, que não teve versão nacional. E foi numa dessas que acabei comprando “The highlights”, do Weeknd. Coisa de maníaco mesmo: as melhores músicas de um artista que não só eu conheço bem, como tenho em CDs toda a sua obra recente. Mas ficou legal no Instagram, e é a foto que acompanha este texto. Até que comecei a ouvir, e acabei ficando mais e mais surpreso: todos os clássicos dele juntos me deram a impressão de estar ouvindo algo raro, um verdadeiro álbum atemporal. A voz, as melodias, os arranjos… é um equivalente musical de um volume de obras essenciais de algum grande escritor na coleção Penguin-Companhia. E olha que o CD nem tem minha música preferida do Weeknd, “Reminder”, sobre a qual já falei aqui.
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“La Paroi”, de Pierre Moustiers
Literatura
“La Paroi”, de Pierre Moustiers
8 de maio de 2022 0
O francês Pierre Moustiers (1924-2016), aparentemente, é um autor esquecido: sua página na Wikipédia em francês dá pouquíssimos detalhes sobre sua vida e obra e, quando se procura por ele no Google Notícias, não se encontra basicamente nenhuma informação recente.  Eu mesmo não lembro direito como recebi o livro “La paroi” (“o muro” em tradução livre, Bibliothèque do Temps Présent, 256 páginas), seu mais importante romance, vencedor do Grande Prêmio da Academia Francesa em 1969: pela data que eu coloquei na contracapa da minha bela edição em capa dura, eu ganhei o livro no dia 6 de novembro de 1989. Não lembro direito, mas acho que o pessoal da Aliança Francesa resolveu distribuir uns livros para os seus alunos, sabe Deus por quê. Eu me recordo vagamente de tê-lo escolhido, e é isso. Eu o li pouco tempo depois de tê-lo recebido: é uma história de alpinismo, meu medo de altura me fez ter calafrios durante a leitura, e é isso que ficou na minha memória. Acabei relendo “La paroi” recentemente: é uma história de uma relação complicada entre dois alpinistas, Philippe, professor da escola secundária numa pequena cidade do interior, e Anthime, empresário de sucesso. A história começa numa sexta-feira, quando Philippe resolve subir sozinho uma montanha e Anthime, sabendo que o clima não estava favorável para esse tipo de aventura, resolveu seguir o professor na escalada para que ele não tivesse problemas. Philippe despreza o empresário, e a relação entre os dois na subida da montanha é tensa, para dizer o mínimo. A verdade é que “La paroi” é um grande livro, e desenvolve com excelência não só a descrição dos personagens, como a complexa relação entre os dois. Mereceu, sim, o Grande Prêmio da Academia Francesa, e é pena que aparentemente ninguém mais se lembre dele. Pelo menos a Amazon tem mais alguns livros em papel do autor para vender.
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“La ronde de nuit”, de Patrick Modiano
Literatura
“La ronde de nuit”, de Patrick Modiano
1 de maio de 2022 0
Sou fã de Patrick Modiano, Prêmio Nobel de Literatura de 2014. O francês cria histórias que contam, em boa parte de seus romances sempre curtos, histórias baseadas em reminiscências não muito precisas de pessoas, ou de seus descendentes, que se aliaram aos nazistas durante a ocupação alemã na França na Segunda Guerra Mundial. O segundo romance publicado pelo autor, “La ronde de nuit” (a ronda da madrugada, em tradução livre – Folio, 154 páginas, publicado originalmente em 1969) não foge à regra: o personagem-narrador se alia a um grupo que presta serviços à Gestapo Francesa, promove extorsão de pessoas ligadas à Resistência e rouba casas de quem fugiu de Paris devido à ocupação alemã. O narrador também serve de agente duplo e se infiltra num grupo que se opõe aos nazistas. De todos os livros de Patrick Modiano que eu li (ver aqui), “La ronde de nuit” foi o que menos me agradou: a narrativa parece travada mais do que o necessário, a história parece meio inverossímil às vezes, o narrador é menos empático do que o normal nos livros de Modiano.  Ou quem sabe não tenha sido nada disso: um grande problema com a edição da Folio de “La ronde de nuit” é que na sua curta introdução um spoiler decisivo é apresentado logo de cara: possivelmente eu saber como acabaria o livro diminuiu um pouco meu interesse durante a leitura.
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“How to Survive in Ancient Rome”, de L J Trafford
História
“How to Survive in Ancient Rome”, de L J Trafford
25 de abril de 2022 0
“How to Survive in Ancient Rome” (como sobreviver na antiga Roma), de L J Trafford (Pen and Sword History, 176 páginas, lançado originalmente em 2020), é uma espécie de guia turístico para alguém que esteja visitando Roma no ano de 95 d.C., época do imperador Domiciano. O livro traz diversas curiosidades sobre aquela época: como os anos eram contados? Como era o dinheiro? Como as mulheres deveriam se comportar? Como eram os nomes e sobrenomes das pessoas? Como eram as roupas? Como eram a medicina, o direito, a religião e a política da época? Como eram as casas dos ricos e as dos pobres? Os “guias” de “How to Survive in Ancient Rome” são dois personagens, não sei bem se reais ou fictícios, da alta nobreza romana: Titus Flavius Ajax, ex-escravo que acabou obtendo o cargo de secretário especial de Domiciano, e Hortensia, que, “como membro da alta elite romana, pode responder tudo o que você queria saber sobre os ultrarricos da época, mas tem medo de perguntar”. O livro é extremamente divertido e informativo, delicioso para pessoas como eu, que amam a história do Império Romano. E eu não poderia deixar de citar, neste texto, a única vez que o cristianismo é citado no livro: segundo a “guia” Hortensia,  “O atual imperador é muito exigente quanto à manutenção de ritos religiosos e recomendamos que você não demonstre qualquer inclinação para crenças estrangeiras. O imperador baniu sua própria sobrinha, Domitilla, por se converter a esse estranho culto cristão. Ele não hesitaria em fazer o mesmo com você, ou pior.” É um assunto que me fascina: o que será que os antigos romanos, com seus deuses imponentes e grandiosos, achavam de um pessoal – muitos compatriotas entre eles, inclusive – que achava que Deus era um pobre judeu que teve a morte mais humilhante possível, na cruz? Deviam achar estranho, no mínimo. Eu acho que também acharia.
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