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O grupo terrorista Baader-Meinhof: 4. Filme “Se Não Nós, Quem?”
Cinema, História
O grupo terrorista Baader-Meinhof: 4. Filme “Se Não Nós, Quem?”
4 de janeiro de 2026 at 11:13 0

Ao lado do namorado Andreas Baader, Gudrun Ensslin foi a principal liderança do grupo terrorista alemão conhecido popularmente como Baader-Meinhof — embora o nome oficial da organização fosse RAF (Rote Armee Fraktion ou Fração do Exército Vermelho). O apelido jornalístico, curiosamente, destacava a jornalista Ulrike Meinhof em vez de Ensslin.

Nascida em 15 de agosto de 1940, Gudrun teve uma formação marcada pelo brilhantismo intelectual e por uma ética rigorosa herdada de seu pai, um pastor liberal. Estudante de elite e bolsista da Studienstiftung des deutschen Volkes, ela buscou confrontar o silêncio sobre o passado nazista alemão através da literatura e da filosofia. Chegou a fundar uma editora com seu companheiro Bernward Vesper, com quem teve um filho em 1967.

O ponto de ruptura em sua trajetória ocorreu em junho de 1967, quando o assassinato do estudante Benno Ohnesorg pela polícia a convenceu de que o Estado alemão era uma extensão do fascismo, combatível apenas pelas armas. Ao encontrar Andreas Baader, Ensslin abandonou família e carreira para se tornar a força teórica e estratégica do grupo, enxergando nele o executor necessário para colocar em prática sua decisão de transformar o mundo através da violência revolucionária.

O filme alemão Se Não Nós, Quem? (2011), dirigido por Andres Veiel, narra o início da vida de Gudrun (vivida por Lena Lauzemis), concentrando-se em sua relação conturbada com Bernward Vesper (August Diehl). A obra é brilhante ao descrever as inquietações socialistas do casal, o conflito dela com a figura paterna e seu crescente radicalismo — culminando no impacto avassalador da entrada de Andreas Baader (Alexander Fehling) em sua vida. Este filme funciona como um prelúdio perfeito para O Grupo Baader-Meinhof (2008), que retoma a história praticamente onde a obra de Veiel termina. São dois filmes extraordinários, e Lena Lauzemis interpreta a terrorista com a mesma intensidade que Martina Gedeck no filme posterior. No fim, Gudrun Ensslin é uma figura histórica extremamente bem representada no cinema.
Imagem que acompanha o texto obtida no Gemini. Se você estiver interessado em receber este e outros textos meus semanalmente, clique aqui e cadastre seu e-mail.
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