André Forastieri

Música
“O dia em que o rock morreu”, de André Forastieri
13 de agosto de 2020 at 22:03 0
André Forastieri: 180graus

Foi ouvindo o ótimo podcast “Álvaro & Barcinski & Forasta & Paulão”, que é uma retomada do falecido “Garagem”, que fiquei com vontade de ler este “O dia em que o rock morreu” (Arquipélago Editorial, 121 páginas, lançado originalmente em 2017), do jornalista e ex-crítico da Bizz André Forastieri (aliás, Álvaro Pereiro Jr. e André Barcinski, que participam do podcast, também eram críticos da finada revista). Acompanho a carreira de André Forastieri desde, praticamente, seu início, e fiquei interessado em ler este apanhado de textos jornalísticos do autor não só porque ele escreve muito bem, mas também porque, como soube pelo podcast, ele tinha colocado no livro todos os seus textos sobre Kurt Cobain – com direito à única entrevista do cantor do Nirvana quando esteve aqui no Brasil, em 1992.

Enfim, eu sabia que o gosto do André Forastieri é bem diferente do meu – ele odeia Smiths e Morrissey e isso já diz tudo. Mas a leitura de  “O dia em que o rock morreu” foi bem agradável: ele parece arrogante, mas quem conhece o cara do podcast “Álvaro & Barcinski & Forasta & Paulão” pode ter a mesma opinão que eu: ele parece não se levar assim tão a sério, e essa é uma qualidade rara. Sem contar que, não custa repetir, ele escreve bem demais.

O mais bacana ainda, particularmente, foi ele ter explicitado a diferença enorme que existe entre mim e os amantes de rock em geral. Segundo as palavras de André Forastieri,

“o rock foi muito importante para mim, na vida, no amor, no trabalho, na maneira como entendo o mundo. Rock é tesão proibido, coragem suicida, dentes à mostra.”

Falando sobre Jimi Hendrix, ele comenta que:

“ouvir sua guitarra me dá vontade de fazer besteira, e besteiras que nunca fiz. Rock’n’roll é isso.”

Já sobre a banda de punk feminino The Slits, que nunca ouvi, André Forastieri fala que

“(a banda) dizia a que vinha desde o batismo. Era rock barulhento, abrasivo, feminista, multicultural. As meninas não tinham medo de nada.”

Essa fé no poder transformador do rock, da revolta e tudo o que vem junto com ela, de certa forma me desvelou por que sempre senti um certo estranhamento com “roqueiros” (desculpem o termo, que muitos não gostam) em geral: para mim, o rock é só mais um estilo musical, como outros que amo tanto quanto, como blues, pop, rap, erudito e jazz. Um estilo, como todos os outros aliás, com coisas maravilhosas (Morrissey, por exemplo) e detestáveis.

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