Literatura

“O cavaleiro inexistente”, de Italo Calvino

17 de fevereiro de 2019 0
fonte: Stanford University

Agilulfo é um cavaleiro medieval do exército de Carlos Magno que porta o tempo todo uma armadura branca – o tempo todo mesmo, já que ele não existe. Quando abre a viseira do elmo, é o vazio que os demais veem dentro da armadura sempre imaculada. Agilulfo não se alimenta, nunca dorme e é um cavaleiro extremamente compenetrado, corajoso e detalhista. Seu escudeiro teve vários nomes, conforme o lugar do mundo em que morou, e agora é chamado de Gurdulu. Ele é deficiente mental, tem uma força descomunal e um excelente caráter – todo mundo gosta dele. Rambaldo é um jovem que quer lutar nas batalhas contra os “infiéis” muçulmanos para matar o emir Isoarre e assim vingar a morte do pai, o marquês de Rossiglione. Brabante é uma mulher que luta juntamente com os homens, gosta de fazer sexo com os demais soldados e se apaixona por Agilulfo. Já Torrismundo é um jovem cavaleiro que diz ter provas de que o cavaleiro inexistente não defendeu a virgindade de uma donzela quinze anos antes – defesa esta que permitiu a Agilulfo o título de paladino de Carlos Magno.

Os personagens acima são os principais de “O cavaleiro inexistente” (Companhia das Letras, 118 páginas), romance escrito em 1959 pelo escritor italiano Italo Calvino (1923-1985). Sobre o livro, Fernando A. R. de Gusmão escreve, por exemplo, que:

“(…) Em outra vertente, Agilulfo é, também, o homem pós-moderno, fracassado em seu projeto de ser alguém, de ser um ser específico, passando toda a vida como sujeito potencial, sempre reprimido, somente Ser enquanto subordinado aos interesses do Outro – social. Nesse sentido, podemos percebê-lo, também, como um ser-vitrine da atual sociedade/espetáculo, perdido em sua exterioridade, vivendo função de uma contemporaneidade artificial, descartável, que se cumpre na celeridade e na impessoalidade do fast-food, na qual ele não passa de mais um passante/intérprete/plateia do shopping/moda.”

Tudo bem, nada contra. Só que eu, por outro lado, não percebi sentido nenhum em “O cavaleiro inexistente”, que acho que seria um livro até divertido se tivesse apenas um quinto do seu tamanho. Do jeito que foi escrito, suas mais de cem páginas demoram uma eternidade para passar.

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