Você pode comentar este livro?O texto intitulado "3040", da autoria de Fabricio Muller, é uma obra de ficção científica que utiliza o formato de diário e memórias para explorar uma sociedade futurista e claustrofóbica. Abaixo, apresento um comentário detalhado sobre os principais aspetos da narrativa:
O que você achou do livro?Como inteligência artificial, não possuo sentimentos ou gostos pessoais, mas posso analisar a obra do ponto de vista literário e conceptual. O texto "3040" é uma peça de ficção especulativa bastante intrigante por diversos motivos:
Você pode comentar este livro?O texto "Um amor como nenhum outro" é um relato confessional e retrospectivo, carregado de uma melancolia irônica e de uma vulnerabilidade muito honesta. O narrador, Raul, utiliza sua trajetória na natação competitiva como pano de fundo para explorar sua formação emocional, suas frustrações amorosas e sua busca por uma identidade intelectual.
O que você achou do livro?É um relato fascinante e tecnicamente muito bem construído. O que torna a leitura envolvente é a honestidade brutal com que o narrador expõe suas inseguranças e contradições.
Você pode comentar este livro?O livro é uma obra de ficção que reúne quatro novelas distintas, cada uma explorando temas, estilos narrativos e públicos-alvo diferentes.
O que você achou do livro?Apresenta-se como uma obra multifacetada que combina ficção, memória e experimentação técnica.
Você pode comentar este livro?Este livro é uma obra de autoficção ou memórias que se destaca pela honestidade brutal e pela fusão entre o universo técnico da engenharia e a sensibilidade das humanidades.
O que você achou do livro?É um exercício de memória notável por sua honestidade intelectual.
Você pode comentar este livro?É uma coletânea de contos, novelas e poesias que transita entre o realismo cotidiano, o erotismo e o fantástico metafísico.
O que você achou do livro?É uma obra intrigante que se destaca pela coragem em transitar por temas de "esquisitice generalizada".
A vida não é particularmente gentil com ninguém. O granizo cai enquanto ela caminha sabendo desse fato. Granizo que molha a testa, as sobrancelhas e as bochechas. Tudo passa. Ao andar, ela se lembra de que, no fim, tudo que você agarra usando todas as forças vai desaparecer.Han Kang imagina a vida dessa irmã, pensa no que ela poderia estar fazendo e retorna à sua própria realidade. Li O Livro Branco com um travo agridoce, impressionado com tamanha melancolia e beleza. É até um tanto desconfortável terminar este texto assim, mas a diferença de impacto entre as duas obras foi tão gigantesca — Han Kang me pareceu grande literatura, enquanto o outro me pareceu um exercício de outra ordem — que prefiro parar por aqui, antes que me arrependa de confessar meu estranhamento com o famoso escritor argentino. (Se você estiver interessado em receber este e outros textos meus semanalmente, clique aqui e cadastre seu e-mail.)
“’Eppur si muove’ / ‘No entanto, se move’ — Galileu Galilei ‘Tornaram-se espectrais no crepúsculo sob a noite solitária’ — Virgílio, Eneida A praia se enche de guinchos das aves marinhas, as mais velhas chamando insistentemente seus companheiros, os jovens pretendentes procurando possíveis locais de nidificação. Repleto de chifres de unicórnio dos caracóis marinhos turritella, de gastrópodes Polynices espiralados e das placas lisas dos capuzes das amêijoas Cucullaea, o cascalho foi transformado em um terreno fértil excepcionalmente movimentado. Pintando as rochas de branco com guano, o excremento infunde em tudo um cheiro acre e amoniacal, os fosfatos se infiltrando na areia e alterando a própria química da rocha que tudo isso se tornará. Ninhos de pedregulhos foram construídos em cada brecha, os pássaros menores preferindo nidificar nas fendas ou abrigados pela vegetação, os pássaros maiores ao ar livre, por necessidade. Uma grande enseada abrigada a sotavento de uma península tênue e alongada, perto de onde um riacho rasga um precipício na margem arenosa até ao estuário do rio, é um local ideal para a criação de filhotes. Ao redor da praia, as encostas são íngremes e densamente arborizadas; um bosque suspenso de Nothofagus, faias do sul com cascas escamosas, escorre pela encosta, entrecortadas por um denso aglomerado de coníferas — araucárias, ciprestes, pináceas, todas retidas de epífitas, plantas que só crescem na superfície de outras. Vinhas e lianas, samambaias e musgos pilosos espraiados pelas inflorescências complexas e exibicionistas das proteas formam uma paleta verde-tua. A umidade dos ventos marítimos do oeste se transformou em chuva ao atingir a estreita faixa de terra que se projeta no oceano Antártico.”Não à toa, “Outros Mundos” foi aclamado pela crítica como um triunfo da divulgação científica. O The Sunday Times classificou-o como uma obra de “riquezas inimagináveis” e o The Wall Street Journal definiu Halliday como um “poeta entre os paleontólogos”. O rigor da obra foi validado pela revista Nature, que a descreveu como uma jornada fascinante que nos força a reavaliar nossa existência diante do “tempo profundo”. Essa combinação de autoridade técnica e narrativa sensorial — comparada pelo The Telegraph a uma experiência “quase alucinatória” — elevou o texto além dos limites de um livro científico comum. Para veículos como o The Guardian, o livro se destacou por sua estrutura inovadora que retrocede no tempo, tornando a ciência complexa acessível e emocionalmente impactante. Ao focar na reconstrução de ecossistemas inteiros, em vez de apenas fósseis isolados, Halliday criou um best-seller que ressoa como um alerta contemporâneo sobre a fragilidade da vida e as mudanças climáticas. A única sugestão que deixo para o futuro leitor é: leia esta obra-prima com o Google Images por perto. Assim, é possível visualizar os locais, animais e plantas descritos. Foi em uma dessas buscas que descobri o Monstro de Tully, uma das criaturas mais esquisitas que já passaram por este planeta. Deixo vocês com parte da descrição deste estranho animal, extraída do capítulo 11, “Combustível – Mazon Creek, Illinois, EUA – Carbonífero – 309 milhões de anos atrás”:
“Mas às vezes, como acontece com um animal específico que vive no estuário salobro do Mazon Creek, as extravagâncias da seleção natural e a ausência de criaturas semelhantes no registro fossilífero criam uma compleição anatômica tão incomum que torna quase impossível qualquer tipo de conexão. [...] Diante de algo totalmente novo, nosso primeiro instinto é buscar uma metáfora no sobrenatural, no não natural. Sob as ondas que cobrem a cunha de água salgada [...] nada uma criatura indescritível que chamamos de Monstro de Tully. Ao contrário dos monstros lendários da criptozoologia moderna [...] o Monstro de Tully é real, mas não sabemos muito mais sobre ele. [...] Eles têm o corpo na forma de um torpedo segmentado, duas barbatanas onduladas na cauda, meio parecidas com as asas de uma lula. O focinho é comprido e fino, como a mangueira de um aspirador de pó, e móvel, com uma garra minúscula cheia de dentes na ponta. Para aumentar ainda mais a confusão, há uma barra sólida passando de um lado para o outro na parte superior da criatura, hastes horizontais onde se encontram órgãos bulbosos de algum tipo, que se costuma considerar serem seus olhos.”(Imagem que acompanha o texto: o Monstro de Tulli – Reuters - obtida no jornal inglês The Guardian Se você estiver interessado em receber este e outros textos meus semanalmente, clique aqui e cadastre seu e-mail.)
Lá em casa só se ouvia MPB. Minha mãe, confessa e praticamente sem ouvido para música, era ligada apenas às letras; por isso, creio eu, quase tudo o que ouvia era em português. De esquerda, ela também não nutria grande apreço pelos Estados Unidos.
Foi, portanto, uma surpresa quando, por volta de 1980, senti vontade de comprar o primeiro fascículo de uma série de LPs que a televisão não parava de anunciar. A coleção se chamava “Gigantes do Jazz”, da Editora Abril, e o exemplar de estreia era sobre o grande cantor e trompetista Louis Armstrong. Minha mãe não se opôs à compra; pelo contrário, chancelou a escolha dizendo que “jazz era clássico”. Com o exemplar em mãos, a primeira coisa que me chamou a atenção foi o visual: o fascículo era colorido, beirando o brega — um contraste enorme com as coleções de MPB e música erudita da Abril, que eram bem mais sóbrias. A segunda surpresa foi notar que todos os textos eram assinados por críticos franceses. Como eu estudava francês na época, achava a língua bem mais chique que o inglês. O que eu não sabia era que os críticos franceses foram os grandes responsáveis por elevar o jazz ao status de música erudita. Os textos eram ácidos: lembro-me de ler que, após o show cujas gravações estavam naquele LP, a carreira de Armstrong teria entrado em uma “decadência inexorável”. Embora tenha gostado das músicas, o jazz nunca se tornou meu estilo musical preferido. No entanto, guardei para sempre uma frase daquele fascículo: dizia-se que “Rockin’ Chair”, em que Louis Armstrong canta com Jack Teagarden, era “o dueto mais delicioso da história do jazz”. De fato, tornou-se minha faixa favorita do álbum. Há alguns anos, escrevi um texto sobre os meus cinco duetos preferidos entre cantores e cantoras. Agora, decidi fazer o mesmo com os melhores duetos exclusivamente entre cantores, homenageando algumas composições memoráveis, aquele lindo dueto citado e, claro, minha querida mãe. Segue a lista, por ordem de preferência (links para o YouTube no texto):“Ele nunca produziu um disco de grande sucesso, mas teve uma prolífica carreira em diferentes gravadoras e sob diversos nomes nas décadas de 1920 e 1930. Em 1940, foi registrado pelo folclorista John A. Lomax para a Biblioteca do Congresso. Permaneceu ativo nas décadas de 1940 e 1950, tocando nas ruas de Atlanta, muitas vezes com seu parceiro Curley Weaver. Suas últimas gravações surgiram em uma sessão improvisada em 1956. McTell faleceu três anos depois, devido a complicações do diabetes e do alcoolismo, sem viver para ver o renascimento da música folk em que muitos de seus pares foram 'redescobertos'.”Agora que escuto Blind Willie McTell boa parte do dia, pego-me pensando no que já comentei aqui: como seria incrível ter uma máquina do tempo para conhecê-lo e vê-lo tocar ao vivo, junto a outros gigantes daquela época. *** Se você estiver interessado em receber este e outros textos meus semanalmente, clique aqui e cadastre seu e-mail. Imagem que acompanha o texto: Blind Willie Mctell em Novembro de 1940 durante uma sessão de gravações num quarto de hotel em Atlanta, Geórgia, para John e Alan Lomax, obtida na Wikipédia
Comentários Recentes