Literatura

“’Ecos de mi pluma’ – Antología em prosa y verso”, de Sor Juana Inés de la Cruz

14 de abril de 2019 0

Mexicana-espanhola (o México era uma colônia espanhola durante sua vida), Sor Juana Inés de la Cruz (1648-1695) teve uma biografia para lá de inusual: resolveu ser monja – da ordem de São Jerônimo – porque gostava tanto de estudar que achava que a vida religiosa lhe daria a paz necessária para seus estudos. Escreveu comédias, autos sacramentais, exercícios espirituais e uma polêmica argumentação teológica. Deixou também duas cartas, uma dirigida a seu confessor, o jesuíta Antonio Nuñez de Miranda, outra ao bispo de Puebla, Manuel Fernández de Santa Cruz, que contêm valiosíssima informação autobiográfica. Mas foi como poetisa – profana e religiosa – pertencente ao estilo barroco que conseguiu destaque na literatura já em vida, e hoje é considerada um dos maiores expoentes do chamado “Século de Ouro” espanhol.

“’Ecos de mi pluma’ – Antología em prosa y verso” é uma edição conjunta da Penguin-Random House Grupo Editorial e da Universidad Nacional Autónoma de México (408 páginas), e dá um apanhado abrangente da poesia da Sor Juana Inés de la Cruz, além de apresentar as duas cartas citadas acima.

As poesias escolhidas têm uma grande variedade de temas: a ciência (“Primero Sueño” era considerada pela própria poetisa sua obra-prima), o estudo, elogios a pessoas proeminentes, jogos de adivinhação. Um dos temas principais – o que mostra a ousadia da monja – é o amor. A leitura da antologia apresenta dificuldades para o leitor não-especializado no barroco espanhol, conforme as palavras de Martha Lilia Tenorio, a organizadora da edição:


“(…) a poesia barroca está muito distante de nós, e o leitor não habituado a ela topará com usos linguísticos e recursos estilísticos que desconhece ou não entende.”

Para minimizar a dificuldade na leitura das poesias de Sor Juana Inés de la Cruz para o leitor contemporâneo, Martha Lilia Tenorio inseriu um grande número de notas de pé-de-página na edição da antologia: de fato, estas notas esclarecem os muitos trechos obscuros das poesias, mas com perda no ritmo na leitura.

Já as duas cartas escritas pela poetisa presentes na antologia são respostas a acusações, respectivamente de Antonio Nuñez de Miranda e Manuel Fernández de Santa Cruz, de que se dedicava demais à poesia profana e ao estudo: nelas, a grande poetisa mostrava ter também clareza nas ideias e grande capacidade argumentativa.

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