“Fragmentos”, de Marilyn Monroe
Cinema

“Fragmentos”, de Marilyn Monroe

8 de abril de 2018 0

Marilyn Monroe, que praticamente não conseguiu frequentar a escola, tinha uma necessidade enorme de se cultivar. Estava sempre com um livro nas mãos, e gostava de autores difíceis – Joyce, Proust, Flaubert e Steinbeck entre eles. Sua vontade de obter cultura era tão grande que ela chegou a se casar com o grande dramaturgo Arthur Miller.

Segundo as palavras de Ruy Castro, ela “enchia cadernos com seus sonhos, ideias e palavras”. “Fragmentos” (Tordesilhas, 269 páginas) é composto destes “sonhos, ideias e palavras” da grande atriz.

No livro – uma edição caprichadíssima, com textos transcritos e fac-símiles – Marilyn fala sobre suas sessões de análise, seus planos, suas compras. Alguns pensamentos perdidos aqui e ali, alguns poemas. A sensação que dá ao terminar a leitura é estranha: “Fragmentos” dá a impressão de ser a ponta do enorme iceberg que era a mente de Marilyn, sempre fugidia.

Transcrevo aqui dois poemas, para dar uma ideia da coisa:

“Título – Sobre meus poemas

 

Norman – tão difícil de satisfazer

Quando tudo o que quero é tirar lazer…?

E daí que rimou?

O mundo acabou?

Quando ela (nós?) passamos por tudo isso  Após esse tempo na terra”

 

 

“Deixei minha casa de madeira verde rústica –

Um sofá de veludo azul com o qual sonho até agora

Um arbusto escuro à esquerda da porta. Pelo caminho clíquete claque enquanto minha boneca em sua carruagem subia sobre as rachaduras – ‘Iremos longe.’

 

Os prados são imensos a terra (será) dura

Nas minhas costas. O capim ondeou tocava

o azul e nuvens brancas paradas se transformando

de um homem velho para um cachorro sorridente com orelhas ao vento

 

Olha –

Os prados estão alcançando – estão tocando o céu

Deixamos nossos contornos contra / sobre o capim amassado.

Ela morrerá mais cedo porque estávamos lá – algo diferente

terá crescido?

 

Não chore minha boneca não chore

seguro você e a balanço até dormir.

quieta quieta Eu estou estava apenas fingindo que eu (era)

não sou sua mãe que morreu.

 

Alimentarei você do arbusto escuro brilhante

à esquerda da porta.”

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