Adriano
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Adriano

11 de outubro de 2015 0

Primeira cena: num jogo do Campeonato Brasileiro de 2002, Adriano vem correndo com a bola pela lateral esquerda. Dribla um adversário; dribla dois; dribla três. Não tem para quem passar a bola; volta e dribla novamente o jogador que tinha acabado de driblar. Cruza. A jogada não resulta em gol, e Adriano – que tinha corrido alucinadamente – volta mancando. Olha para Bonamigo, faz sinal de quem quer sair. O então técnico do Glorioso faz sinal para que o jogador fique. Adriano fica.
Segunda cena: no Campeonato Paranaense de 2003, no Pinheirão, Tcheco se machuca. Penso comigo: “saiu um craque, só ficou o outro”. Não deu outra: Adriano vai do seu campo ao do adversário correndo com a bola. Cruza para Marcel, que deu a vitória ao Coritiba.

Terceira cena: no campeonato paranaense de 2004, Luiz Mário faz uma jogada pavorosa. A torcida aplaude. Eu comento com meu cunhado: “se fosse o Adriano seria vaiado”. Penso: “Adriano está tão mal que mesmo se acertasse a jogada seria vaiado”.

Quarta cena: hoje, no primeiro tempo, Adriano vai correndo pela esquerda, cruza na cabeça de Tuta, que cabeceia brilhantemente – mas a bola bate, caprichosamente, na trave. “Que pena”, penso comigo. No segundo tempo, numa jogada parecida, Adriano acaba cruzando rasteiro para Tuta, que faz o gol. É quando eu lembro das cenas anteriores.

O que é bonito de lembrar nestas cenas é como Adriano, depois de ser o jogador mais vaiado em campo há pouquíssimo tempo, voltou a ser o craque que desequilibrava – o que ele já não era bem antes do seu péssimo início nesta temporada.

E recentemente ouvi uma entrevista de Adriano (já depois da recuperação de sua forma técnica) que me surpreendeu agradavelmente pela franqueza: ele – numa declaração rara num jogador num futebol – reconhecia que esteve estressado e sem confiança no começo de 2004.

Desculpem-me a obviedade da conclusão, mas vou transcrever as imortais palavras de Paulo Vanzolini para terminar esta coluna:

Chorei, não procurei esconder
Todos viram, fingiram
Pena de mim, não precisava
Ali onde eu chorei
Qualquer um chorava
Dar a volta por cima que eu dei
Quero ver quem dava
Um homem de moral não fica no chão
Nem quer que mulher
Venha lhe dar a mão
Reconhece a queda e não desanima
Levanta, sacode a poeira
E dá a volta por cima

(publicado no site COXAnautas em 21 de março de 2004)

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