A bela cidade e Rondó, de Georg Trakl
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A bela cidade e Rondó, de Georg Trakl

24 de abril de 2015 0

A bela cidade 

Velhos lugares no sol e no silêncio.
Profundamente entrelaçados de ouro e de azul,
Sonhadoras se apressam doces freiras
Sob as faias pesadas de silêncio.

Na claridade castanha das igrejas
Olham a morte as imagens puras,
Os belos brasões de grandes príncipes;
Coroas cintilantes nas igrejas.

Corcéis empinados na fonte.
Garras de flores ameaçando nas árvores.
Meninos brincam bêbados de sonhos
Baixinho o entardecer na fonte.

Meninas de pé perto das portas
Espiam intimidadas as cores da vida.
Seus lábios úmidos estremecem,
Esperando próximas às portas.

Voam ao vento os relógios que ribombam,
Ritmo marcial, apelo das sentinelas
Estrangeiros escutam sobre os degraus.
Alto no azul o órgão ribomba.

Instrumentos luminosos cantam.
Na armação folheada dos jardins
Sibilam os risos das belas damas
Jovens mães baixinho cantam.

Odor secreto nas janelas floridas
De incenso, de alcatrão, de lilás.
Cintilar de prata de pálpebras cansadas
Através das janelas floridas.

 

Rondó

Ele fugiu, o ouro de nossos dias,
Fugiram os pardos, os azuis do anoitecer:
Mortas as flautas do pastor
Fugiram os azuis, os pardos da noite
Ele fugiu, o ouro de nossos dias.

(traduzidos da versão francesa de Jacques Legrand)

 

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