Pikillacta
Viagem

Pikillacta

21 de fevereiro de 2021 0

A região de Cusco, no Peru, é impressionante. Grande parte das pessoas já ouviu falar Macchu Picchu, a cidade inca construída na parte superior de uma montanha nos Andes. Quando eu e minha família fomos para lá, entre o final de 2018 e início de 2019, passamos um dia inteiro fazendo o trajeto Cusco-Macchu Picchu, com meios de transporte que incluíam uma van, um trem e um ônibus tanto na ida quanto na volta. Lá em cima, na antiga cidade inca, eu tive uma crise de pânico por causa da altura da coisa, mas graças a Deus este texto não é sobre isso.

Nos dias a seguir à malfadada – para mim – viagem, saímos com um guia, o querido Irvin Alex Choqque Vargas e fomos conhecer as atrações turísticas da região de Cusco. Uma igreja espetacular num pequeno povoado. Uma barragem inca. Uma outra atração inca em que eu não fui porque não queria saber de lugares altos tão cedo. Uma loja de produtos típicos.

Mas nada disso tinha me preparado para o que eu encontraria em Pikillacta, um antigo centro urbano da civilização Wari. Fiquei impressionado com as ruínas desta enorme cidade, tão grande ou maior que Macchu Picchu, criada por uma civilização da qual eu nunca tinha ouvido falar.

Os  Wari foram um povo pré-Inca que viveu entre os anos 500 e 1100 d.C., numa região que se estendia entre Catamarca, ao norte, e Cusco, ao sul. Uma discussão importante entre os pesquisadores atuais do Império Wari é se este povo era o tipo de conquistador ao estilo dos romanos e mongóis – imperialistas stricto sensu – ou se era simplesmente uma civilização de negociantes, cuja influência nos estilos de cerâmica se dava mais pelo comércio do que outra coisa.

A arquitetura de Pikillacta é toda ortogonal, conforme mostra esta foto aérea obtida do livro de Gordon McEwan, “The Wari Empire in Cuzco”[1]:

O esquema típico das construções era mais ou menos assim, ainda segundo o livro de McEwan:

O mesmo livro apresenta o desenho de um desenho mais amplo de como deveria aparentar um setor a cidade de Pikillacta quando era habitada no ano 700 d.C.:

E uma planta de três setores da cidade:

O estado atual de Pikillacta pode ser visto em algumas fotos que eu tirei no local, a seguir – em algumas delas se pode ver as escavações e pesquisas que estavam sendo feitas.

Próximo à entrada de Pikillacta foi construído um pequeno museu, no qual se pode ver dois fósseis gigantes – bem anteriores ao império Wari – e alguns objetos de cerâmica, conforme mostrado nas fotos a seguir:

A grande atração do pequeno museu, porém, é a armadura – feita em prata – do Señor Huari de Vilcabamba, provavelmente um dirigente Wari, encontrada em 2011 numa região da selva peruana chamada Espíritu Pampa, no distrito de Vilcabamba da província de La Convención, Cuzco.

Abaixo segue a foto da armadura do Señor Huari de Vilcabamba, que também encabeça este texto.

Foi uma pena que começou a relampejar feio quando estávamos em Pikillacta, e nossa visita foi curta. Por mim, teria ficado o dia inteiro lá.

***

Fiquei tão impressionado com Pikillacta que comecei a pesquisar sobre a Civilização Wari, mas acho que comentar sobre essas pesquisas foge um pouco do objetivo deste texto – o que dá para adiantar, de todo modo, é que não se sabe direito para que servia a cidade. Gordon McEwan defende, entre outras coisas, que cerimônias religiosas importantes eram feitas no local. Eu amo este desenho retirado de seu livro, e fico imaginando como seria uma cerimônia religiosa entre as paredes de Pikillacta:

 

 

[1] McEwan, Gordon F. (2009). Pikillacta:. The Wari Empire in Cuzco (em inglês). [S.l.]: University of Iowa Press, p. 20. ISBN 9781587295966

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