Literatura

“Longe das Aldeias”, de Robertson Frizero

20 de outubro de 2019 0
fonte: Facebook

São tantas as qualidades de “Longe das Aldeias”, de Robertson Frizero (77 páginas, Terceiro Selo, lançado em 2015), que é até meio difícil saber por qual começo.  De todo modo, vamos lá.

A primeira coisa que me chamou a atenção no romance é o não dito: é impressionante a quantidade de coisas que não são explícitas. Li “Longe das Aldeias” com a sensação de que estava numa espécie de labirinto, em que alguns caminhos levavam a lugar nenhum, enquanto outros, efetivamente, faziam aumentar a compreensão de onde eu estava.

Acho que o segundo aspecto que me chamou a atenção no romance é o fato de ele ser exatamente o contrário do que eu esperava: conheci Robertson Frizero num grupo (de e-mails, estávamos no fim dos anos 90!) sobre a banda portuguesa Madredeus, que eu amava incondicionalmente, hoje um tantinho a menos, e que o Robertson continua amando do mesmo jeito de sempre (sou meio traidor para música, meus amigos sabem disso). 

Bem, o negócio é que um livro chamado “Longe das Aldeias”, de um escritor fã de Madredeus, na minha cabeça deveria ser um livro bucólico, que trataria da beleza e da melancolia de uma aldeia em Portugal, cheio de saudade, mar, e amor – temas caros à grande banda portuguesa.

Que nada! “Longe das Aldeias” fala de guerra, de genocídio, de sofrimento e famílias destroçadas – e tudo daquela maneira elusiva comentada acima.

E o romance é grande literatura não apenas por causa do comentado acima: a solução que Robertson Frizero dá para os conflitos é brilhante, digna dos grandes mestres. 

Meses depois que acabei de ler esta pequena obra-prima, ainda fico impressionado em com o quanto de coisas o autor conseguiu colocar em apenas 77 páginas.

E, finalmente, você, que me lê, deve estar achando que não falei nada sobre o enredo, né? Fato. É uma homenagem: uma resenha elusiva para uma obra-prima elusiva!

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