Literatura

“Satíricon”, de Petrônio

12 de maio de 2019 0

Para um interessado nos costumes do Império Romano como eu, “Satíricon” (L&PM Pocket, 224 páginas, tradução do latim de Alessandro Zir), de Petrônio (27-66 d.C.), é ao mesmo tempo fascinante e frustrante, conforme explico a seguir.

O livro conta as a história de uma pequena trupe de vagabundos, Encólpio, seu amante Ascilto e seu servo Gitão, além do poeta Eumolpo, que se liga aos três no meio da história. Eles passam por diversas situações – quase sempre cômicas – envolvendo brigas, roubos, um banquete (onde aparece o famoso personagem Trimalquião, ex-escravo, vulgar e riquíssimo), recitações de poesia – sempre criticadas pelos demais personagens – por parte de Eumolpo, uma aventura com uma sacerdotisa do deus Príapo, e muito sexo – inclusive entre menores. A parte do fascínio de “Satíricon” está em que, sendo este um dos únicos romances em prosa da época que sobreviveram até os dias de hoje, é mais ou menos como ler um Balzac (famoso, entre outras coisas, pelo realismo de suas descrições da vida no Terceiro Império francês) do Império Romano: vemos os personagens se perdendo no escuro pois esqueceram suas tochas, participando de rituais pagãos, morando em apartamentos minúsculos, se alimentando em banquetes, se maquiando das maneiras mais esquisitas. E, o que é melhor, “Satíricon” é escrito de maneira debochada e vívida, agradabilíssimo de ler.

A parte frustrante é que a obra chegou até nós incompleta: o livro começa com a ação em andamento e os fragmentos vão ficando cada vez mais esparsos à medida que a ação transcorre. Nunca saberemos o que acabou acontecendo com os anti-heróis Encólpio, Ascilto, Gitão e Eumolpo.

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