A “Jovem Prudente” não é exatamente uma garota: é uma moça de nome María, que trabalha como editora e odeia escritores – todos vaidosos, segundo ela. O apelido foi dado pelo “Casal Perfeito” – um casal mais velho que é admirado diariamente pela “Jovem Prudente” num café em Madri. O casal e a moça apenas se cumprimentam, mas nunca conversam nem sabem os nomes uns dos outros.
Até que ocorre a tragédia: Miguel, o marido do “Casal Perfeito”, é assassinado na rua por um guardador de rua desequilibrado, aparentemente sem motivo algum. A mulher, Luisa, tem a primeira conversa com a María apenas depois do assassinato, e parece incapaz de se reerguer do luto. Desta conversa também acaba participando Javier, o melhor amigo do falecido Miguel – e que acaba tendo um caso amoroso com María. Em pouco tempo a editora descobre que o melhor amigo do marido do “Casal Perfeito” está perdidamente apaixonado por Luisa e que ela mesma, basicamente, não passa de um passatempo sexual para Javier. Acontece muita coisa ainda, mas não dá para contar nada sem estragar a surpresa.
O estilo circular, reflexivo e repetitivo de Javier Marías, neste espetacular “Os Enamoramentos” (Companhia das Letras, 344 páginas), está todo lá, em sua melhor forma. O leitor frequentemente não sabe o que é verdade e o que é mentira na história, contada em primeira pessoa pela editora María.
Isso é o que menos importa: a leitura de Javier Marías é sempre desafiadora e recompensadora.
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