{"id":866,"date":"2015-05-18T02:40:38","date_gmt":"2015-05-18T02:40:38","guid":{"rendered":"http:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=866"},"modified":"2015-05-04T02:50:37","modified_gmt":"2015-05-04T02:50:37","slug":"uma-temporada-de-facoes-em-ruanda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=866","title":{"rendered":"Uma temporada de fac\u00f5es em Ruanda"},"content":{"rendered":"<p>J\u00e1 em 1931 foi introduzida, em Ruanda, a carteira de identidade com men\u00e7\u00e3o \u00e0 etnia &#8211; naquele tempo o pa\u00eds africano era uma col\u00f4nia belga, e os belgas dividiam o poder com monarcas da etnia t\u00fatsi. Em 1959 ocorre a morte do \u00faltimo grande rei t\u00fatsi, Mutara Rudahigwa, que \u00e9 seguida por uma s\u00e9rie de revoltas h\u00fatus que provocam o \u00eaxodo de centenas de milhares de membros da etnia rival. Em 1961 os h\u00fatus ganham as primeiras elei\u00e7\u00f5es legislativas e, no ano seguinte, Ruanda alcan\u00e7a a independ\u00eancia. Em 1973, o general Juv\u00e9nal Habyarimana, h\u00fatu, assume o poder num golpe de estado e a coisa come\u00e7ou a ficar realmente feia para os t\u00fatsis: a propaganda oficial chamava estes de &#8220;baratas&#8221;, ou tamb\u00e9m de &#8220;pretensiosos e arrogantes&#8221; &#8211; j\u00e1 que os t\u00fatsis s\u00e3o em m\u00e9dia mais altos e mais esbeltos que os h\u00fatus. A guerra civil entre as duas etnias vizinhas era iminente. A situa\u00e7\u00e3o em 1994 era totalmente insustent\u00e1vel e o genoc\u00eddio ruand\u00eas, que j\u00e1 estava planejado meses antes, teve como estopim o assassinato, em 6 de abril, do presidente Juv\u00e9nal Habyarimana nos c\u00e9us do aeroporto de Kigali, a capital de Ruanda, pelos guerrilheiros t\u00fatsis da FPR, a Frente Patri\u00f3tica de Ruanda.<!--more--><\/p>\n<p>Uma das coisas impressionantes do genoc\u00eddio de 1994 \u00e9 que os h\u00fatus matavam alucinadamente os t\u00fatsis <em>enquanto<\/em> a FPR (cujos membros, sintomaticamente, s\u00e3o chamados de &#8220;invenc\u00edveis&#8221;) fazia sua grande ofensiva: em 4 de julho, quatro meses depois do in\u00edcio da matan\u00e7a portanto, os guerrilheiros t\u00fatsis assumem Kigali &#8211; e onze dias mais tarde se inicia a fuga de praticamente dois milh\u00f5es de h\u00fatus para os pa\u00edses vizinhos.<\/p>\n<p>Mas, obviamente, muito mais espantosa do que esta vit\u00f3ria t\u00fatsi foi o pr\u00f3prio genoc\u00eddio: em apenas doze semanas depois daquele fat\u00eddico 6 de abril, 800 mil t\u00fatsis foram mortos. Nem mesmo no auge do Holocausto, em 1942, o desempenho dos nazistas na \u00e1rea formada pela Alemanha e pelos quinze pa\u00edses ocupados foi t\u00e3o letal. Esta efici\u00eancia tenebrosa foi obtida porque os h\u00fatus matavam seus vizinhos, seus conhecidos pr\u00f3ximos, seus companheiros em times de futebol: literalmente, todos os t\u00fatsis estavam condenados \u00e0 morte &#8211; por mais que estes falassem a mesma l\u00edngua que os h\u00fatus, morassem nas mesmas ruas e professassem a mesma religi\u00e3o cat\u00f3lica. Impelidos e liderados pelas <em>interahmwe<\/em> &#8211; mil\u00edcias extremistas criadas pelo cl\u00e3 Habyarimana &#8211; e pelas r\u00e1dios de propaganda, e armados em sua maioria apenas com fac\u00f5es, os h\u00fatus matavam suas v\u00edtimas t\u00fatsis &#8211; homens, mulheres e crian\u00e7as &#8211; e saqueavam as casas das v\u00edtimas.<\/p>\n<p>Recentemente foram lan\u00e7ados por aqui um livro e um filme que contam um pouco do que aconteceu no genoc\u00eddio ruand\u00eas: <em>Uma temporada de fac\u00f5es<\/em>, de Jean Hatzfeld (Companhia das Letras, 284 p\u00e1ginas), baseia-se numa s\u00e9rie de depoimentos de dez assassinos h\u00fatus, participantes de um mesmo grupo que agiu nas colinas de Nyamata em 1994, enquanto que <em>Hotel Ruanda<\/em>, produ\u00e7\u00e3o inglesa\/italiana\/sul-africana dirigida por Terry George, conta a hist\u00f3ria real de um gerente\u00a0 de hotel da etnia h\u00fatu que salva 1200 vidas de t\u00fatsis.<\/p>\n<p>O primeiro livro que Jean Hatzfeld lan\u00e7ou sobre o massacre ruand\u00eas nas colinas da Nyamata foi <em>Dans le nu de la vie<\/em> (que ainda n\u00e3o foi lan\u00e7ado por aqui), que contava os fatos a partir de depoimentos dos sobreviventes t\u00fatsis do massacre nas colinas de Nyamata, em Ruanda. Agora, em <em>Uma temporada de fac\u00f5es<\/em>, a perspectiva se inverte: s\u00e3o os perpetradores do genoc\u00eddio na mesma regi\u00e3o que contam a sua vis\u00e3o dos acontecimentos. O fato deles serem todos de um mesmo grupo de amigos e estarem, quando das entrevistas, presos na mesma cadeia, ajudou muito nas entrevistas: isto porque segundo o autor, perpetradores de genoc\u00eddios costumam fugir do assunto ou dizer que apenas seguiam ordens quando interrogados sobre seus atos nas matan\u00e7as. J\u00e1 no caso dos assassinos (que, em sua quase totalidade, a n\u00e3o ser naquelas semanas do genoc\u00eddio, sempre tiveram vidas comuns de pais de fam\u00edlia) de <em>Uma temporada de fac\u00f5es <\/em>o exemplo de confiss\u00e3o de alguns dos membros do grupo acabou por encorajar os demais a tamb\u00e9m contarem a verdade &#8211; ou, pelo menos, parte dela.<\/p>\n<p>E \u00e9 a partir dos depoimentos destes homens que ficamos sabendo que j\u00e1 de h\u00e1 muito os h\u00fatus das colinas de Nyamata tinham suas diferen\u00e7as com os t\u00fatsis da mesma regi\u00e3o: al\u00e9m da propaganda oficial racista do presidente Habyarimana, os t\u00fatsis, em sua quase totalidade pequenos criadores de gado, eram costumeiramente acusados de jogar seus bois para destruir as planta\u00e7\u00f5es dos agricultores h\u00fatus. De todo o modo, estas diferen\u00e7as n\u00e3o faziam prever o que ocorreria em 1994 &#8211; at\u00e9 porque as duas etnias viviam em relativa paz, dividindo muitas vezes, por exemplo, bebidas nos cabar\u00e9s, assentos nas igrejas e nos est\u00e1dios de futebol (a equipe local deste esporte, inclusive, era composta quase que na mesma propor\u00e7\u00e3o por h\u00fatus e t\u00fatsis&#8230; o que n\u00e3o impediu que os jogadores h\u00fatus assassinassem os t\u00fatsis do mesmo time durante o genoc\u00eddio).<\/p>\n<p>Quando chegou o dia do in\u00edcio da matan\u00e7a, os <em>interahmwe<\/em> chamaram os homens h\u00fatus para o campo de futebol, que era o centro das opera\u00e7\u00f5es na regi\u00e3o. A cada perpetrador foi dado, basicamente, um fac\u00e3o &#8211; note-se que os h\u00fatus, agricultores, tinham grande destreza no uso deste equipamento &#8211; e a seguinte ordem: &#8220;mate todos os t\u00fatsis que puder&#8221;. N\u00e3o havia outra ordem.<\/p>\n<p>E assim, depois de um caf\u00e9 da manh\u00e3 com bastante carne, muito mais refor\u00e7ado que o normal &#8211; a regi\u00e3o \u00e9 pobre -, os homens h\u00fatus iam para os p\u00e2ntanos, ou para onde fosse necess\u00e1rio, matar seus &#8220;inimigos&#8221; t\u00fatsis. O m\u00e9todo de matar era basicamente &#8220;cortar&#8221; a v\u00edtima, ou seja, fazer um corte profundo no pesco\u00e7o. No final da tarde os <em>interahmwe<\/em> chamavam os perpetradores de novo para o est\u00e1dio de futebol: era quando acabavam os &#8220;trabalhos&#8221; (exatamente como se este fosse um &#8220;trabalho&#8221; como outro qualquer). Aos h\u00fatus tamb\u00e9m era permitido roubar tudo o que fosse poss\u00edvel das propriedade de suas v\u00edtimas.<\/p>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o dos assassinos entrevistados por Jean Hatzfeld com o seu passado genocida varia muito de indiv\u00edduo para indiv\u00edduo: alguns t\u00eam pesadelos at\u00e9 hoje, outros ainda tremem ao lembrar do &#8220;olhar terr\u00edvel&#8221; que os t\u00fatsis lhes lan\u00e7avam pouco antes de morrer, alguns pedem perd\u00e3o a Deus ou aos sobreviventes. Mas o remorso n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o presente na mente de outros deles, que at\u00e9 hoje se lamentam da oportunidade que perderam quando da derrota dos h\u00fatus para a FPR. O que mais impressiona o leitor, entretanto, \u00e9 que quase todos os assassinos recordam daquela \u00e9poca como um tempo de comida farta, de muita alegria e bebida, e de muitos despojos de guerra. Na \u00e9poca, eles n\u00e3o achavam que estavam fazendo algo errado, n\u00e3o mesmo.<\/p>\n<p><em>Uma temporada de fac\u00f5es <\/em>\u00e9 um livro extraordin\u00e1rio. Al\u00e9m dos depoimentos impressionantes que Jean Hatzfeld consegue obter tanto dos assassinos quanto de algumas v\u00edtimas sobreviventes, em muitos cap\u00edtulos o autor brinda o leitor com coment\u00e1rios de aguda penetra\u00e7\u00e3o e bom senso. Outro aspecto positivo da obra \u00e9 a absoluta falta de qualquer tipo de racismo de Hatzfeld (branco, franc\u00eas, mas nascido em Madagascar) com rela\u00e7\u00e3o aos negros que s\u00e3o assunto de seu livro. Nenhum coment\u00e1rio pejorativo quanto \u00e0 mis\u00e9ria deles, nenhuma absurda teoria de inferioridade racial. Muito pelo contr\u00e1rio ali\u00e1s, o genoc\u00eddio perpetrado pelos arianos alem\u00e3es na Segunda Guerra Mundial contra ciganos e judeus serve como termo de compara\u00e7\u00e3o freq\u00fcente em <em>Uma temporada de fac\u00f5es<\/em>.<\/p>\n<p>Mas pensando bem, depois dos muitas vezes sofisticados depoimentos sobre assuntos como perd\u00e3o e reden\u00e7\u00e3o que Hatzfeld consegue obter tanto de assassinos quanto de v\u00edtimas, n\u00e3o tinha como abrir espa\u00e7o para o racismo mesmo. Afinal de contas, pode-se dizer, de certa forma, que o genoc\u00eddio est\u00e1 em <em>outro plano<\/em> da exist\u00eancia (ver mais detalhes abaixo).<\/p>\n<p>J\u00e1 <em>Hotel Ruanda <\/em>\u00e9 uma esp\u00e9cie de <em>Lista de Schindler <\/em>dos massacres de Ruanda. Ele conta a hist\u00f3ria real de Paul Rusesabagina (vivido com maestria por Don Cheadle), um gerente de hotel de luxo em Kigali que \u00e9 casado com uma t\u00fatsi. Quando come\u00e7a o genoc\u00eddio, v\u00e1rios parentes t\u00fatsis de sua mulher come\u00e7am a pedir abrigo para ele. No in\u00edcio ele consegue salv\u00e1-los com subornos aos h\u00fatus e, com o passar dos dias, mais e mais fugitivos do massacre v\u00eam pedir abrigo no hotel &#8211; que vira uma grande campo de refugiados t\u00fatsis. Para salvar mais de 1200 t\u00fatsis e sua pr\u00f3pria vida (como se pode imaginar, h\u00fatus contr\u00e1rios ao massacre n\u00e3o eram exatamente bem aceitos entre os perpetradores: o livro <em>Uma temporada de fac\u00f5es<\/em> inclusive mostra exemplos tr\u00e1gicos a respeito), Rusesabagina conta com uma enorme coragem e esperteza &#8211; mas uma n\u00e3o menor dose de sorte.<\/p>\n<p>Embora o filme possa ser criticado por contar uma hist\u00f3ria edificante no meio de um massacre horrendo, <em>Hotel Ruanda <\/em>impressiona por v\u00e1rios motivos: ele \u00e9 bastante fiel \u00e0 atmosfera violent\u00edssima do genoc\u00eddio; mostra com precis\u00e3o o poder das r\u00e1dios h\u00fatus nos massacres; e, por \u00faltimo mas n\u00e3o menos importante, descreve com agudez a atitude vil dos governos ocidentais na ocasi\u00e3o &#8211; s\u00e3o inesquec\u00edveis e horripilantes as cenas em que amigos t\u00fatsis e brancos s\u00e3o obrigados a se separar, j\u00e1 que o Ocidente enviou para fora de Ruanda <em>apenas as pessoas de pele clara<\/em> (em <em>Uma temporada de fac\u00f5es<\/em>, ali\u00e1s, tamb\u00e9m \u00e9 descrita a dram\u00e1tica a separa\u00e7\u00e3o for\u00e7ada de freiras brancas e t\u00fatsis em Nyamata &#8211; sendo que nenhuma das \u00faltimas sobreviveu para contar a hist\u00f3ria).<\/p>\n<p>Nos informamos a respeito de genoc\u00eddios, conforme escreveu Susan Sontag na apresenta\u00e7\u00e3o de <em>Uma temporada de fac\u00f5es<\/em>, basicamente num esfor\u00e7o de entender o que aconteceu. Mas isto, penso eu, n\u00e3o \u00e9 assim t\u00e3o f\u00e1cil.<\/p>\n<p>Conforme escreve Jean Hatzfeld em seu livro, confundir crimes de guerra (como aqueles do Iraque ou da B\u00f3snia) &#8220;mesmo estes quando tendem, em sua loucura, a subjugar uma comunidade civil&#8221;, com um genoc\u00eddio, que \u00e9 &#8220;um projeto expl\u00edcito e organizado de exterm\u00ednio, \u00e9 um mal-entendido intelectual e pol\u00edtico, sintom\u00e1tico de nossa cultura do sensacionalismo&#8221;. Conforme acrescenta Christine Nyiransabimana, uma das v\u00edtimas t\u00fatsis sobreviventes entrevistadas pelo autor de <em>Uma temporada de fac\u00f5es<\/em>, &#8220;h\u00e1 uma guerra quando as autoridades querem derrubar outras autoridades para instalar-se no lugar delas. Um genoc\u00eddio \u00e9 uma etnia que quer enterrar outra etnia. O genoc\u00eddio ultrapassa a guerra, porque a inten\u00e7\u00e3o dura para sempre, mesmo se n\u00e3o for coroada de sucesso.&#8221;<\/p>\n<p>E isto, definitivamente, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil de se entender. Como diz Sylvie, outra sobrevivente t\u00fatsi entrevistada por Hatzfeld,\u00a0&#8220;se nos detemos demais no medo do genoc\u00eddio, perdemos a esperan\u00e7a. Perdemos o que conseguimos salvar da vida. Arriscamo-nos a ser contaminados por outra loucura. Quando penso no genoc\u00eddio, num momento calmo, reflito para saber onde encaix\u00e1-lo na exist\u00eancia, mas n\u00e3o acho lugar nenhum. Quero dizer que isto n\u00e3o \u00e9 mais humano.&#8221;<\/p>\n<p><em>(texto publicado em outubro de 2005 no extinto site B*Scene)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>J\u00e1 em 1931 foi introduzida, em Ruanda, a carteira de identidade com men\u00e7\u00e3o \u00e0 etnia &#8211; naquele tempo o pa\u00eds africano era uma col\u00f4nia belga, e os belgas dividiam o poder com monarcas da etnia t\u00fatsi. Em 1959 ocorre a morte do \u00faltimo grande rei t\u00fatsi, Mutara Rudahigwa, que \u00e9 seguida por uma s\u00e9rie de revoltas h\u00fatus que provocam o \u00eaxodo de centenas de milhares de membros da etnia rival. Em 1961 os h\u00fatus ganham as primeiras elei\u00e7\u00f5es legislativas e, no ano seguinte, Ruanda alcan\u00e7a a independ\u00eancia. Em 1973, o general Juv\u00e9nal Habyarimana, h\u00fatu, assume o poder num golpe de estado e a coisa come\u00e7ou a ficar realmente feia para os t\u00fatsis: a propaganda oficial chamava estes de &#8220;baratas&#8221;, ou tamb\u00e9m de &#8220;pretensiosos e arrogantes&#8221; &#8211; j\u00e1 que os t\u00fatsis s\u00e3o em m\u00e9dia mais altos e mais esbeltos que os h\u00fatus. A guerra civil entre as duas etnias vizinhas era iminente. A situa\u00e7\u00e3o em 1994 era totalmente insustent\u00e1vel e o genoc\u00eddio ruand\u00eas, que j\u00e1 estava planejado meses antes, teve como estopim o assassinato, em 6 de abril, do presidente Juv\u00e9nal Habyarimana nos c\u00e9us do aeroporto de Kigali, a capital de Ruanda, pelos guerrilheiros t\u00fatsis da FPR, a Frente Patri\u00f3tica de Ruanda.<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":867,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"image","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[54],"tags":[158],"class_list":["post-866","post","type-post","status-publish","format-image","has-post-thumbnail","hentry","category-historia","tag-ruanda","post_format-post-format-image"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/866","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=866"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/866\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":871,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/866\/revisions\/871"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/867"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=866"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=866"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=866"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}