{"id":828,"date":"2015-05-11T01:27:16","date_gmt":"2015-05-11T01:27:16","guid":{"rendered":"http:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=828"},"modified":"2015-05-11T12:48:08","modified_gmt":"2015-05-11T12:48:08","slug":"agradecimento-a-andre-forastieri-e-rogerio-de-campos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=828","title":{"rendered":"Agradecimento a Andr\u00e9 Forastieri e Rog\u00e9rio de Campos"},"content":{"rendered":"<blockquote><p><strong>Carta publicada na Revista Bizz, edi\u00e7\u00e3o 97, de agosto de 1993:<\/strong><\/p>\n<p>Nunca (mas nunca mesmo) me senti t\u00e3o ofendido com uma mat\u00e9ria da BIZZ quanto com aquela infeliz rela\u00e7\u00e3o dos &#8220;piores de todos os tempos&#8221;. Afinal o que se pode dizer de uma rela\u00e7\u00e3o que coloca como &#8220;oitavo pior disco&#8221; o Meat is Murder, dos Smiths? Foi a brincadeira mais sem gra\u00e7a que j\u00e1 li nesta revista.<\/p>\n<p>O pior \u00e9 que o coment\u00e1rio que acompanha cada disco \u00e9 impessoal &#8211; parece que \u00e9 a opini\u00e3o da revista. Voc\u00eas, que se consideram t\u00e3o fod\u00f5es e corajosos, por que n\u00e3o publicaram a lista de cada cr\u00edtico? E n\u00e3o me digam que faltou espa\u00e7o, afinal voc\u00eas gastaram dez (dez, meu Deus!) p\u00e1ginas com a mais med\u00edocre e pretensiosa banda do mundo, os Tit\u00e3s (com direito a conveniente puxada de saco por parte do sr. Carlos Eduardo Miranda). \u00c9 de chorar.<\/p>\n<p>Fabricio M\u00fcller<\/p>\n<p>Curitiba &#8211; Pr<\/p>\n<p><strong>Resposta da Revista:<\/strong><\/p>\n<p>Primeiro: n\u00e3o foi a reda\u00e7\u00e3o da BIZZ que elegeu aquela lista e sim um conjunto de vinte cr\u00edticos. Segundo: n\u00e3o publicamos a vota\u00e7\u00e3o pessoal de cada um porque n\u00e3o tinha espa\u00e7o &#8211; e agora \u00e9 que n\u00e3o vamos publicar mesmo, porque voc\u00eas s\u00e3o uns fan\u00e1ticos sem senso de humor e perigam sair ca\u00e7ando a pau quem detonou os Smiths (como o Rog\u00e9rio, por exemplo).<\/p><\/blockquote>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Como \u00e9 f\u00e1cil imaginar, a carta que eu enviei para a Bizz foi escrita com \u00f3dio. \u00d3dio contra a revista, \u00f3dio contra os cr\u00edticos que colocaram um disco dos Smiths numa lista de &#8220;piores de todos os tempos&#8221; &#8211; mas, quem sabe, este \u00f3dio deveria ter sido voltado contra mim mesmo.<\/p>\n<p>Quando comprei a primeira revista Bizz &#8211; foi aquela &#8220;famosa&#8221;, que dizia que a Patsy Kensit iria ultrapassar o sucesso da Madonna &#8211; parecia que um mundo novo se abria para mim. Ao contr\u00e1rio de bandas consagradas como Rolling Stones e Beatles, a Bizz se concentrava mesmo em bandas que eu nunca tinha ouvido falar: Jesus and Mary Chain, The Smiths, The Cure. As roupas dessas novas bandas eram bonitas, o visual da revista era sofisticado, as resenhas &#8211; principalmente as de Jos\u00e9 Augusto Lemos &#8211; eram extremamente bem escritas. Aquele era um mundo n\u00e3o s\u00f3 novo como maravilhoso. Eu, que sempre relutei em prestar aten\u00e7\u00e3o no rock &#8211; era muito mais ligado em m\u00fasica cl\u00e1ssica, jazz e MPB &#8211; finalmente tive um bom motivo para entrar de cabe\u00e7a no &#8220;movimento&#8221;. E tinha o guia certo para isto. Tinha meu manual. Tinha meu &#8220;livro guia&#8221; de pensamentos sobre a m\u00fasica pop.<\/p>\n<p>Com o tempo a minha verdadeira rela\u00e7\u00e3o de fanatismo com a m\u00fasica pop, e com a Bizz em particular, s\u00f3 aumentou. Logo eu era um dos maiores conhecedores do assunto dentro da minha turminha. Todo os meses era uma agonia esperar pelo dia em que, finalmente, chegaria a minha revista preferida. Ia v\u00e1rias vezes, v\u00e1rios dias antes, a v\u00e1rias bancas para ver se a revista tinha chegado. Ganhei uma assinatura de presente de uma ex-namorada, mas foi uma p\u00e9ssima id\u00e9ia: a revista estava sempre nas bancas antes do que na minha casa, e eu ficava t\u00e3o desesperado que acabava comprando a revista na pr\u00f3pria banca mesmo. Assim que finalmente abria a revista, lia avidamente tudo o que podia, o mais r\u00e1pido que podia. V\u00e1rias leituras eram feitas dos mesmos textos (tanto que sei muitas cr\u00edticas quase de cor at\u00e9 hoje).<\/p>\n<p>\u00c9 claro que este fanatismo todo tinha um s\u00e9rio inconveniente: eu simplesmente n\u00e3o conseguia discordar da opini\u00e3o da revista. Era \u00f3bvio que o maior nome da m\u00fasica dos anos 80 foi o Prince (algu\u00e9m ainda pensa assim?); era \u00f3bvio que as tr\u00eas melhores bandas de todos os tempos eram Echo and the Bunnymen, The Doors e Velvet Underground (como assim?); era \u00f3bvio que os quatro primeiros discos do Talking Heads eram geniais (o qu\u00ea???). Isto chegava a pegar mal.<\/p>\n<p>As coisas come\u00e7aram a mudar quando o grunge apareceu, e quando Andr\u00e9 Forastieri apareceu na revista. Estes dois fatores foram transformando uma revista sofisticada numa outra que pregava o barulho acima de tudo &#8211; e, o que era pior, a Bizz come\u00e7ou a ficar cada vez mais rasteira, cada vez mais apelativa. Muito embora o talento da escrita do Forastieri fosse ineg\u00e1vel, tamb\u00e9m me parece claro que a Bizz come\u00e7ou a cair de n\u00edvel depois de sua chegada.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o \u00e9 assim que um grande amor acaba &#8211; ele normalmente acaba aos pouquinhos. Apesar de estranhar os novos rumos da Bizz, quase comprei uma bermuda grunge na \u00e9poca &#8211; s\u00f3 n\u00e3o o fiz por que eu j\u00e1 tinha passado da idade para isto. Conheci a banda que mais influiu no som do grunge, o Black Sabbath da fase Ozzy Osbourne, da qual sou f\u00e3 at\u00e9 hoje. Comecei a ouvir as barulheiras que a revista recomendava &#8211; e, atualmente, gosto de barulhos ainda mais ensurdecedores do que os daquela \u00e9poca.<\/p>\n<p>Mas a desilus\u00e3o s\u00f3 veio mais forte mesmo quando o Forastieri e o Rog\u00e9rio de Campos deram nota 1 e zero, respectivamente, para a obra-prima Your Arsenal, do Morrissey (um dos meus discos preferidos, na lista que fiz para o site Tsc,Tsc,Tsc). E pouco tempo depois veio a maldita lista dos &#8220;piores discos de todos os tempos&#8221;, que tinha a obra-prima Meat is Murder dos Smiths em oitavo lugar. Das 24 cartas publicadas na Bizz sobre o assunto &#8211; quase todas xingando os cr\u00edticos &#8211; apenas a minha foi respondida. Nem adiantou o Jos\u00e9 Augusto Lemos, na mesma edi\u00e7\u00e3o da revista em que minha carta foi publicada, numa cr\u00edtica aonde deu nota m\u00e1xima para o disco ao vivo Beethoven Was Deaf, do Morrissey, ter escrito que quem votou nos Smiths para aquela lista de piores na verdade disfar\u00e7ou sua &#8220;homofobia&#8221; num &#8220;humor de borracharia&#8221;.<\/p>\n<p>Era tarde demais. Finalmente percebi que tinha dado muito mais import\u00e2ncia para cr\u00edticas e cr\u00edticos do que eles realmente mereciam. E \u00e9 por isto que o \u00f3dio, mostrado na carta do in\u00edcio deste texto, deveria ter sido voltado contra mim mesmo &#8211; e n\u00e3o contra os pobres Forastieri e Campos, que nada mais fizeram, afinal de contas, do que me abrir os olhos.<\/p>\n<p><em>(texto escrito em 2004)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carta publicada na Revista Bizz, edi\u00e7\u00e3o 97, de agosto de 1993: Nunca (mas nunca mesmo) me senti t\u00e3o ofendido com uma mat\u00e9ria da BIZZ quanto com aquela infeliz rela\u00e7\u00e3o dos &#8220;piores de todos os tempos&#8221;. Afinal o que se pode dizer de uma rela\u00e7\u00e3o que coloca como &#8220;oitavo pior disco&#8221; o Meat is Murder, dos Smiths? Foi a brincadeira mais sem gra\u00e7a que j\u00e1 li nesta revista. O pior \u00e9 que o coment\u00e1rio que acompanha cada disco \u00e9 impessoal &#8211; parece que \u00e9 a opini\u00e3o da revista. Voc\u00eas, que se consideram t\u00e3o fod\u00f5es e corajosos, por que n\u00e3o publicaram a lista de cada cr\u00edtico? E n\u00e3o me digam que faltou espa\u00e7o, afinal voc\u00eas gastaram dez (dez, meu Deus!) p\u00e1ginas com a mais med\u00edocre e pretensiosa banda do mundo, os Tit\u00e3s (com direito a conveniente puxada de saco por parte do sr. Carlos Eduardo Miranda). \u00c9 de chorar. Fabricio M\u00fcller Curitiba &#8211; Pr Resposta da Revista: Primeiro: n\u00e3o foi a reda\u00e7\u00e3o da BIZZ que elegeu aquela lista e sim um conjunto de vinte cr\u00edticos. Segundo: n\u00e3o publicamos a vota\u00e7\u00e3o pessoal de cada um porque n\u00e3o tinha espa\u00e7o &#8211; e agora \u00e9 que n\u00e3o vamos publicar mesmo, porque voc\u00eas s\u00e3o uns fan\u00e1ticos sem senso de humor e perigam sair ca\u00e7ando a pau quem detonou os Smiths (como o Rog\u00e9rio, por exemplo).<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":830,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"image","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[153],"class_list":["post-828","post","type-post","status-publish","format-image","has-post-thumbnail","hentry","category-musica","tag-revista-bizz","post_format-post-format-image"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/828","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=828"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/828\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":912,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/828\/revisions\/912"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/830"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=828"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=828"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=828"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}