{"id":654,"date":"2015-04-14T04:30:44","date_gmt":"2015-04-14T04:30:44","guid":{"rendered":"http:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=654"},"modified":"2015-04-22T01:28:56","modified_gmt":"2015-04-22T01:28:56","slug":"arrependimentos-sobre-meu-velho-roupao-ou-conselhos-aqueles-que-tem-mais-gosto-que-riqueza-por-denis-diderot","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=654","title":{"rendered":"Arrependimentos sobre meu velho roup\u00e3o ou Conselhos \u00e0queles que t\u00eam mais gosto que riqueza, por Denis Diderot"},"content":{"rendered":"<p><em>(texto traduzido em 2003)<\/em><\/p>\n<p>Por que n\u00e3o o guardei? Ele era feito para mim, eu era feito para ele. Ele se moldava a todas as dobras do meu corpo sem incomod\u00e1-lo; eu era pitoresco e belo. N\u00e3o havia nenhum desejo ao qual a sua indulg\u00eancia n\u00e3o se prestasse; isto porque a indig\u00eancia \u00e9 quase sempre extraoficial. Um livro estava coberto de poeira, e um de seus panos se oferecia para limp\u00e1-lo. A tinta se espessava e se recusava a caminhar na minha pena, e ele apresentava seu flanco. Via-se nele, tra\u00e7ado em longos raios negros, os frequentes trabalhos que ele me tinha feito. Esses raios longos anunciavam o literato, o escritor, o homem que trabalha. Hoje em dia tenho o ar de uma vagabundo. N\u00e3o se sabe quem sou.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Sob o seu abrigo, eu n\u00e3o temia nem a falta de jeito de um criado, nem a minha, nem os estilha\u00e7os do fogo, nem o derramamento da \u00e1gua. Eu era o senhor absoluto do meu velho roup\u00e3o; tornei-me escravo do novo. O drag\u00e3o que vigiava a l\u00e3 de ouro n\u00e3o era mais inquieto que eu. A preocupa\u00e7\u00e3o me cerca, me domina.<\/p>\n<p>O velho apaixonado que se entrega, p\u00e9s e punhos amarrados, aos caprichos, \u00e0 merc\u00ea de uma jovem louca, diz desde a manh\u00e3 at\u00e9 a noite: &#8220;Onde est\u00e1 minha boa, minha velha governanta? Que dem\u00f4nio me cegou no dia em que eu a expulsei por esta aqui?&#8221; Depois ele chora, ele suspira.<\/p>\n<p>Eu n\u00e3o choro, eu n\u00e3o suspiro; mas a cada instante digo: maldito seja aquele que inventou a arte de dar um pre\u00e7o ao tecido comum ao tingi-lo de escarlate! Maldita seja a preciosa vestimenta que venero! Onde est\u00e1 meu antigo, meu c\u00f4modo trapo? Meus amigos, guardem seus velhos amigos. Meus amigos, temam a chegada da riqueza. Que o meu exemplo os instrua. A pobreza tem suas franquezas, a riqueza tem seus constrangimentos.<\/p>\n<p>\u00d3 Di\u00f3genes! Se voc\u00ea visse o seu disc\u00edpulo sob o faustoso manto de Aristipo, como voc\u00ea riria! \u00d3 Aristipo, este manto faustoso foi pago com um bom n\u00famero de baixezas. Que compara\u00e7\u00e3o entre a sua vida covarde, rasteira, afeminada, e a vida livre e s\u00f3lida do c\u00ednico andrajoso! Eu deixei o barril onde reinava para ser submisso a um tirano.<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o \u00e9 tudo, meu amigo. Escute os efeitos nocivos do luxo, as consequ\u00eancias de um luxo importante.<\/p>\n<p>Meu velho roup\u00e3o era um entre os outros velhos cacos que me cercavam. Uma cadeira de palha, uma mesa de madeira, uma tape\u00e7aria de Bergame, uma t\u00e1bua de pinheiro que sustentava alguns livros, algumas estampas enegrecidas pelo tempo, sem moldura, pregadas pelos cantos sobre esta tape\u00e7aria; entre estas estampas, tr\u00eas ou quatro gessos suspensos faziam, com meu velho roup\u00e3o, a indig\u00eancia mais harmoniosa.<\/p>\n<p>Tudo est\u00e1 em desacordo. N\u00e3o h\u00e1 mais conjunto, n\u00e3o h\u00e1 mais unidade, n\u00e3o h\u00e1 mais beleza.<\/p>\n<p>Uma nova governanta est\u00e9ril que sucede algu\u00e9m num presbit\u00e9rio, a mulher que entra na casa de um vi\u00favo, o ministro que substitui outro ministro com a reputa\u00e7\u00e3o arruinada, o prelado molinista que se apodera da diocese de um prelado jansenista n\u00e3o causam mais problemas que o escarlate intruso causou na minha casa.<\/p>\n<p>Eu posso suportar sem desgosto a vista de uma camponesa. Este peda\u00e7o de pano grosseiro que cobre sua cabe\u00e7a; esta cabeleira que cai esparsa sobre suas bochechas; estes farrapos esburacados que a vestem pela metade; esta m\u00e1 roupa de baixo que s\u00f3 vai at\u00e9 a metade de suas pernas; estes p\u00e9s nus e cobertos de lama n\u00e3o podem me machucar: \u00e9 a imagem de um estado que respeito; \u00e9 o conjunto de desgra\u00e7as de uma condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria e infeliz que eu lamento. Mas meu cora\u00e7\u00e3o dispara; e, apesar da atmosfera perfumada que a segue, eu afasto os meus passos e desvio o olhar desta cortes\u00e3 com penteado a pontos da Inglaterra, e os punhos esgar\u00e7ados, as meias e os sapatos sujos me mostram a mis\u00e9ria do dia associada \u00e0 opul\u00eancia da v\u00e9spera.<\/p>\n<p>Tal teria sido meu domic\u00edlio, se o escarlate imperioso n\u00e3o tivesse colocado tudo sob seu un\u00edssono.<\/p>\n<p>Eu vi a Bergame ceder a parede, na qual ela estava h\u00e1 tanto tempo ligada, ao forro de tecido adamascado.<\/p>\n<p>Duas estampas que n\u00e3o eram sem m\u00e9rito: &#8220;O man\u00e1 no deserto&#8221;, de Poussin, e &#8220;Esther diante de Xerxes&#8221;, tamb\u00e9m dele; uma vergonhosamente expulsa por uma anci\u00e3 de Rubens, que \u00e9 a triste Esther; o &#8220;man\u00e1&#8221; dissipado por uma &#8220;Tempestade&#8221; de Vernet.<\/p>\n<p>A cadeira de palha largada na antec\u00e2mara pelo sof\u00e1 de couro de luxo.<\/p>\n<p>Homero, Virg\u00edlio, Hor\u00e1cio, C\u00edcero, socorrer a fraca pe\u00e7a de pinheiro curvada sob sua massa, e se fechar num arm\u00e1rio ricamente ornado, asilo mais digno deles do que de mim.<\/p>\n<p>Um grande espelho se apoderar da coifa da minha lareira.<\/p>\n<p>Estes dois lindos gessos que obtive gra\u00e7as \u00e0 amizade de Falconet, consertados por ele mesmo, deslocados por uma V\u00eanus agachada. A argila moderna destru\u00edda pelo bronze antigo.<\/p>\n<p>A mesa de madeira ainda disputava terreno, a salvo por uma multid\u00e3o de brochuras amontoadas desordenadamente e que pareciam ter o dever de subtra\u00ed-la muito tempo do destino cruel que a amea\u00e7ava. Um dia ela teve a sua sorte selada, e, apesar da minha pregui\u00e7a, as brochuras e os pap\u00e9is foram se enfileirar nas garras de uma escrivaninha preciosa.<\/p>\n<p>Instinto funesto de conveni\u00eancias! Tato delicado e ruinoso, gosto sublime que muda, que desloca, que edifica, que inverte; que esvazia os cofres dos pais; que deixa as filhas sem dote, os filhos sem educa\u00e7\u00e3o; que faz tantas coisas belas e t\u00e3o grandes males, voc\u00ea que substituiu na minha casa a fatal e preciosa mesa de madeira; \u00e9 voc\u00ea quem perde as na\u00e7\u00f5es; \u00e9 voc\u00ea que, quem sabe um dia, conduzir\u00e1 todos os meus pertences sobre a ponte Saint-Michel, onde vai se ouvir a voz rouca de um juiz gritar: uma V\u00eanus agachada por vinte lu\u00edses.<\/p>\n<p>Havia um \u00e2ngulo vazio ao lado da minha janela. Este \u00e2ngulo pedia uma secretaria, que ele acabou obtendo.<\/p>\n<p>Outro vazio desagrad\u00e1vel, entre a prancheta da secretaria e o belo retrato de Rubens, foi preenchido por dois La Gen\u00e9e.<\/p>\n<p>Aqui est\u00e1 uma Madalena do mesmo artista; ali, um esbo\u00e7o de Vien ou de Marchy; porque eu tamb\u00e9m me interessava em esbo\u00e7os. E foi assim que o reduto edificante do fil\u00f3sofo se transformou no gabinete escandaloso do publicano. Eu insulto assim a mis\u00e9ria nacional.<\/p>\n<p>Da minha mediocridade inicial, s\u00f3 restou um tapete franjado. Este tapete mesquinho n\u00e3o combina com meu luxo, eu o sinto. Mas eu jurei e eu juro, j\u00e1 que os p\u00e9s de Denis o fil\u00f3sofo jamais pisar\u00e3o numa obra-prima da Savonnerie, que eu manterei comigo este tapete, assim como um campon\u00eas transferido de sua palho\u00e7a para o pal\u00e1cio de seu soberano guarda seus velhos sapatos. Quando, de manh\u00e3, coberto com o suntuoso escarlate, eu entro em meu gabinete, se\u00a0 abaixo a vista percebo o meu velho tapete franjado; ele me lembra meu primeiro estado, e a vaidade para na entrada do meu cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o, meu amigo, n\u00e3o: eu n\u00e3o estou corrompido. Minha porta se abre sempre \u00e0 necessidade daquele que me procura; ele me encontra com a mesma afabilidade. Eu o escuto, o aconselho, o socorro, me apiedo dele. Minha alma n\u00e3o se endureceu; meu nariz n\u00e3o se empinou. Minhas costas est\u00e3o boas e redondas, como continuar\u00e3o a estar daqui em diante. \u00c9 o mesmo tom de franqueza; \u00e9 a mesma sensibilidade. Meu luxo \u00e9 de data recente e o veneno ainda n\u00e3o agiu. Mas com o tempo, quem sabe o que pode acontecer? O que esperar daquele que deixou de lado sua mulher e sua filha, que se endividou, que cessou de ser esposo e pai, e que, ao inv\u00e9s de deixar no fundo de um cofre fiel, uma soma \u00fatil&#8230;<\/p>\n<p>\u00d3, santo profeta! Levante sua m\u00e3o ao c\u00e9u, reze por um amigo em perigo, diga a Deus: se voc\u00ea vir nos seus decretos eternos que a riqueza vai corromper o cora\u00e7\u00e3o de Denis, n\u00e3o poupe as obras-primas que ele idolatra; destrua-as e o reconduza \u00e0 sua primeira pobreza; e eu direi ao c\u00e9u de minha porta: \u00f3 Deus! Eu me resigno \u00e0 ora\u00e7\u00e3o do santo profeta e \u00e0 sua vontade! Eu lhe abandono tudo; sim, tudo, com exce\u00e7\u00e3o do Vernet. Ah, me deixe o Vernet! N\u00e3o \u00e9 o artista, \u00e9 voc\u00ea que o fez. Respeite a obra da amizade e a mantenha. Veja este farol, veja esta torre adjacente que se ergue \u00e0 direita; veja esta velha \u00e1rvore que os ventos despeda\u00e7aram. Como esta massa \u00e9 bela! Abaixo desta massa obscura, veja estes rochedos cobertos de vegeta\u00e7\u00e3o. \u00c9 assim que sua m\u00e3o possante os formou; \u00e9 assim que sua m\u00e3o benfeitora os revestiu. Veja esta esplanada desigual, que desce dos p\u00e9s dos rochedos at\u00e9 o mar. \u00c9 a imagem das degrada\u00e7\u00f5es que voc\u00ea permitiu que o tempo exercesse sobre as coisas mais s\u00f3lidas do mundo. O seu sol teria iluminado de outro modo? Deus! Se voc\u00ea destruir esta obra, dir-se-\u00e1 que voc\u00ea \u00e9 um Deus ciumento. Tenha piedade dos infelizes esparsos sobre esta margem. N\u00e3o \u00e9 suficiente para voc\u00ea ter-lhes mostrado o fundo dos abismos? Voc\u00ea s\u00f3 os salvou para perd\u00ea-los? Escute a s\u00faplica deste que lhe agradece. Ajude os esfor\u00e7os daquele que re\u00fane os tristes restos de sua fortuna. Feche os ouvidos para as impreca\u00e7\u00f5es deste furioso: que pena! Ele se prometeu retornos t\u00e3o vantajosos! Ele tinha pensado no repouso e na aposentadoria, ele estava na sua \u00faltima viagem. Cem vezes a caminho, ele calculou por seus dedos o fundo de sua fortuna, ele tinha arranjado emprego para ela: e, ent\u00e3o, todas suas esperan\u00e7as foram frustradas; mal lhe restou o que lhe cobrisse os membros nus. Seja tocado pela ternura destes dois esposos. Veja o terror que voc\u00ea inspirou a esta mulher. Ela lhe rende gra\u00e7as pelo mal que voc\u00ea n\u00e3o lhe fez. Entretanto, seu filho, muito jovem para saber do perigo a que voc\u00ea lhe exp\u00f4s, e tamb\u00e9m a seu pai e a sua m\u00e3e, se ocupa do fiel companheiro de viagem; ele segura a coleira de seu cachorro. Tenha piedade do inocente. Veja esta m\u00e3e que acabou de sair das \u00e1guas com seu esposo; n\u00e3o \u00e9 por ela mesma que ela tremeu, mas por seu filho. Veja como ela o abra\u00e7a contra seu seio; veja como ela o beija. \u00d3 Deus! Reconhe\u00e7a as \u00e1guas que voc\u00ea criou. Reconhe\u00e7a-as, quando seu sopro as agita, e quando sua m\u00e3o as pacifica. Reconhe\u00e7a as nuvens sombrias que voc\u00ea juntou, e que lhe agradou dissipar. Assim que elas se separam, elas se distanciam, e o claro do astro do dia renasce sobre a face das \u00e1guas; eu pressagio a calma neste horizonte avermelhado. Como \u00e9 distante, este horizonte! Ele n\u00e3o se confina com o mar. O c\u00e9u desce mais abaixo e parece girar em volta do globo. Acabe de clarear este c\u00e9u; acabe de devolver ao mar sua tranquilidade. Permita a estes marinheiros fazer o seu navio afundado navegar novamente; ajude o seu trabalho; d\u00e1-lhes for\u00e7as, e deixe a mim o meu quadro. Deixe-me, como a vara que com a qual voc\u00ea castigar\u00e1 o homem v\u00e3o. J\u00e1 n\u00e3o sou eu que sou visitado, \u00e9 o Vernet que as pessoas v\u00eam admirar na minha casa. O pintor humilhou o filosofo.<\/p>\n<p>\u00d3 meu amigo, o belo Vernet que eu possuo! O motivo \u00e9 o fim de uma tempestade sem uma cat\u00e1strofe desagrad\u00e1vel. As \u00e1guas ainda est\u00e3o agitadas; o c\u00e9u coberto de nuvens; os marinheiros se ocupam de seu navio afundado; os habitantes acorrem das montanhas vizinhas. Como este artista tem esp\u00edrito! N\u00e3o lhe foi necess\u00e1rio mais do que um pequeno n\u00famero de figuras principais para juntar todas as circunst\u00e2ncias do instante que ele escolheu. Como toda esta cena \u00e9 verdadeira! Como tudo est\u00e1 pintado com ligeireza, facilidade e vigor! Eu quero guardar este testemunho de sua amizade. Eu quero que\u00a0 meu genro lhe transmita a seus filhos, e estes aos filhos que nascer\u00e3o deles.<\/p>\n<p>Se voc\u00ea visse o belo conjunto deste peda\u00e7o; como tudo ali est\u00e1 harmonioso; como as causas e consequ\u00eancias se encadeiam; como tudo se faz valer sem esfor\u00e7o e sem preparo; como estas montanhas da direita s\u00f3 vaporosas; como estes rochedos e os edif\u00edcios sobre eles s\u00f3 belos; como esta \u00e1rvore \u00e9 pitoresca; como esta esplanada \u00e9 iluminada; como a luz se degrada; como estas figuras s\u00f3 dispostas, verdadeiras, agitadas, naturais, vivas; como elas interessam; a for\u00e7a com a qual elas s\u00f3 pintadas; a pureza com a qual elas s\u00f3 desenhadas; como elas se destacam do fundo; a enorme extenso deste espa\u00e7o; a verdade destas \u00e1guas; estas nuvens, este c\u00e9u, este horizonte!\u00a0 Aqui o fundo \u00e9 privado de luz e a frente \u00e9 iluminada, ao contr\u00e1rio da t\u00e9cnica comum. Venha ver meu Vernet. Mas n\u00e3o mo subtraia.<\/p>\n<p>Com o tempo, as d\u00edvidas ser\u00e3o quitadas; o remorso se acalmar\u00e1; e eu terei uma satisfa\u00e7\u00e3o pura. N\u00e3o tema que o furor de amontoar belas coisas me domine. Os amigos que eu tinha, ainda tenho; e o n\u00famero n\u00e3o aumentou. Eu tenho La\u00eds, mas ela n\u00e3o me tem. Feliz entre seus bra\u00e7os, estou prestes a ced\u00ea-la \u00e0quele que eu amarei e que ela tornar\u00e1 mais feliz que eu. E para lhe dizer meu segredo ao ouvido, esta La\u00eds, que se vende t\u00e3o cara aos outros, n\u00e3o me custou nada.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(texto traduzido em 2003) Por que n\u00e3o o guardei? Ele era feito para mim, eu era feito para ele. Ele se moldava a todas as dobras do meu corpo sem incomod\u00e1-lo; eu era pitoresco e belo. N\u00e3o havia nenhum desejo ao qual a sua indulg\u00eancia n\u00e3o se prestasse; isto porque a indig\u00eancia \u00e9 quase sempre extraoficial. Um livro estava coberto de poeira, e um de seus panos se oferecia para limp\u00e1-lo. A tinta se espessava e se recusava a caminhar na minha pena, e ele apresentava seu flanco. Via-se nele, tra\u00e7ado em longos raios negros, os frequentes trabalhos que ele me tinha feito. Esses raios longos anunciavam o literato, o escritor, o homem que trabalha. Hoje em dia tenho o ar de uma vagabundo. 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