{"id":6429,"date":"2026-09-20T03:33:21","date_gmt":"2026-09-20T06:33:21","guid":{"rendered":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=6429"},"modified":"2026-09-20T03:33:21","modified_gmt":"2026-09-20T06:33:21","slug":"entre-o-mito-da-internet-e-a-realidade-das-termopilas-uma-resenha-de-the-spartans","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=6429","title":{"rendered":"Entre o Mito da Internet e a Realidade das Term\u00f3pilas: Uma Resenha de &#8220;The Spartans&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Acho dif\u00edcil para algu\u00e9m fascinado por Hist\u00f3ria n\u00e3o se fascinar tamb\u00e9m por Esparta. A cidade-estado grega, grande inimiga e, \u00e0s vezes, aliada de Atenas, \u00e9 famosa por sua educa\u00e7\u00e3o extremamente r\u00edgida e por moldar seus cidad\u00e3os, basicamente, para que fossem excelentes guerreiros. O historiador Thiago Braga fez alguns v\u00eddeos em seu canal do YouTube (<em>Bras\u00e3o de Armas<\/em>) avacalhando com a coragem e o car\u00e1ter dos espartanos e, para tirar a cisma, resolvi procurar algum livro que descrevesse a hist\u00f3ria real da cidade. Em uma r\u00e1pida pesquisa na internet, o primeiro escolhido foi &#8220;The Spartans&#8221;, de Paul Cartledge (Channel Four Books, 285 p\u00e1ginas, ano de publica\u00e7\u00e3o original: 2002). Embora apresente elementos da trajet\u00f3ria completa da cidade, desde as origens at\u00e9 o per\u00edodo helen\u00edstico, o livro se concentra basicamente no Per\u00edodo Cl\u00e1ssico da Gr\u00e9cia Antiga (s\u00e9culos V a.C. e IV a.C.), que representa o auge do poder militar, pol\u00edtico e cultural de Esparta.<\/p>\n<p>Muito do que o historiador comenta \u00e9 surpreendente para algu\u00e9m, como eu, desconhecedor da hist\u00f3ria espartana. Por exemplo, as mulheres da cidade tinham muito mais liberdade \u2014 inclusive a de serem propriet\u00e1rias \u2014 que as correspondentes gregas da mesma \u00e9poca: s\u00e3o muitas as cr\u00edticas, vindas at\u00e9 de intelectuais como Arist\u00f3teles, em rela\u00e7\u00e3o a como os espartanos obedeciam \u00e0s suas esposas e m\u00e3es, e como as garotas estudavam quase como os rapazes, fazendo inclusive exerc\u00edcios nuas ou com pouqu\u00edssima roupa. Os espartanos tamb\u00e9m eram profundamente religiosos, deixando de guerrear se os aug\u00farios n\u00e3o fossem bons. Outro detalhe que me chamou a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 que os guerreiros deixavam seus cabelos longos, ao contr\u00e1rio do costume de quase toda a Antiguidade Cl\u00e1ssica \u2014 inclusive a romana. E, vale ressaltar, Paul Cartledge declara que, sim, os espartanos eram combatentes formid\u00e1veis e que a hist\u00f3ria dos \u201c300\u201d \u2014 quando tr\u00eas mil e trezentos soldados gregos, liderados por trezentos espartanos e pelo Rei Le\u00f4nidas, sacrificaram-se heroicamente no estreito desfiladeiro das Term\u00f3pilas para atrasar o massivo ex\u00e9rcito persa e inspirar a uni\u00e3o da Gr\u00e9cia \u2014 aconteceu praticamente do jeito que a lenda conta.<\/p>\n<p>Infelizmente, \u201cThe Spartans\u201d entra em detalhes excessivos sobre diversos personagens da hist\u00f3ria local \u2014 n\u00e3o \u00e0 toa o t\u00edtulo da tradu\u00e7\u00e3o em portugu\u00eas \u00e9 \u201cOs Espartanos\u201d \u2014, tornando a leitura um pouco confusa para quem ainda n\u00e3o est\u00e1 familiarizado com o tema, como eu.<\/p>\n<p>Apesar disso, \u00e9 um livro brilhante sobre uma sociedade realmente fascinante.<\/p>\n<hr \/>\n<p><em>Imagem obtida no ChatGPT<\/em><\/p>\n<p><em>Se voc\u00ea estiver interessado em receber este e outros textos meus semanalmente por e-mail, clique <a href=\"https:\/\/fabriciomuller.substack.com\/p\/entre-o-mito-da-internet-e-a-realidade?r=2m0pd&amp;utm_campaign=post&amp;utm_medium=web&amp;showWelcomeOnShare=true\">aqui<\/a> e cadastre seu e-mail<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Acho dif\u00edcil para algu\u00e9m fascinado por Hist\u00f3ria n\u00e3o se fascinar tamb\u00e9m por Esparta. 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Muito do que o historiador comenta \u00e9 surpreendente para algu\u00e9m, como eu, desconhecedor da hist\u00f3ria espartana. Por exemplo, as mulheres da cidade tinham muito mais liberdade \u2014 inclusive a de serem propriet\u00e1rias \u2014 que as correspondentes gregas da mesma \u00e9poca: s\u00e3o muitas as cr\u00edticas, vindas at\u00e9 de intelectuais como Arist\u00f3teles, em rela\u00e7\u00e3o a como os espartanos obedeciam \u00e0s suas esposas e m\u00e3es, e como as garotas estudavam quase como os rapazes, fazendo inclusive exerc\u00edcios nuas ou com pouqu\u00edssima roupa. Os espartanos tamb\u00e9m eram profundamente religiosos, deixando de guerrear se os aug\u00farios n\u00e3o fossem bons. Outro detalhe que me chamou a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 que os guerreiros deixavam seus cabelos longos, ao contr\u00e1rio do costume de quase toda a Antiguidade Cl\u00e1ssica \u2014 inclusive a romana. 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