{"id":6346,"date":"2026-07-06T18:36:17","date_gmt":"2026-07-06T21:36:17","guid":{"rendered":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=6346"},"modified":"2026-07-06T18:36:17","modified_gmt":"2026-07-06T21:36:17","slug":"a-ilusao-da-camisa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=6346","title":{"rendered":"A ilus\u00e3o da camisa"},"content":{"rendered":"<p>Acho que a maioria dos brasileiros \u2013 e muita gente pelo mundo \u2013 considera o futebol brasileiro o melhor do mundo. Quando acontece uma derrota dram\u00e1tica em fases intermedi\u00e1rias da Copa do Mundo, \u00e9 frequente buscar um culpado: \u00e9 o t\u00e9cnico, \u00e9 o jogador, \u00e9 a prepara\u00e7\u00e3o, \u00e9 qualquer coisa.<\/p>\n<p>Mas eu tenho uma ideia meio diferente, que parece \u00f3bvia, mas quem sabe n\u00e3o seja: as Copas do Mundo n\u00e3o s\u00e3o jogadas por pa\u00edses, mas por alguns jogadores por pa\u00eds. Acho que me manquei disso quando vi a festa no vesti\u00e1rio da Espanha depois da vit\u00f3ria em 2010: eram alguns sujeitos pulando, em fila \u2013 se n\u00e3o me engano, eram divididos entre os pr\u00f3 e contra a independ\u00eancia da Catalunha, mas minha mem\u00f3ria pode estar me enganando. Era um pequeno grupo de homens, n\u00e3o era \u201cA Espanha\u201d. A Espanha \u00e9 um pa\u00eds enorme, com v\u00e1rios milh\u00f5es de habitantes.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, cada vez mais eu me conven\u00e7o de que n\u00e3o existe o \u201cfutebol brasileiro\u201d em Copas do Mundo; existe um pequeno grupo de jogadores que representa os milh\u00f5es de brasileiros. E \u00e9 a\u00ed que o excepcional faz diferen\u00e7a. Ou algu\u00e9m acha que Pel\u00e9 e Garrincha n\u00e3o foram os principais respons\u00e1veis pelos primeiros t\u00edtulos mundiais do Brasil? Rom\u00e1rio por 1994, Rivaldo e Ronaldo por 2002? Zidane por 1998 e o vice em 2006? Maradona por 1986, Messi por 2022, Mbapp\u00e9 por 2018?<\/p>\n<p>\u00c9 claro que existem outros fatores, claro: em 1982 Zico n\u00e3o conseguiu ganhar uma Copa do Mundo, nem Cruyff em 1974, nem Pusk\u00e1s em 1954. Mas s\u00e3o inesquec\u00edveis. E \u00e0s vezes um conjunto \u00e9 t\u00e3o bem azeitado que o time passa a ser o excepcional, como provavelmente aconteceu na supracitada Espanha em 2010, e com a Alemanha em 2014.<\/p>\n<p>Mas o que conta mesmo, numa Copa do Mundo, n\u00e3o \u00e9 o pa\u00eds. \u00c9 um ou dois jogadores num pequeno grupo.<\/p>\n<p>Como Flavio Prado falou ontem, Haaland nasceu na Noruega; se tivesse nascido no Brasil, a gente venceria. O excepcional, como tantas vezes acontece, fez a diferen\u00e7a em mais uma derrota da sele\u00e7\u00e3o brasileira, que s\u00f3 teve um jogador excepcional desde 2002: Neymar, que quase sempre esteve sem condi\u00e7\u00f5es f\u00edsicas ideais nas Copas do Mundo de que participou.<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p>Se voc\u00ea estiver interessado em receber meus textos semanalmente, clique <a href=\"https:\/\/open.substack.com\/pub\/fabriciomuller\/p\/a-ilusao-da-camisa-por-que-os-paises?r=2m0pd&amp;utm_campaign=post&amp;utm_medium=web&amp;showWelcomeOnShare=true\">aqui<\/a> e cadastre seu e-mail.<\/p>\n<p>Imagem obtida no Google Gemini.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Acho que a maioria dos brasileiros \u2013 e muita gente pelo mundo \u2013 considera o futebol brasileiro o melhor do mundo. 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Ent\u00e3o, cada vez mais eu me conven\u00e7o de que n\u00e3o existe o \u201cfutebol brasileiro\u201d em Copas do Mundo; existe um pequeno grupo de jogadores que representa os milh\u00f5es de brasileiros. E \u00e9 a\u00ed que o excepcional faz diferen\u00e7a. Ou algu\u00e9m acha que Pel\u00e9 e Garrincha n\u00e3o foram os principais respons\u00e1veis pelos primeiros t\u00edtulos mundiais do Brasil? Rom\u00e1rio por 1994, Rivaldo e Ronaldo por 2002? Zidane por 1998 e o vice em 2006? Maradona por 1986, Messi por 2022, Mbapp\u00e9 por 2018? \u00c9 claro que existem outros fatores, claro: em 1982 Zico n\u00e3o conseguiu ganhar uma Copa do Mundo, nem Cruyff em 1974, nem Pusk\u00e1s em 1954. Mas s\u00e3o inesquec\u00edveis. E \u00e0s vezes um conjunto \u00e9 t\u00e3o bem azeitado que o time passa a ser o excepcional, como provavelmente aconteceu na supracitada Espanha em 2010, e com a Alemanha em 2014. Mas o que conta mesmo, numa Copa do Mundo, n\u00e3o \u00e9 o pa\u00eds. \u00c9 um ou dois jogadores num pequeno grupo. Como Flavio Prado falou ontem, Haaland nasceu na Noruega; se tivesse nascido no Brasil, a gente venceria. O excepcional, como tantas vezes acontece, fez a diferen\u00e7a em mais uma derrota da sele\u00e7\u00e3o brasileira, que s\u00f3 teve um jogador excepcional desde 2002: Neymar, que quase sempre esteve sem condi\u00e7\u00f5es f\u00edsicas ideais nas Copas do Mundo de que participou. *** Se voc\u00ea estiver interessado em receber meus textos semanalmente, clique aqui e cadastre seu e-mail. 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