{"id":6343,"date":"2026-07-05T15:21:51","date_gmt":"2026-07-05T18:21:51","guid":{"rendered":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=6343"},"modified":"2026-07-05T15:21:51","modified_gmt":"2026-07-05T18:21:51","slug":"olhando-de-perto-o-desejo-uma-critica-de-delta-de-venus-de-anais-nin","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=6343","title":{"rendered":"Olhando de perto o desejo: Uma cr\u00edtica de Delta De V\u00eanus, de Ana\u00efs Nin"},"content":{"rendered":"<p>A primeira vez que li \u201cDelta de V\u00eanus\u201d, de Ana\u00efs Nin (L&amp;PM, 304 p\u00e1ginas, traduzido por L\u00facia Brito, ano de publica\u00e7\u00e3o original: 1977) eu n\u00e3o gostei muito. A autora, nascida em na Fran\u00e7a em 1903 e falecida em Los Angeles, Estados Unidos, em 1977, tinha autorizado a publica\u00e7\u00e3o dos contos er\u00f3ticos que fazem parte do livro e que tinham sido escritos muito antes, no in\u00edcio dos anos 1940, para um cliente rico que queria ler hist\u00f3rias de cunho sexual expl\u00edcito. Amante do grande escritor Henry Miller, Ana\u00efs Nin usava tanto hist\u00f3rias pessoais quanto dos amigos pr\u00f3ximos para escrever os contos.<\/p>\n<p>Tr\u00eas coisas me desagradaram sobremaneira na primeira leitura: a maneira como os personagens entram nas hist\u00f3rias sem nenhuma apresenta\u00e7\u00e3o: l\u00e1 pelas tantas, um nome (Pierre, por exemplo) aparece como se o leitor soubesse quem ele \u00e9; muitas vezes temas terr\u00edveis como pedofilia, estupro e necrofilia aparecem sem nenhum julgamento moral; muitos temas complexos \u2013 mulheres com desejos masculinos, homens fr\u00e1geis psicologicamente \u2013 s\u00e3o descritos com uma m\u00e3o pesada, com a autora descrevendo o comportamento dos personagens sem deixar nenhum espa\u00e7o para o leitor chegar a uma conclus\u00e3o por si s\u00f3.<\/p>\n<p>Nesta releitura, esta frieza da descri\u00e7\u00e3o me agradou bem mais: Ana\u00efs Nin n\u00e3o julga ningu\u00e9m, e n\u00e3o demonstra nenhuma simpatia por quem quer que seja, sejam homens ou mulheres \u2013 por mais que ela tenha sido avan\u00e7ada, em termos sociol\u00f3gicos, por escrever sobre assuntos t\u00e3o pesados h\u00e1 tanto tempo, \u00e9 at\u00e9 interessante que sua vis\u00e3o do sexo n\u00e3o tem absolutamente nada de feminista: em seus contos, homens e mulheres t\u00eam suas vidas totalmente chacoalhadas por puls\u00f5es sexuais violentas, e ela se coloca na posi\u00e7\u00e3o de quem n\u00e3o est\u00e1 ali para julgar.<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p><em>Imagem obtida no Google Gemini.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A primeira vez que li \u201cDelta de V\u00eanus\u201d, de Ana\u00efs Nin (L&amp;PM, 304 p\u00e1ginas, traduzido por L\u00facia Brito, ano de publica\u00e7\u00e3o original: 1977) eu n\u00e3o gostei muito. A autora, nascida em na Fran\u00e7a em 1903 e falecida em Los Angeles, Estados Unidos, em 1977, tinha autorizado a publica\u00e7\u00e3o dos contos er\u00f3ticos que fazem parte do livro e que tinham sido escritos muito antes, no in\u00edcio dos anos 1940, para um cliente rico que queria ler hist\u00f3rias de cunho sexual expl\u00edcito. Amante do grande escritor Henry Miller, Ana\u00efs Nin usava tanto hist\u00f3rias pessoais quanto dos amigos pr\u00f3ximos para escrever os contos. Tr\u00eas coisas me desagradaram sobremaneira na primeira leitura: a maneira como os personagens entram nas hist\u00f3rias sem nenhuma apresenta\u00e7\u00e3o: l\u00e1 pelas tantas, um nome (Pierre, por exemplo) aparece como se o leitor soubesse quem ele \u00e9; muitas vezes temas terr\u00edveis como pedofilia, estupro e necrofilia aparecem sem nenhum julgamento moral; muitos temas complexos \u2013 mulheres com desejos masculinos, homens fr\u00e1geis psicologicamente \u2013 s\u00e3o descritos com uma m\u00e3o pesada, com a autora descrevendo o comportamento dos personagens sem deixar nenhum espa\u00e7o para o leitor chegar a uma conclus\u00e3o por si s\u00f3. 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