{"id":6307,"date":"2026-06-13T23:20:56","date_gmt":"2026-06-14T02:20:56","guid":{"rendered":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=6307"},"modified":"2026-06-13T23:20:56","modified_gmt":"2026-06-14T02:20:56","slug":"a-perfeicao-ficcional-e-o-peso-da-memoria-em-vida-querida-de-alice-munro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=6307","title":{"rendered":"A Perfei\u00e7\u00e3o Ficcional e o Peso da Mem\u00f3ria em &#8220;Vida Querida&#8221;, de Alice Munro"},"content":{"rendered":"<p>Em seus muitos contos, a canadense Alice Munro (1931-2024), Pr\u00eamio Nobel de Literatura de 2013, saudada como \u201cmestre do conto contempor\u00e2neo\u201d, escreveu sobre casais em crise, relacionamentos extraconjugais, hist\u00f3rias mal contadas e segredos de fam\u00edlia. \u00c9 uma autora que frequentemente focou suas narrativas em n\u00facleos familiares ou de pessoas pr\u00f3ximas, sempre num tom intimista. Embora alguns acontecimentos hist\u00f3ricos \u2014 como a Segunda Guerra ou a libera\u00e7\u00e3o sexual dos anos 1960 \u2014 tenham sua import\u00e2ncia em certos contos, normalmente eles s\u00e3o apenas pano de fundo para o que est\u00e1 sendo narrado. As hist\u00f3rias de Alice Munro normalmente se passam no Canad\u00e1, mas poderiam se passar em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Li recentemente \u201cVida querida\u201d (Companhia das Letras, 320 p\u00e1ginas, traduzido por Caetano W. Galindo, ano de publica\u00e7\u00e3o original: 2012), que \u00e9 o \u00faltimo livro que ela escreveu. Gostei muito de contos como o angustiante \u201cAmundsen\u201d, o tr\u00e1gico \u201cCascalho\u201d, e de narrativas quase contemplativas e que cobrem longos per\u00edodos temporais, como \u201cOrgulho\u201d e \u201cTrem\u201d. Mas o meu preferido mesmo foi \u201cCorrie\u201d, que fala sobre uma mulher rica e independente que mant\u00e9m um caso secreto de anos com um homem casado: o arranjo parece perfeito, at\u00e9 que uma revela\u00e7\u00e3o mostra que o relacionamento era baseado em uma mentira muito profunda.<\/p>\n<p>Os \u00faltimos quatro contos do livro \u2014 \u201cO Olho\u201d, \u201cNoite\u201d, \u201cVozes\u201d e \u201cVida Querida\u201d \u2014 trazem, segundo a pr\u00f3pria autora, hist\u00f3rias biogr\u00e1ficas contadas pela primeira vez. Apesar do interesse natural que os f\u00e3s \u2014 entre os quais me incluo \u2014 tenham em saber mais sobre a vida de Alice Munro, n\u00e3o tem como n\u00e3o achar que, literariamente, essas hist\u00f3rias s\u00e3o um pouco inferiores ao normal da autora, que recebeu o \u00fanico Pr\u00eamio Nobel, at\u00e9 hoje, dado a algu\u00e9m especialista em contos.<\/p>\n<p>A verdade \u00e9 que as hist\u00f3rias de Alice Munro s\u00e3o quase sempre literariamente espetaculares e perfeitamente acabadas, enquanto os \u00faltimos contos de \u201cVida querida\u201d parecem apenas um ajuste de contas da escritora com sua m\u00e3e.<\/p>\n<hr \/>\n<p><em>Se voc\u00ea estiver interessado em receber este e outros textos meus semanalmente, clique <a href=\"https:\/\/open.substack.com\/pub\/fabriciomuller\/p\/curitiba-de-dalton-trevisan-entre?r=2m0pd&amp;utm_campaign=post&amp;utm_medium=web&amp;showWelcomeOnShare=true\">aqui<\/a> e cadastre seu e-mail.<\/em><\/p>\n<p><em>Imagem que acompanha o texto obtida no Gemini.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em seus muitos contos, a canadense Alice Munro (1931-2024), Pr\u00eamio Nobel de Literatura de 2013, saudada como \u201cmestre do conto contempor\u00e2neo\u201d, escreveu sobre casais em crise, relacionamentos extraconjugais, hist\u00f3rias mal contadas e segredos de fam\u00edlia. \u00c9 uma autora que frequentemente focou suas narrativas em n\u00facleos familiares ou de pessoas pr\u00f3ximas, sempre num tom intimista. Embora alguns acontecimentos hist\u00f3ricos \u2014 como a Segunda Guerra ou a libera\u00e7\u00e3o sexual dos anos 1960 \u2014 tenham sua import\u00e2ncia em certos contos, normalmente eles s\u00e3o apenas pano de fundo para o que est\u00e1 sendo narrado. As hist\u00f3rias de Alice Munro normalmente se passam no Canad\u00e1, mas poderiam se passar em S\u00e3o Paulo. Li recentemente \u201cVida querida\u201d (Companhia das Letras, 320 p\u00e1ginas, traduzido por Caetano W. Galindo, ano de publica\u00e7\u00e3o original: 2012), que \u00e9 o \u00faltimo livro que ela escreveu. Gostei muito de contos como o angustiante \u201cAmundsen\u201d, o tr\u00e1gico \u201cCascalho\u201d, e de narrativas quase contemplativas e que cobrem longos per\u00edodos temporais, como \u201cOrgulho\u201d e \u201cTrem\u201d. Mas o meu preferido mesmo foi \u201cCorrie\u201d, que fala sobre uma mulher rica e independente que mant\u00e9m um caso secreto de anos com um homem casado: o arranjo parece perfeito, at\u00e9 que uma revela\u00e7\u00e3o mostra que o relacionamento era baseado em uma mentira muito profunda. Os \u00faltimos quatro contos do livro \u2014 \u201cO Olho\u201d, \u201cNoite\u201d, \u201cVozes\u201d e \u201cVida Querida\u201d \u2014 trazem, segundo a pr\u00f3pria autora, hist\u00f3rias biogr\u00e1ficas contadas pela primeira vez. Apesar do interesse natural que os f\u00e3s \u2014 entre os quais me incluo \u2014 tenham em saber mais sobre a vida de Alice Munro, n\u00e3o tem como n\u00e3o achar que, literariamente, essas hist\u00f3rias s\u00e3o um pouco inferiores ao normal da autora, que recebeu o \u00fanico Pr\u00eamio Nobel, at\u00e9 hoje, dado a algu\u00e9m especialista em contos. A verdade \u00e9 que as hist\u00f3rias de Alice Munro s\u00e3o quase sempre literariamente espetaculares e perfeitamente acabadas, enquanto os \u00faltimos contos de \u201cVida querida\u201d parecem apenas um ajuste de contas da escritora com sua m\u00e3e. Se voc\u00ea estiver interessado em receber este e outros textos meus semanalmente, clique aqui e cadastre seu e-mail. Imagem que acompanha o texto obtida no Gemini.<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":6308,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"image","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"footnotes":""},"categories":[36],"tags":[439,1315,1312,1314,1156,44,1313,1166,1311],"class_list":["post-6307","post","type-post","status-publish","format-image","has-post-thumbnail","hentry","category-literatura","tag-alice-munro","tag-companhias-das-letras","tag-conto-contemporaneo","tag-contos-canadenses","tag-critica-literaria","tag-literatura","tag-premio-nobel","tag-resenha-literaria","tag-vida-querida","post_format-post-format-image"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6307","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=6307"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6307\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6310,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6307\/revisions\/6310"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/6308"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=6307"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=6307"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=6307"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}