{"id":6300,"date":"2026-06-03T14:25:54","date_gmt":"2026-06-03T17:25:54","guid":{"rendered":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=6300"},"modified":"2026-05-30T14:31:40","modified_gmt":"2026-05-30T17:31:40","slug":"antologia-pessoal-de-dalton-trevisan","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=6300","title":{"rendered":"&#8220;Antologia Pessoal&#8221;, de Dalton Trevisan"},"content":{"rendered":"<p data-pm-slice=\"1 1 []\">Eu confesso que n\u00e3o tinha lido inteiro \u201cAntologia Pessoal\u201d, de Dalton Trevisan (Record, 448 p\u00e1ginas, lan\u00e7amento original: 2023), quando o coloquei na <a href=\"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=6171\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer nofollow\">minha lista de livros preferidos mais recente<\/a>. Mas n\u00e3o \u00e9 assim t\u00e3o dif\u00edcil de saber por qu\u00ea: como eu mesmo comentei naquele texto, \u201cse o maior contista brasileiro acha que estes s\u00e3o os seus melhores contos, quem sou eu para discordar?\u201d. Ent\u00e3o n\u00e3o precisava l\u00ea-lo inteiro para coloc\u00e1-lo em uma lista de livros preferidos. Al\u00e9m de ser muito mais longo que suas demais obras, a \u201cAntologia Pessoal\u201d d\u00e1 um panorama bastante completo da obra do maior escritor j\u00e1 nascido no Estado do Paran\u00e1. Seria o livro dele que eu levaria se tivesse que ir para uma ilha deserta.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, \u00e9 um livro um tanto estranho para os f\u00e3s. Nas primeiras obras, como \u201cCemit\u00e9rio de Elefantes\u201d (1964) e \u201cNovelas Nada Exemplares\u201d (1959), ele ainda exibia certa distens\u00e3o narrativa; j\u00e1 em suas obras mais recentes, como \u201cAh, \u00c9?\u201d (1994), \u201cPico na Veia\u201d (2002) e \u201c99 Corru\u00edras Nanicas\u201d (2002), ele foi ficando mais e mais telegr\u00e1fico, com contos cada vez menores. \u00c9 meio estranho ver exemplares de todas estas fases juntas num livro s\u00f3, j\u00e1 que seus lan\u00e7amentos originais sempre tinham uma certa uniformidade tem\u00e1tica e na dimens\u00e3o dos contos. Mesmo em colet\u00e2neas como \u201cContos Er\u00f3ticos\u201d (1984) ou \u201cA Guerra Conjugal\u201d (1975), esta uniformidade aparecia \u2014 o que n\u00e3o acontece em \u201cAntologia Pessoal\u201d.<\/p>\n<div class=\"subscription-widget-wrap-editor\" data-attrs=\"{&quot;url&quot;:&quot;%%checkout_url%%&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}\" data-component-name=\"SubscribeWidgetToDOM\">\n<div class=\"subscription-widget show-subscribe\">\n<div class=\"preamble\"><\/div>\n<div class=\"fake-input-wrapper\">\n<div class=\"fake-button\">Outra coisa que chama a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 que, ao mesmo tempo que Dalton Trevisan odeia a modernidade de Curitiba \u2013 em contos nost\u00e1lgico-cr\u00edticos como \u201cEm Busca da Curitiba Perdida\u201d, \u201cMinha Cidade\u201d e \u201cQue Fim Levou o Vampiro de Curitiba?\u201d \u2013, em seus contos mais recentes ele mostra seus personagens convivendo com problemas modernos, como roubos de celulares e v\u00edcio em crack.<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Dalton podia reclamar, como fez no conto \u201cEm Busca da Curitiba Perdida\u201d, do fim dos velhos bondes, do desaparecimento dos pinheirais (\u201dminha terra j\u00e1 n\u00e3o tem pinheiro, o sabi\u00e1 n\u00e3o canta mais\u201d) e da extin\u00e7\u00e3o de figuras cl\u00e1ssicas da prov\u00edncia \u2014 como os imigrantes que vinham em carro\u00e7as vender produtos da col\u00f4nia \u2014, mas ele sempre soube que seus personagens \u2013 frequentemente da mais extrema pobreza, com v\u00edcios, problemas familiares e conjugais \u2013 continuam por aqui, na nossa Curitiba, perdidos e desorientados como sempre.<\/p>\n<hr \/>\n<p><em>Imagem que acompanha o texto obtida no Google Gemini.<\/em><\/p>\n<p><em>Se voc\u00ea estiver interessado em receber este e outros textos meus semanalmente, clique <a href=\"https:\/\/fabriciomuller.substack.com\/p\/jack-the-ripper-o-inicio-de-um-conto\">aqui<\/a> e cadastre seu e-mail.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eu confesso que n\u00e3o tinha lido inteiro \u201cAntologia Pessoal\u201d, de Dalton Trevisan (Record, 448 p\u00e1ginas, lan\u00e7amento original: 2023), quando o coloquei na minha lista de livros preferidos mais recente. Mas n\u00e3o \u00e9 assim t\u00e3o dif\u00edcil de saber por qu\u00ea: como eu mesmo comentei naquele texto, \u201cse o maior contista brasileiro acha que estes s\u00e3o os seus melhores contos, quem sou eu para discordar?\u201d. Ent\u00e3o n\u00e3o precisava l\u00ea-lo inteiro para coloc\u00e1-lo em uma lista de livros preferidos. Al\u00e9m de ser muito mais longo que suas demais obras, a \u201cAntologia Pessoal\u201d d\u00e1 um panorama bastante completo da obra do maior escritor j\u00e1 nascido no Estado do Paran\u00e1. Seria o livro dele que eu levaria se tivesse que ir para uma ilha deserta. Ao mesmo tempo, \u00e9 um livro um tanto estranho para os f\u00e3s. Nas primeiras obras, como \u201cCemit\u00e9rio de Elefantes\u201d (1964) e \u201cNovelas Nada Exemplares\u201d (1959), ele ainda exibia certa distens\u00e3o narrativa; j\u00e1 em suas obras mais recentes, como \u201cAh, \u00c9?\u201d (1994), \u201cPico na Veia\u201d (2002) e \u201c99 Corru\u00edras Nanicas\u201d (2002), ele foi ficando mais e mais telegr\u00e1fico, com contos cada vez menores. \u00c9 meio estranho ver exemplares de todas estas fases juntas num livro s\u00f3, j\u00e1 que seus lan\u00e7amentos originais sempre tinham uma certa uniformidade tem\u00e1tica e na dimens\u00e3o dos contos. Mesmo em colet\u00e2neas como \u201cContos Er\u00f3ticos\u201d (1984) ou \u201cA Guerra Conjugal\u201d (1975), esta uniformidade aparecia \u2014 o que n\u00e3o acontece em \u201cAntologia Pessoal\u201d. 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Dalton podia reclamar, como fez no conto \u201cEm Busca da Curitiba Perdida\u201d, do fim dos velhos bondes, do desaparecimento dos pinheirais (\u201dminha terra j\u00e1 n\u00e3o tem pinheiro, o sabi\u00e1 n\u00e3o canta mais\u201d) e da extin\u00e7\u00e3o de figuras cl\u00e1ssicas da prov\u00edncia \u2014 como os imigrantes que vinham em carro\u00e7as vender produtos da col\u00f4nia \u2014, mas ele sempre soube que seus personagens \u2013 frequentemente da mais extrema pobreza, com v\u00edcios, problemas familiares e conjugais \u2013 continuam por aqui, na nossa Curitiba, perdidos e desorientados como sempre. Imagem que acompanha o texto obtida no Google Gemini. 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